O Lago do Cisne
16 Fênix da Noite Estrelada: Porque Eu?! Porque Ele?!
Notas iniciais
Meses depois daquela noite estrelada, onde a história de Phoenix e Cygnus fora revelada, Camus e Hyoga voltaram ao Santuário, mas não porque queriam e sim porque Saori exigiu a presença de ambos.
Mestre e Pupilo trajavam suas armaduras quando, com a permissão do Mestre do Santuário, adentraram o templo de Atena. Saori estava os esperando, cada um prestou sua reverencia e só então a deusa adolescente se colocou a falar.
¬ Compreendo que passaram quase 2 anos distantes do Santuário treinando. — os olhos turquesa pousaram sobre o Cavaleiro de Cisne. — Ainda mais por estar treinando seu sucessor Camus de Aquário.
Eles nada falaram. Hyoga se perguntou quando foi que se distanciou tanto de Saori ao ponto de vê-la apenas como Atena ou seria ela que o via apenas como um Cavaleiro? Isso pouco importava no momento, tinha que prestar atenção nas palavras da deusa.
¬ Pouco depois de partirem, comecei a sentir um cosmo fraco, mas ameaçador e muito conhecido por mim. — o olhar da deusa se tornou nostálgico por alguns segundos. — Temendo uma nova guerra, fiz todos os Cavaleiros passarem por um treinamento rigoroso. — mais rigoroso do que os habituais? Hyoga duvidou. — Cada grupo dos Cavaleiros possui um membro “especial” que provou a essência do sofrimento verdadeiro na pele. Dentre os Cavaleiros de Ouro, por exemplo e mesmo que não pareça, Mu de Áries foi o que mais sofreu, portanto foi ele quem treinou os demais.
¬ Lady Atena. — Camus interferiu-a. — Onde deseja chegar? — ele já tinha ideia da resposta, porém queria uma confirmação.
A deusa suspirou, como esperado dos aquarianos, nenhum deles era tolo.
¬ Vocês serão testados até os seus limites. — declarou calmamente. — Serão treinados nos ambientes mais extremos do planeta e nas situações mais inesperadas possíveis, pois este mal que se aproxima não vê diferença entre um servo e um humano inocente, ele usa todos. — esclareceu. — Por isso cada um será treinado, como os demais foram, e se prepararem para momentos ruins.
Nenhum dos dois discordou de uma única palavra proferida pela deusa, mas ainda existia uma dúvida pairando no ar.
¬ Lady Atena. — foi a vez de Hyoga se pronunciar. — Pude perceber que meu Mestre será treinado por Mu de Áries. E de acordo com o que disse, existe um membro “especial” em cada uma das classes de Cavaleiro, então eu, que sou um Cavaleiro de Bronze, serei treinado por quem?
¬ Por mim. — uma voz grave e profunda reboou por todo o lugar.
Hyoga sentiu todos seus músculos enrijecerem e os pelos de seu corpo se arrepiarem, disfarçando sua reação em uma máscara de surpresa, virou-se para encarar o dono daquela voz.
Ikki de Fênix usava sua armadura com orgulho, sua expressão e postura eram taciturnas, tudo o que fazia tinha um ar arrogante e todo o seu ser emanava força e virilidade. Nem parecia ser o homem de bom coração que era.
De fato, uma figura intimidadora, mas não para o aquariano, aquele ser parecia atraí-lo. Suas personalidades podiam ser um pouco parecidas, mas eram as diferenças que mais pareciam se complementar, eram os defeitos que se anulavam e as qualidades que se intensificavam. Por mais que negasse, era isso que sentia por Fênix.
A postura de Cisne irritava e admirava Ikki.
Hyoga de Cisne parecia uma fortaleza. Escondia seus sentimentos em tantas camadas que o irritava, mas era esse sigilo que mais interessava. Queria atravessar cada uma das barreiras e por fim alcançar o coração gélido do russo, para descobrir o que sentia de verdade em relação ao belo rapaz a sua frente com cara de poucos amigos misturada com um “q” de surpresa.
¬ Fênix. — pronunciou com um leve sotaque.
¬ Cisne. — respondeu no mesmo tom de desdém.
Saori explicou tudo, desde como seria o treinamento até o tempo que passaria em cada lugar. Em nenhum momento Ikki e Hyoga desviaram o olhar. Ao termino daquela “reunião”, Ikki sorriu matreiro.
¬ Parece que ficaremos um bom tempo juntos, Cisne. — aproximou-se perigosamente do rosto do mais jovem e sussurrou sedutor. – Como se sente quanto a isso?
¬ Incomodado. — respondeu e escondeu o verdadeiro sentimento que queria tomá-lo, a resposta arrancou um riso de Ikki.
¬ Nos vemos amanhã... Pato.
Quando a presença de Ikki estava longe. Saori puxou Hyoga e Camus para dentro.
¬ Diz que me ama! — exigiu a jovem.
E a Saori que conheceu acabou de voltar.
¬ Não! — Hyoga deixou todo seu desespero transparecer naquela palavra. — Eu não amo! Você quer me ver morrer, é isso? O Ikki, Saori?
¬ Não se finja de rogado! — volveu. — Você tá super a fim dele, eu só dei um empurrãozinho...
¬ Empurrãozinho!? Você me atirou em uma cova de leões!! — ironicamente apropriado, pois Ikki era leonino.
¬ Pare de drama, Hyoga. — retrucou Camus. — Parece uma criança. Devia ser grato por ter aulas particulares com o Cavaleiro de Fênix. — sorriu malicioso.
¬ Até tu, Mestre? — Hyoga parecia desanimado e descrente.
¬ Ora... Já lhe contei a história, agora depende de você! — Camus apontou para onde, a noite, estava a constelação de Cygnus.
¬ Eu sei, mas... eu tenho medo... — falou de forma inaudível para os demais.
Hyoga desistiu de qualquer tipo de argumentação, só ouviu o que Saori e Camus diziam, quase tudo pela oportunidade que tinha de fisgar o coração do Cavaleiro de Fênix.
Quando finalmente foi liberado daquela conversa vergonhosa e estressante, Hyoga foi direto para seu alojamento, onde se jogou na cama e olhou para o teto minutos a fio.
¬ Porque Eu?! — indagou com um aperto no peito. — Porque Ele?!
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