Notas iniciais
Olá meus amados, e minhas amadas, voltei com mais uma nova fic...
Recomendo que leiam a fic escutando a musica (O Leãozinho) Mas a versão que o Beirut fez, para saberem o sutaque que Blaine canta...
Bem... O link estara já no titulo, apenas apertem e aproveitem.
Beijos Rachel Narcisa.

O Leãozinho.


As folhas amarelas- alaranjadas caiam das arvores ferozmente, e belamente aos olhos de quem via.

Os olhos azuis-esverdeados brilhavam com as lagrimas contidas neles.

As lembranças vinham a todo momento, principalmente nesta época do ano, a época que ela mais gostava do ano, a que a fazia mais feliz, e a que a fazia virar criança novamente, junta com a sua criança.

Ele suspirou mais uma vez, e se virou, se encaminhando para a escola que estava a poucos metros do jardim na qual ele estava.

O caminho era silencioso, como sempre foi, as lagrimas que seguiam pela sua face o fazia lembrar-se do real motivo delas.

Seis anos, era sempre isso que vinha em sua mente, e o quão foi difícil essa época, não só para ele como para seu pai.

Tiveram que aprender a viverem consigo mesmo, e os unindo contra tudo e contra todos, disso ele não poderia reclamar, mas sentia falta dela, e como.

~BAKH~

Ele andava nos corredores da escola a procura do outro.

A cada aluno ou professor que passava, ele perguntava se tinham visto o amigo, e infelizmente sempre recebia nãos como resposta, o que já estava o irritando, quando viu de longe, fazendo a curva do corredor que ele estava, e indo a sua direção.

_ Finalmente. _ Vociferou baixinho para si mesmo, e colocando um sorriso na face, se aproximou do menino pálido.

_ Te achei. _ Falou divertido.

_ Oh... Blaine. _ Pronunciou-se Kurt, como se saísse de um devaneio.

Blaine pode reparar que os olhos azuis estavam vermelhos e inchados, a pele do menino a sua frente também estava mais pálida também. E isso não vinha acontecendo apenas naquele dia, e sim naquela semana, pois esta era a segunda ou a terceira vez que ele pegava o amigo fungando pelos cantos e chorando também.

_ Kurt... Esteve chorando novamente? _ Perguntou cauteloso, colocando a mão direita nas costas suave de Kurt, e o fazendo caminhar lentamente pelo corredor.

_ Oh... Isso, bem... Não... Não é nada... _ Falou o rapaz castanho, apertando os livros que estavam em suas mãos, e seguindo a direção já bem conhecida, mas gostava e queria que Blaine o guiasse, pelo menos naquela vez.

_ Não mesmo? _ A preocupação era evidente na voz e na expressão do moreno baixinho.

Kurt virou-se uma pouco na direção do amigo, e com um sorriso fraco e pálido, apenas confirmou com a cabeça, seguindo para o salão dos warblers.

~HAKB~

_ Bem... _ Chamou a atenção de todos.

Um menino com o mesmo blazer da Dalton, mas naquele momento ele não era apenas mais um aluno, e sim um dos coordenadores do Glee Glub da Dalton.

Robert, Wes e David faziam o trio que administrava e comandava o Glee Glub, ajudando muitas vezes os novos Warblers, já que agora o grupo não era mais uma dinastia que seguiam apenas um ‘líder vocálico’. Agora o grupo aceitava novos talentos, e davam mais chances para outros cantarem e mostrarem que eles podiam sim cantar uma musica nas nacionais ou nas seletivas, e todo talento era e é muito bem vindo, tanto na Dalton quanto nos Warblers.

_ Todos nós sabemos que o ano esta se findando... _ Começou o ruivo, Robert, o anuncio importante que tinham que fazer.

_ E como esse ano foi bastante corrido, quase não folgamos, nós. _ David, que assumira a palavra, se referiu aos colegas sentados ao seu lado. _ Decidimos que como a próxima semana, será meio que uma despedida, já que as férias estão chegando, que vocês podem cantar o que quiserem sim? O tema será livre. _ Terminou com um sorriso no rosto que era acompanhado por sorrisos gêmeos de Robert e Wes.

Umburburinho se iniciou ao final da fala, e isso alegrou bastante os três
coordenadores, que estavam sentados assistindo alegremente os colegas entretidos com eles mesmos, discutindo musicas e mais musicas que poderiam
cantar naquela semana, como despedia para a maioria dos alunos, já que o pessoal do terceiro ano iria se forma e sair de Dalton.

Mas rapidamente os três se levantaram da mesa de centro ocupada o ano todo por eles e se encaminharam para perto dos amigos.

Quando estavam se aproximando da mesa em que estavam os seus amigos, puderam observar que eles também estavam animados com a ideia, mas também puderam perceber um clima entre Kurt e Blaine.

Ambos estavam quietos, quase não falavam, e isso preocupou muito os três que se sentaram e se meteram na conversa de todos.

_ Então, estive pesando em cantar Wonderwall do Oasis, o que acha Cameron? _ Perguntou Charlie, um dos secuntarios do grupo.

Cameron, um menino ruivo, que usava oculos, o olhou avaliando não só a musica mentalmente, mas o amigo também, para saber se combinava ou não.

_ Bem... Escolha bastante peculiar... _ Falou, fazendo assim uma espressão nada bonita aparecer na face do loiro a sua frente. _ Mas... _ Um levantar de sombrancelha se passou na face do ruivo. _ Acho que fica perfeita para você Charlie. _ Disso por fim,

Um suspiro de alivio foi ouvido da parte do menino loiro de olhos claros.

_ E você Dilan, o que anda pensando? _ Perguntou o ruivo.

Dilan era um dos mais tímidos do grupo, moreno possuidor de olhos negros e penetrantes quando queria, uma fofura de pessoa, ficava sempre na dele, não querendo ser intrometido e nem atrapalhar os demais, coisa que o pessoal do grupo sempre reclamou, dizendo que ele nunca atrapalhava, e que ele sempre foi bem-vindo no grupo.

_ Bem... _ Começou com sua voz fina. _ Eu estou pensando ainda. _ Falou por fim.

Mas o fato real era que Dilan era mais musical, ele gostava de tocar mais do que cantar, por isso sempre se interessou pela banda e sempre que podia, ou que
solicitavam, ajudava nas apresentações na parte da orquestra, mas também cantava e muito.

Kurt estava no canto da mesa, rodeado pelos amigos, apenas balbuciado quando lhe perguntavam algo, mas não com muito animo.

Blaine estava sentado ao seu lado, quieto também, apenas absorvendo e admirando a conversa também com o semblante exalando preocupação, quando um puxão em seu braço o fez acordar.

