O Mago e a Lavadeira

1 O Mago e a Lavadeira


A muitos anos, em uma montanha escura e coberta de gelo

Havia uma velha cabana onde morava um poderoso feiticeiro.


Ele vivia sozinho com uma enorme quantidade de joias, ouro e marfim,

Mas não gastava nada, pois tudo o que precisava aparecia com um estalar de dedos, no fim.


Em meio a tantas posses, é até estranho imaginar

Que seus bens de maior valor eram um espelho enferrujado e uma capa bem peculiar.


As origens dos dois objetos, já iremos ver,

Deixavam algumas dúvidas, como podem perceber:

A velha capa, grossa e de tom acobreado,

Fora de seu avô materno, dizia, a quem era muito afeiçoado.

O estranho nessa história eu posso lhes informar:

O feiticeiro era órfão de pai e mãe, mas essa informação preferia não revelar.

Já o espelho era mais especial, pois nele se podia ver

A pessoa mais feliz do mundo, que no momento estaria a viver.

Este de uma bruxa chamada Jixim foi comprado.

Só digo uma coisa: ela era famosa por intensificar e fazer poderoso o mau-olhado.

Todos os dias o velho bisbilhotava, de modo sorrateiro
Para ter ser certeza de que ninguém, além dele, refletiria a felicidade no espelho.

Ele pensava “Tendo ouro, jóias, e tudo o que desejo tão fácil assim
Quem mais, se não eu, mostraria o reflexo no espelho de Jixim?”

Todos dias durante anos ele comemorou, muito feliz
Ao mirar o espelho e ver o reflexo de seu gigantesco nariz.


Passou-se muito tempo até que, no começo de uma tarde, ele se assustou com o que viu:
No reflexo do espelho havia uma jovem mulher lavando roupas num rio


"Ora!" de fúria ele explodiu "Como pode uma simples lavadeira ser mais feliz do que eu?"


Durante vários dias o feiticeiro observou a jovem trabalhar
Lavando, torcendo, até com tudo terminar.

No fim do dia até uma cabana pequena, não tão longe, com o espelho ele a seguia.
Ao abrir a porta, um jovem homem e duas crianças a abraçavam com alegria


Cozinhava cenouras enquanto o marido com as crianças brincava

Até que em um ponto da noite, todos juntos ceavam e conversavam

Depois do jantar eles colocavam as crianças na cama, e estas iam sem reclamar.

E junto o casal deitava, abraçado, para por fim descansar.


Confuso e sem entender, observava o velho mago
"Eu não entendo!" ele gritava, e raios saiam de suas mãos, voando para todo lado


"Como esta jovem, com toda a sua pobreza, pode ser tão feliz?" ele se perguntou
Por vários dias pela cabana, bem zangado, ele perambulou.


"Eis que irei descobrir!" se decidiu
Pegou sua capa, ouro, joias, o espelho e da caverna, depois de muito tempo, saiu.


Enfrentou a montanha: gelo e frio; quase entrou em desespero
Mas não desistiria, não até ter certeza de que era verdade o que ele vira no espelho


Atravessou grandes florestas e pequenas vilas
Até que a jovem mulher lavando roupas chegou a suas vistas


Ele foi até ela e com determinação se adiantou:
"Jovem mulher, sei que o meu rosto a senhora não é familiar, mas sou um velho feiticeiro que atravessou os perigos deste mundo esperando que uma conversa com a senhora possa as dúvidas acalentar."


Erguendo os olhos, a mocinha retrucou "É claro que farei de tudo para tentar lhe ajudar, porém não vejo como uma simples lavadeira poderia as dúvidas de um estudado feiticeiro amenizar."


"Minhas dúvidas estão ao seu alcance, minha querida."
"Então tudo bem, sábio senhor. Ficarei grata em, ao menos um pouco, ajudar a melhorar sua vida"


De dentro de sua capa o espelho o velho revelou
"Esse espelho, minha jovem, mostra a pessoa mais feliz que está a viver.
Durante muito tempo nele eu me vi, mas agora nele eu só vejo você! O que me intriga, minha cara, é que tudo do bom e do melhor eu tenho, então como a pessoa mais feliz pode ser você?"


