Narrado por Jacob


A mala estava quase cheia. Dinheiro vivo. Notas organizadas em feixes exatos. Tudo preparado como Logan havia exigido. Era absurdo pensar que um homem podia colocar tantas vidas em jogo por ganância e vingança. Mas eu faria qualquer coisa por ela. Qualquer coisa por Renesmee.

Estávamos na sala da mansão Black. O som abafado das conversas da equipe tática da polícia contrastava com a minha pulsação acelerada. Um dos agentes, o tenente Wallace, me chamou de lado e falou com seriedade, apontando para a mala:

— Sr. Black, escute com atenção. Quando fizer a entrega, o senhor não deve se afastar do veículo. Mantenha o celular ligado e o microfone preso à gola da camisa — ele mostrou o pequeno dispositivo — Estaremos ouvindo tudo. Se ele tentar algo, agiremos. Mas precisamos que o senhor mantenha a calma e siga as instruções à risca. A prioridade é trazer Renesmee com vida.

Assenti em silêncio, respirando fundo.

Bonnie cruzou os braços ao meu lado, o maxilar tenso.

— Eu vou com você, Jake. Não adianta discutir. Não vou deixar você enfrentar isso sozinho.

— E eu também — Edward falou firme, surgindo ao lado de Bonnie. — Não vou deixar minha filha nas mãos desse maldito.

Olhei para os dois, sentindo o peso das decisões. Mas antes que eu respondesse, senti braços pequenos ao redor da minha cintura.

Sophie.

Ela me abraçava forte, a cabeça encostada em meu peito.

— Papai... você vai voltar, né? Vai trazer a mamãe?

Me ajoelhei diante dela, segurando seu rosto entre as mãos.

— Eu vou, minha princesa. Vou trazer sua mãe pra casa. Prometo. Você é forte, e precisa confiar em mim, tá bem?

Ela assentiu com os olhos marejados.

O telefone vibrou no meu bolso.

Logan.

Atendi imediatamente, colocando no viva-voz.

— Black — a voz dele veio fria e calculada — vamos acabar logo com isso. Pegue a mala e vá até o galpão abandonado na 145ª com a 12th Avenue. Você tem uma hora. Vá sozinho. E sem truques.

— Eu só levo a mala se ver a Renesmee — retruquei com firmeza.

Do outro lado, silêncio. Depois um riso seco.

— Sempre colocando condições… Muito bem. Vou pensar em algo. Retorno em 30 minutos. E nem pense em envolver mais polícia do que já envolveu.

A ligação caiu.

Todos na sala me encararam em silêncio.

— Trinta minutos — murmurei. — Ele vai ligar de novo.

O relógio começou a contar. E meu coração com ele.



Narrado por Renesmee


O silêncio do lugar só era interrompido pelas batidas do meu coração. Estava escuro, úmido, e o cheiro de mofo grudava na pele. Mas eu sabia que não podia ficar deitada para sempre esperando ser salva. Ouvi passos. Depois o giro da chave na porta.

Corri, me escondi atrás da porta, segurando a respiração. Meus joelhos tremiam, mas minha mente estava decidida. Quando a maçaneta girou e a porta rangeu, empurrei com força, acertando Logan com o ombro.

— Desgraçado! — gritei, correndo para o corredor.

Consegui atravessar a porta, sentindo o ar salgado do lado de fora. O mar. Eu podia ouvir o som das ondas. Estávamos perto da costa, era minha chance.

Mas não fui rápida o suficiente.

Logan, mesmo ferido, era maior e mais forte. Me alcançou em poucos segundos, agarrando meu braço com violência. Me debati com todas as forças. Mordi o ombro dele com fúria, sentindo o gosto metálico do sangue invadir minha boca.

— Sua VADIA! — ele gritou, me empurrando com brutalidade.

Caí no chão, as costas latejando de dor ao atingir o concreto frio. Gemei, mas tentei me arrastar.

Logan me puxou pelos cabelos com raiva.

— Você quer dificultar? Tudo bem! — ele rosnou.

Me colocou de pé à força, me encarando com os olhos selvagens.

— Se não colaborar, você vai se machucar. E muito mais. Isso foi só o começo. Você não tem ideia do que estou disposto a fazer.

Ofegante, com o coração disparado, senti o gosto do medo misturado ao sangue em minha boca. Mas não baixei a cabeça.

— Vai pagar por isso, Logan… — sussurrei, a voz falhando, mas firme.

Ele me lançou de volta para dentro do quarto e trancou a porta com força. O som metálico da chave girando ecoou como um trovão.

— Agora sua vadia. Seja boazinha pois vamos fazer uma ligação.


