O Livro Do Destino
22 A festa que o Destino me deu
Notas iniciais
Cheguei em casa, estava tudo muito silencioso. Lorraine já havia ido embora. As vezes desejo que minha vida voltasse ao normal (Ok, ela não era normal, mas era menos estranha e confusa que essa). "Desejo de aniversário que o destino não me perturbe mais" pensei. Meu celular começou a tocar interrompendo o silêncio assustador da casa.
–Alô? atendi.
–Oi, Ju. Eu terei que fazer uma viajem, mas volto para casa daqui a três dias. Era meu pai.
–Pai!
–Então enquanto eu estiver fora quero que dê comida ao Merlin...
–Pai você lembra que dia é hoje? perguntei em um tom de raiva.
Meu pai passou um bom tempo pensando.
–Pai! hoje é o meu aniversário! falei impaciente.
Meu pai fez um tom de surpresa.
–Feliz aniversário, Filha, desculpe eu estava ocupado fazendo um projeto e... está fazendo quantos anos?
Tive vontade de jogar o celular no chão, meu pai não estava dando bola para o meu "dia importante", é claro que eu já estava acostumada com a história de "eu me esqueci", "Desculpe, eu tinha tantas coisas para fazer", "eu nem olhei o calendário hoje", "Desculpe, eu fui para o aniversário do primo do chefe", mas viajar hoje já estava me deixando mais brava que o normal.
Merlin veio correndo em minha direção quando viu a comida dele no potinho. Merlin era o labrador que meu pai me deu ano passado de aniversário e hoje também era o aniversário dele.
–Estou fazendo quinze pai. respondi finalmente.
–Parabéns, que legal, filha, podemos comemorar no sabádo que vêm, não, não vai dar, tenho uma reunião, er... que tal no... não, também não dá, eu acho que na...
–Pai, eu vou assistir filme com meus amigos hoje. interrompi.
–Que amigos? meu pai perguntou como se estivesse interessado.
–A Laura, o Mike, o Felipe. falei.
Se meu pai estivesse realmente interessado em saber ele teria perguntado quem era o Felipe, mas eu já sabia que ele estava fazendo outra coisa.
–Tudo bem, filha, divirta-se, tenho que ir, tchau.
–Tchau, pai. falei desanimada.
Desliguei o telefone e fiz carinho na cabeça do Merlin que comia como se nunca na vida tivesse visto ração.
Olhei para a casa, estava tudo arrumado menos a sala que estava com vários presentes e meu quarto.
–Ótimo! falei ironicamente me jogando na poltrona. Comecei a pensar, mas sempre penso longe demais e acabo querendo voltar e fazer outra coisa. Resolvi ir até a locadora para alugar os filmes, não queria filmes com muito sangue e armas, mas se tiver é só cobrir os olhos.
Peguei uns quatro filmes, eu já tinha alguns em casa. Suspense, terror, aventura e comédia.
Recebi uma mensagem no celular:
" oi, prima, feliz aniversário!
seu pai te avisou que eu farei uma visita?
bjs Lavínia"
Fiquei feliz de receber minha prima na festa, se bem que não me lembrava dela.
"Vai ser ótimo!" respondi.
"Vai ser sim! tem algo em planos? vou levar a Mary"
"Sim, pretendemos fazer uma sessão cinema, vai ser divertido"
Não tinha dúvida que meu pai havia esquecido de me avisar, como de vez em quando, como quando ele esqueceu de avisar que ele tinham uma namorada.
Cheguei em casa e a arrumei, coloquei os presentes no meu quarto , ainda não tive tempo de abri-los , então por quê não começar? Ganhei uma bolsa rosa cheia de brilhos da Amanda, a qual coloquei no armário de doações, ganhei vários CD's e Livros. Fui abrindo cada pacote com cuidado, tinha medo de encontrar o Destino, Felipe me deu CD da minha banda favorita, Lorraine me deu um bracelete que parecia com o que eu herdei de minha mãe, mas as pedras eram verdes, coloquei em cima da mesinha, não iria usar os dois ao mesmo tempo. Tomei banho e passei um tempo atualizando meu blog.
–Ótimo jeito de passar um aniversário. murmurei ironicamente, eu sentia saudade do meu pai.
Atualizei meu e-mail. fui lendo os remetentes um por um, a maioria era de alguns sites que eu tinha cadastro dizendo que eu teria um desconto especial se pagasse para ser membro de algo, não haviam muitos emails da família, na verdade não havia nem um, eu não tinha muito contato com ela, meu pai veio trabalhar aqui quando casou com minha mãe e só de vez em quando eu recebia telefonemas da minha avó, não perguntava sobre meus parentes para meu pai, ele nunca entendia o que eu estava perguntando, lembro que quando eu era pequena me sentia muito sozinha, mas em todas as ocasiões o Mike e eu estávamos juntos e isso minimizava a solidão.
Olhei todos os remetentes até que vi um, "Destino", quase caí da cadeira. Abri o E-mail:
"Oi, Julie,
Feliz aniversário, não é todo dia que se faz quinze aninhos, é claro que lhe mandarei uma lembrança, deixarei ela na sua porta :), pretendo fazer uma visita, verei se é possível, aproveite seu dia, garanto que será "memorável". XOXO Destino."
-Desculpe, Destino, mas não quero sua visita hoje. falei deletando o e-mail, mas o e-mail não apagava. Desliguei o computador, dediquei aquele horário para ler alguns dos quatro livros que eu lia ao mesmo tempo.
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