O Livro Do Destino
31 3 coisas que nunca faria - 2a
Notas iniciais
–Mas o que seria? Perguntei.
–Não sei, Ju, só sabemos que algo está se aproximando.
Segui Laura de volta para perto dos meus amigos.
–Onde você estava, Ju? perguntou Felipe.
–Eu estava... sonhando. Respondi.
–Nós vamos comer marshmallows! Falou Laura e Mike animados.
–Legal! Falei.
Logo estávamos todos sentado em volta da fogueira desenhada, mas que aquecia bem.
–Ei, sabe o que faria este acampamento mais legal? Perguntou Mary.
–O que? Perguntou Lavínia.
–Histórias de terror! Falou Mary rindo com aquela risada do Drácula fazendo todos rirem.
–Não conheço muitas. Respondi.
–Eu prefiro investigação criminal. Falou Laura.
–Eu prefiro suspense. Falou Mike.
–Sou muito medrosa, até lendo, demorou muito para acabar de ler os livros de terror da biblioteca e os de casa por quê eu tinha medo de continuar, gosto de suspense e comédia. Falei.
–Eu gosto muito de terror então leio tudo numa boa.Falou Mary.
Mike riu.
–Tenho certeza que todos os livros que já lemos a Ju já leu também. Ele falou.
–Provavelmente. Falei brincando.
Então ouvi um ruído vindo do pequeno bosque da floresta e a imagem do ser de capa veio a mente.
–Ele está aqui! Falei olhando para o bosque.
–Quem? Perguntou Mike.
–O homem de capa. Falei segurando a mão da Laura.
–Não se preocupe, Ju, os soldados irão nos defender! Falou Felipe mandando os soldado para o bosque.
Continuei segurando a mão da Laura que estava cada vez mais fria.
–Laura? perguntei.
Laura não aparentava estar nada bem, ela parecia estar congelada. e aos poucos veio surgindo da floresta uma enorme neblina branca e gelada, o chão foi ficando coberto de gelo e eu fui ficando com frio. Felipe estava ainda distraído com os soldados e Mary e Lavínia estavam atentas a neblina, só eu e o Mike estávamos tentando ajudar a Laura.
–O que vamos fazer? Perguntei.
–Acho melhor não ficarmos aqui. Ele respondeu.
–Felipe, Mary, Vi, vamos, o homem de capa pode aparecer a qualquer instante e... Quando olhei do nada, surgiu o homem de capa, com uma rapidez incrível transformando tudo em algo escuro.
–Vocês estão bem? Perguntei.
–Ju, é você? perguntou Mary.
–Mary, cadê você? Perguntei.
Vi Mary dentro da fumaça preta, ela havia se enroscado em um galho, mas antes que eu pudesse ajudar, o homem de capa apareceu por trás e ela sumiu.
–Mary! Gritei, mas ela não respondeu.
–Julie! Ouvi Lavínia gritando.
–Vi? Onde você está.
–Aqui! Ela gritou.
Fui andando na neblina preta e grossa, mas não a encontrei, inclusive gritei o nome dela diversas vezes, mas ela não respondeu.
Comecei a chorar.
–Caramba, Destino. Falei tentando parar o rio que se formava a partir dos meus olhos.
Senti algo segurar minha mão.
–Me larga.
–Ju, tudo bem, sou eu, a Lavínia.
–Vi! falei a abraçando, mas logo ela foi ficando estranha e era só uma ilusão. Comecei a soluçar cada vez mais e quase não dava tempo de respirar e com toda aquela neblina ficava mais complicado encher os pulmões.
–Ju! ouvi a voz do Mike.
–Mike!
Senti algo segurar meu braço.
–Ju, é você?
–Depende muito. Respondi.
–Então, neste caso, farei uma pergunta e você responde ai vou saber que é você. Ele falou.
–Ok. Respondi como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
– Qual é o seu maior medo?
–Sangue! respondi.
–É, você é a Julie. Ele falou rindo.
–Onde estão os outros? Perguntei.
–Não sei, não encontrei mais ninguém.
O abracei com força.
–Tá tudo bem, Ju. Ele falou fazendo carinho no meu cabelo.
–Gente, são vocês aí? Ouvi a voz do Felipe.
–Felipe? Perguntei.
–Oi, Ju. Ele falou rindo.
–Cadê os outros? perguntei.
–Não sei, não encontro nem a Lavínia nem a Mary.
–E a Laura?
–Sumida também.
Meu coração começou a acelerar.
–O importante agora é sairmos daqui. Ele respondeu.
–Mas não conseguiríamos ver um palmo a nossa frente.
–Então vamos com cuidado.
–Eu não vou sem todo mundo. respondi.
–Ju, não tem jeito. Mike falou.
–Mas e se estivermos abandonando alguém aqui? perguntei.
–Você vai acabar se perdendo também.
–Mike, é a Laura e são as minhas primas, não posso deixa-las aqui.
–Ju, se ficarmos aqui o homem de capa vai logo nós encontrar e vamos todos morrer. Falou Felipe.
Fiz que sim com a cabeça e fomos andando.
–Eu sei que é uma coisa que você nunca faria. falou Mike.
Olhei para ele.
–Deixar seus amigos. Ele continuou.
–Se eu tivesse outra escolha... falei brava.
–Com toda certeza vai mudar seu destino. falou Felipe.
Olhei curiosa para Felipe, como ele sabia que eu queria mudar meu destino?
Andamos até a neblina preta ficar menos grossa, depois de um tempo senti meus pés molharem, estávamos andando no riacho. Os três fantasmas apareceram com aquele sombrio brilho verde iluminando algumas coisas.
–Você consegue ver estes fantasmas? perguntei pro Mike.
–Não. Ele falou procurando algo onde eu apontava.
Reparei no olhar triste dos fantasmas parecendo procurar algo no chão.
Me senti sozinha de novo, olhei para o brilho verde que era refletido no chão, estava tudo congelado, continuei andando e olhando para o chão quando eu comecei a chorar mais do que já estava e gritei com enorme força.
–O que foi, Ju? Perguntou Felipe.
Eu só apontei para o chão e a neblina foi se desfazendo e mostrando uma pessoa deitada com os olhos fechados e um sorriso doce.
–Laura! Mike falou surpreso.
Mike segurou minha mão, mas nada ia adiantar, ver minha amiga no chão daquele jeito me dava muita angustia.
–O homem de capa deve estar por perto, melhor continuarmos andando. falou Felipe.
–Não. -Falei batendo nas costas dele- e se ela estiver viva?
–Julie, é muito claro que ela não está viva. falou Felipe.
–Eu não vou deixa-la aqui, pode continuar sem mim.
E Felipe deu muita bola para o que eu falei então depois que eu convenci-os de levar a Laura eu fui obrigada a andar sem parar.
–Nós avisamos, Julie. Falou um dos fantasmas.
–Grande coisa. falei.
–Nós avisamos. falou o outro.
–Eu já entendi que vocês avisaram, poxa.
–Nós avisamos. O último falou mais triste.
–Do quê adiantou avisar se não posso fazer nada para evitar?
Os fantasmas sumiram.
Dei um suspiro de impaciência.
–Perceberam como a neblina está menos grossa nesta região? perguntou Felipe contente consigo mesmo.
–Quando vamos sair daqui? perguntei.
–Já devemos estar saindo. falou Felipe.
Olhamos em volta outra bifurcação.
Fale com o autor