–Você está bem? perguntou Mike.

–Estou.Feliz por não estar morta.

–Melhor sairmos daqui. Saímos correndo até outro canto que os dois não estavam dando atenção.

–Acho que não estão aqui, senhor.

–Vamos, aquela sombra maldita não serve para nada.

–Talvez não tenha a convencido totalmente.

–Pode até ser, depois converso com ela.

Eles iam em direção a porta.

–Mike, temos que sair correndo quando eles abrirem a porta, se não não conseguiremos passar. Falei.

Mike assentiu.

nos encostamos na parede perto da porta.

–Quando ele abrir nos... comecei.

Antes que acabasse minha fala os dois passaram pela porta, como se ela não existisse.

Fiquei confusa.

–Estamos presos aqui. Falei sentando encostada na parede, totalmente cansada.

Ficou um silêncio enorme.

–Psiu! algo chamou nossa atenção.

Eu e Mike procuramos algo naquela sala, mas não havia ninguém.

–Aqui, Julie, do seu lado! a voz gritou.

Olhei para o meu lado, Laura começou a aparecer sentada do meu lado.

–Laura! gritei, abraçando-a.

–Laura! Falou Mike surpreso.

–Se incomodam de lhes fazer companhia? falou Laura brincando como sempre.

Olhamos sem graça para ela.

–Estão perdidos? ela perguntou como se não soubesse a resposta.

–Sim. respondemos.

–Eu conheço uma passagem, sigam-me. Ela falou guiando-nos até um buraco na parede que até então não havíamos notado.

Entramos, parecia uma casinha.

–Estou morando aqui agora, enquanto o Destino não me encontrar não desaparecerei. Ela falou.

Laura se aproximou de um espelho e seus olhos adquiriram a cor vermelha acompanhado de um sorriso estranho.

–Laura, será que eu e a Julie podíamos er... conversar por um instante? Perguntou Mike sem graça.

Laura nos olhou quase ficando brava, mas depois começou a rir e assentiu.

Mike me puxou para fora da casa.

–Julie, você acha mesmo que essa é a Laura?

Pensei um pouco.

–Não podemos desconfiar de todos que estão neste castelo. Mudei de assunto.

–Ju, o Destino pode estar usando seu ponto fraco contra você.

Olhei para o chão.

–Você tem razão, melhor tentarmos encontrar outro jeito de sair. falei.

–Não, vocês vão comigo! -falou Laura saindo da casa e nos olhando vermelha.- Por quê querem me abandonar, só porque morri vão me excluir?

Mike e eu fomos nos afastando enquanto Laura se aproximava devagar.

–Laura, nós... eu comecei.

–Não! vocês não vão me abandonar! Gritou Laura que aos poucos foi assumindo uma forma tenebrosa.

–Laura? perguntei.

–Não se preocupe, Julie e Mike, se vocês estiverem mortos poderemos voltar a andar juntos.

Mike e eu começamos a correr daquela coisa medonha que vinha atrás de nós.

–Mike você tinha razão, essa não é a Laura! falei enquanto corríamos.

–Não! — falou a criatura voltando a forma da Laura e ajoelhando-se — por favor, não me deixem sozinha.

olhei assustada para minha amiga que estava chorando.

–Julie, essa não é a Laura. falou Mike puxando meu braço.

–Por favor! ela implorava.

Soltei meu braço e corri em direção a Laura.

–Não Julie! gritou Mike.

–Não, Mike, essa é a Laura. afirmei.

Aproximei-me da Laura e a ajudei a levantar, os olhos dela aos poucos voltaram a ser verde azulados.

Ela me abraçou.

–Obrigada. ele falou entre soluços.

Começamos a chorar juntas e Mike se aproximou.

Laura parou de me abraçar e o encarou sorrindo.

–Eu estava errado, você é mesmo a Laura. ele falou olhando para baixo.

Laura estendeu os braços e eles se abraçaram.

–Não, Mike, você está certo. ela falou ainda o abraçando.

–Ainda não estou completamente morta, mas não sou mais a Laura.

Ela parou de abraça-lo.

–O Destino está querendo dominar minha cabeça, algumas atitudes minhas não são realmente minhas. ela continuou.

Observamos enquanto ela andava até um espelho.

–Eu sou inimiga de vocês agora. ela falou olhando para o reflexo que não era dela e sim do ser de capa.

Arregalamos os olhos.

–Existem muitos seres de capa, Julie. ela completou.

Laura voltou a olhar seu reflexo, seus olhos voltaram a ficar vermelhos.

–Vocês devem ficar longe de mim, eu não consigo controlar. ela falou olhando para o espelho brava.

Mike se aproximou da Laura e do espelho, tirou a mochila das costas e bateu contra o espelho que quebrou em trilhões de pedaços.

–Para mim você ainda continua como a Laura. ele falou.

–Para nós. falei aproximando-me dos dois.

–Obrigada! ela falou e as lágrimas voltaram a seu rosto transformando seus olhos na cor natural, ela nos abraçou e ficamos por um bom tempo abraçados.

–Laura, viemos aqui lhe salvar. Falei.

Laura nos olhou confusa e depois triste.

–Não, vá embora. ela falou voltando a sua casa.

Mike e eu nos entreolhamos.

–Eu vou só atrapalhar. ela falou quando notou que ficamos a encarando.

–Laura, você pediu para vir conosco, por favor, venha. insisti.

Laura olhou para nós dois, seus olhos foram ficando vermelhos e a roupa que usava foi ficando preta e logo um capuz cobriu sua cabeça.

–Devo levar-lhes até o Destino! ela gritou.

Pensei em fugir, acredito que Mike também, mas era impossível deixar minha amiga sozinha, enfrentando os problemas sozinha.

Os olhos de Laura alternavam entre a cor natural e vermelho.

–Vão embora! ela gritou quebrando os vidros, inclusive o da luz deixando o ambiente totalmente escuro.

–Laura? Perguntei.

Uma risada sinistra quebrou o silêncio e de repente duas luzes vermelhas (provavelmente os olhos da Laura) apareceram.

Fui andando para trás sem noção do espaço.

–Laura! gritei.

–Ela não está. a criatura respondeu.