O Loiro lindo da BR
1 Vários meses de tortura
Notas iniciais
É Difícil acordar ás 5 horas da manhã depois de dois longos meses acordada até essa mesma hora. Ou seja, passar a madrugada inteira lendo, pode ser muito triste depois de um tempo.
Aquele dia foi o mais pesaroso de todos os tempos, eu havia acabado de me mudar para o Taboão da Serra, e também me mudado de escola. Por esses fatos chatos, eu não conhecia ninguém.
Naquela manhã eu estava triste, com saudades e amedrontada com a quantidade de alunos em pleno primeiro dia de aula, foi um tremendo pé no saco, mas teve sua recompensa afinal.
Comecemos pela minha saída de casa as 6h20 da manhã partindo para a terrível multidão que é a minha nova escola. São 52 metros da minha casa até lá, uma verdadeira maratona para quem não está acostumado, mas não é meu caso. Em média eu caminho uma hora e alguns minutos por dia, isso se não contar quando eu saio para outros lugares.
Meus pensamentos estavam me enlouquecendo. E se não gostassem de mim? E se eu fizesse alguma besteira? E se... E se... E se... Eu já não aguentava pensar nesses inoportunos E se. Enquanto eu tentava barrar esse jorro matinal de baboseiras, eu passava em frente a um hotel na BR, quase sorri ao lembrar que na noite anterior meus irmãos haviam visto um bumbum peludo em uma das janelas verdes daquele lugar. Eu estremeço até hoje imaginando.
Com a sombra de um sorriso, e os pensamentos tomando rumos diferentes do que tinham sido em poucos minutos antes, eu olho para frente hesitando ao cruzar o olhar com um alto, lindo, misterioso e fora do meu alcance loiro de olhos acinzentados. É realmente estranho sentir-se quente apenas com um olhar, mas... Nossa, que olhar.
Me segurei para fingir-me desinteressada, e por segundos um brilho de desapontamento apareceu em seus olhos. O que posso fazer? Não é como se eu pudesse pular em seu colo e dizer: Ei, relaxa, eu sou sua agora mesmo se quiser? Não, fora de cogitação, eu já tinha problemas demais com garotos que eu havia acabado de conhecer, e eu nãos sou o tipo de garota que se joga para qualquer um que me olha na BR.
Segui em frente, ignorando a vontade de olhar para trás, sentindo a necessidade de pega-lo me fitando. Eu jamais teria coragem de aborda-lo, eu nem o conhecia, nem o conheço!
A verdade é simples e clara: Sou um fracasso em fazer novas amizades, e a coisa mais interessante desse dia foi o Loiro lindo da BR que, com certeza, eu nunca mais veria novamente, certo? Errado, eu o via todos os dias, no mesmo lugar, e em cada dia, uma sensação diferente. Temor, curiosidade, desejo... Tudo por que ele apenas me olhava discretamente enquanto eu fazia o mesmo.
E um segredo sobre mim: Quando fico curiosa sobre uma pessoa, eu fico imaginando coisas antes de dormir. E adivinhem o que fiz? Exatamente, ele virou alvo de meus sonhos lúcidos. Cada dia um pensamento diferente, um nome diferente, e nada se comparava com isso, parecia tão real.
"Na BR novamente, estou caminhando tranquilamente na manhã de outubro, imaginando se o estimulador, loiro, aparecerá. Então ouço um tiro e... Não, lá está ele, cambaleando com a perna cheia de sangue.
Corro para ajuda-lo, e quando ele olha para mim, me sinto elétrica e tão, tão protetora, antes de ele protestar eu o firmo ao meu lado e corro o máximo que consigo com seu peso para o hotel.
O Interior do ambiente é verde e branco, nada de luxo, pelo contrário, é um hotel de beira de estrada, escuro e sem graça. Entramos furtivamente em um dos quartos, não vimos ninguém, mas eu sinto a necessidade de não chamar atenção, sinto como se o perigo nos ronda-se. E de repente, tudo fica escuro, uma noite prematura, eu olho para um loiro ensanguentado e cansado pensando em como começar a conversa, se eu devo começar uma. Decido fazer-lhe um curativo.