Olhando para a direita, ele pode perceber Wes e David o mirando com grandes olhos curiosos.

_ Esta tudo bem cara? _ Perguntou o negro, baixinho, que estava mais próximo do moreno.

_ Bem... _ Blaine pensou em mentir e dizer que estava tudo na mais perfeita ordem, mas ele sabia que nunca conseguiria mentir para seus dois melhores amigos.

_ Não ouse mentir para nós Anderson. _ Falou David brincalhão para o amigo, arrancando um sorriso fraco, mas sincero dele.

_ Claro que não mamãe. _ Falou, e agora os três riram com gosto da brincadeira dos dois.

_ Não... Mas serio agora filhinho, o que há com você e com Hummel? Porque ele esta tão quietão ultimamente?

Blaine suspirou mais uma vez, essa era a decima vez que ele fazia isso em busca da resposta para esta pergunta, e mais uma vez não conseguia chegar a nenhuma conclusão.

_ Eu não sei meninos, eu realmente não sei, eu queria saber sabe, mas não sei... _ Falou preocupado, e direcionando o olhar rapidamente para Kurt, que estava conversando com Charlie um pouco animado agora.

_ Algo aconteceu? _ Perguntou Wes, trabalhando em sua analise pelas feições não só de Blaine, mas também desviando seu próprio rosto para o lado onde Hummel estava, e passou a observa-lo.

_ Bem... _ Disse o amigo, direcionando o olhar para os dois integrantes da conversa. _ Lembram que eu sai para procura-lo?

Recebendo um aceno positivo dos amigos, ele prosseguiu com a conversa.

_ Bem... Eu o encontrei um tempo depois, mas sabe, ele não estava tão bem assim, seus olhos estava vermelhos e inchados, como se ele tivesse passado o dia todo chorando, quieto e mais pálido do que já é. _ Falou, desviando o olhar para a mesa de marfim que estava sob seus braços.

Wes e David o olhavam, o analisando.

Não era de hoje que ambos sabiam da paixão que o amigo nutria pelo menino de olhos azuis, e quando Hummel não estava bem, e não dizia para ninguém, Blaine era o que mais sofria, pois Kurt sempre se afastava de todos quando seus problemas começavam o afetar exteriormente, e isso machucava muito o moreno, pois não aguentava ver que Kurt estava sofrendo, e que não podia fazer nada para ajuda-lo. Blaine queria mostrar que estava ali para Kurt para o que ele quisesse e que queria ajudar, nem que fosse segurando a mão do menino, e passando noites em claros escutando os problemas dele, ou simplesmente limpando suas lagrimas.

Mais um suspiro escapou dos lábios vermelho do moreno, mas desta vez foi de cansaço.

_Bem... _ Começou David _ Acho que deveria falar com alguém que conhece muito bem o Kurt, se é que você me intende. _ Falou erguendo uma sobrancelha sugestiva.

Se fosse em um desenho animado, uma luzinha se acenderia em cima da cabeça de Blaine, mas como não era, apenas um sorriso vitorioso e saudável apareceu em seus lábios, mostrando as fileiras perfeitas de dentes que ele possuía.

_ Sei quem poderá me ajudar. _ Falou olhando animadamente para os amigos. _ David, eu te amo cara, você nunca tem ideias que prestam, mas desta vez você se superou. _ Falou rindo divertido da expressão de ultrajo do amigo.

_ Hey... Eu sempre tenho ideias mirabolantes e boas tá... _ Disse, em descaso. _ Vocês que não sabem efetuar direito meus planos esta bem? _ Disse e Wes e Blaine caíram na risada. _ E pode guardar esse amor todo para seu príncipe ali sim? Acho que é para ele que você tem que falar isso não? _ Perguntou, fazendo o amigo ficar vermelho, e fazendo Wes rir mais e mais.

_ Seu besta. _ Falou o moreno, revirando os olhos.

~KBHA~

O carro preto parou em frente a uma residência grande, o rapaz que estava dirigindo saiu do mesmo, e pôs a observar a casa.

Ela era extensa, mas não tão, continha a aparência de ser confortável aos olhos de um observador atento, e também, se tivesse paciência para olhar por mais alguns segundos para a fachada poderia reparar que ela era totalmente pintada em branco, com alguns tons de bege claro a contornando, a varanda continha duas cadeiras de balanço, o chão de madeira contrastando bastante com a pintura e no lado direito da casa poderia observar uma árvore, que agora estava com suas folhas amarelas-laranjadas, que caiam um pouco na casa a tornando mais bela ainda. Mas o que mais lhe chamava atenção era o visual rustico que exalava do local, um lugar familiar, que poderia ser chamada de lar, e que ele deseja muito fazer parte da família.

Deixando seus pensamentos de lado, e se focando no que deveria realmente fazer, o rapaz se encaminhou até a entrada, apertando suavemente a campainha, pondo-se a esperar que alguém abrisse a porta para ele.

Uma mulher, com seu cabelo castanho cortado em formato de Chanel, e muito bem vestida, com um vestido vermelho suave, brincos, colar e uma sapatilha branca, atendeu a porta.

_ Oh... Blaine... _ Reconheceu rapidamente um dos amigos de seu entiado.

_ Carole. _ Disse alegremente com a presença da mulher.

Depois que Burt foi eleito deputado e representante de Ohio, ele e a mulher não ‘paravam’ mais em casa, tendo que viajar diversas vezes para o congresso para as votações semanais que aconteciam lá.

Eles apenas não se mudavam de vez para lá, por causa dos dois filhos.

Primeiro porque ambos já estavam bastante adequados, e nasceram em Lima, então não existiam razões para tira-los de sua ‘zona’ de conforto, e segundo porque sabiam dos sentimentos que eles tinham por todos que habitavam aquela cidade, as amizades e até dos amores, pois Kurt diversas vezes já dissera de seu
interesse pelo colega de sala e quarto, Blaine, para Carole.

_ Oh... A algum problema meu anjo? Venha entre. _ Falava enquanto ia um pouco para o lado, e deixava espaço o suficiente para que o garoto adentrasse a casa.

_ Oh... Não Sra. Hummel. _ Falou polidamente com a atual ‘matriarca’ da família. _ Eu vim apenas conversar um pouco com o Sr. Hummel.

A mulher os guiou até a sala ampla que a casa possuía, e aonde Burt se encontrava.

A sala continha um sofá em formato de ‘L’ preto, que combinava lindamente com a TV de 45’ pregada na parede, o raque combinava com a mesinha de centro, em tons escuros, e um tapete lindamente e perfeitamente colocado, que combinava com as cortinas claras que a sala possuía, para que o ar não ficasse tão ‘escuro’.

