Notas iniciais
Oi... desculpe tive que sair correndo e não pude acabar nem salvar o capítulo no word eu parei na "–Que triste destino, passar o resto dos seus dias comigo."

–Vamos voltar logo...

–Tem razão... melhor voltarmos... Suspirei.

Ele sorriu vitorioso.

–Sério que vamos mesmo sem você tentar não ir?

Ri.

–É por quê desta vez acho que está coberto de razão, se eu ficar aqui...

Ele sorriu orgulhoso.

Na primeira vez que abri os olhos me perguntei se realmente os havia aberto... A escuridão total era mais escura que quando eu ficava de olhos fechados.

–Você está aí? Perguntei olhando pros lados, mas vendo só preto.

–Estou sim.

–Onde?

–Não sei. Ele riu e depois pareceu nervoso.

–Aqui é o castelo?

–De jeito nenhum.

–Tem ideia de que lugar é esse?

–Não... por quê não pudemos entrar no castelo?

–Eu não sei. Dei de ombros.

–Vamos procurar uma saída.

Dei um passo a frente com cautela e depois de mais um passo me senti caindo, mas não dava para ter noção por quê eu não via mim mesma.

Gritei.

Senti algo segurar meu braço.

–Obrigada.

–Tudo bem, melhor tomarmos mais cuidado.

–Onde está a pedra podemos tentar sair daqui e ir para outro canto.

–Boa ideia.

Esperei uns instantes.

–Ela não está com você? Ele perguntou de repente.

–Comigo? Por quê estaria?

–Por quê eu não a encontro.

–E eu pensava que iria resolver minhas coisas rapidamente. Revirei os olhos.

–Calma, Julietta, ainda faltam 2 explosões e finalmente...

–A guerra final? murmurei.

–Não o nosso casamento. Ele me puxou para próximo dele.

Ri.

–Ah... claro... como pude me esquecer?

Passamos um tempo em silêncio absoluto até ouvimos algo passar por cima de nossas cabeças e em poucos segundos eu e ele estávamos abraçados morrendo de medo (pelo menos eu estava)

–Está com medo? Ele perguntou rindo.

Tentei encara-lo, mas onde exatamente estava sua cara?

–Um "pouco"... e você?

Ele riu sarcasticamente

–Só se for por você.

Revirei os olhos.

–Consegue iluminar este lugar?

–Não consigo iluminar as coisas, consigo as deixar mais escuras.

Torci o lábio... com toda certeza teria um jeito...

–Tem de haver uma saída.

–Tecnicamente não. Ele respondeu se afastando de mim.

–Como assim?

–Existem várias dimensões no universo, algumas são um beco sem saída.

–Então tem como entrarmos, mas nunca mais sairmos?

–Claro que sim.

–E essa é uma dimensão assim?

–Acredito que sim... por exemplo, não tem paredes nem barreiras, você pode andar, andar, andar, andar, andar,andar...

–E andar...

–Sem nunca ter fim.

–Hum...

–Mas se fosse você eu não andaria, devem ter armadilhas.

–Feitas por quem?

–Pelo universo, ele também gosta de brincar, sabia?

–Não sei de mais nada. Murmurei.

–Infelizmente estamos destinados — ele deu uma risadinha ao falar "destinados" e eu revirei os olhos — a morrer aqui.

–Eu não posso morrer ainda...

–Claro que pode... é o que está acontecendo... preste atenção...

Senti ele brincando com meu cabelo.

–Vê? o tempo passa ainda mais rápido aqui.

Meu cabelo já estava um pouco abaixo dos meus ombros.

–Quanto tempo acha que já passou?

–E eu sei quanto tempo demora para cabelo crescer?

Fiz uma careta que nem eu vi.

–Pensa em algo, pensa em algo... Murmurei pra mim mesma.

–Já olhei tudo, estamos presos.

–Diga, Felipe, a Laura pode ir para qualquer canto, não é?

Ele não respondeu, provavelmente estava pensando.

–Se ela quiser.

–Podemos tentar chama-la.

Ele suspirou.

–Acha que ela vai ouvir? Perguntei.

–Não, ela não vai te ouvir.

Suspirei.

–Que triste destino, passar o resto dos seus dias comigo.

Fiz uma careta.

Refleti um pouco.

–Mas talvez não, talvez... talvez eu possa impedir tudo.

–Julie, já tentou isso antes. Ele resmungou.

–Não do jeito que tentarei agora.

–Estamos presos aqui, tenho certeza que foi culpa do meu pai.

–Por quê seu pai nos prenderia aqui se está tão forte?

Ele não falou nada.

–Ele está com medo de mim, meu plano vai funcionar!

–Mas...

–Tudo... tudo pode ser evitado, eu só preciso...

–Achar a Laura? Como?

Olhei para o chão ou o que quer que eu estivesse pisando.

–Ela pode me encontrar se quiser... tenho certeza que aparecerá.

–E até lá..?

–Aperfeiçoarei meus planos.

Ele suspirou.

