O Labirinto de Fiore
3 A Fonte Encantada
Notas iniciais
Após passarmos cerca de duas horas rodeando a árvore onde se encontra a entrada do labirinto, tapada por um enorme pedra, acabamos encontrando. Fica em um lugar bem escondido, no vão sombrio entre duas raízes imensas. Neste momento Lucy, Natsu e Happy discutem sobre quem vai remover/destruir a pedra que bloqueia a passagem. Lucy, impaciente, diz à Natsu:
— Deixe de ser cabeça-dura, você não consegue quebrar uma pedra desse tamanho apenas com sua força. Se afaste da pedra, invocarei Taurus e ele levantará a rocha para que passemos, resolvendo o nosso problema.
Natsu, indignado, tenta fazer o oposto do que Lucy mandou-lhe: soca a rocha com seu punho em chamas. Ele tenta novamente e parece muito concentrado, mas não é muito efetivo... E logo depois cai no chão, choramingando de dor:
— E-Erza? Consegue resolver isso para nós?
— Não preciso da ajuda da Erza! Eu consigo acabar com essa pedra rapidinho! — Diz Happy, confiante.
Lucy e eu nos entreolhamos e dizemos para que Happy vá sonhando... O grupo todo ri, e Lucy invoca Taurus, que já chega animado:
— Lucy! Há quanto tempo! O que posso fazer por você hoje, minha musa?!
Lucy, constrangida, o pede para retirar a pedra de cima da entrada e apenas se mandar. Ele o faz sem grandes dificuldades, e após dizer que é sempre um prazer ajudar sua princesa, vai-se embora. O túnel para baixo da terra é descoberto e nós quatro nos aproximamos para dar uma olhada. Happy, curioso, voa veloz para dentro do largo e escuro túnel antes escondido pela rocha. De repente, o ouvimos dizer ao longe, maravilhado:
— Pessoal... Desçam aqui, vocês precisam ver isso.
Natsu, Lucy e eu nos entreolhamos ansiosos e corremos ao longo do túnel, que é bem diferente de uma caverna comum. Com as paredes revestidas de mármore, o piso dourado reluzente e os pilares majestosos nas laterais do largo e extenso corredor, fico impressionada. A iluminação é fraca no início do percurso, mas quanto mais nos aproximamos do fim do corredor subterrâneo, onde há o verdadeiro portão para o labirinto, tudo começa a brilhar. Por fim, chegamos a um grande salão, com uma linda fonte de água no centro. Consigo enxergar na outra extremidade da sala um portão dourado , e é incrivelmente brilhante. Inclusive, o salão inteiro também brilha: chega a ser difícil manter os olhos abertos. Enquanto Lucy e Natsu observam, admirados, a arte esculpida nas bordas e no centro da fonte, eu me dirijo á outra ponta da sala, onde Happy está parado, encarando o portão.
— Happy, o que você está olhando aí?— pergunto.
— Erza... Preste atenção nestes espelhos nas portas. Você não vê todos esses peixes ao meu redor? Mas apenas no espelho mesmo, aqui fora não há peixe nenhum... — responde o exceed, distraído.
Olho para meu reflexo no espelho do lado esquerdo e enxergo algo esquisito.
Além de ver meu reflexo, vejo o de Jellal. E eu uso um vestido de noiva, e ele um terno... E eles estão se abraçando e sorrindo. Mas eu não estou fazendo isso, e Jellal não está realmente aqui. O que há com esse espelho?! Então olho ao redor e noto uma gravura em ouro acima do portão: "Existem várias formas de realizar o seu maior desejo. Mas a mais fácil é fazendo uso de uma fonte encantada". Ah, agora eu entendi. É por isso que Happy viu peixes no espelho, ele mostra às pessoas os seus desejos. E, seguindo a lógica, a fonte também é encantada. Assim como os portões, a gravura, e tudo neste lugar. Isso explica o brilho cegante... Sinto que tudo está interligado, de alguma forma. Chamo Natsu e Lucy, que vêm em direção ao portão.
— Erza! Você viu as gravuras esculpidas na fonte? E a estátua do meio? São tão lindas... Tudo aqui é incrivelmente lindo. Assim como esse portão! — diz Lucy. Então, analisa os portões por completo e de repente fixa seu olhar nos espelhos. Ela o encara por alguns segundos, surpresa. — Erza... suponho que este seja um espelho encantado, certo?
— Exato. E eu acredito que para abrirmos o portão teremos que desvendar algum tipo de enigma.