_ Burt querido. _ A mulher o chamou charmosamente, o que causou um pequeno sorriso no rosto do garoto que a acompanhava.

O homem se virou, para poder analisar a mulher, e um leve sorriso se apossou dos lábios finos do homem ao perceber quem estava com ela.

_ Blaine. _ Chamou o jovem alegremente.

Aos olhos de Burt, Blaine era um bom garoto, e já pegará Kurt se referindo ao menino para Carole, e gostará muito da ideia de telo como... Digamos... Primeiro namorado de seu filho. Tanto que Burt já o considerava o da família, só faltava mobiliar o quarto de hospedes do jeito do menino para que ele morasse com eles, coisa que Burt já pensava e já quase mandará providenciar, claro.

Ele se levantou, indo até a divisória entre o corredor e a entrada da sala.

_ O que faz aqui meu rapaz? _ Perguntou com um brilho animado nas íris escuras.

_ Ah... Bem... _ Começou timidamente.

_ Oras sente-se meu caro, venha. _ Começou a puxar o rapaz tímido para dentro dos aposentos, e o fez se sentar no sofá, se sentando na outra extremidade.

Na TV passava um jogo de futebol americano que o homem fazia questão de ver, enquanto a mulher ficava na cozinha preparando as mais novas receitas que havia pegado na internet.

Carole havia se retirado, pois estava com a panela no fogo e com o forno ligado, enquanto os ‘homens’ conversavam.

_ Então. _ Disse o patriarca da família, chamando a atenção do menor.

_ Bem. _ Disse se ajeitando, procurando uma posição mais confortável para falar daquele assunto com o homem a sua frente. _ Eu ando muito preocupado com o Kurt senhor. _ Começou, mas quando começou a notar a expressão de preocupação que o rosto aristocrático começou a possuir, logo continuou a falar. _ Bem... Ele anda muito quieto senhor, e já o peguei chorando esses dias, bem não tecnicamente chorando, mas com os olhos vermelhos, estava muito abatido senhor, e eu realmente estou preocupado com ele, e vim até aqui para saber se o senhor sabe de algo. _ Disse.

Ao fim do relato, ele observava o homem a sua frente.

A expressão seria e concentrada, denunciavam que Burt estava pensando no que poderia ser a razão desses ‘sintomas no filho’, até que aparentou se lembrar do motivo, mas antes tinha que perguntar algo ao garoto.

_ Posso te perguntar algo garoto? _ Perguntou o olhando agora seriamente.

_ S... Sim senhor. _ Gaguejou por puro instinto.

_ Você... Como posso falar isso? Gosta do Kurt certo? _ Perguntou, e recebeu um aceno de cabeça positivo de volta. _ Eu pergunto... Mais do que amigos. _ Disso o olhando seriamente.

Blaine nesta hora perdeu o chão, seus batimentos cardíacos se aceleraram, e ele começou a suar frio.

Ele nunca havia admitido isso para ninguém, a não ser para seus amigos mais do que fieis, e não sabia se seria bom admitir para o pai da pessoa na qual ele havia se apaixonado.

_ Esta tudo bem meu garoto, essa conversa não sairá daqui sim. _ Disse, com um sorriso cordial na fase.

Blaine engoliu o bolo de saliva que se formava em sua garganta, e apenas teve a capacidade de afirmar com a cabeça.

O sorriso de Burt, apenas se alargou mais ainda, e ele agora se permitia contar os reais motivos dessa ‘fase’ que seu filho estava passado.

Ele sentia de alguma forma que se contasse para o menino na sua frente, poderia ajudar seu filho de alguma forma.

_ Bem... Acho que reconheço e entendo o que Kurt esta passando agora. _ Começou, não olhando diretamente para Anderson. _ Sabe esta era a estação do ano que a mãe dele mais gostava. _ Disse, se levantando e se encaminhando para a janela, apreciando as árvores que a rua possuía, com as folhas laranja.

Blaine, apenas o seguiu com o olhar, percebendo o tom sôfrego que as palavras carregavam.

_ Bem... Foi logo nesta estação, e neste mês que ela... _ Ofegou. _ Que ela se foi. _ Disse, agora perdendo totalmente o foco, se lembrando da ex-mulher.

Blaine um pouco surpreso com o que havia sido revelado, respirou pesadamente, sentindo o que era estar na pele do amigo ‘agora’.

_Sabe. _ Prosseguiu o maior. _ Ela morreu quando ele era ainda muito jovem, ele tinha seis anos, e isso o marcou muito, pois tivemos que nos ‘virar’, tivemos que passar muitas coisas juntos nos primeiros anos sem ela. _ Disse com a voz baixa. _ Eu não sabia muito bem como me cuidar, imagine cuidar de outra pessoa que dependia de mim? Ele sempre foi mais apegado a ela do que a mim. _ Disse, soltando uma risada fraca tristonha. _ Sabia que foi com ela que ele aprendeu a cantar? _ Perguntou, se virando e se encaminhando novamente para o sofá.

Blaine pode perceber os olhos escuros marejados, e tentando segurar as lagrimas que se formavam nas suas vias lagrimas.

_ Bem, não foi só isso que ele aprendeu com ela, mas sobre a cultura dela também.

Anderson agora ficou mais atento à conversa.

_ Cultura? _ Repetiu o que o homem havia lhe informado.

_ Sim... Cultura. _ Repetiu. _ Ela não era daqui, e não me refiro só a Lima, e sim dos E.U.A. _ Falou, olhando para o menor, que ainda preservava uma expressão de desentendimento. _ Ela era do Brasil. _ Disse calmamente.

Blaine parou um momento para pensar no que havia escutado.

Então quer dizer que o menino tinha ‘raízes’ latinas sim?

Mas uma risada baixa o tirou de seus devaneios.

_ Ela amava falar com ele em Português, dizia sobre os lugares que foi e que tinha saudades, e todo ano nós fazíamos uma viagem para a ‘terra natal dela’, se não me engano se chama ‘São Paulo’, onde os familiares dela moram. _ Disse respirando fundo. _ Ainda continuamos a ir visita-los, e passamos bons momentos com eles. _ Disse, um sorriso involuntário se formou ao lembrar-se dos familiares que ainda o recebiam de braços abertos na família, mesmo com a perda da mulher que os ligava.

_Bem... Apenas este ano que não poderei acompanha-lo nesta viagem, pois tenho deveres com o congresso, mas eles já foram avisados, e disseram que receberiam Kurt de braços abertos ainda. Ele vai estas férias, ele gosta de lá, e principalmente porque o tumulo dela esta lá. _ Disse, perdendo o sorriso que se formava em seus lábios.

O moreno apenas assentiu, em entendimento das palavras do mais velho.