–Mas não será necessário, eu sinto algo como se... se finalmente tudo fosse dar certo e...

–E...?

–E eu vou seguir direito meu destino.

–O que quer dizer com isso?

–O destino de todos os mortais... acredito que mereço isso.

–Posso ir com você?

Senti um aperto no coração, ele sabia a verdade?

Fingi dar de ombros à sua pergunta.

–Me ajude a chama-a. Puxei-o.

–Isso não será necessário, gata. Laura apareceu iluminando um pouco do lugar escuro... surpresa!

Olhei em volta, estávamos no meio do nada.

Sorri.

–Estava aqui o tempo todo... admirando. Ela riu olhando para Felipe que fez uma careta.

–Veio para admirar o Felipe? Perguntei incrédula.

Ela riu.

–Não... não só pra isso... seu pai queria falar com você.

Arregalei os olhos.

Me senti instável por um instante como se fosse cair quando Laura saiu da frente e vi meu pai abraçado com minha mãe.

–Não vou deixar você cair. Felipe me segurou.

Minha mãe sorriu.

–Pensei que...

–Ah... sobre isso, Julie... eu estava errada, afinal sua mãe não cometeu suicídio, né? Laura falou próxima de Felipe.

Fiquei estática.

–Então, não vai vir nos abraçar? Meu pai perguntou estendendo o braço.

Engoli em seco e corri até eles.

–Você não deveria ter feito aquilo, pai, deveria ter me deixado em...

–Paz? ele perguntou rindo e eu me recordei de como sua risada verdadeira era.

Meu pai se ajoelhou e colocou a mão no meu ombro.

–O que entende por paz?

–Estar livre?

–Você é livre?

–Claro que sou.

–Errado, eu sou livre, sua mãe é livre, a Laura é livre.

Mordi o lábio.

–E é bom ser livre, na hora certa.

–Acha que consigo? Perguntei para minha mãe.

–Claro. Ela respondeu sorrindo.

–Vamos, Julie, está na hora. Laura revirou os olhos.

Respirei fundo.

Laura estendeu a mão.

–Posso ir com você? Felipe perguntou envergonhado em outro canto.

–Claro.

Ele sorriu.

Me vi sentada na masmorra.

Felipe me encarou por uns instantes.

–Passaram 2 meses.

Fiz que sim.

–Obrigada.

Ele riu.

–Bom... já que eu vou morrer e ai você vai viver feliz para sempre com o Mike poderia me beijar né?

O encarei.

–Desculpe...

–Vamos.

Ele revirou os olhos.

–Onde exatamente vai?

Esbarrei em algumas coisas no corredor.

–Eu não sei... eu vou encontra-lo e...

Felipe suspirou e apontou para o telhado.

–Oh.

–Clássico.

–Claro...

–Não precisa correr, sabe?

Fitei-o por alguns instantes e quase pensei que tinha razão, até que vários olhos vermelhos (12 para ser exata) apareceram por trás dele.

–Agora preciso. E volto a minha narrativa de correr, esbarrar nas coisas e correr mais.

Felipe criava rápidas barreiras que Mariana destruía.

–Finalmente terei os olhos verdes dela.

Fiz uma careta e continuei correndo.

–Pode contar qual o seu plano agora?

–Não pensar em nada.

–O quê?! Ele gritou.

Dei de ombros.

Chegamos à escadaria que levava ao topo da torre.

–Por quê em uma torre? perguntei desanimada ao abrir a porta e olhar as escadas em caracol imensas até o outro piso.

–Por quê clichê é tudo. Felipe fez uma careta fechando a porta e a trancando como se fosse possível impedir qualquer coisa.

Os irmãos de Felipe apareceram na minha frente.

Protegi meus olhos com o braço quando Mariana pulou em cima de mim me fazendo cair até o fim da escadaria novamente.

–Julie! Felipe tentou segurar minha mão.

Me senti angustiada por pensar que morreria por traumatismo craniano ao bater minha cabeça na parede de pedra, mas senti algo macio e não sentia mais Mariana em cima de mim.

–Disse que estava do seu lado. João revirou os olhos me ajudando a levantar.

–Traidor! Heather gritou de cima das escadas.

–A morte não vai mesmo me incomodar. Ele deu de ombros às ameaças de Heather.

Engoli em seco.

–Fuja!

Ele fez que não.

–Já fiz tudo que queria mesmo...

Heather fechou os olhos com força e os abriu.

–Tchauzinho, irmão.

João mudou para a aparência original e horrível que eles tem, mas desta vez não fechei os olhos nem me impedi de olhar.

–Obrigada...

Ele piscou e desapareceu.

Olhei para a almofada que eu estava encostada.

–Menos um menino na vida da Julie, mais chances para mim! Felipe brincou.

–Seu irmão morreu e você está feliz?

–Todos vamos morrer, só procuro o lado bom das coisas.

O encarei indignada.

–Sabe aquele livro que você gosta o...

–Onde estão seus irmãos?

Felipe deu de ombros.

–Vamos, temos que correr.