O Livro Do Destino
85 Entre várias ideias
–Mudou de ideia sobre o casamento? Ele perguntou surpreso.
Fiz que sim.
–Se a Lorriane te faz feliz... além do mais, ela precisa de alguém agora... sabe... ela tem motivos para ser feliz, o problema é que não os encontra, quem sabe podemos ajudar?
Ele me abraçou.
–Eu queria lhe pedir desculpas se lhe fiz pensar que não gosto de você...
Olhei pro chão.
–Sabe... ainda não consegui me recuperar de sua mãe e...
–Eu sou idêntica a ela? perguntei dando de ombros.
Ele suspirou e não respondeu.
–Pai, me ignorar realmente lhe afastou dela?
Lorraine saiu da casa sorrindo e fazendo meu pai me ignorar novamente.
Apoiei minha cabeça no guarda corpo do coreto.
–Hey, "Julietta". Felipe apareceu sentado na grama me encarando.
Revirei os olhos, como eu odiava ser chamada de Julietta.
–Aceita casar comigo?
Ri.
–Não deveria rir de um pedido tão sério.
Dei de ombros.
Ele desapareceu e apareceu novamente, sentado no guarda corpo, do meu lado.
–Onde está o Mike?
Ele resmungou algo.
–Pode não pensar nele por um instante?
–Pode parar de me cantar por um instante?
–Não. Ele respondeu sério.
–Então a resposta para sua pergunta é... não. Respondi fazendo uma careta.
–Não, espera ai, eu quis dizer... sim! sim! Ele pulou do guarda corpo e sorriu.
Revirei os olhos.
–O casamento começa daqui a dez minutos, preciso encontrar...
–O Mike... Ele revirou os olhos.
–Eu sei que sabe onde ele está.
Felipe engoliu em seco.
–Espera ai. Falei depois de ter um rápido estalo.
Me arrepiei.
Examinei os olhos de Felipe.
Eu tentei falar algo, mas a voz não saía...
Ele deu de ombros, mas logo percebi um leve arrependimento em seus olhos com traços vermelhos.
–Felipe... você...
Ele olhou para outros lados e puxou minha mão fazendo-me agachar do seu lado.
–O que entende pelo fato de eu ser um assassino?
Fiz que não com a cabeça.
–Você não fez isso, eu não posso acreditar. Me afastei dele.
Ele deu de ombros.
–Quero vê-lo. Falei séria.
Ele riu e se sentou no guarda corpo novamente, depois encostou sua testa na minha testa e sussurrou:
–O problema é seu.
Semicerrei os olhos.
Ele sorriu confiante.
–Mas não é mesmo. Respondi puxando-o.
Ele riu e começou a desaparecer.
Ri cinicamente.
–Não desta vez. Segurei no tecido de sua camiseta.
Ele me encarou sério.
–Onde ele está?
Ele revirou os olhos.
–Ele não morreu, tudo bem?
–Por que fica insinuando então? Respondi revirando os olhos, mas agora um pouco mais calma.
–Por quê é a verdade?
Respirei fundo.
–Onde ele está?
Felipe pensou um pouco e sorriu.
–Quer fazer uma troca?
–Não vou lhe beijar. Respondi revirando os olhos.
Ele riu.
–Tudo bem, posso lhe acompanhar ao entrar no coreto?
Suspirei.
–Eu vou procura-lo sozinha.
–É... mas não lhe garanto que vai o encontrar.
–Você o jogou em outra dimensão! Falei alto mesmo estando ele do meu lado.
Ele sorriu.
–Adivinhou!
O soltei e ele caiu.
–Grande coisa. Ele fez uma careta.
Revirei os olhos.
Vimos o cerimonialista entrar no jardim.
Suspirei.
–Vou lhe acompanhar. Felipe falou oferecendo seu braço.
Revirei os olhos.
–Não será tão ruim assim, além do mais, caso aconteça algo eu estarei perto para lhe... para salvar todo mundo.
Olhei pro chão, mas após alguns segundos o encarei e suspirei.
–Tudo bem, então...
Todos se posicionaram para a cerimônia.
–Julie, você viu o Mike? Elizabeth perguntou se aproximando de mim.
–Er... ele...
–Ele foi verificar como funciona essa iluminação e pediu para que eu entrasse com ela. Felipe respondeu sério e depois me encarou.
Eu o encarei em total descrença, ela nunca acreditaria naquilo, mas se por acaso alguém tiver super poderes e hipnotizar alguém fica mais fácil...
A música começou.
Olhei em volta ainda com a esperança de ver o Mike por ai.
–Disse que conseguiria evitar que as bombas explodissem, como? Perguntei para Felipe enquanto alguns familiares iam falar com meu pai.
