O Livro dos Cavaleiros Parte I

7 VI Randy: Coice vai... Soco vem... E um chute a seguir...


Notas iniciais
É importante destacar que esse capítulo serve para explicar a situação com que que os recrutas lidarão a partir de agora, mostrando os riscos que vão tomar ao longo do caminho. Portanto, é comum que sintam que o capítulo que o capítulo ficou "vazio" e pouco revelador, já que ele mais serve como um "gancho". O final deste capítulo, aliás, é o primeiro passo para a revelação do "mistério Nomicon'".

Quando Jake levantou a mão, Randy ficou particularmente surpreso. Principalmente porque seu amigo estava bem do seu lado e ele quase o acertou em cheio com a mão na cara. Porém, ele sabia que promessa é dívida. Tudo isso ocorreu em mais ou menos dois segundos, mas foi o bastante para que se decidisse e levantasse o braço também.

Como Danny tinha virado um amigo muito próximo deles, não foi se se esperar que fez o mesmo. Além do mais, acrescentou à sua ação:

–Nós três somos contra!

E não eram os únicos. Pouco a pouco, seus colegas foram repetindo o gesto. Shasta, Kai, Finn... todos eles. A força da rebeldia atingiu um alcance impressionante. Assim, foram os recrutas de Brian, cidadãos de Milana, e até alguns guardas!

–Como ousam? –Exclamou Chaos- Depois de tudo o que eu disse?

–A única coisa que você falou foi besteira, Chaos! –Gritou Sam, pela primeira vez naquele dia- Para não dizer outra coisa!

A rainha a olhou com nojo, como se tivesse visto o mal encarnado na sua frente. Muito brava, ela anunciou:

–Bem, meus caros, querem saber? Eu não me importo com suas opiniões! –Explodiu em raiva- Afinal, quem é a imperatriz por aqui?! Podem cortar a cabeça dela, pois vou querer como troféu!

Para combinar com o clima de rebelião, ela foi respondida com uma saraivada de gritos e vaias. Mesmo com todo o barulho, uma voz fina e docinha se sobressaiu:

–Só se passar por cima do meu cadáver! –E um certo casco cor de baunilha ergueu-se em protesto para incrementar.

Todos os olhos se direcionaram a uma pessoa. Ou melhor, a uma égua. Seu focinho estava erguido e suas asas abertas em desafio. A doce e inocente, mas acima de tudo valente, Erroria tinha se oferecido para morrer pela sua treinadora.

–Ótimo! Se for assim, decapitem ela também! Podem pegá-la, guardas!

Dois foram, os mais fortes dali, pareciam até armários. Um tinha pele cinza como pedra, o outro possuía dentes que pareciam marfins. Quase que a multidão não os deixa passarem, se não fosse com força bruta e ameaça por parte deles, pois conseguiram andar sem problemas.

Erroria tinha um brilho nos olhos que ela só tivera uma vez até então. Era o brilho do ódio, que ela mesma se proibia de sentir. Mesmo assim, a situação atual não deixava. A pônei estava pronta para a briga.

Para imobilizá-la, o guarda de pedra a segurou pela nuca. Ela lhe dá um coice bem no estômago, sem nenhuma pena. Ele a larga e se contorce para frente por causa da dor, quase passando mal e vomitando.

O dentuço foi ajudar o colega, mas a alicórnio mordeu seu dedo antes que sequer tocasse nela. Como era o mais forte, não se deixou abater. Deu uma rasteira e a fez cair. Consegui imobilizá-la, e a ergueu pelas asas.

–Para! Isso dói! –Reclamava. E realmente doía, porque as asas são as partes mais sensíveis de um pônei.

Mas ele nem quis saber.

–Ei! Deixa ela em paz! –Chamou uma voz. O dentuço olhou para o lado. Era Dipper, queria ajudar a amiga de qualquer maneira. Porém, na emoção do momento, nem tinha pensado no seu livro de feitiços. Tudo o que fez foi dar socos repetidamente na perna do oponente, mesmo não fazendo muito efeito.

O guarda riu com sarcasmo. Não eram simples socos que iam fazê-lo desistir. Porém, o garoto de boné tinha vantagem: as palavras. Anos lendo livros fariam a diferença, afinal.

–Vocês vão deixar que isso aconteça? –Dizia aos colegas, amigos, estranhos... Todo o mundo- Bem na hora que alguém quis fazer a diferença, vocês mesmos dão as costas? Ela vai morrer por sua causa! As coisas não vão melhorar se continuarem assim! Então, alguém nos ajude para eu saber que não estamos sozinhos nessa!

Começou com um empurrão. Tinha sido Shasta, que fez o dentuço logo soltar a amiga. O cinzento foi repreender a lutadora, mas foi queimado por Kai, que lhe desferiu um tiro flamejante logo que agarrou o braço da bestaana... até que aproximadamente 15 pessoas já estavam se batendo.

