O Lago do Cisne
15 Phoenix e Cygnus - Ikki e Hyoga
A expressão de Hyoga era hilariante. Quase não contive minha risada, ainda bem que Milo não está aqui, ele acabaria me contagiando. Mas eu não podia rir de meu pupilo, não agora, eu ainda tinha que acabar aquela história.
¬ Depois muitas outras histórias vieram a surgir. Algumas verdadeiras, outras nem tanto. — mirei a Aurora Boreal dançando no céu noturno e me dei ao luxo de esboçar um sorriso com a visão. — Eu, par exemple*, tenho certeza de que essa lenda é real e que apenas uma das histórias que surgiram depois é verdadeira.
¬ E-E qual seria, Mestre? — voz tremula, Hyoga? Será que tem algo a ver com o Cavaleiro de Fênix? Definitivamente, depois de pergunta como essa, o Milo esta me corrompendo.
Como eu disse anteriormente, eu queria rir, mas não o fiz. Hyoga parecia apavorado com as minhas próximas palavras e não era sem razão, rir dele seria maldade demais e eu não sou o Milo.
¬ Dizem que Phoenix e Cygnus sempre renascem como portadores de suas respectivas armaduras, ou seja, eles nascem destinados a serem os Cavaleiros de Fênix e Cisne. E que por mais que eles se neguem, estão destinados a se apaixonar. — eu me sentei e comecei a procurar algo em minha carteira. — Dizem também que quando eles nascem, ou melhor, no momento em que eles nascem, ocorre um evento nos céus, suas constelações se tornam visíveis. Ahá!! — achei. — Aqui está. — estendi uma foto para ele. — É do dia em que você nasceu. Pode conferir a data na parte de trás, eu tinha 6 anos, un enfant encore*. Era Cavaleiro a pouco tempo, quando tirei essa foto, estava aqui mesmo na Sibéria.
Hyoga pegou a foto e a mirou pelo que me pareceu horas, seu olhar só expressava uma coisa, socorro. Tenho quase certeza de que ele dirá que a foto é falsa, mas aquela foto é mais real do que a neve que nos cerca ou a cara de besta (como diz Milo) que ele fazia.
Era uma foto da constelação de Cygnus, a foto que me deu certeza de que por detrás de toda lenda tem uma história verdadeira.
¬ Milo tem a foto de Phoenix. — ele me olhou surpreso. — Eu estava no norte e ele no sul, mas já éramos amigos e como de onde estávamos algumas constelações não eram visíveis, tiramos as fotos na intenção de mostrar um ao outro. Quando o Mestre viu as fotos, meio que por acidente, porque Milo não consegue ficar quieto, ele se virou para mim e declarou que eu, e apenas eu, treinaria a criança nascida nesse dia.
¬ M-Mestre... — ele estava muito mais branco que o normal.
¬ Eu sei que deve estar achando tudo isso ridículo ou uma brincadeira de mal gosto, mas eu gostaria de te lembrar que eu não tenho por habito mentir. — ele abaixou a cabeça. — Eu sei que essa história de Phoenix e Cygnus pode ser ridícula, mas isso em suas mãos é a prova de que é real. Phoenix e Cygnus realmente existem.
¬ E, deixe-me adivinhar, o senhor acredita que Phoenix seja o Ikki e Cygnus seja eu? — ele ainda estava de cabeça baixa.
¬ Pieusement*. — declarei.
¬ Mestre! Soshel s uma*?! — Hyoga finalmente ergueu o rosto, se mostrando mais vermelho que o meu cabelo, se é que isso é possível... — Está supondo que eu e Ikki sejamos reencarnações de duas almas que deram origem as nossas constelações?!
¬ Ora... Pourquoi pas*? — indaguei. — Hyoga, deixe de ser tolo. Sou seu Mestre, quase père! Acha que não sei o que se passa em seu coração? Sei que está apaixonado pelo Fênix. — cutuquei o peito dele e, mais uma vez, ele abaixou a cabeça. — Pense bem, Hyoga. Pelas histórias, você é parecido fisicamente com Cygnus, tem a constelação de Cisne como protetora, é um aquariano, seu nome é parecido com o dele e nasceste no exato momento em que este evento ocorreu. — apontei para foto. — Ikki é outro, a condição dele é exatamente igual a sua. Porque não poderiam ser Phoenix e Cygnus?
¬ Ikki ainda ama Esmeralda. — respondeu-me tristonho.
Não pude mais segurar, eu tive que rir. Ele me encarava em um misto de descrença e surpresa.
¬ Eu não te contei, mas Emrallt foi amaldiçoada pela própria mãe. — ele me encarava ainda mais surpreso. — A pobre jovem se tornou o alvo da irá de sua mãe por ter falhada. Desde então ela busca uma maneira de separar os dois apaixonados, do contrario jamais poderá descansar em paz nos Campus Elísios. Porém, seu coração sempre manda o contrario, e no final, ela sempre morre, geralmente deixando Phoenix com um caminho traçado até Cygnus. Acho que podemos classificá-la como um teste de fé e amor.
¬ Só está tentando me animar... — soltou um muxoxo.
¬ Alexei Hyoga Yukida! — cansei desse jogo de gato e rato. — Eu não estou tentando te animar! Estou lhe contando o que pode ser seu passado e sua base para um futuro!
Ele ficou em silencio por um tempo, segurava a foto como se sua vida dependesse disso, parecia estar preso no mundo que era sua mente. Por fim suspirou e relaxou.
¬ Você esta certo, Mestre. — disse me fitando com um mínimo ar de esperança. — Pode ser possível. — dei-me ao luxo de sorrir, sorriso este, que fora correspondido.
¬ Possible*, Hyoga. Só basta correr atrás.
Ele me estendeu a foto da constelação pouco depois, mas eu me neguei a pegar.
¬ Non*. Fique com você. — ele, então, a colocou no bolso do casaco. — Pode vir a ser uma lembrança e/ou algo valioso um dia. E também, Milo já deve ter dado a dele pro Fênix faz tempo, já que são companheiros de farra. — agradeço aos céus todas as vezes que Ikki trás um Milo totalmente bêbado de volta para o Santuário sã e salvo, o duro é ter que aguentar a cantoria de bêbado dele a madrugada inteira, uma vez, Saga tentou matá-lo por ele não calar a boca, mas isso é um assunto a parte.
Depois disso passamos a noite mirando as estrelas e a Aurora Boreal interligar cada uma das constelações. O que mais chamou minha atenção aquela noite, foi que a constelação de Cygnus possuía um brilho diferente, mais esperançoso e animado, tal como Hyoga ao meu lado.
Sorri e me perguntei: Phoenix e Cygnus – Ikki e Hyoga. Pourquoi pas*?
Francês:
Pourquoi pas? – Porque não?
Par exemple – Por exemplo
Un enfant encore – Uma criança ainda
Pieusement — Piamente
Père – Pai
Possible – É possível
Non – Não
Russo:
Soshel s uma?! – Ficou louco?!
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