O Livro Do Destino
68 Novas fronteiras
–Mike? perguntei espiando quando abri a porta.
–E aí? Ele perguntou guardando um livro qualquer dentro da mochila.
Corri até ele sorrindo.
Mas para seu espanto, me agachei do seu lado, abri a mochila dele e tirei o livro.
–Eu queria tanto ler este livro. Falei olhando pro exemplar com a capa um pouco amassada.
Ele revirou os olhos.
–Está disfarçando o quê? Ele perguntou tentando inutilmente ler o livro que estava em minhas mãos.
Fechei o livro.
–Então... Mike... eu estava pensando, a Letícia teve um sonho ruim e quer voltar para casa.
–Mas acha que é uma premonição? Ele perguntou guardando o livro novamente na mochila.
–Não sei, acho que não, mas acho melhor vocês... ela, voltar. Falei olhando pro chão para não prestar atenção nos olhos castanhos mais lindos que já vi que me olhavam com curiosidade.
Respirei fundo.
–Olha, sinto que é perigoso deixar vocês dois aqui. Desabafei pro chão.
Ele apoiou seu braço no meu ombro.
–E eu vou te deixar aqui sozinha?
–É melhor, eu resolvo as coisas, dou um jeito, sabe que consigo.
–O problema, Julie, é que está tudo tão incerto que...
–Tem medo de não me ver de novo? perguntei sorrindo.
Ele olhou pro teto e depois concordou de leve.
A maior parte do tempo parecia que Mike ouvia música, estava sempre concentrado em algo e ignorava o mundo à sua vida, respondia quando realmente achava que valia a pena.
Belo dom.
–Mas eu quero que vá.
Seu sorriso disfarçou seu olhar preocupado.
–Mike, como meu namorado, quero que me avise tudo que acontecer, mantenha-me informada.
Ele sorriu.
–Acredita? somos namorados. Ele falou rindo e olhando para outro lado.
–Nunca pensei...
Rimos juntos.
O que vou dizer? Eu não sei... as palavras que se encaixam aqui: eu o amo.
–Então, você pode me fazer esse favor?
–Qualquer um. Ele falou dando de ombros.
–Ah, por favor, cartas. Falei sorrindo.
Ele revirou os olhos.
–Quer somente cartas? ele perguntou rindo.
–Nem vêm. — Falei colocando a franja que continuava caindo nos meus olhos para detrás da orelha. — Me recuso a beijar alguém agora.
Ele revirou os olhos.
–Desde quando eu espero mesmo? ele perguntou brincando.
–Desculpe, acho que desde sempre, mas é que eu já estou um pouco consternada sobre o que aconteceu hoje de manhã. — falei coçando a cabeça — Pensar em beijar alguém para mim agora é realmente agonizante.
Ele riu.
–Estou acostumado com suas crises.
–Ups...Acabei de sair da crise. Falei inclinando-me.
Meu primeiro beijo.
Foi... esquisito...
Mas... maravilhoso...
Arregalei os olhos.
E nossa como minhas bochechas queimavam.
–Tchau. Ele falou.
E naquela frase e o jeito que encarava o mundo naquele segundo pareceu que ele tirou o fone de ouvido e se espantou ao ver o mundo, pior, o meu ver também.
Acenei.
Ouvi seus passos distantes.
Suspirei.
E finalmente...
Sorri.
Não sei quanto tempo fiquei pensando no nada encostada na parede, mas sabia que já estava sozinha.
Sentei em um canto escuro e me encolhi, sorrindo como uma criança que acabou de ganhar o presente tão sonhado e não consegue para de rir e sorrir, mas mesmo assim tenho que pensar na parte da minha vida que derroto o Destino, quando este capitulo chega?
Em breve.
~~//~~
Ouvi vários passos fortes vindo do corredor, provavelmente um dos seus filhos.
Me encostei na parede o máximo que podia.
–Eu sinto cheirinho de vida! Ouvi uma voz infantil falando.
Ótimo, a irmã psicopata da família psicopata do Felipe.
–André, venha! Fernanda falava.
–Eu sei que ela está ali. Mariana falava.
A porta da minha cela abriu.
Fechei os olhos como se ficasse invisível com isso.
–Ela está no meio da escuridão. Marina falou e eu vi seu pequeno braço apontando para outra direção da cela.
–Droga. sussurrei de um modo que nem eu ouvi.
Senti algo segurar minha mão.
E logo senti algo tapar minha boca antes que eu gritasse de susto.
Felipe inclinou o rosto deixando um pouco de luz iluminar seu nariz pálido.
Ele piscou.
–Eu cuido disso.
Revirei os olhos.
Olhei novamente para a cela, eles haviam sumido.
–Salvando a donzela.. para sempre. Ele falou tirando um chapéu imaginário da cabeça e fazendo uma reverencia.
–Pensava que estava bravo comigo. Falei tirando sua mão de meus lábios.
–A donzela pode estar comprometida, mas não por muito tempo. Ele falou esfregando as mãos.
–Seja como for você não pode fazer nada contra o Mike. Respondi revirando os olhos.
–Por favor, donzela, aceita uma dança?