Um silencio se recaiu perante eles na sala.

_ Sabe. _ Disse Burt quebrando o silencio. _ Lembro-me que ela vivia cantando uma cantiga para ele, em português, meio que assim.

“Gosto muito de te ver, leãozinho

Caminhando sob o sol

Gosto muito de você, leãozinho”

“Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só

Basta eu encontrar você no caminho”


Enquanto Burt cantava a cantiga, com seu sotaque muito puxado, um Flash veio em sua memoria.

Flashback on.


Ele corria pelado pelos corredores da casa pequena que aquela família vivia.

_ Oras, volta já aqui mocinho. _ Dizia uma mulher morena, com seus 37 anos já bem vividos, correndo atrás de uma criança, com uma toalha em suas mãos, a puras risadas.

_ Nhã Nhã... _ Ele dizia, correndo pela casa, sem qualquer tipo de roupas. E ela ria junto com o filho.

Sempre foi essa folia, e brincadeira na hora do banho, um corria para pegar o outro, na maioria das vezes, ele saia correndo do banho, e ela tinha que o seguir com uma toalha, para secá-lo, o trocar, e o colocar para dormir.

_ Ah... Você vai ver quando eu o pegar. _ Disse, apressando o passo e o pegando de jeito.

_ Nãooooo... _ Ele dizia entre risadas.

_ O Monstro da cosquinha te pegou... Agora sofrera as consequências. _ Disse indo rapidamente para o quarto dele, e começando a fazer cosquinha no mesmo.

_ Nã... Nã... Para... Por favor. _ Disse o garoto quase se matando de tanta risada.

_ Esta bem, Príncipe Kurt, mas agora é serio, vamos nos trocar para você dormir, porque amanha você tem aula sim? _ Disse, já colocando a camiseta nos bracinhos pequenos.

_ Nah... Esta bem... Mas. _ Disse com os olhos brilhantes.

_ O que foi? _ Perguntou, rindo, enquanto colocava as ultimas pesas de roupas no garoto.

_ Cante para mim mamãe? _ Perguntou com um sorriso brilhoso.

Ela arregalou os olhos, mas abriu um sorriso sincero e feliz.

_ Tudo o que você pedir meu anjo. _ Disse, já o deitando em sua cama.

Ela colocou o na cama e o cobriu, e se sentou na cadeira de balanço que o quarto possuía desde que ele nascerá, diminuiu a luz do ambiente, e começou a cantiga favorita dele.

“Gosto muito de te ver, leãozinho

Caminhando sob o sol

Gosto muito de você, leãozinho.”

Para desentristecer, leãozinho

O meu coração tão só

Basta eu encontrar você no caminho.

Um filhote de leão raio da manhã;

Arrastando o meu olhar como um ímã...

O meu coração é o sol, pai de toda cor;

Quando ele lhe doura a pele ao léu...”.

Quando ela percebeu, ele já havia pegado no sono, e ressonava tranquilamente sob as cobertas.

Levantou-se cautelosamente, ido em direção ao filho e lhe desferindo um beijo leve sobre a
testa, e quando se virou para ir até a porta, pode perceber que o marido estava
no local, com um sorriso belo na face á observando.

_ Oh... _ Começou a corar... _ Esta aí há muito tempo? _ Perguntou um pouco sem jeito.

Ele apenas alargou o sorriso, á pegando em seus braços.

_ Tempo o suficiente para perceber o quão eu sou feliz com vocês dois. _ Disse beijando seus lábios suavemente. _ Eu te amo tanto. _ Disse para ela.

Os olhos claros que ela possuía estavam já cheios de lagrimas com a declaração do marido.

_ Eu também te amo, e amo ele muito. _ Disse, e ambos olharam o menino que se mexeu levemente na cama.

_ Venha, vamos nos deitar também. _ Disse, fechando fracamente a porta do quarto do filho, e se encaminhando para o próprio quarto, juntamente com a mulher.

Flashback off.


As lagrimas nos olhos castanhos escuros que Anderson possuía denunciavam que ele se emocionou muito com á historia de Burt, sobre a mulher e o filho, de como eles tiveram que se virarem sozinhos.

Emocionou-o tanto que isso acabava de lhe dar uma ideia do que deveria fazer para ajudar Kurt, e também se declarar para ele, já que até falar para o pai dele, ele já falará de seu amor pelo garoto de olhos azuis.

_ Senhor Burt... Eu... _ Disse, tentando falar palavras de consolo para o homem a sua frente.

O moreno limpava suas lagrimas, tentando disfarçar, para que o outro não o visse deste jeito, mas foi praticamente impossível.

_ Se você realmente ama meu filho Blaine, corra atrás dele, ele já sofreu demais, ajude-o, e eu ficarei imensamente grato a você. _ Disse o olhando confiante.

Com um sorriso de ponta a ponta, Blaine se levantou, indo em direção ao mais velho.

_ Pode deixar senhor Hummel. _ Disse apertando a mão do mais velho.

~KABH~

Ele chegou rapidamente à escola, durante a tarde, ele tinha que fazer algumas pesquisas, e conversar com alguns amigos, para colocar o plano em ação, e se tudo desse certo, no dia seguinte ele conseguiria efetua-lo sem nenhum problema.

~AKHB~

E lá estava ele novamente naquele imenso jardim que a escola possuía, debaixo daquela árvore novamente, e lembrando-se novamente dela.

Parece que todo ano, quando vem chegando à data da morte dela, ele ficava mais sensível e emocionado do que nunca, pois sempre foi muito apegado a ela, e continua sentindo falta dela, não que ele esteja se queixando de sua vida atual, pois ele ama muito seu pai, e Carole é um amor de pessoa, uma ótima madrasta, mas nada pode substituir uma mãe biológica, e ele apenas tinha que se conformar com a realidade não?

Secando as lagrimas que deslizavam suavemente por seu rosto, ele sentiu uma mão em seu ombro esquerdo, o que o fez dar um leve pulo para frente, e se virar para ver quem era o perturbador de seu momento depressivo.

Quando seus olhos se cruzaram com os olhos caramelos escuros, um tom avermelhado tomou conta de sua face.

_ Desculpe, não quis lhe assustar. _ Disse calmamente.

_ Oh... Não foi nada, é que eu não esperava que ninguém vinhesse aqui. _ Disse o olhando, e o convidando para se sentar ao seu lado.

Blaine aceitou de bom grado o convite.

_ Bem... Também gosto de vir aqui para pensar, e pensei que depois de todos esses dias que você sumia assim do nada, de repente, era para cá que você vinha. _ Disse com um sorriso no canto direito da face.

Encabulado, Hummel apenas abaixou o olhar, e pôs a encarar algumas flores que os estavam rodeando.