Depois de arrastar uma cômoda para a porta e um armário para a janela, corro para o banheiro á procura de uma caixa de primeiros socorros e, quando viro para voltar para o quarto, dou de cara com o loiro se apoiando no batente da porta.
–Não devia estar de pé, está muito ferido! -Digo correndo para firma-lo, cambaleamos, e sem notar estou entre ele e a porta. -Droga, se você desmaiar em cima de mim eu...
–Com certeza não desmaiaria estando em um quarto com você! -Provoca-me ele, fazendo uma careta de dor. -Se eu me mexer nós dois caímos!
–Como eu disse, não devia ter levantado! -Ignoro sua respiração quente em meu rosto. -Vou empurra-lo para a cama, use meu impulso para ajudar, okay?!
Ele suspira dramaticamente, me surpreendendo com sua capacidade de manter o bom humor estando baleado em um quarto de hotel escuro.
–No começo do mês, eu quis tanto ouvir você dizendo que me quer na cama... -Eu ri, não pude aguentar, ele franzindo o cenho sorriu. -Acho que já estou delirando!
–Provavelmente... Qual seu nome? -Por um momento, esqueci que ele ainda estava de pé com a perna cheia de sangue encostada em mim. -Desculpe, vou contar até três... -Respiramos fundo sem quebrar o contato visual. -Um... Dois... Três...
E lá estávamos nós, deitados na cama, e de alguma forma, eu estava pressionada entre o colchão macio e ele. Sentindo cada músculo, cada movimento provocado por sua respiração, e cada batimento cardíaco acelerado... de ambos. Sua boca a centímetros da minha, e seus olhos tão perfeitos e dilatados, seus braços musculosos apoiando seu peso em ambos os lados.
–Se você não se mexer... -sussurrei -Não poderei limpar sua perna!
Ele permaneceu imóvel, me olhando fixamente.
–Caio! -Ele disse, franzi o cenho -Meu nome é Caio!
–Oh! -Meus olhos voaram para seus lábios, tão perto, tão ao meu alcance.
–E o seu? -Voltei meus olhos para os seus, ele olhava minha boca também.
–Meu o que? -Perguntei aproximando-me mais de seu rosto, ele sorriu.
–Nome... -Sussurrou, seus lábios já estavam juntos aos meus quando eu murmurei "Jennifer"."
A Buzina de um caminhão me acordou do sonho, cada dia uma coisa diferente, semana passada foi um cara dizendo "-Bom dia, flor do dia!", no entanto, eu sempre volto para os sonhos, com ainda mais imaginação.
"O Beijo está tão faminto, tão necessitado, que o cansaço que havia estado em Caio, havia sumido. Já não lembrávamos de sua perna machucada, mas sabia que não duraria. Um Tiro ecoou do lado de fora do Hotel, nos deixando paralisados e... Quentes.
–Droga, coloque a a blusa! -ele sussurrou. -Inferno, odeio ter dito isso! -beijou-me os lábios e de vagar agarrou a caixa, antes esquecida, de primeiros socorros. -Jennifer, pode ver se tem uma tesoura na cabeceira, por favor? -Sua voz rouca, me arrepiou. -Obrigado... Temos que sair daqui!
–Temos... Caio, deixe que eu enfaixe! -Falo vendo-o fazer careta. -Foi de raspão, ainda bem, ir a um hospital em meio a holocausto...
–Se não abotoar essa sua blusa, vai ser impossível fugirmos agora! -ele sussurrou, distraído. Olhei para baixo e vi dois botões faltando, ele deve ter arrancado na hora...
–Desculpe, mas é somente culpa sua! -murmurei, fingindo mau humor."
Meses depois, nunca mais o vi.
É tão triste nunca mais ver uma pessoa que te encoraja a acordar tão cedo, as vezes até dói... A Vista de manhã por causa da luz. Mas não importa, eu até que me sinto melhor, mas um tanto curiosa.
Por isso se alguém o conhecer, se alguém souber quem é ele, me avisem!
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