O LEGADO DE VIDRO , Os Lâfrer

8 ​CAPÍTULO 8: O Juramento de Aço




​O hangar da fundação estava imerso em uma penumbra alaranjada pelo pôr do sol. O som das turbinas dos aviões de transporte ao longe servia como trilha sonora para o adeus. Thomas encontrou Maya perto do jipe, verificando seu equipamento de combate. Ela já vestia o colete tático, e a luz refletia nas juntas de titânio de seu braço esquerdo.

​— Sargento — Thomas chamou, a voz suave.

​Maya se virou, a expressão tensa.

— Os caminhões chegam em trinta minutos, Tenente. Não temos tempo para sentimentalismos.

​— Sempre temos tempo para o que é essencial — Thomas se aproximou e entregou a ela uma caixa de polímero reforçado. — Meu pai pediu para te entregar isso. É uma modificação de campo. Um sistema de interface neural integrado com o visor tático. Ele disse que, se você vai proteger a minha retaguarda, precisa enxergar o perigo antes dele nascer.

​Maya abriu a caixa, seus dedos de metal tocando o novo equipamento com reverência. Mas Thomas não parou por aí. Ele respirou fundo e tirou do bolso da farda um pequeno anel de tungstênio, escuro e indestrutível.

​— Maya, eu não sei o que nos espera naquela refinaria. Mas eu sei que não quero entrar naquele avião sendo apenas o seu Tenente.

​Maya congelou. O braço mecânico emitiu um pequeno estalo, como se acompanhasse o batimento acelerado do seu coração.

— Thomas... o que você está fazendo? Estamos indo para uma guerra.

​— Exatamente por isso. Eu passei a vida vendo meus pais provarem que o amor é a única coisa que sobrevive ao fogo. Maya, você aceita ser minha esposa e lutar ao meu lado para o resto da vida?

​Ela olhou para o anel, depois para os olhos azuis dele, e a "Sargento de Ferro" finalmente se rendeu.

— Sim, seu idiota. Mil vezes sim.

​Não houve tempo para flores ou festas. Richard Lâfrer, vestindo sua farda de Coronel com toda a autoridade que o nome carregava, postou-se diante deles no centro do hangar. Hadassa estava ao lado, com os olhos marejados, segurando uma pequena Bíblia de bolso que pertencera ao seu avô.

​— Pelo poder a mim conferido pelo Código de Justiça Militar e pela autoridade de um pai que sabe o valor de um juramento — Richard começou, a voz ressoando como um trovão de honra — eu os declaro prontos para o combate e para a vida.

​Thomas segurou a mão de carne de Maya, enquanto ela apoiava a mão de metal sobre o coração dele.

​— Thomas Lâfrer e Maya... — Richard fez uma pausa, olhando profundamente para a nora — hoje vocês não são apenas soldados sob o mesmo comando. Vocês são uma unidade. Que este juramento seja a sua blindagem e a sua bússola.

​— Eu te recebo como minha esposa — Thomas disse, a voz firme.

​— Eu te recebo como meu marido — Maya completou, a voz trêmula mas determinada.

​— Então, pelo exército e pela família Lâfrer, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a sua esposa, Tenente. Mas seja breve... temos um voo para pegar.

​O beijo foi rápido, com gosto de adrenalina e promessa. Richard deu um passo à frente e colocou as mãos nos ombros dos dois.

— Voltem. É uma ordem.

​Hadassa abraçou os dois ao mesmo tempo, sussurrando no ouvido de Maya:

— Use esse braço novo para trazer meu filho inteiro. E se ele te der problemas, o anel de tungstênio dói bastante quando atinge o rosto.

​A sirene de embarque tocou. Thomas e Maya pegaram seus fuzis, trocaram um último olhar de cumplicidade e correram em direção à rampa do avião de carga.

​Enquanto o avião subia aos céus, deixando a fundação para trás, Thomas sentiu a mão de metal de Maya apertar a sua. O "Legado de Vidro" agora estava protegido por uma promessa de aço.

​O que acontece agora?

​Eles agora são casados e estão indo direto para o perigo. No Capítulo 9, começamos a ação! O que você prefere?