_ É belo aqui não? _ Perguntou o menor, quebrando o silencio.

Kurt apenas balbuciou algo parecido com “É sim”, e erguendo a cabeça, fechou os olhos, e pode sentir a brisa soprando seus cabelos castanhos para trás, e sentir a tranquilidade que o apossava.

Era incrível o poder que Anderson tinha quando chegava perto do maior, pois Kurt poderia estar sofrendo o que fosse ele sempre se acalmava quando o outro chegava perto dele, ou o tocava.

_ Venha. _ Disse Blaine, se levantando e estendendo a mão para o amigo. _ Já estamos atrasados paras o encontro do coral. _ Disse com um sorriso encantador nos lábios.

Kurt apenas balançou a cabeça afirmando, pegando seu material e aceitando a mão que o outro oferecia para se levantar.

_ Já... Pensou na musica que irá cantar para os ultimas encontros? _ Perguntou, tentando tirar aquela áurea depressiva de si mesmo.

_ Oh, sim... Irei até mesmo canta-la hoje. _ Disse sorrindo abertamente, andando vagarosamente no lado do amigo. Só agora reparando que ele não soltará a sua mão da dele, e isso o alegrou internamente.

_ Posso te pedir algo? _ Perguntou o moreno para Kurt.

O castanho apenas afirmou com a cabeça, se virando e encarando o amigo.

_ Ouça com atenção sim? _ Anderson disse sorrindo e continuando a andar.

Anderson sentiu em sua mão, quando Hummel a apertou levemente, e seu sorriso apenas se alargou mais ainda.

~KBAH~

_ Então meus colegas... Como dissemos na ultima reunião, o tema será livre, e já temos até um voluntario para começar as musicas. _ Disse Robert com um sorriso encorajador para os outros Warblers. Mas seu olhar apenas recaiu-se em um em especial.

Blaine se levantou, sendo devidamente acompanhado de David, Wes e Dilan e se encaminharam onde continha alguns instrumentos que foram pedidos especialmente para aquela apresentação.

O local continha dois banquinhos ao centro, e os outros dois estavam servindo de apoio para os instrumentos que iriam ser usados.

Blaine se sentou no banquinho central, esperando calmamente que os amigos se pusessem em seus devidos locais.

David sentou-se ao seu lado pegando o violão, enquanto Dilan, o que mais sabia tocar instrumentos diversificáveis, se posicionou atrás do violoncelo, e Wes foi para a sua querida bateria, pegando as baquetas especiais com abafadores de som, para que o som não ficasse muito estridente, e seguisse a harmonia.

David introduziu a musica, chamando muita atenção de todos que estavam ali. Logo após, Dilan entrou, não dedilhando o violoncelo, e sim o fazendo piar em sua mão, soltando uma melodia que acompanhava o violão com sua suavidade.

Robert, que estava na mesa da frente, junto com Kurt, apenas abriu um sorriso encantador para os amigos, lhe desejando força, e quando olhou para Kurt pode perceber que o menino, mesmo muito retraído, olhava com atenção a apresentação dos amigos.

Blaine começou a cantar, com uma voz baixa e suave, se concentrando na letra para que não errasse, mas o mais importante, passar tudo o que estava sentindo para aquela musica, e se expor completamente para Kurt.

“Gosto muito de te ver, leãozinho

Caminhando sob o sol

Gosto muito de você, leãozinho”.

O sotaque era evidente, mas o que importava era o que aquela musica significava o que vinha naquelas letras, e não a pronuncia perfeita.

As reações foram diversas quando Blaine deu à introdução a musica, pois nunca haviam escutado uma musica estrangeira, e muito menos uma em ‘português’, e os meninos estavam realmente alegres e contentes com aquela apresentação em si, pois assim teriam mais chances de conhecer um pouco do ‘país’ pelas suas musicas, claro que eles iriam pedir a tradução da letra para os amigos, para que pudessem entender o que se retratava aquela musica, mas por enquanto, eles se contentavam em apenas sentir a musica, e a sensação de familiaridade e lazer que a mesma trazia.

Quando Kurt escutou as primeiras palavras, ele instintivamente se lembrou de que musica era e da onde ela vinha, e com os olhos arregalados de surpresa, se endireitou em sua cadeira, passando a observar atentamente Blaine cantando, ainda puxando as letras, a musica dela, a musica que ela cantava especialmente para ele.

“Para desentristecer, leãozinho

O meu coração tão só

Basta eu encontrar você no caminho”.

Desde o começo da performance, Blaine se permitiu passear os olhos pelos amigos, mas nesta parte da letra, ele também se deu ao luxo de fechar os olhos, e apreciar o que estava cantando.

Ele havia visto a tradução da letra na internet, e em sua opinião, esta parte dizia tudo o que nunca teve coragem de dizer, a solidão que o tomou todo esse tempo dava lugar agora para uma sensação boa, de alegria e felicidade, seu coração estava ficando cada vez mais leve, tirando tudo o que sentia por Hummel de dentro dele, e expondo para o próprio saber, a certeza que falava as palavras era tanta, que até poderia dizer que não estava cantando as e sim dizendo para Kurt.

A musica já tinha em si uma mensagem, um significado, mas a partir daquele dia, Blaine passou a dar outro sentido para ela, outra tonalidade, ela não era mais uma musica tirada da internet que poderia possivelmente ser usada nas competições, ela era agora o sentimento de uma pessoa sendo cantada para outra.

Os sentimentos de Blaine sendo cantados para Kurt.

“Um filhote de leão raio da manhã;

Arrastando o meu olhar como um ímã...

O meu coração é o sol, pai de toda cor;

Quando ele lhe doura a pele ao léu...”.

Wes se juntou aos amigos na composição da musica, tocando levemente nos tambores que a bateria possuía, David fechou os olhos momentaneamente sentindo a melodia se juntando e se misturando a voz melódica de Blaine. Dilan ainda fazendo o violoncelo piar em sua mão, sem realmente dedilha-lo.

Os olhos castanhos se abriram lentamente, permitindo que todos pudessem olha-lo diretamente.

Ele percorreu novamente a sala com o olhar, mas desta vez, parou especificamente um uma pessoa, direcionando as palavras a ele.

Azuis-esverdeados nos marrons caramelados.

Kurt sentiu um arrepio em sua medula espinhal, no momento em que sentiu o peso daqueles olhos escuros sobre si. Ele rapidamente procurou em algo para se apoiar, e a única coisa que achou foi uma mão que se segurou na sua, seu olhar fugiu dos olhos escuros penetrantes, e puderam observar seu amigo lhe dando a mão.

