O Lado Sombrio do Amor
21 A exposição
Narrado por Renesmee
Eu ainda ajeitava os últimos fios do cabelo quando o celular vibrou com uma mensagem de Claire. Atendi rapidamente, e logo a ligação de vídeo se abriu, mostrando o rosto iluminado dela direto de Londres.
— Nessie! — ela sorriu, com os olhos cheios de saudade. — Você tá pronta pro grande dia?
— Faltam só os últimos detalhes — respondi, girando diante do espelho. — E você? Como estão as coisas aí?
— Frias. E românticas — ela riu. — Quil reservou um hotel com vista para o Tâmisa. Está sendo... especial.
— Que bom, Claire. Fico feliz por vocês — disse, mantendo o tom animado. — Você merece isso.
— E você? Como estão os preparativos da exposição? Vi as fotos no perfil da empresa. Você tá deslumbrante.
— Vai ser uma noite e tanto — respondi. — Manhattan inteira vai respirar Thunder X hoje.
— Brilhe muito, amiga. Estou torcendo por você — disse com ternura. — Preciso ir, Quil me chama pra jantar.
— Boa noite, Claire. Aproveita Londres.
Desliguei a chamada, sorri, e meu sorriso se desfez quando ouvi três batidas suaves na porta.
Fui até a sala, ajeitei o vestido preto de veludo com recortes delicados e saltos altíssimos e abri.
Jacob Black.
De terno escuro sob medida, gravata bordô e um sorriso discreto. A barba feita e os olhos me examinando dos pés à cabeça.
— Boa noite, Nessie — ele disse, com a voz grave.
— Boa noite... — respondi, um pouco surpresa. — Achei que nos encontraríamos direto no hotel.
— Achei que essa noite merecia algo mais clássico — ele estendeu a mão. — Vim te buscar.
Meu coração bateu forte, mas meu rosto permaneceu calmo.
— Bom... então me dá só um segundo pra pegar minha clutch.
Fechei a porta atrás de mim e, quando nos aproximamos do carro, ele abriu a porta para mim como um perfeito cavalheiro.
— Obrigada — murmurei, entrando.
Minutos depois, já no banco do passageiro, a cidade de Nova York brilhava pela janela. As luzes da Times Square refletiam no vidro e por um instante eu quase me permiti esquecer que tudo fazia parte de um plano.
— Nervosa? — ele perguntou, os olhos ainda fixos na avenida.
— Um pouco. Vai ser a maior noite da minha carreira até agora — respondi, encarando meu reflexo no espelho do carro.
— Você vai arrasar. Já está fazendo isso desde o primeiro dia.
Virei o rosto devagar, sem disfarçar a surpresa.
— Obrigada, Jake.
— Jake? — ele arqueou a sobrancelha — Parece que estamos nos tornando mais íntimos.
— Acho que já passamos da fase de "Senhor Black", não acha?
Ele riu baixo.
— Você tem razão... Nessie.
A maneira como ele disse meu nome fez meu corpo inteiro reagir. Mas, como sempre, eu sorri delicadamente e virei o rosto para a janela.
Ainda havia um império para descobrir. E o palco da noite seria perfeito para mais um passo.
O carro preto parou diante do imponente The Plaza Hotel, em Manhattan. Um dos endereços mais luxuosos da cidade — e, naquela noite, o centro de todas as atenções.
Jacob deu a volta e abriu a porta para mim. Assim que desci, fui atingida por uma rajada de flashes. Câmeras, repórteres, socialites... todos voltados para nós. Para mim. Senti um frio na barriga, mas mantive o sorriso firme. A expressão perfeita da nova cara da Black’s Enterprises.
— Pronta? — Jacob sussurrou, a voz baixa ao meu ouvido.
— Sempre — respondi.
Entramos no salão sob os olhares atentos da mídia. O ambiente era deslumbrante, com lustres de cristal, painéis digitais, e os modelos da nova linha Thunder X estrategicamente posicionados como verdadeiras obras de arte. O vermelho metálico das máquinas refletia em todas as direções.
Jacob subiu ao palco e pegou o microfone, atraindo a atenção de todos.
— Senhoras e senhores — começou, a voz firme e envolvente. — Esta noite apresentamos mais do que veículos. Apresentamos emoção, potência, e um novo olhar sobre o futuro do automobilismo com nossa linha Thunder X. E claro... a mulher que representa essa nova era.
Ele virou-se para mim e estendeu a mão.
— A senhorita Renesmee Newton.
Sorrisos, aplausos, luzes. Eu subi ao palco com naturalidade. Era o meu lugar.
Depois do discurso, descemos e nos juntamos aos convidados. Jacob foi chamado por um executivo, e enquanto eu pegava uma taça de champanhe, um homem se aproximou.
— Senhorita Newton? — disse ele com elegância. — Posso dizer que sua presença no palco ofuscou até os carros.
Olhei para ele e senti um arrepio estranho. Alto, loiro, terno escuro sob medida, e olhos inteligentes que pareciam me estudar com calma.
— Obrigada — respondi, educadamente. — E o senhor é…?
— Carlisle Cullen.
Meu sorriso vacilou por um instante. Cullen. O nome caiu como uma gota gelada em meu estômago.
— Um prazer — falei, tentando manter o tom natural enquanto estendia a mão.
