O Livro De Beelzebub

4 Complicações no caminho - A perseguição


Notas iniciais
E aqui é o começo da história própriamente dita.

Eles deveriam continuar pela estrada até o anoitecer se quisessem chegar a Las Vegas a tempo. E assim haviam feito. Não havia aparecido nenhum carro na autoestrada até o momento e do lado direito havia uma bela vista para a praia. Estavam aproveitando a viagem, apesar de todas as informações dadas por Beelzebub que os outros dois ainda não compreendiam muito bem. A lua e os faróis do carro eram a unica coisa que iluminavam aquele lugar.

- E aí eu disse pra ele: Ou você sai da minha frente ou deixo você pior que um quejo suíço ! — Leonel disse para Trent e riu em seguida. Aparentemente o próprio Leonel foi o unico a achar graça.

Beelzebub estreitou os olhos e viu uma luz muito forte mais a frente da estrada. Alguns segundos depois e compreendeu que eram os faróis de um carro. Um carro grande que seguia pela outra pista da estrada. Seguia.

Assim que o carro de grande porte se deu conta da presença do trio, entrou na contramão. Beelzebub pôde finalmente perceber que se tratava de um caminhão negro. Mas não era um caminhão qualquer. Não havia carga alguma sobre ele e seu tamanho era algo grande demais. Grande demais pra ser algo feito por mãos humanas. Aquilo era quase um castelo móvel. Um veículo veloz e extremamente intimidador.

Enquanto aquilo deixava Beelzebub curioso e preocupado, despertou o desespero de Trent. Leonel estava bêbado o suficiente pra se importar, ao invés disso, pegou uma das suas pistolas e deu dois tiros. O primeiro quebrou o vidro frontal do carro deles enquanto o segundo acertou o faról direito do caminhão, diminuindo a luz.

Beelzebub, ainda que sentisse vontade de dar um soco em Leonel por ter sido idiota o suficiente pra fazer algo assim, tinha que se preocupar com o caminhão que estava indo com tudo na direção do, agora inofensivo, carro deles. E na tentativa de desviar do veículo, virou o carro com tudo que podia para a esquerda, indo ele próprio para a contramão enquanto o caminhão passava direto.

O caminhão businou e sua busina parecia um rugido enfurecido de alguma criatura selvagem. Beelzebub botou o carro na mão adequada outra vez e viu pelo retrovisor que o caminhão manobrava para que pudesse ir na direção deles mais uma vez.

Não demorou muito e o trio pôde ver o veículo quase que acertando na traseira do carro deles. Em cima do caminhão haviam duas criaturas que pareciam apenas esqueletos de humanos, se não fosse apenas por um par de asas também feito de ossos. Arcos de fogo apareciam em suas mãos e eles atiravam flechas de fogo na direção do carro, errando as duas primeiras que lançavam.

- O que são essas coisas?! — Perguntou Trent com um grito.

- Anjos. — Beelzebub respondeu.

Leonel quebrou o vidro traseiro com um tiro dessa vez. E atirou novamente, na direção de um dos anjos. Acertou em cheio na cabeça de um deles, mas nada aconteceu.

- E como eu vou matar essas coisas? — Leonel perguntou ao ver que seu tiro não surtiu efeito.

- Porque não conta uma das suas piadas pra eles? — Trent falou e riu baixo. Risada essa que cessou assim que Leonel passou a encará-lo.

- Trent, jogue sua água benta no cano das armas dele. Não vai ajudar tanto assim, mas vai ser melhor do que atirar sem isso. — Beelzebub disse e Trent obedeceu, despejando toda a água benta que carregava consigo no cano das pistolas de Leonel. Leonel atirou em seguida. Um, dois, três, quatro. Quatro tiros foram necessários para acabar com um dos anjos.

- Temos sorte de serem apenas dois. — Leonel respondeu e com a outra pistola acertou mais quatro tiros no segundo anjo, que se tornou cinzas. O carro chacoalhou bastante quando o caminhão tocou a traseira deles de leve.

- O motorista ! Mira no motorista ! — Trent gritou. Estava desesperado e sentia impotente.

Leonel já estava com poucas balas mas assim o fez. Um tiro para quebrar o vidro e mais quatro na direção da cadeira do motorista. O caminhão continuou o seu trajeto e ele usou as balas que restavam no pente. Nada mudou.

- Acho que não deu muito certo e não tenho mais balas comigo. — E Leonel colocou o revólver sobre o banco, enquanto tudo o que poderia fazer era assistir.

Beelzebub pisava com toda a força no acelerador, mas o caminhão ficava a apenas alguns centímetros de distância. acertou de leve na traseira e o carro quase saiu da pista.

- Se continuar assm, a gente não vai durar muito. — Beelzebub falou.

- O jeito é beber — Leonel então voltou a pegar a garrafa de whisky e bebeu mais um gole. E é quando Trent arrancou a garrafa de Whisky das mãos dele

- Existe alguma chance da água benta dar tão cedo quanto deu com os anjos?

- Você não está pensando em... — E Beelzebub parou de falar ao ver Trent despejando o líquido sobre a pista. Os pneus do caminhão estouravam de acordo com que tocavam no líquido.

- Água benta, tudo bem... Mas em todos os meus anos de vida é a primeira vez que eu vejo um whisky bento. — E o senhor das moscas gargalhou.

Beelzebub então fez uma curva de cento e oitenta graus na estrada, fazendo com que seu carro e ficasse na direção oposta e freiou. O caminhão, ao tentar imitar a curva, derrapou e tombou sobre uma das bifurcações da autoestrada mais adiante. E assim eles seguiram pelo caminho que não havia sido bloqueado.

- Muito bem. Vocês ainda estão vivos. Mas tenho uma má notícia pra vocês. — Trent e Leonel ficaram curioso e Beelzebub continuou:

- O caminho bloqueado pelo caminhão. Aquele era o caminho para Las Vegas. Tudo bem, tudo bem, irmãozinhos... Ainda temos seis dias. Eu vou dar um jeito. Eu vou dar um jeito...

O sol começava a aparecer no lugar da lua e assim foi o primeiro dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.