Robert sorriu calma e belamente para Kurt, e desviou o olhar para apresentação, sendo seguido por Hummel.

E ele pode notar que Blaine ainda o olhava fixamente.

Alguns Warblers começaram a notar o sentido daquela musica, quando repararam na troca de olhares, e na intensidade dos mesmos.

Sorrisos diversos apareciam nas faces de um a um dos meninos presentas naquela sala, a compreensão tomando a mente de todos, e a felicidade também, pois sabiam do que pessoas como Blaine e Kurt passavam diariamente.

Mesmo que Dalton tivesse a politica de ‘não Bulliyng’, não queria dizer que fora dos grandes portões pretos que a propriedade possuía era igual, e sabiam que não era fácil serem atormentados por pessoas com pouco caráter, e apenas desejavam felicidades aos amigos.

“Gosto de te ver ao sol, leãozinho

De te ver entrar no mar

Tua pele, tua luz, tua juba”.

Dilan que olhava com os olhos vibrantes em lagrimas, em um gesto totalmente profissional ele fechou os olhos no momento em que começou a dedilhar o instrumento que possuía em seus braços, o violoncelo agora cantava e piava diferente, chorando as notas que seu maestro lhe solicitava, mostrando a beleza que continha apenas nele.

Os olhos azuis piscavam rapidamente para dispensar as lagrimas que teimavam em se formar em sua via lagrimal, mas não foi possível mais segurar a emoção, e agora Kurt se pegava chorando silenciosamente.

O castanho abaixou a cabeça, e momentaneamente, se lembrou de sua mãe, cantando sentada em sua cadeira usual de balanço em seu quarto. A emoção e a gentileza que brilhavam em seus olhos eram belos, e deixava o filho mais calmo e mais em paz com sigo mesmo.


Flashback On.


Ele estava sentado na sala, assistindo a enorme TV que eles possuíam, quase caindo no solo diurno que sempre teve, quando algo lhe chamou a atenção.

Uma voz feminina e suave começou a ser ecoada pelo recinto, fazendo o menino de olhos claros colocar a TV no ‘mute’, para escutar nitidamente a musica.

‘Todos os dias

Antes de dormir

Lembro e esqueço

Como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder...’

Ela cantava para si mesmo, e isso chamou tanto a atenção do filho que o fez levantar-se e se caminhar, na pontinha dos pequenos pés que ele possuía, e ficar de esguelha para não ser vista pela mãe.

Ela cantava alegremente, girando a colher de pau em sua mão esquerda na bacia que seu braço direito abraçava fortemente. Ela estava cozinhando os biscoitos preferidos de seu pequeno filho, que agora a observava.

‘Nosso suor sagrado

É bem mais belo

Que esse sangue amargo

E tão sério

E Selvagem! Selvagem!

Selvagem!...’

Os olhos fechados, era a sua marca registrada, pois sempre que cantava ela os fechava, e quando o filho questionava este gesto tão simplório, mas significativo, ela apenas respondia que assim poderia sentir a letra entrando e saindo de si, e que poderia absorver ainda mais emoção da mesma, e sempre quando ela cantava para ele, ele fecha os olhos, e não foi diferente esta vez.

Ela absorta em sua cantoria, e ele apenas na esguelha com os olhos fechados, sentindo lagrimas se formarem em seus pequenos olhinhos azuis.

Felicidade. Era isso que ele sentia quando ela cantava.

Ele abriu os olhos azuis marejados, e começou a adentrar calmamente a cozinha, se aproximando de sua mãe.

Quando ele estava perto o bastante, ele apenas abriu os seus bracinhos, e abraçou fortemente a mulher que residia naquela cozinha.

_ Oh. _ Pega de surpresa, abriu rapidamente os olhos para ver quem a abraçava. _ Kurt. _ disse um pouco surpresa.

_ É bonito mamãe... É simplesmente bonito. _ Disse um pouco rápido demais por conta da respiração acelerada que possuía.

Ela sabia do que, que o filho falava, porque ela apenas abriu um sorriso ligeiro, e colocando a bacia onde continha a maça dos biscoitos na pia, e o abraçou fortemente também.

_ É meu querido, é lindo. _ Disse sonhadora. _ Porque você não me acompanha hein? _ Disse, se abaixando na altura do filho, secando as lagrimas que caindo de seus olhos. _ Eu lhe ensinei esta musica. _ Disse brincalhona.

Ele respirou findo, se lembrando da letra, e abrindo um pouco os lábios, ele retomou a letra que ela cantava anteriormente.

‘Veja o sol

Dessa manhã tão cinza

A tempestade que chega

É da cor dos teus olhos

Castanhos...’.

A voz infantil e um pouco prematura já tinha escolhido seu destino, apenas esperando que seu possuidor crescesse para brilhar para o mundo, e a mãe dele sabia desse talento e se orgulhava muito disso.

E com um riso infantil, ela se juntou a cantoria do filho.

‘Então me abraça forte

E diz mais uma vez

Que já estamos

Distantes de tudo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo

Temos nosso próprio tempo...’

E foi assim que eles passaram à tarde, cantando diversas musicas, de diversos locais e nacionalidades, um dia apenas de mãe e filho.

Flashback Off.


Kurt chorava silenciosamente pela lembrança que acabava de ter, e a saudade poderia ser grande, mas agora ele esta contente consigo, e com os amigos que tinha.

David abriu os olhos, olhando ao redor, ele nem havia reparado que uma lagrima havia descido escorrendo em sua face, mas nem se importou, apenas continuo a dedilhar conforma havia ensaiado a musica, escutando os outros instrumentos ao seu redor.

Wes, apenas acompanhava o ritmo em um balançar leve de cabeça, e um sorriso esbelto nos lábios.

Dilan estava totalmente perdido na emoção e na letra, sua mão esquerda dedilhava o violoncelo, e a mão direita tocava com o seu suporte, indo para cima e para baixo, tocando com suavidade e comoção.

E Blaine, agora olhava os amigos, seu corpo totalmente rígido, mas confortável. Um sorriso se abriu enquanto terminava a letra da musica, seus lábios pronunciando as palavras, o deixando flutuar e ser levado pelas mesmas.

“Gosto de ficar ao sol, leãozinho

De molhar minha juba

De estar perto de você e entrar no mar”.

Enquanto Blaine já tomava o caminho do termino da musica, Kurt secou suas lagrimas discretamente, e erguendo a cabeça, pode encontrar mais uma vez o olhar de Blaine, e pode perceber um brilho caloroso nos olhos castanhos, uma
sensação da alegria e paz tomou de conta de seu corpo, uma sensação que havia sentido falta naquela semana difícil que estava tendo.