–Não, muito obrigada, eu estou ocupada.
–É uma dança, uma das coisas mais inocentes que existem.
Revirei os olhos.
–Desculpe, mas terei que insistir. Ele falou sorrindo.
–Felipe, para.
Ele fez que não com a cabeça.
–Tudo bem, vai ser mais legal que uma dança convencional. Senti meus pés saírem do chão, de verdade.
–Já pode abrir os olhos. Felipe falou quase cantando.
Olhei para o chão.
–Estamos de ponta cabeça? perguntei assustada.
–Legal, né? agora, se não quiser cair e... morrer não solte minhas mãos.
–Por favor, Felipe, me coloque no chão. Falei assustada.
Ele me ignorou.
–Felipe. insisti.
Ele começou a murmurar uma música.
–Felipe, não me obrigue à lhe dar um tapa.
–Não vou nem sentir. Ele falou num tom desafiador.
O encarei com raiva.
Soltei uma de suas mãos.
Me senti cair, mas não caí no chão, o chão ainda estava à alguns metros de meus pés (os tetos das celas eram enormes). Estava somente pendurada no teto com Felipe segurando minha outra mão sem parecer que segurava nada.
–Ajuda? ele perguntou estendendo a outra mão.
Fiz que não.
–Solta minha mão.
–Para que caia e se machuque? -Ele sorriu. — Eu nunca deixaria que isso acontecesse.
Revirei os olhos.
–Mas me abandonar em uma terra que eu desconheço você deixa, não é?
–Você tem ódio de mim. — Ele falou feliz. O olhei com surpresa. -Você realmente tem ódio de mim!
–Acha isso bom? perguntei.
–Sabe que o ódio é o amor adoecido, não sabe?
Revirei os olhos rindo.
–Você é tão apaixonada por mim que me odeia por isso.
Ri.
–Acertou em cheio. Falei irônica, mas acho que ele não entendeu como uma frase irônica.
–E aí? o chão ou minha mão? ele perguntou sorrindo.
Revirei os olhos.
–O chão. Falei desafiando-o.
–Sabe que aqui no meu castelo nada que você imagina se torna realidade né?então você vai realmente cair no chão.
–Sei, sei disso. Respondi.
Ele ergueu a sobrancelha.
Senti que ele iria soltar, mas logo ele segurou minha mão com mais força.
–Droga, Julie. Ele resmungou pulando do teto e aterrissando no chão em pé enquanto eu cai sentada.
–Felipe, tenho um plano.
Ele revirou os olhos.
–Não conte comigo.
–Tudo bem, eu sei que não poderia contar contigo.
Ele caminhou em direção à porta, mas antes de atravessa-la parou.
–Sabe, é complicado, se você matar meu pai, vai matar todos nós. Ele falou apoiando-se no batente.
Olhei pros dois lados, mas resolvi deixar meu olhar no chão.
–E se eu não precisar matar ninguém?
–Você morre.
–Sim, mas...
–Julie, não tem "mas" são duas soluções, não tem mais nenhuma. Ouvi um pouco de irritação em sua voz.
–Só preciso que me traga as cartas que chegarem.
–Que cartas? ele falou e senti seu olhar pesar sobre mim.
–Da Letícia. Menti.
–Letícia? Ele sabia que eu estava mentindo.
–Sobre o que seriam? Ele insistiu.
–Minha vida.
–hum... sei, vai mesmo mentir pra mim?
–Por favor, Felipe. Falei revirando os olhos.
–Tá. ele concordou e eu o encarei.
–Mais uma coisa, saberia quantos dias se passaram na terra desde que cheguei?
Ele pensou um pouco.
–Cinco dias.
–Cinco dias!? — Repeti surpresa. — Como funciona o tempo aqui?
–Depende do jeito que você o aproveita, esse tempo que passou aqui, se aproveitado de outra maneira poderia ter durado apenas 2 dias.
Refleti sobre aquilo.
–Interessante.
–Sim, Letícia e Mike foram embora fazem 2 dias . Ele falou sorrindo.
–Mas faz 1 hora que eles foram embora.
–Mas para você essa uma hora não demorou à passar?
Fiz que sim.
–Então. Ele falou dando de ombros.
–Já chegou alguma carta?
–Me pergunto como ele conseguiu o endereço daqui. Felipe falou coçando a cabeça.
–Quem está com a carta?
–Eu. Ele respondeu satisfeito de si.
–Você abriu? perguntei brava.
–Sim, decorei, vou lhe transmitir o recado. — Ele sorriu, fingiu respirar e lançou um olhar divertido pra mim — Querida Julie, Aqui está tudo bem, infelizmente eu descobri que eu realmente gosto da Helena então, por favor fique com o Felipe por que ele gosta de você mais que qualquer outra coisa no mundo, ps: o resto não importa."
O encarei séria.
Ele começou a rir e depois lançou um sorriso charmoso em minha direção.
Revirei os olhos.
–A mensagem verdadeira por favor.
–Eu ainda não abri, primeiro eu vejo depois lhe dou a carta.
–Felipe! falei correndo em sua direção, mas ele sumiu deixando apenas uma risada no ar.
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