O Livro Do Destino
40 Procurando pelo castelo
–Mike, não dá tempo. falei. puxando-o.
O relógio bateu meia noite e como sempre os cadáveres saíam do chão. Meus amigos e eu fomos nos aproximando cada vez mais um do outro.
–Como iremos sair daqui? perguntou Felipe quando já não havia para onde se encolher.
–Provavelmente... assustando-os. Falei.
Felipe me olhou confuso.
–Vamos subir no telhado daquela casinha! Falou Mike apontando para uma casinha de materiais de jardim.
–O quê? Perguntou Felipe que não devia ser acostumado em subir nos telhados das casas como nós.
–Não, a casa é frágil, melhor não subirmos, temos que fazer algo que o Destino não espere. Falei.
–Pode funcionar. concordou Mike.
–Mas... o que seria?
Pensei um pouco, fixei meu olhar para um ponto qualquer e concentrei-me.
–Preciso ficar calma. Falei em tom baixo.
Olhei mais intensamente para o ponto, tudo em volta começou a se mexer, menos uma pequena torre distante que eu não havia reparado.
–Eu só preciso me concentrar nas coisas reais. falei ainda olhando fixamente para a torre.
Os zumbis já estavam a menos de 1 metro de distancia.
–Julie! alertou Felipe, mas eu não pude olhar para trás, ainda estava me concentrando em um ponto.
–Os zumbis não existem. falei alto.
Me aproximei de um e lhe dei um tapa, ele sumiu, virou pó.
Mike e Felipe olharam assustados para a nova descoberta.
Pouco tempo depois não havia mais nenhum zumbi a vista e estávamos cansados de tanto correr atrás de zumbis.
–Não entendo, por quê o Destino deixou tudo tão fácil? perguntou Felipe.
–Por que ele quer-nos no castelo, isso foi só um brincadeira sem graça dele. Mike respondeu colocando a mochila nas costas.
Felipe deu de ombros.
Olhamos em volta com mais calma, vi uma lápide que chamou atenção, a lápide da Laura.
–Então, todos que morreram nas mãos do Destino vem parar aqui?
–Talvez. Respondeu Mike se aproximando e olhando a lápide.
–Hey! Julie, dá uma olhada aqui! falou Felipe.
Me aproximei do lugar em que Felipe estava.
–Julie, de 1998 a 2013. Eu morro ainda este ano? perguntei lendo a lápide.
Nós olhamos surpresos para a lápide.
–Melhor sairmos daqui. falou Mike pegando minha mão e quase me arrastando para o portão trancado do cemitério.
–Como iremos sair? perguntou Felipe andando do nosso lado.
–Não sei. Respondi.
Ouvi um barulho qualquer vindo de uma moita, outro zumbi que devia ter escapado.
–Tranquilo, eu o faço desaparecer. Falou Felipe se aproximando, mas antes que ele desse um tapa no zumbi este deu um tapa nele e ele sumiu junto com o zumbi.
–Felipe? perguntei olhando em volta para provar a mim mesma que aquilo não havia acontecido.
–Melhor sairmos daqui, agora. falou Mike mexendo no cadeado em vão.
–É inútil, não temos a chave. Falei sentando em uma pedra e tentando não entrar em pânico.
–Você tem um grampo? Mike perguntou.
–Tenho, mas não acho que... respondi tirando um do meu cabelo e lhe entregando.
–Eu passei um mês em um acampamento de escoteiros, era nossa obrigação saber abrir um cadeado. Ele respondeu tentando abrir o cadeado.
Dei um suspiro.
–Além do mais, o Destino quer que chegamos ao castelo, ele não irá complicar tanto. Mike falou ainda tentando abrir o portão.
–Mike, será que conseguiremos encontrar minhas primas, o Felipe e salvar a Laura? perguntei como aquelas crianças que tem medo da própria existência.
Mike tentou pela última vez abrir o portão, deu um suspiro cansado e sentou do meu lado.
–Acho que sim. ele respondeu.
Olhei pro céu procurando algo que me confortasse, mas não haviam nem estrelas.
–Tenho certeza de que tudo acabará bem. ele falou sorrindo.
–Eu espero. falei brincando com minhas mãos.
–Vamos tentar abrir o portão? ele perguntou ajudando-me a levantar.
–Vamos. falei cansada.
–Talvez só tenhamos que... Mike encostou no portão e ele desapareceu fazendo-o cair de cara no chão.
–Tudo bem? perguntei rindo.
–Então era assim? ele falou rindo também.
–Precisamos chegar naquela torre. falei apontando para uma torre alta com luzes amarelas em algumas janelas.
Entramos na floresta, tudo era escuro e eu não enxergaria um palmo na minha frente.
Demos as mãos e fomos andando com cuidado.
Procurei por todos os lados para ver se encontrava um daqueles fantasmas do labirinto, mas eles não estavam lá.
Do nada começamos a ouvir gritos torturantes e alguns cochichos, depois ouvimos passos vindo em nossa direção.
–Mike... falei segurando o braço dele com força.
–Calma... ele falou encostando-se em uma árvore e eu fiz o mesmo.
Um ser, em vestes pretas e respirando pesadamente saiu por entre as árvores causando-me arrepios, era o ser de capa, comecei a encontrar dificuldade de respirar, a única coisa que podia fazer era apertar ainda mais forte o braço do Mike.
–Onde estão vocês? falou o ser de capa pausadamente em uma voz rouca, pesada e sombria.
Mike e eu nos encolhemos mais entre as árvores.
–Julie... falou o ser.
Acho que neste ponto o braço do Mike já estava dormente de tanto que eu estava apertando.
–Como saímos daqui? perguntei o mais baixo que pude.
–Não sei. Mike respondeu no mesmo tom.
–Eu sei onde vocês estão, para onde vão e o que querem. falou o ser novamente.
Olhei desesperada em volta, tinha que haver uma saída, mas seria perigoso de mais arriscar qualquer coisa.
–Julie, vamos mais para dentro da floresta. falou Mike baixinho.
Assenti com a cabeça mais acredito que com a escuridão local ele não percebeu.
Corremos com toda a rapidez que podíamos, quando começamos a notar uma luz no meio da névoa.
–Vamos seguir a luz. falei.
–Não acho um boa ideia. falou Mike.
–Não temos tempo para ideias. falei correndo.
A claridade ficava cada vez mais forte, chegamos em uma clareira toda iluminada por milhões de velas com um caldeirão no meio, o lugar era sombrio e tinha um ar suspeito.
–O que tem dentro daquele caldeirão? perguntei.
–Julie, não. Falou Mike segurando minha mão fazendo-me parar.
–Por quê? perguntei.
–Não percebe que aqui é um lugar de magia negra? e se houver algo assustador e traumatizante dentro do caldeirão?
Minha curiosidade era enorme.
–Vamos para o castelo logo. insistiu Mike que com toda certeza estava com medo.
–OK. concordei esquecendo minhas ideias.
–Não tão rápido. Falou algo entre as árvores.
A luz das velas foram se apagando enquanto o ser passava perto delas.
–Julie, você queria tanto ver o que tem dentro do meu caldeirão, por favor, dê uma olhada.
Senti uma coisa invisível, como uma corrente de ar muito forte me empurrar cada vez mais perto do caldeirão.
–Venha. Falou o ser que usava a capa ou a capa que usava o ser.
Fechei meus olhos quando senti o calor que o caldeirão transmitia.
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