O Legado de Jack Sparrow
5 Capitulo 4
Já faz três dias desde que começamos a viagem, desde que Hiro morreu em meu braços. Uma tristeza sem tamanho tomou conta de mim nos últimos dias, não me sinto muito animado para com esta viagem. Talvez por isso, a bussola parou de apontar na direção do Jack, ao invés disso a agulha fica girando de forma louca. Acredito que esse estranho objeto é alimentado pelo desejo, e agora, com meu desânimo, não tenho muito com o que alimentá-la.
Fizemos um velório improvisado pro Hiro. Eu disse algumas palavras e jogamos seu corpo no mar dentro de um barco. Depois disto Rose e Connor voltaram a agir normalmente, mas, eu simplesmente não consigo. Connor tentou falar comigo, mas ele não é muito do tipo consolador (Rose parece que também não).
Enfim, não posso deixar que continuemos navegando às cegas depois que eu pedi pra ser o navegador (é claro que eles não sabem que eu estou perdido), vou fazer o Connor usar a bussola sem ele saber, precisamos de um objetivo, seja lá qual que ele seja.
Finalmente me levanto da beira do convés onde eu olhava, hipnotizado, o movimento do mar e as vezes encarava o céu nublado. Connor está deitado num canto cochilando enquanto Rose cuida do leme. Me aproximo do meu antigo parceiro de cela e o acordo chutando levemente sua coxa.
– Ei – ele acorda e me olha com uma cara feia -, quero e pedir uma coisa. Me dê uma de suas mãos. – Ele me encara por alguns instantes tentando entender o meu pedido, até que desiste ao perceber que eu não pretendia explicar. Ao tomar sua mão ponho a bussola aberta em sua palma e observo a agulha se mover indecisa até apontar, finalmente, para sudeste. – Obrigado. Talvez eu venha te pedir isto de novo, então, fique por perto. – Ainda sem entender nada Connor volta a dormir.
Vou então até o leme para passar a nova direção à Rose, que entende e muda o caminho sem questionar.
– Você sabe o que aconteceu no dia em que ele desapareceu? – Diz Rose assim que dou as costas, quando volto os olhos para ela, a mulher continua a encarar o horizonte enquanto mantém as mãos no leme.
– Quem? – Como se eu não soubesse.
– Jack Sparrow. – Ela vira o rosto por um instante e me olha pelo canto do olho. Acho que vi um sorriso. – Eu sei que você o está procurando. – Diz voltando a olhar pra frente.
– Bom, ele estava confrontando a Companhia das índias Orientais em algum lugar próximo do Caribe. – Suspiro. – Eu sei o que você vai dizer, mas eu sei que ele não está morto.
– Ele não está morto.
O que? Ela também acredita? Essa é nova.
– Você também acha?
– Meu pai estava no Pérola Negra naquele dia, ele me disse que Jack não morreu.
– Então seu pai sabe onde Jack está? Ele te disse?
– Sim. Ele está no baú de Dave Jones.
O baú de Dave Jones?! Isso realmente existe? Mas, segundo as histórias, o baú de Dave Jones fica em algum tipo de outro mundo, como a bussola consegue apontar uma direção? Não é possível... Ou o baú não fica em outro mundo, ou meu maior desejo não é encontrar Jack Sparrow...?!
– Vejo que você ficou confuso. – Rose interrompe meu conflito interno num tom de voz soando como se estivesse se divertindo. Me movo rápido para ficar frente a frente com ela, a olhando nos olhos.
– Me explique essa história! O que você sabe sobre aquele dia e sobre o baú?
– Calma. – Ela ri e eu fico cada vez mais sério. – Bom, a história que é contada diz que um dos amigos de Jack Sparrow apunhalou o coração de Dave Jones e assumiu seu lugar como capitão do Holandês Voador.
– Certo, eu ouvi sobre isso também.
– Porém, antes de se tornar capitão do Holandês ele teve um filho com uma mulher, filha de um importante membro da Companhia. Desde então ele só pode vir ver seu filho e esposa uma vez a cada 10 anos, porém na sua segunda visita nenhum dos dois estavam na praia esperando pelo capitão do Holandês. Em busca de respostas ele procurou por Jack e, durante sua viajem descobriu que, por culpa do capitão Sparrow, sua a esposa e filho foram mortos pela Companhia. Bom, Jack Sparrow sempre foi conhecido por seus planos mirabolantes e seus feitos grandiosos, mas, como qualquer pirata, nunca por sua honra. O capitão do Holandês se enfureceu e o perseguiu pelo mundo até que finalmente o encontrou e o jogou no baú de Dave Jones (o qual dizem ser um destino pior que a morte).
Eu não posso acreditar nisso. Jack sempre foi um herói, como de repente ele se torna o culpado por algo tão terrível? Ele seria mesmo capaz de trair seus amigos? “Ele é um pirata, o que você acha?” É verdade. Porque estou me enganando?! Repentinamente um diálogo que tive há anos atrás vem à tona em minha mente.
“- Como não reconheceria o grande capitão Jack Sparrow!? Já ouvi muitas estórias sobre você. Para mim você é o melhor.”
“- Claro que ouviu. – Diz Sparrow num tom de importância. – Eu sou o grande capitão Jack Sparrow. – Sua última afirmação vai abaixando de tom até sair como um sussurro, como se não concordasse inteiramente com o que estava dizendo. Seu olhar para o restante de rum na garrafa transmitia certa tristeza.”
– Você acredita nisso? Ele seria capaz de trair seus próprios amigos? – Pergunto.
– Eu...
– Oh droga. – A voz de Connor invade nosso diálogo. Ele mantém os olhos fixos no horizonte e parece muito surpreso. Quando seguimos a direção de sua visão, reconhecemos logo um grande navio da Companhia das Índias Orientais.
– Calma. – Diz Rose. – Não estamos em um navio pirata, não há razão para ter medo. Até onde se sabe, somos mercadores.
Embora o que a garota diz faça todo sentido, isto não muda o fato do navio estar vindo diretamente em nossa direção. Não demora e ele fica em paralelo conosco, a diferença de tamanho entre os navios e o céu com nuvens escuras cria uma atmosfera intimidadora. Ficamos olhando para cima esperando que eles simplesmente passem direto até que avisto algo estranhamente familiar: Connor! Connor está lá! De uniforme e tudo. Não, claro que não é ele, pois está aqui comigo, então que é aquele reflexo idêntico olhando fixamente de volta a nós?
– Meu irmão. – Diz Connor com os dentes trincados como se adivinhasse o que eu pensava. – Com um mar tão grande, qual a chance de encontrar com meu irmão, capitão de um navios da Companhia das Índias Orientais?!
Rapidamente todas as peças se montam em minha cabeça: a bussola! Eu segui o desejo de Connor, o eu nos trouxe aqui. Mas ele não parece gostar do irmão, porque esse encontro seria o que ele mais deseja no mundo? Será que ele queria ser amigo do seu irmão?
– Rápido, vamos pegar nossas armas, meu irmão sabe que sou um ladrão, os homens dele já devem estar se mobilizando neste momento.
Corremos pelo convés para pegar nossas armas, mas tempo é algo que realmente não temos. Pendurados em cordas, soldados da Companhia começam a aterrissar em nosso convés e, sem perder tempo, disparam.
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