O Lado Sombrio
3 Capítulo Três - A Sombra
Notas iniciais
Aquela sombra ficou conversando com minha mãe durante um tempo.. Estava todo de preto, com um capuz envolta do rosto mas parecia tranquilo e minha mãe também. Troco olhares tensos com Ethan, e ele faz sinal para que eu fique quieta. Sempre tentando me forçar a não ser o que eu sou.
– Mãe, quem é ele? — pergunto, assustada. Percebo um olhar me fuzilando e lembro de Ethan me pedindo pra ficar calada.
– Corretor de imóveis, filha. — diz ela, voltando a sua atenção pra mim. Aqueles olhos azuis me encaram da forma mais cruel e precisa possível, do estilo, "cale a boca e vá pro seu quarto". E é isso que eu faço, pego todas as minhas coisas e subo. A parte de cima é muito legal e ainda tem uma escada no corretor, para que presumo ser a subida do sotão.
– Chloe, você tem problemas? Eu pedi pra você ficar quieta e você enche a mãe de perguntas? — diz Ethan, vindo atrás de mim.
– Olha Ethan, eu não posso fazer nada se tem um homem todo de preto na nossa casa, que não é o nosso pai e está com nossa mãe, enquanto ela ri e conversa com ele!! — respondo em um tom mais alto do que deveria. Ethan é aquele tipo de irmão que acha que só porque é 2 anos mais velho, sabe de tudo, e eu sou a menor, mais indefesa e que precisa de sermão sempre. Isso já está me cansando legal..
– Olha Cloe, eu.. — nem dou tempo pra ele responder, fecho a porta com força e tranco com a chave que estava embaixo do tapete. Não quero ninguém me perturbando por hoje..
Encosto na chão e fico encarando o tabaco. Parece que passaram cera recentemente, mas não me importo. Tento me afundar em outros pensamentos que vem aparecendo na minha mente e durmo. Acordo com um esmurro na porta.
– Chloe, você não precisa falar comigo mas saia daí, já são 6 da noite, vamos jantar e sair pra conhecer a cidade. — grita Ethan, enquanto bate na porta.
– Tá, tá.. Já tô indo, me dá uns 10 minutos? — respondo, indo diretamente pro banheiro. Meu corpo dói pela posição como eu dormi, encostada em uma parede, estou meio zonza ainda, mas pego minha toalha de dentro da mala e tomo um banho. Me arrumo e desço, acho que se passaram meia hora ou mais porque nem meu irmão, nem minha mãe estão em casa.. Qualquer outra filha ficaria irritada e ligaria pra sua mãe voltar em casa e buscá-la, mas sabe, nunca fui como as outras meninas. Sempre diferente. E também nunca me esforcei pra mudar nada. Pego minha janta, e me sento no sofá. Ligo a TV e fico assistindo Pretty Little Liars, quando eu estava pegando no sono de novo escuto um barulho vindo dos quartos perto da cozinha. Nunca entendi porque nos mudamos pra uma casa com tantos quartos se somos só 4 pessoas..
Acho que o agressor que invadiu minha casa teve pequenos problemas como deixar rastros, quando chego no último quarto com a porta entre aberta e o vejo, tentando abrir a porta dos fundos. É aquele cara todo de preto de novo...
– Quem é você afinal? Desde cedo fica aparecendo aqui em casa.. — pergunto,meio assustada pois não peguei nada pra me defender, caso ele tente algo.
Ele me encara e se aproxima de mim. Consigo sentir sua respiração. Não parece um homem velho e sim um garoto, um jovem..
Em um ato mais rápido do que eu, ele me dá um soco no queixo e eu caio no chão. Acho que fico inconsciente por um tempo, porque acordo deitada no sofá da sala com um bilhete preso na cabeça.
O bilhete é pequeno mas diz coisas claras.
"Me encontre no Starbucks ás 3 p.m daqui a dois dias.
– K.R "
Fale com o autor