A voz melódica e baixa trazia paz, calma e serenidade para ele, para sua mente e seu corpo, seus batimentos cardíacos estavam elevados, mas ele parou de se importar no momento em que a voz do garoto a sua frente tomou posse dessa musica, a tornando sua.

Blaine desejava fortemente que Kurt entendesse sua declaração, que entendesse que ele queria mais que sua amizade, que queria ficar no seu lado nos momentos difíceis, nos momentos alegres, queria construir uma vida com o garoto de olhos azuis, eles poderiam caminhar de vagar com a relação deles, mas talvez o que faltava para ambos ficarem juntos fosse que um deles tomasse coragem para dar o primeiro passo e se declarar, e Blaine fora este, se declarando, e esperando a aceitação de outro.

Um sorriso gentil se formou nos lábios finos e rosados de Kurt, as bochechas tomando um leve rubor, e os olhos fugindo rapidamente do olhar do amigo.

Um sorriso se formou nos lábios de Anderson, o brilho em seus olhos se intensificou, e ele terminou a musica, olhando para os demais Warblers em agradecimento.

Todos bateram palmas para os amigos.

Dilan que estava com os olhos fechados, os abriu, e piscando rapidamente para afastar a nevoa que possuía, apenas riu levemente com os outros amigos, os olhando.

Os quatro se encaminharam para o centro da sala, abandonando seus instrumentos, e fazendo um reverencia em agradecimento.

Os garotos de blazers azuis batiam fortemente palmas, e assoviavam para os protagonistas da beleza que acabaram de assistir.

Blaine e os garotos se encaminharam para mesa onde Kurt e Robert estavam.

Quando chegou à mesma, Robert levantou com um sorriso triunfante na face.

_ Parabéns meninos. _ Disse rindo levemente.

_ Obrigado Robert, mas parabenize Blaine por isso desta vez, foi ideia dele de cantar esta canção. _ Disse Dilan timidamente, se sentando ao lado da cadeira, anteriormente ocupada por Robert.

_ Nah... Que isso, foi um trabalho de todos sim? _ Disse casualmente, indo em direção à cadeira disponível no lado de Kurt.

Kurt ergueu o olhar para o amigo que se sentou ao seu lado, e apenas abriu-lhe um sorriso, esperando que ele se sentasse.

Quando o mesmo fez, Kurt apenas puxou levemente a manga da camisa que Anderson usava, e aproveitando que os outros rapazes estavam distraídos em uma conversa casual, pode falar com Blaine.

Tomando folego, Kurt olhou para Blaine.

_ Parabéns. _ Disse timidamente para o amigo.

_ Não foi nada. _ Respondeu, pensando que Kurt não havia entendido o que ele queria dizer naquela musica.

_ Obrigado também Blaine... Eu... Eu... _ Quando Hummel foi terminar a fala, fora interrompendo pelos três coordenadores do coral.

_ Depois você fala sim? _ Disse Blaine baixinho.

David, Wes e Robert se encaminharam para frente no centro, para darem seu anuncio final, pois o tempo do Coral estava no fim.

_ Espero que esta música tenha animados vocês e os instigado a fazer melhor do que o nosso querido amigo Blaine. _ Disse Wes.

_ O que é impossível não é mesmo? _ Disse um dos meninos que estavam na frente.

Todos os presentes na sala riram gostosamente da piadinha, até mesmo Kurt.

_ Agora, falando serio, espero que todos se apresentem sim? Nada de timidez, é o ultimo ano de vários de vocês, e acho que não poderiam perder esta oportunidade não é mesmo? _ Disse Robert, brincando com os colegas.

_Ah... Mas é claro. _ Disseram alguns dos Warblers.

_ Pois bem... _ Wes disse, olhando no relógio central que a sala possuía. _ Esperamos vocês de volta amanhã sim. _ Disse com um sorriso cordial, enquanto via os colegas pegando suas mochilas e se encaminhando para a saída do recinto.

Os três novamente se encaminharam para a mesa.

_ Bom meninos, vejo vocês depois sim? _ Disse Wes já pegando sua bagagem e se retirando.

Ele foi seguido por David e Robert.

Dilan suspirou, olhando para os amigos, e percebendo o porquê da retirada estratégica dos outros dois.

Ele rapidamente se levantou, pegando suas coisas, um pouco atrapalhado.

_ Bem... Eu... Eu também vou. _ Disse corando por ser tão atrapalhado.

Kurt e Blaine apenas riram levemente do amigo.

_ Bem... Vamos? _ Disse o moreno se levantando também, e olhando para o garoto de olhos azuis.

_ Oh... Sim... _ E Kurt seguiu os mesmo passos de todos.

Eles começaram a caminhar pelos corredores da enorme escola sem rumo. As lacunas no lado de fora, deixavam o ar fresco passar, e Kurt foi pego de surpresa quando uma dessas brisas lhe assoprou os cabelos, que agora se retumbavam em uma franja castanha.

Um arrepio percorreu seu corpo, e Blaine percebeu.

_ Esta com frio Kurt? _ Perguntou, o avaliando.

Um sorriso simpático apareceu na face pálida.

_ Não... Foi só a brisa mesmo, mas não se preocupe. _ Disse calmamente, olhando atentamente para o caminho, e apertando os livros aparte que estavam em seus braços.

_ Bem... Se você diz.

E mais uma vez o silencio se fez presente perante ambos.

_ Sabe... _ Começou Kurt.

A grama na qual eles pisavam era fofa e continha um cheiro de regada, o que embriagava mais e mais Kurt.

Eles começaram a se aproximar de uma arvore central, a ‘mãe’ das outra ao redor.

Ao chegar à mesma, Kurt se sentou em suas raízes, e Blaine fez o mesmo, se sentando no lado do amigo.

_ Eu realmente gostei da musica. _ Disse o castanho, observando o campo que eles se encontravam novamente. _ Eu me lembrei dela sabe... Quando você cantou aquela musica. _ Disse um pouco tristonho.

_ Oh... _ Por essa Blaine não esperava.

_ Ela sempre cantava esta musica antes de eu ir dormir. _ Disse, se lembrando das vezes que ouvira aquela musica com outra voz, outro timbre.

_ Eu... Eu não sei realmente o que falar. _ Disse Anderson, parando para pensar no que falar para consolar o amigo.

_ Bem... _ Kurt, agora se virava para encarar o amigo, deixando sua timidez de lado. _ Pensei que você saberia... _ Disse o olhando.

Blaine não disse nada, respirando rapidamente.

Era agora ou nunca.

_ Bem... _ Kurt, após um tempo sem resposta, se endireitou. _ Como você não tem nada pa... _ Não pode terminar a fala, pois foi bruscamente interrompido.

