O Legado dos Guerreiros Sombrios
2 A última revelação da vila Verwyn
*As páginas do livro começam a aderir um padrão mais uniforme, as letras se apresentam escritas com mais força. Além disto, o nome cada capítulo parece ter sido desenhado e pintado de uma maneira infantil, ao invés simplesmente de escrito pelo autor.*
“Cuide bem do seu irmão”, foram as últimas palavras daquela humilde senhora, prestes a morrer naquela confusão impiedosa que era a guerra em Vermecia. Ela se mostrou bastante calma, talvez até conformada, ao dizer aquelas palavras e depois morrer. Mas não minto ao dizer que o que ela disse se tornou facilmente aterrador para mim.
Como poderia cuidar de alguém que nunca conheci e ao menos sabia que existia até aquele momento?
Fugir... Correr dali... Era uma opção nada louvável, mas parecia ser a única para mim, diante de toda aquela destruição, eu sabia bem o que ia acontecer... Não havia mais jeito para aquela vila élfica... Eu simplesmente tomei minha decisão sem conseguir pensar direito. E depois de ter tomado, não demorei a executar minhas idéias, o que não quis dizer que foi algo fácil.
Minha visão ficava embaçada com toda a fumaça das casas em chamas. Os gritos de horror, dor e agonia circuncidavam minha mente e me torturavam, culpando cada passo confuso que eu dava dentro aquele ar mortífero, que se inoculava nos corpos já abatidos pela guerra. Eu precisei brandir minha espada contra pessoas que eu não sabia se eram aliados para que saíssem do meu caminho. Mas isso já não importava, eles já estavam condenados, pois mesmo que saíssem daquela confusão, sem espada nem escudo e pouca noção de batalha, não conseguiriam perfurar o exército que circulava o local. Então achei melhor arriscar matar um inimigo e ao mesmo tempo livrar rapidamente com dignidade, sujando minhas mãos de sangue, aqueles que viveram na vila mais pacífica que conheci desde então...(Agora você pode se perguntar porque eles estão sendo massacrados, e isso é algo que não demorarei tanto para dizer, mas já lhes garanto – não foi culpa deles sofrer derrota tão impiedosa e humilhante diante de uma nação).
Depois da fumaça, lâminas impiedosas me detectavam e iam, cada vez em número maior, em minha direção para tentar me tornar mais um entre os abatidos da guerra, mas eu resisti. E consegui derrotar vários inimigos, golpeando-os pelo alto com minha montante, mas como eu já disse – ele eram muitos – e eu precisava sair dali antes que o número dos que me cercavam aumentasse até um ponto que eu não pudesse mais cuidar de tantos ao mesmo tempo...
Foi difícil encontrar uma brecha na defesa de contenção de batalha. Porém, recuso-me a acreditar que tenha sido apenas sorte, o que me permitiu enxergar aquela abertura, em meio aquele confronto um civil desmontou uma catapulta (acho que aquela foi à maneira que ele encontrou de cumprir com seu pacto de não-agressão e amenizar as mortes do seu povo), o que fez com que a linha de frente prestasse atenção nele. Assim eu pude fugir, passar por aquela brecha rápida, a marca remanescente da vida unida com resquícios de sorte que tinha naquele momento de insanidade.
Continuei a correr, apenas bloqueando os golpes em minha fuga desesperada, para poder chegar à floresta que ficava a poucos metros do banho de sangue inocente que acontecia. Meus pés pareciam cada vez pesados, meus braços gelavam e eu sentia que não ia sair dali, mas de alguma maneira, eu consegui. Porém não iria demorar que a cavalaria leve vinhesse atrás de mim, então eu precisava agir rápido. Assim, tive que correr para o que achei brilhante para concluir minha fuga: o traiçoeiro Dufel.
Como você deve imaginar, as árvores não me cobririam por muito tempo. E para ser sincero, no fim de meu trajeto, a corrida tinha que ser em céu aberto. Por isso, o trecho que percorri da floresta para voltar a ficar sem proteção foi bastante curto, mas eu sabia que os Entes da Floresta iriam me reconhecer. E visto que isso aconteceu, logo me ajudaram, derrubando com golpes sorrateiros os cavalos montados que me perseguiam – nesse momento percebi que, com os Entes, meu exército já não seria menor em números.
Ainda assim, desejei continuar a fuga do que arranjar problemas para seres da floresta. A qual se estendeu por cerca de cinco minutos correndo sem olhar mais para trás. (Você deve entender que curiosidade não era um problema naquela hora). Passados os esforços, finalmente consegui chegar cansado ao meu objetivo...
Foi quando voltei a me sentir seguro...
...mas isso durou muito pouco tempo.
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