O Lado Hastings
2 Capítulo 2 - Traída.
Notas iniciais
No caminho para casa não tive tempo de pensar em nada, já que sai correndo e nem olhei por onde andava. Posso jurar que empurrei pelo menos umas 2 pessoas no caminho e recebi olhar feito de 3. Mas não me preocupei, precisava chegar logo.
Abri a porta, tentando parecer calma. Só tentando. Porque logo que levantei o rosto, dei de cara com quatro pessoas no sofá: minha mãe, meu pai, minha irmã Melissa, e Jason. O que ele estava fazendo ali?!
– Spencer, filha, sente aqui, precisamos conversar- minha mãe disse como se eu fosse uma criancinha encrencada.
Eu me sentei, sem dizer uma palavra, apesar de querer muito, não conseguia falar absolutamente nada.
– Spencer, não era assim que nós queríamos que você descobrisse tudo isso, nós pretendíamos...
– Ah, então qual era o jeito certo de eu descobrir? — eu interrompi — Não é tão simples. Não é como se vocês pudessem falar “você tem um irmão, e ele é irmão da sua amiga morta, parabéns!” — foi insensível, mas não pude evitar.
– Spencer, ouve o que eles querem te falar. É melhor. — Partindo desse comentário, eu supus que Melissa já sabia.
– Olha, filha — Meu pai finalmente resolveu se manifestar — Eu sei que é muito difícil aceitar uma coisa dessas e já que você descobriu algumas coisas, vamos te contar toda a verdade agora.
– Espera? Tem mais?
– Escuta. Depois que Jason nasceu, o pai de Alison aceitou cuidar e trata-lo como se fosse seu filho de sangue, até porque, eu não podia assumi-lo. Era muito arriscado.
– ARRISCADO? era arriscado você assumir que tinha um filho? Francamente pai, isso é...
– SPENCER. OUÇA. Era arriscado e ponto final. O que aconteceu é que depois que Jason já estava um pouco mais velho, a mãe dele decidiu ter outro filho. Mas o pai de Jason ficou doente e não foi possível. E por isso, eles pediram minha ajuda e bem, assim seria garantido que Jason e Alison seriam parecidos e...
– O QUE? MÃE? COMO VOCÊ DEIXOU? COMO VOCÊ PERMITIU QUE A MÃE DE JASON FICASSE GRÁVIDA DO MEU PAI MAIS UMA VEZ?
– Calma, fique calma. Ele não fez nada pelas minhas costas, foi apenas uma inseminação.
– MAS ISSO NÃO MUDA O FATO DE QUE MINHA MELHOR AMIGA ERA MINHA MEIA-IRMÃ, E AGORA EU NÃO TENHO UMA AMIGA MORTA, EU TENHO UMA IRMÃ MORTA. PORQUE VOCÊS NÃO ME CONTARAM? — eu estava descontrolada e com cada palavra que eu falava, sentia um ponta de culpa.
– Não era conveniente. — Meu pai disse com os olhos arregalados, provavelmente por causa da minha reação.
– Não posso acreditar nisso. Preciso de um tempo — Não sei o que deu em mim, mas no segundo que eu falei isso, senti meu rosto quente, meus olhos começaram a arder e no momento que eu percebi que um lágrima ia rolar pelo meu rosto, me levantei rapidamente e corri para longe de casa, sem olhar para trás.
Quando parei de correr, estava perto do parque de Rosewood. Andei mais algumas milhas e entrei no parque. Sentei em um banco próximo do playground. Era o mesmo playground em que havia ido várias vezes com Ali e as meninas. Nós costumávamos sentar ali e conversar por horas. E no momento em que lembrei de tudo isso, desabei a chorar, chorei como nunca havia chorado antes. Eu me sentia traída, enganada e afinal, se eles foram capazes de guardar um segredo assim, o que mais eles ainda não tinham me contado?
Depois de alguns minutos, eu já não chorava tanto quanto antes, e foi ai que ouvi um som vindo de uma confusão de árvores caídas e madeiras velhas. Levantei rapidamente, sequei meu rosto e falei, tentado não revelar minha voz trêmula:
– Quem está ai?
Esperei alguns segundo e perguntei novamente, mas não recebi respostas. E quando estava pronta para perguntar novamente, senti meu celular vibrar. Por um momento pensei que era meus pais, preocupados comigo, mas logo li na tela, em letras maiúsculas:
SPENCER DiLAURENTIS, VOCÊ NÃO SABE O QUANTO EU QUERIA SER RESPONSÁVEL PELA SUA DESCOBERTA. PARABÉNS PELA NOVA IRMÃZINHA -A.
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