Me arrastei até o colchão, o corpo doendo, o peito arfando. Lágrimas silenciosas escorriam, Logan me olhou e retirou o aparelho celular do bolso.


Narrado por Jacob


O celular vibrou em minha mão. A tela acendeu com o nome Logan Young. Era uma videochamada.

Senti meu coração disparar.

— Atenda! — disse o detetive ao meu lado.

Aceitei a ligação.

A imagem tremia um pouco, mas logo apareceu o rosto dele. Arrogante. Satisfeito. Atrás, uma parede de metal enferrujada, e... então ela.

— Renesmee.

Meu peito se apertou. Ela estava sentada, os cabelos bagunçados, um corte no lábio e um roxo na bochecha.

— Jake… — a voz dela saiu fraca, mas o som do meu nome me atingiu como um soco no estômago.

— Meu amor, eu tô aqui. Eu vou te tirar daí. Eu juro, Nessie. Vai ficar tudo bem. — falei, tentando não deixar a voz falhar. — Eu te amo. E nada... nada vai me impedir de trazer você de volta.

Ela assentiu, os olhos marejados.

— Quando tudo isso acabar… eu quero aquela viagem, Jake. Lembra? Com você e a Sophie… no iate… em alto mar. Só nós três. Sem preocupações.

Aquelas palavras.

Eu nunca havia feito essa viagem com ela. Era um código. Uma mensagem.

Antes que eu pudesse responder, Logan puxou o celular.

— Chega de drama. Agora é a sua vez, Black. Faça sua parte… ou não vai haver outra chance.

A tela ficou preta.

— NÃO! — gritei, levantando da cadeira. — Ele a machucou. Aquele desgraçado…

Joguei o celular na mesa com força. Minhas mãos tremiam.

— Ela está tentando nos dizer onde está... — murmurei, tentando controlar o turbilhão na mente. — Ela disse sobre o iate… sobre o mar…

— Vocês já fizeram essa viagem? — perguntou o detetive.

Neguei com a cabeça, os olhos arregalados.

— Não. Nunca. Isso foi uma pista.

Edward, que estava ao lado com Bonnie, arregalou os olhos.

— Então ele está perto da água.

— As docas. — respondi, erguendo o olhar. — Ele está nas docas. Ou num armazém próximo ao porto. Renesmee acabou de nos dizer onde ela está.

Edward assentiu imediatamente, os olhos se enchendo de determinação.

— Vamos reunir os homens. Temos que agir agora.

Olhei para a foto de Sophie com Renesmee no fundo da minha tela bloqueada.

E então para o vazio da tela preta da ligação encerrada.

Aguenta, meu amor. Eu estou indo.


A viatura cortava as ruas de Manhattan em direção ao sul, perto da região portuária. Os faróis refletiam nos prédios baixos e nas placas desgastadas da área industrial abandonada. Eu estava no banco de trás, ao lado do detetive, enquanto Edward e Bonnie seguiam logo atrás com mais uma equipe tática.

— Recebemos denúncia de movimentação incomum no antigo Armazém 11, nas docas de Red Hook, Brooklyn. — informou o policial do volante. — É isolado, com acesso direto ao mar. Nenhuma câmera na área ativa. O local perfeito para manter alguém escondido.

Meu coração batia forte no peito. Cada rua que passávamos parecia estreitar ainda mais meu peito.

— Estamos a cinco minutos. — disse o agente ao rádio. — Equipes dois e três, posições conforme o plano. Ninguém age até o comando do central.

Eu fechei os olhos e respirei fundo.

Ela está bem. Ela está esperando por mim.

E eu vou tirar ela de lá, custe o que custar.

O carro desacelerou na curva final. Através da janela, pude ver ao longe os galpões antigos, a ferrugem das paredes metálicas e a escuridão opaca do fim de tarde começando a cair sobre o porto. As ondas batiam nos pilares de madeira, e o vento trazia cheiro de maresia misturado com óleo.

O rádio da polícia chiou:

— Equipes posicionadas. Alvo confirmado. Dois homens armados avistados. Refém também confirmada em uma das janelas laterais do armazém.

Meu punho se fechou.

O detetive ao meu lado digitou rapidamente no tablet e, com um clique, enviou a mensagem ao número de Logan Young:

Você está cercado. Libere a refém imediatamente e se entregue. Não há saída.

A tela piscou com a confirmação de envio.

Olhei para frente, os olhos fixos no velho galpão que guardava a mulher da minha vida.

— Precisam tira-la de lá. — sussurrei.

E então, no silêncio carregado da tensão antes do ataque, só havia um pensamento na minha mente:

Renesmee, eu estou aqui.