Ele a segurou com delicadeza, mas não com desatenção.
— O prazer é meu. Sou CEO da Cullen Motors.
Claro. Concorrente direto da Black’s Enterprises. E ainda assim, ali, cara a cara comigo. Um dos maiores nomes da indústria automobilística — e um completo desconhecido até aquele instante… embora algo nele me fosse estranhamente familiar.
— Gosto do que vocês apresentaram esta noite — ele disse. — A concorrência nos mantém atentos, não é?
— Sempre — respondi, com um leve sorriso. — Mas espero que estejam preparados. A Black’s veio para surpreender.
Carlisle soltou uma risada baixa e educada.
— Ah, estamos sempre preparados. Mas algo me diz que o verdadeiro diferencial dessa nova fase não está nos motores... — Seus olhos voltaram aos meus. — Está nos olhos da representante.
Antes que eu pudesse responder, Jacob surgiu ao meu lado.
— Carlisle. — A voz dele era mais fria, mais tensa. — Dando uma espiadinha na concorrência?
Carlisle sorriu — As vezes sou curioso, mas estou surpreso com a nova linha e com a jovem que é a cara da nova coleção.
Jacob pareceu tenso — Sim, creio que não possa nos superar nisso e espero que não esteja tentando leva-la para o seu lado.
Carlisle riu— E eu não sabia que ficariam tão... protetores com a nova estrela. — Ele olhou de Jacob para mim. — Cuidem bem dela.
E então se afastou, deixando um rastro de mistério atrás de si.
— Você o conhecia? — Jacob perguntou, a voz baixa.
— Não. Mas... algo nele me pareceu familiar — confessei.
Jacob franziu o cenho, mas não comentou. Apenas ofereceu o braço.
— Quer um pouco de ar?
— Quero. — Sorri, ainda sentindo o nome Cullen martelar na minha mente.
Talvez eu estivesse mais perto da verdade do que jamais imaginei.
Narrado por Jacob
O salão principal da exposição fervilhava. A noite era um sucesso. Os sócios sorriam satisfeitos, a imprensa registrava cada detalhe, e os carros da nova linha Thunder X brilhavam sob a iluminação luxuosa do Plaza Hotel como verdadeiras estrelas de cinema.
— Jake, parabéns. A apresentação foi impecável — disse Langdon, um dos investidores mais antigos da Black’s Enterprises. — A campanha visual ficou espetacular. E aquela garota, a ruiva… como é o nome mesmo?
— Renesmee Newton — respondi, com um pequeno sorriso se formando no canto dos lábios.
— Um belo acerto. Tem carisma e presença. E, claro, a beleza ajuda — comentou outro sócio.
Bonnie soltou uma risada contida ao meu lado, segurando um copo de whisky.
— Isso sem falar na maneira como ela hipnotiza as câmeras. Se eu tivesse uns anos a menos…
— Se você tivesse uns anos a menos, ainda estaria solteiro — provocou minha mãe, Sarah, surgindo atrás de mim com elegância. Bonnie apenas riu.
Billy, mais calado do que o normal, apenas observava.
— E a filha do Yong? — arriscou um dos executivos. — Uma pena o escândalo, não?
Respirei fundo. Meus olhos involuntariamente buscaram o outro lado do salão, e a encontrei. Renesmee. Sentada sobre o capô de um dos nossos modelos, cercada por flashes. O vestido vermelho vinho delineava cada curva com perfeição, e o sorriso… aquele sorriso era o suficiente para deixar qualquer homem em ruínas.
Voltei o olhar ao grupo e disse com firmeza:
— Claire Yong é passado. E meu futuro… tem outro nome.
Silêncio por um segundo. Depois, Bonnie ergueu a taça, satisfeito.
— Aí está o homem que sabe o que quer.
Enquanto todos brindavam, senti o leve toque da minha mãe no meu braço. Sarah me conduziu com doçura para um canto mais reservado do salão. Eu conhecia aquele olhar dela. Materno, mas firme. Ia me questionar.
— Jacob — começou, olhando diretamente nos meus olhos. — Você tem certeza do que está fazendo?
— Tenho — respondi de imediato.
— Tem mesmo? Ou está só fazendo o que seu pai quer? Porque você sabe que ele está empolgado com essa história de unir os Black com os Cullen.
Suspirei, cruzando os braços.
— Mãe… isso não é sobre o que o Billy quer. Eu conheço meu pai. Sei quando ele está tentando mexer as peças no tabuleiro. Mas dessa vez… — Olhei para Renesmee novamente. — Dessa vez, é o meu jogo.
Sarah franziu o cenho, esperando mais.
— Desde o primeiro instante em que eu a vi… eu soube. Ela me desconcerta, me desafia. E não importa quantas vezes eu tente manter distância, ela sempre me puxa de volta.
Sarah suspirou, tocando meu rosto com carinho.
— Então tome cuidado. Porque amar alguém como ela… é como se jogar num incêndio. Pode aquecer… ou queimar.
Assenti lentamente.
— Eu sei.
— Só prometa que, se ela não for quem diz ser… você saberá parar. Antes que se machuque.
— A essa altura — murmurei —, talvez seja tarde demais.
Sarah se afastou, deixando-me sozinho com meus pensamentos. Voltei os olhos para Renesmee… e tive a estranha certeza de que, a partir daquele momento, não havia mais volta.
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