A rainha já estava vendo que algo errado acontecia. Mandou reforços por imediato. Os cidadãos de Milana não quiseram a presença dos guardas, e resistiram com violência. Quanto mais reforços eram mandados, mais extensa ficava a pancadaria.

Chegou a um ponto que aquilo mais parecia um ringue de batalhas. Randy não tinha espaço nem uma pausa para colocar seu traje ninja, portanto lutava com suas próprias habilidades, se lembrando do que aprendeu.

E ele viu Chaos. Assombrada, chocada, com medo. Era muita sorte todos estarem se concentrando em sair daquela bagunça do que na figura principal do show. Demorou para ver que tinha que correr senão a próxima a ser espancada seria ela.

Atrás da arena tinha uma porta, que provavelmente levava a algum lugar secreto. A rainha fugiu por lá, correndo da maneira que podia com seus saltos e vestido longo e pomposo. O ninja não deixou barato. Acelerou o passo e foi passando no meio das pessoas, empurrando quem quer que fosse. Gritou para seus amigos:

–Ela está fugindo! –Apontou com o dedo para Chaos, que olhou para trás e acelerou o passo.

Jake, usando suas habilidades de dragão, deu uma baforada de fogo para que um guarda o largasse. Danny jogou uma bola de ectoplasma verde em um cara que estava segurando seu pé para que não fugisse.

Correndo juntos, foram atrás de Chaos, que tinha chegado a porta. Mas ela estava trancada, e a ditadora não possuía a chave. Bateu, apressadamente, gritando para quem quer que estivesse lá dentro:

–Seya! Abre isso logo! Está tendo um apocalipse aqui fora!

A porta abriu lentamente, pois era velha e pesada. Enquanto corria, Randy colocava seu traje ninja, Danny se tornava em sua forma fantasma, Jake em sua parte dragão. Sorte de Chaos que Randy tinha tropeçado em seu cachecol, e seus amigos o esperaram para se levantar. Lealdade, para eles, vinha em primeiro lugar (apesar de que, para o fantasma e o dragão ocidental, aquele acessório era inútil mesmo).

Quando a porta se abriu definitivamente, uma criatura encapuzada com cauda de cobra no lugar das pernas surgiu das sombras, deveria ser o Seya. De lá, saía uma brisa congelante. Tinha a voz rouca, e falou a Chaos:

–Sorte que eu não estava lá embaixo, junto com outros, minha jovem. Entre, rápido.

Ela entrou. A porta se fecha quase na cara dos garotos, prendendo a cauda de Jake. Ele murmurou:

–Ah, cara! –E bufou fumaça pelas narinas reptilianas, tirando sua cauda com um leve esforço- Foi por pouco! Quase que capturamos essa... –Antes de completar, olhou para sua cauda, tinha algo preso nela, e estava pinicando- O que é isso? –E com a ponta de suas garras, pegou uma coisa pequena e triangular, de cor esverdeada.

–Não é uma escama sua? Afinal, você é um dragão e tal... –Supôs Danny.

–Dá para ver que sou vermelho, só a couraça da barriga amarela. Deve ser daquele homem cobra, pode ter se soltado ou algo assim, e depois grudado em mim quando prendi a cauda.

–Me deixe ver. –Randy pegou a escama, analisando-a na palma de sua mão. Depois de observar um pouco, disse- Sabe, algo me diz que devemos guardá-la.

–Não sei qual seria a utilidade disso. –Opinou Danny- Mas fique com ela se quiser.

Uma voz os chamou. Era uma mistura de grave com desafinada e alta, acho que sabem até quem é:

–Ei, trio secreto! Estou aqui! –Se disse que foi Sam, acertou. Ela tinha rolado para um canto da arena, evitando que fosse pisoteada ou algo parecido- Pode tirar essas coisas de mim? –Referia-se a focinheira e as algemas.

–Claro! –Randy logo se dispôs. Sacou a espada-ninja e cortou as algemas no meio, enquanto Danny retirava a focinheira. Mas deviam confessar que a professora ficava engraçada com aquele “acessório”, já que combinava com seu jeito “selvagem”.

A briga já se dissipava, pois muitos estavam fugindo e outros tinham desmaiado por tanto golpear e ser golpeado. Os 8 logo se encontraram em um canto, sem chamar muita atenção. Começaram a traçar um plano:

–Bem carinhas, eu preciso agradecer pela ideia da rebelião. –Agradeceu Sam, primeiramente- Vocês foram uns verdadeiros recrutas, de muita coragem, e, acima de tudo, leais! Pareceu uma coisa que eu mesma faria!

Todos agradeceram. Só que com um ar mais desanimado, a treinadora continuou:

–Infelizmente, estamos na condição de foragidos, algo que eu entendo bem. E isso não é nem um pouco bom.

