...-Tem alguém querendo adotar ele...

Como assim? Minha vida está perfeita? Porque alguém queria me tirar daqui? E se for um daqueles monstros pretos peludos? E se for aquele bicho verde? O que faço? Simplesmente não quero sair daqui! E se eles me jogarem na lixeira de novo? E se? E se? E se?

–Não conte nada para ele! –Escutei uma voz que não era a de Senhorita Rupolbel

–Não irei

Mas? E se eu mudar de cidade? E se for uma pessoa má? Eu me recuso a sair daqui!

Sai correndo e fui até o parquinho, peguei uma flor e a cheirei, aquele cheiro era muito reconfortante. De repente vejo na porta um homem, de terno e com baixa estatura, com um cabelo lambido, e com um óculos muito estranho. De repente ele some e aparece a Senhorita Rupolbel com uma barra de chocolate na mão.

Não estava gostando nada daquilo, ela estava chorando, quando sentou no banco onde eu estava e me disse, choramingando:

–Bem, você terá de ir embora...

–Mas, mas, eu não quelo! Eu disse choramingando

–A vida nem sempre é como a gente quer, criança, ele dará um nome a você, um nome adequado, um lar grande, bons brinquedos, você será muito feliz!

–Não, não e não! Gritei.

Sai correndo em direção ao meu quarto, no segundo andar. Pulei em minha cama e comecei a chorar, pensando como seria minha vida com aquele homem que nem sei o nome. Ele tem esposa? Outros filhos? Eu gostaria de ter um irmãozinho... De repente escuto um TOC TOC na porta. Gritei:

–PODE ENTLAAAAAAAAAAR

Aquele mesmo homem que mais cedo, entra, pedindo licença, e senta-se na cama onde estou.

–Oi moçinho, qual o seu nome?

–Márcio, mas eu oldeio esse nonme!!!

–Tudo bem, eu sou o Kale, Kale Rodrigues, também não gosto de meu nome!

Eu estou começando a gostar desse rapaz... Ele parece uma boa pessoa, simpática, posso até ir com ele: Mas com uma condição: Quero muitos brinquedos!