Com cautela a mulher o analisou. Pensou por um instante, até que por fim falou:


"Olhe, caro senhor: o sol já vai se deitar. Sente-se enquanto eu organizo as coisas, convido-o para em minha humilde casa jantar."


Sentou, em silencio, e assistiu maravilhado
O sol tocando a água e sumindo devagar, com a lua em seu encalço.


"Já podemos ir" a jovem o chamou, e ainda maravilhado com aquele espetáculo, com a jovem o velho mago andou.


Andando viu margaridas, rosas e girassóis.
Viu pequenos pássaros fazendo ninhos, outros cobrindo os filhotes com palha como se fossem lençóis.


Viu esquilos guardando nozes e viu formigas entrando em seu formigueiro.

Viu também alguns coelhos, se aninhando em um buraco aos pés de um grande salgueiro.


Viu as árvores balançarem com a brisa
E um casal de grandes borboletas voando por ali, cuidando de suas vidas.


Viu as cores, sentiu os cheiros, ouviu os sons e sentiu a terra em seus pés

Apreciou tanto a caminhada que considerou o tempo um revés.


"Chegamos" a jovem, com calma, o informou.
A mocinha abriu a porta, e à sua família o mago ela apresentou:


"Querida família, hoje teremos companhia: este é um poderoso mago. Tratem-no com cortesia."


Com ternura pelas crianças ele foi abraçado, até que um sorriso em seu rosto, devagar e firme, foi formado


O homem, um jovem forte e bonito, apertou a sua mão

“É um prazer te-lo conosco” ele disse, e o velho percebeu que ele dizia de coração.


"Sentem-se!” disse a jovem ‘’Eu já sirvo o jantar!", ela informou.
E à mesa todos foram, acompanhados do velho senhor


Piadas e histórias naquela noite foram contadas
Risos e gargalhadas podiam ser ouvidos saindo da pequena casa.


A mulher, com um olhar travesso, espiava por de trás do copo fingindo que dele bebia
Quando o velho viu que ela o observava, ele sorriu com ainda mais alegria.


Ele entendia.


Naquela mesma noite, depois de ajudar a limpar, ele partiu.
"Tenho mil coisas para cuidar em minha montanha!" Ele mentiu.

"Tome isso como pagamento pela comida" disse o mago, oferecendo sua bolsa cheia de ouro.

"Não seja bobo, senhor, não pode pagar nossa hospitalidade com nada que tenha em seu tesouro"

Beijou as crianças, apertou a mão do jovem e a jovenzinha, bem forte, ele abraçou.
"Hoje, minha querida, mais que qualquer livro poderia, a senhora me ensinou!"


Com isso, partiu, mas parou onde a mocinha lava suas roupas

E largou o saco de ouro ali mesmo. Ninguém culparia um velho por esquecer das coisas.

O feiticeiro seguiu pelo mesmo caminho devagar, apreciando tudo com nitidez.


De volta a sua cabana, o velho mago sorriu e olhou no espelho, na parede novamente pendurado.

Viu a mulher, homem e crianças dormindo em paz. Sim, este era um lar pela felicidade governado.


Viu seus rostos tranquilos e percebeu que a vida que tinham juntos era sim, feliz.
"A felicidade" ele disse a si mesmo "Não está no ouro, terras ou nada que possamos possuir, mas nas pequenas coisas que, quando querem, podem ir e vir."


E assim o feiticeiro se decidiu, com fervor: O espelho do alto da montanha com força ele atirou. Ouro, joias, tudo o que tinha de lá de cima arremessou.


Por fim, abandonou a cabana, levando consigo apenas a velha e suja capa de seu avô.


Iria o mundo conhecer e sua felicidade encontrar.

Ver lugares, conhecer pessoas, tomar um ar.

"De qualquer maneira" ele pensou" nunca é tarde para começar."

Notas finais
Se você leu até aqui, muitíssimo obrigado ♥Essa é a minha primeira história, então espero tenha agradado. Brincadeira, chega de rimar. Muito obrigado mesmo pra você que leu até aqui. Esse tipo de texto não é a minha especialidade (se é que eu tenho alguma) mas como a gente ta nesse climão bem caridade e abnegação com o Natal, thanksgiving e ano novo eu resolvi postar assim mesmo. Comentem se surgir qualquer dúvida, reclamação, sugestão, ofensa etc etc, to aqui pra isso ;).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!