Felipe observava minhas primas e sorria quando elas me encaravam surpresas.
Belisquei seu ombro.
–Está me ouvindo?
–Julie, confia em mim.
–Confiar em você? você abandonou meu namorado em outra dimensão. Gritei.
Ele riu.
–Ele não é mais seu namorado.
–É... desculpe... me acostumei.
Ele deu de ombros.
–Eu vou dar um jeito, por quê é tão difícil de acreditar que eu posso te ajudar?
–Eu me acostumei a viver sem ajuda, as coisas só dão certo quando eu as faço.
–Acho que meu pai te ensinou que esta frase está errada.
Revirei os olhos.
–As coisas davam certo.
Percebi que todos nos encaravam.
Felipe riu e me puxou em direção ao coreto.
Passamos com os cochichos e eu revirando os olhos.
Nos posicionamos no coreto e esperamos a música acabar e finalmente Lorraine entrar radiante com seu vestido enorme e parar do lado do meu pai.
–Prepare-se. Felipe falou fingindo olhar para um relógio.
–O quê?
–40...
–Isso é...
–39...
O cerimonialista prosseguia com a cerimonia, mas ninguém estava realmente prestando atenção já que os olhares estavam direcionados a mim.
–Droga. Revirei os olhos.
–38...
–Calma ai...
Me apoiei no guarda corpo e olhei pro céu.
–Ali está. Apontei para uma enorme bola de fogo que descia rapidamente em direção ao coreto.
–Ok, disse tchau para todos? pegou um bem casado? está na hora de irmos. Felipe deu de ombros para todos que nos encaravam (inclusive o cerimonialista e meu pai).
–Mas...
–Tchauzinho para vocês. Felipe fez uma reverencia e tirou a pedra do bolso.
–Não, nós vamos impedir aquilo ali. Apontei para a bola de fogo e aproveitei para olhar meu dedo que antes estava sangrando, mas que agora parecia estar quase totalmente fechado.
–Julie, temos 5 segundos.
–27... o corrigi.
Pulei a grade do guarda corpo e Felipe me seguiu até o meio do gramado.
–Onde está a pistola?
–Não vai dar certo.
–Não importa...
–20 segundos.
Felipe me entregou a pistola.
–Não vai adiantar.
As pessoas me encaravam e algumas inclusive saíram do coreto para olhar para a imensa bola de fogo.
–Julie, vamos embora.
–Nunca.
Apontei a pistola para a bola de fogo e atirei.
–Não funcionou, viu? Felipe revirou os olhos.
Tentei mais duas vezes.
–Me passa isso, sua mira é muitooooo ruim.
Revirei os olhos e entreguei para Felipe.
Em um tiro a enorme bola de fogo desapareceu.
–Você conseguiu!
–Não, eu não consegui. Ele falou sério.
–O quê? Ajeitei a franja do meu cabelo que estava completamente bagunçado.
–Olha ela ali de novo! Ele apontou.
–Como assim?
–Você fez vários portais, a bola de fogo vai ir e vir e vai acabar a carga desta NERF.
Olhei para cima.
–Saiam do coreto! gritei.
Meu pai saiu a contra gosto (mesmo sabendo que poderia morrer se ficasse ali).
–Quer que eu atire de novo?
–Não, eu tive uma ideia.
–E essa ideia é levar todo mundo para outro canto?
–Acha que não dará certo?
Felipe atirou novamente na bola de fogo que voltou a ficar à quilômetros de distância.
–A bomba tem que atingir algo.
–Hum...
–Julie, para de examinar seu dedo e...
O encarei.
–Isso foi hoje? Ele examinou o dedo sem nenhum machucado.
Fiz que sim.
–Temos que voltar e...
–Eu posso usar isso ao meu favor. Retruquei.
–Mas ai não tem volta. Ele disparou novamente.
Dei de ombros.
Todos os convidados estavam fugindo para o lago mais próximo.
Meu pai agarrou meu braço.
–Vamos...
Soltei meu braço e corri até o coreto.
–Eu não posso ir no seu lugar pelo fato de que a bomba nunca iria me atingir, mas... Felipe começou.
–Eu sei. Respondi olhando a enorme bola incandescente se aproximando.
–Boa sorte?
Ri.
–É normal sentir um super medo, não é?
–Só na primeira vez, depois nada realmente te causa medo, por que você pode experimentar de tudo.
–Entendi...
Senti o calor quase insuportável se aproximando.
–Te vejo depois da explosão então. Ri.
–Sim... com toda certeza.
Pensamentos que vagaram pela mente de Felipe naquele instante:
–> Mariana curou o dedo de Julie para que isso acontecesse!
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