— Relaxa, Erza, eu posso estraçalhar essas portas facilmente! — interrompe Natsu.
— Natsu, não! Não se pode destruir espelhos encantados. Isso causaria uma explosão que mataria a todos nós. — diz Happy, assustado.
Happy tem razão. E por mais que Natsu tentasse, um dragon slayer não conseguiria quebrá-los de qualquer jeito. Não é a magia certa. Precisamos desvendar o enigma, não há outra forma de entrar. Então, após todos lerem e relerem diversas vezes a gravura acima do portão, Lucy diz, finalmente:
— "Existem várias formas de realizar o seu maior desejo. Mas a mais fácil é fazendo uso de uma fonte encantada"... Eu já ouvi uma lenda sobre uma fonte encantada... Ela realizava desejos se...
— Se alguém jogasse uma moeda de ouro em suas águas, e pedisse algo que fosse de algum modo fazer bem à outras pessoas. Eu também já ouvi essa lenda. — completa Natsu.
— Então... Isso quer dizer que é só jogarmos uma moedinha na fonte e desejarmos que o portão se abra? Não parece meio... Simples? — questiona Happy.
Happy está certo... Todos concordamos com ele, e vamos até a fonte. Talvez haja alguma pista nela. E há. Após procurarmos por um tempinho, Natsu encontrou um aviso na lateral do pedestal da estátua situada no centro da fonte: "Nesta fonte encantada, pode-se ter qualquer desejo realizado, desde que seja ele para uma boa finalidade. Porém, há limitações: deve haver um intervalo de ao menos um mês entre cada pedido. Além disso, cada indivíduo tem direito a apenas um pedido. E tentativas de fraude ou trapaça serão descobertas e punidas adequadamente".
Imediatamente, ofereço-me para desejar que as portas se abram. Se o meu maior desejo realmente for aquele que o espelho me mostrou, eu quero conquistá-lo por mérito, e não por causa de uma simples fonte encantada... Ou seja, não tenho motivos para não querer gastar meu desejo com as portas. Nenhum dos meus companheiros apresenta objeções, e Lucy me passa uma moeda de ouro retirada de seu bolso. Assim, a jogo na fonte, fecho meus olhos e penso, com toda a força de vontade que tenho: eu quero que essas portas se abram, para que eu e meus amigos possamos entrar no labirinto e recuperar o medalhão de Henry Folks.
Lentamente, as portas de ouro maciço se abrem, e damos de cara com algo incomum: uma floresta subterrânea. Ao passar pela porta, sinto como se eu estivesse em uma floresta real, o ar da noite é puro, e ouço ruídos de animais silvestres. Não tenho nenhuma outra explicação para isso, então creio que seja mais uma sala encantada. É um labirinto mágico, afinal de contas, não há nada de mais em algumas árvores conseguindo manter-se vivas embaixo da terra. Além disso, ao contrário da sala anterior, nesta eu não consigo ver o teto. Inclusive, tenho a impressão de estar vendo até algumas estrelas lá em cima.
Lucy e Natsu, tão confusos e exaustos quanto eu, concordam que descansar por um tempo nos ajudará a continuar a busca. Então arrumamos nosso acampamento em uma clareira no meio da floresta e jantamos. Alguns minutos se passam, e agora vamos dormir, para amanhã procurarmos pela passagem para a próxima sala do labirinto, até finalmente encontrarmos o lugar que bate com as descrições de Henry.
...
Epílogo
Quando estou quase adormecendo, já deitada em meu saco de dormir, Lucy, deitada ao meu lado, sussurra algo para mim:
— Ei, Erza. O que foi que você viu hoje refletido nos espelhos encantados? Eu vi refletidas nele todas as pessoas importantes para mim juntas, sorrindo e conversando. Me pergunto o que o Natsu viu... Pena que agora ele já está dormindo profundamente.
Sorrio. Jellal... Foi ele quem eu vi, Lucy. Mas eu não posso falar isso. Então, conto uma pequena mentira, e outra grande verdade:
— Ah, Lucy, eu não vi nada. Tenho tudo o que preciso. Mas tenho certeza que o Natsu viu algo relacionado ao Igneel. Ele procura seu pai desde que era uma criança, o maior desejo dele deve ser encontrá-lo...
— É verdade. E sobre o Henry? Você lembrou de algo?
— Infelizmente não. Mas agora vamos dormir, Lucy. Temos um longo dia pela frente amanhã.
Fale com o autor