Vendo que poucos entenderam, explicou:

–Quer dizer que somos procurados da polícia, e depois que tudo isso acabar vão fazer cartazes com caricaturas de nós todos, irão pendurar nos postes da cidade e os guardas vão nos procurar por todas as regiões de Milana. Por experiência própria, eu digo que estamos ferrados.

–E para onde a gente vai? –Perguntou Dipper, preocupado.

–Vamos ao Q.G. da H.E.R.M. e dizer para a Solaria o que aconteceu. Depois, com a ajuda dela, traçaremos um plano para salvar nossa pele. –Sugeriu Finn.

–Ótima ideia. –Elogiou Sam, o espadachim agradeceu com um aceno de cabeça- Então, espero que estejam com bastante energia, pois até essa noite precisaremos estar na Floresta das Mil Coisas. Com certeza Chaos não vai se arriscar a pôr seus pés lá dentro no meio da escuridão.

Ela estendeu a mão, com a palma metálica voltada para baixo.

–Quem vem comigo? –Deu um sorriso, mostrando seus “dentinhos” afiados.

Um a um, uniram suas mãos, colocando uma em cima da outra.

–Vamos então?

–Vamos! –Responderam o resto, em uníssono. Ao mesmo tempo, jogando as mãos para o alto. A energia pesada e violenta tinha sido substituída por uma energia positiva e determinada.

...

Naquela noite, tinham ido acampar na Floresta das Mil Coisas. Shasta, com seu conhecimento aprofundado sobre a natureza, ajudou-os em muitos aspectos. Tanto para a construção dos abrigos, fazendo toldos com galhos grossos caídos no chão; e até no jantar daquela noite, guiando Finn, que estava equipado com sua espada (pegou-a de um guarda durante a pancadaria) e tendo uma grande precisão, para animais que poderiam ser comestíveis e ter um gosto bom.

Depois de terem feito uma fogueira próxima aos toldos, reuniram-se em torno dela. Enquanto comiam um javali (Shasta tinha dito que a carne tinha um gosto semelhante a porco), conversavam sobre o que iam fazer no dia seguinte.

–Bem caras, preciso dizer à Solaria que é tudo minha culpa. –Explicava Sam- Afinal, eu sou a responsável por vocês, e nada mais justo que eu ter toda a responsabilidade de sua segurança.

–Que isso, Sam. –Amenizava Finn- Solaria tem cara de ser gente boa, ela com certeza vai entender que Randy cometeu um engano com o livro dele e acabamos raptados pelos guardas de Chaos.

–Acho que já tínhamos encerrado esse assunto do livro brilhoso... –Resmungava Kai, que pelo jeito não tinha simpatizado muito com o Ninja Nomicon.

Mesmo o assunto ser sobre ele, Randy não estava nem aí. Estava mais concentrado no Nomicon. Ainda não tinha dado sua lição diária, algo muito raro de ser acontecer, e nem respondia quando ele o abria.

Começou a examinar o que tinha de errado com seu precioso livro. Teria molhado, ou rasgado uma página? Seria possível “quebra-lo”? Ao observá-lo atentamente, começou a folhear as páginas, percebendo que nunca tinha o “lido” realmente. Elas eram carregadas de ilustrações bem típicas do Japão-feudal, com direito a mensagens que Randy não entendia, pois eram escritas em japonês.

Ao folhear as páginas, percebeu uma que tinha melado sua mão com algo verde e viscoso, imediatamente limpou na sua blusa. Voltando para a mesma, viu que algo estava preso nela, soltando aquele líquido que se espalhava pelo resto das páginas. Pegando na mão e observando melhor, percebeu que parecia muito familiar...

Analisou o bolso, e achou o que procurava. Comparou os dois objetos. Era o que ele estava pensando esse tempo todo, mas pensava que era uma teoria louca. Jake, vendo que o amigo estava bem agitado, mas quieto, perguntou:

–O que aconteceu? Não disse nada a caminhada inteira, e nem está jantando direito!

–Obrigada pela consideração, pai. –Brincou o amigo com a preocupação do amigo- É que... –Aumentou um pouco o tom de voz, para que o resto ouvisse- Descobri porque Sam não precisa se culpar por tudo o que aconteceu.

–Como assim? –Perguntam a maioria.

–A culpa não foi minha, nem da professora, nem do Nomicon! Alguém envenenou as páginas do livro!

Notas finais
Como alguém poderia ter envenenado as páginas do Ninja Nomicon? Sam e os recrutas voltarão seguros para casa? Quem é Seya e aos "outros" a que se refere? Onde Chaos está agora? Solaria vai entender o que aconteceu, ou punirá Sam/Randy? Não perca: o capítulo 7, focado em Danny.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.