_ Ela teve sim um significado e um sentido Kurt, não foi por acaso que escolhi aquela musica, eu queria que você lembrasse-se dela, e que se lembrasse dos momentos felizes com ela, eu queria ajudar Kurt, não o fazer sofrer mais, e quando eu via você chorando pelos cantos isso me machucava também Kurt. _ Disse se virando para o castanho, que o olhava surpreso. _ Esses dias que você esteve assim, todo deprimido, também me atingiram Kurt, por que... Por que... Eu te amo Kurt, e não suporto te ver deste jeito, sabendo que você é tão alegre e caloroso e eu não poderia ficar parado e assistir, sabendo que poderia fazer algo.

Blaine parou para buscar ar, mas voltou a falar rapidamente.

_ Então eu perguntei ao seu pai o que poderia ser, e peço-te desculpas por isso, e ele me disse que a data da morte de sua mãe estava chegando e que você sempre ficava assim, e me disse desta canção, e eu a achei perfeita para lhe mostrar que seus momentos com ela foram sim felizes, mas que esta na hora de você seguir sua vida em frente, não se esquecer dela, mas de começar a viver mais, e também achei uma boa oportunidade para me declarar e dizer tudo que sentia por você. E o que eu sinto Kurt é isso... Eu te... Amo. _ Blaine terminou de falar, desviando os olhos castanhos dos azuis.

Silencio se caiu perante ambos.

Kurt agora olhava a paisagem a sua frente, com uma guerra interna em si mesmo.

‘Contava ou não contava o que sentia por Anderson?

Mas o que são palavras se podemos usar gestos?’– Pensou Hummel.

Blaine, que estava com a cabeça baixa, sentiu quando dedos brancos, macios e delicados se encaixaram perfeitamente em seu maxilar o puxando levemente em direção ao dono daquela mão quente e acolhedora.

Em um momento ele estava se condenado por ser tão idiota e se declarar daquele jeito para Kurt, e no momento seguinte, ele sentia os lábios finos e macios de Kurt sobre os seus.

Com o susto, Blaine paralisou totalmente, mas depois de alguns segundos, ele recobrou a memoria do que estava acontecendo, e quando sentiu a língua de Kurt pedir passagem para adentrar sua boca, ele abriu rapidamente a mesma.

O beijo começou calmo e lento, Kurt chegou mais próximo com seu corpo, pois sua posição estava totalmente desfavorável a ele, e pode ter a alegria de sentir mãos fortes e másculas segurar sua cintura. Ele abriu um sorriso durante o beijo.

O beijo terminou com vários selinhos dados. Kurt sorria quando Blaine abriu os olhos castanhos, e isso o fez querer sorrir também.

_ Bem... Isso foi... Isso foi intenso não? _ Perguntou Anderson, rindo juntamente com Kurt.

_ Seu bobo... _ Disse batendo levemente no ombro direito do amado. _ Você sabe que isso foi uma resposta a sua declaração, e que sim, meus momentos com minha mãe foram bons, mas você tem razão, tenho que seguir minha vida... E eu queria saber se você esta disposto a fazer isso comigo? _ Perguntou Kurt, abaixando o rosto por causa do rubor que lhe tomava a face.

Um sorriso imenso de formou nos lábios vermelhos do moreno.

_ Isso foi um pedido de namoro? _ Perguntou rindo levemente.

Kurt o olhou rindo.

_ Bem... Se você quiser chamar assim, eu aceito.

_ Bem... Então eu também aceito. _ Disse rindo maravilhosamente.

Kurt o encarou, um brilho alegre se formando nas íris azuis.

_ Aceita? _ Perguntou não acreditando muito na resposta do rapaz a sua frente, que ainda segurava sua cintura.

Blaine apenas afirmou com a cabeça. E foi só o tempo dele colocar mais resistência em sua massa muscular, para poder aguentar Kurt pular literalmente em cima dele.

Hummel começou a dar vários selinhos no atual namorado.

Blaine se recostou na arvore que estavam, e com os braços abertos aceitou Kurt se encostar-se a ele, se mexendo para achar uma posição confortável.

E passaram o resto do dia assim, se paparicando e namorando como nunca haviam feito antes.

~BAHK~

Algumas semanas depois.

Lá estava ele novamente, fazendo tudo de novo como sempre fez. Um buque de flores esta sobre o tumulo dela, e ele estava agachado, passando a mão direta sobre a pedra cinzenta e fria que era a tampa do tumulo.

Os olhos úmidos denunciavam sua tristeza, mas não era a mesma tristeza que ele carregava há tempos, agora ele tinha uma razão para viver, tinha uma pessoa que seria seu suporte e teria apoio para aquele momento.

Ele sentiu quando alguém colocou uma mãe em seu ombro esquerdo, chamando sua atenção.

Ele olhou para a pessoa que lhe chamava atenção, e instintivamente abriu um sorriso maroto para ele.

Ele estava lindo como sempre esteve, e estava ali para ele, para Kurt, para ajudá-lo neste momento e acolhe-lo.

Kurt ergueu-se sobre seus calcanhares, e quando ficou lado a lado com ele, sentiu-o pegando sua mão esquerda e a entrelaçando com a dele. Kurt riu levemente com aquele gesto, sabendo que agora sim ele seria feliz como sempre sonhou.

Ele olhou uma ultima vez para o tumulo aonde residia o corpo de sua mãe, e se virou para Blaine.

_ Você já conheceu São Paulo? _ Perguntou erguendo uma das suas sobrancelhas bem feitas.

Blaine apenas o olhou e com um sorriso respondeu.

_ Bem... Não pessoalmente, só por fotos.

Um sorriso inocente e sonhador se fez presente nos lábios finos e bem desenhados do castanho.

_ Bem... Pois hoje é seu dia de sorte, venha... _ Disse puxando sua mão que estava entrelaçada com a do namorado. _ Eu irei lhe mostrar tudo o que você não conhece, veremos a Av. Paulista, e também conhecerá a minha família por parte de mãe... Você irá ama-los. _ Disse Kurt alegremente.

“Merlin, esse menino ainda me mata, mas mesmo assim eu ainda o amo.”– Pensou Anderson rindo enquanto era puxado por Kurt que dizia o que eles poderiam ver no Brasil.

É seria uma longa viagem para os dois.

Fim.’


Notas finais
Então... O que acharam?..
Bem adorei escrever esta fic pelo simples fato de saber que 'lá fora' do Brasil, a musica Brasileira também é uma infliencia apra alguns artistas...
A Segunda musica brasileira que usei foi a "Tempo Perdido"- Legião Urbana.
E espero que vocÊs também tenham gostado sim?..
Deixem Reviews meus lindos..
X.O.X.O.. Rachel Narcisa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!