O Livro Do Destino
24 A mensagem
Olhei o relógio, eram onze horas, meus amigos não pareciam tirar os olhos da TV, Laura estava dormindo. Ouvi a campainha tocar, fui atender, era o Homem de Capa!
Ele segurava algo e sua respiração era pesada, antes que pensasse em algo eu arranquei a capa dele, não havia ninguém embaixo da capa. Vi uma folha amarelada e um pouco amassada com uns sinais estranhos. Fechei a porta com força, olhei para a sala, meus amigos não estavam mais lá, havia mais um ser de capa dentro da sala, tirei a capa dele, era Lorraine!...
Acordei apavorada. Meus amigos me olharam na expectativa de uma explicação clara e foi isso que eu dei.
–Eu, Homem de capa, Lorraine, uma página. falei feliz com minha explicação que deveria concorrer ao Oscar.
Todos olharam confusos.Eu não tinha ideias para explicar meu sonho naquele momento, não lembrava de quase nada, além dos símbolos do papel que rodopiavam na minha mente, mas o que eles queriam dizer? peguei uma folha e uma caneta e os desenhei, Laura que havia acordado se aproximou para tentar entender melhor.
–O que é isso, Julie? ela perguntou curiosa.
–No meu sonho, eu vi isso. falei concentrada.
Mike olhou também.
–Legal.
Continuei desenhando enquanto lembrava, faltaram alguns símbolos que eu já não lembrava.
Felipe olhou para o papel com curiosidade.
–Vai dizer que sabe o que significa. falou Mike.
–Não, não sei, o Destino tem vários segredos, segredos que talvez nunca descobriremos. ele respondeu num tom de voz calmo.
–Não podemos perder este papel. falei.
Mary e Lavínia se aproximaram para olhar.
–Interessante. falou Lavínia examinando.
Mary foi olhar, mas tropeçou no pé do Felipe derrubando refrigerante de uva no papel.
Mary olhou assustada para o que tinha feito, é claro que eu estava brava por dentro, mas não queria que ela se sentisse mal.
–Tudo bem, Mary, talvez seque e possamos ler ainda. falei colocando perto da janela para que o vento secasse mais rápido.
Pensei novamente no sonho que tive, Lorraine é o ser de capa. Parei de pensar quando ouvi gritos, igual aos gritos que eu havia ouvido mais cedo, vinham da TV. Olhei para o relógio, Onze e meia. pensei um pouco.
Me senti estranha, me levantei e abri a porta do quintal, o quintal estava escuro e a grama estava molhada, estava chuviscando. Olhei em volta, o presente do destino podia chegar a qualquer momento, e eu estaria lá.
Vi um risco passar pelo céu. Meus pés estavam com frio pelo fato da grama estar toda molhada e o meu habito de nunca colocar a sandália, mesmo assim não sairia dali, havia decidido isso por completo até que passou uma moto e ela tacou um tijolo que quase me acertou, olhei brava para o nada, já que a moto já havia sumido. Outro tijolo caiu próximo de mim, quando eu olhei para o céu, vi vários, caindo do nada, entrei em casa correndo. Meus amigos olharam assustados para mim, mas entenderam assim que o barulho dos tijolos que batiam no telhado começou.
Corri para meu quarto, o barulho era mais forte e parecia que, a qualquer momento o teto cairia. Mas, de repente, o barulho parou, respirei aliviada.
–Foi este o presente que o destino te deu? perguntou Laura rindo.
–Acho que sim. Falei.
Voltamos a assistir os filmes, quando deu três horas da manhã estávamos quase todos dormindo embaixo dos refrigerantes e salgadinhos. Me levantei, estava um pouco cansada, ainda lembrava dos tijolos que haviam caído do nada em cima da minha casa, fiquei pensando nisso a noite inteira.Resolvi tomar um ar fresco, saí de casa, o quintal estava cheio de tijolos, alguns em cima um do outro, fazendo paredes, meu quintal parecia um labirinto gigante, resolvi subir na árvore que estava do meu lado.
Me surpreendi quando vi que os tijolos estavam dispostos de uma forma inteligente, e sem querer tive outra visão, eu vi os símbolos do papel, eram os símbolos, estavam dispostos igual aos símbolos da noite anterior! quase caí da árvore, entrei em casa e acordei meus amigos.
–Tem um código enorme lá fora, tem um labirinto enorme lá fora (vamos combinar, eu não sou boa em discursos.)
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