O Jogo do Desafio Duplo - Leonardo & Rhanylla
2 One da Ylla - Vai Que Dá Certo
Notas iniciais
— Era uma vez uma pequena princesa. — Começou Luciane, desagradando os dois meninos. Filhos de sua amada, frutos do primeiro casamento.
— Por que tinha que ser uma princesa? Princesas são coisa de menina. — Exclamou Arthur, eletricamente.
— Ora, é claro que não, meninos podem gostar de princesa também, se quiserem. —Repreendeu a moça, cansada e feliz.
As duas crianças arteiras não pareciam querer pregar os olhos tão cedo, mesmo já tendo passado mais de uma hora e meia de sua hora de dormir. A ideia de contar um conto de fadas, que lhe passou a mente minutos trás, não parecia render o efeito nos dois meninos, mesmo que houvessem brincado o dia todo.
— Ok, Lulu, termina a história. — Pediu João, o mais novo, deitado dentre as grossas cochas de pano macio e colorido com pequenos foguetinhos bordados em tons pastéis. Ele amava o espaço. — Vão ter alienígenas nessa história tia Lulu?
— Terá o que quiser meu anjo, apenas aguarde e verá. — Respondeu a mulher, bem humorada, apaixonada por completo com seu novo filho.
E o pequeno João assentiu, calado. Uma história espacial era uma algo que estava desposto a ouvir.
—Bom essa princesa conheceu uma bela rainha, de um reino não tão distante. —Continuou a mulher mais velha.
— E tinha uma bruxa? — Perguntou o outro menino, que apesar de maior, ainda era pequeno e franzino, da pele caramelo e com sorriso arteiro, sempre feliz.
— Bruxa? — Repetiu Luciane, parecendo precisar pensar para responder. — Ah, sim! Uma bruxa! Mas é claro que tinha uma bruxa, mas chegaremos lá querido, se acalme.
— Poxa mamãe, você demora muito a contar... — Reclamou Arthur manhoso.
— Se você não interrompesse toda hora, não ia demorar tanto, seu chato. — Revidou João impaciente, recebendo como resposta seu irmão lhe mostrando a língua.
— Parem! Os dois! — Exclamou Luciane, já quase perdendo a desistindo. — Fiquem calados e prestem atenção ou vou largar de mão e não conto mais nada.
E os dois pararam de falar no mesmo instante, enfim prestando atenção.
— Onde eu parei? Ah, sim, bom... Essa linda princesa era a mais bela das belas, e era muitíssimo querida. A princesa tinha um dom especial, um dom que poucos tinham, que muitos precisavam, e vários perderam ao longo da vida: o dom de amar.
Em um passe de magica a mente das crianças cresceu em imaginação, inflou como um bolo e engoliu o quarto, o transformando em um novo ambiente. Um lindo reino mágico, com dragões voando aos ventos como pássaros comuns. Com princesas, rainhas bruxas e aliens:
O Reino da Imaginação.
— O dom de amar é algo muitíssimo raro! — Contou Luciane, trajada em um gigante vestido, lindíssimo, na mais bela cor que ambos os garotos conseguiram pensar: cor de arco-íris! Em sua cabeça uma coroa de ouro, com as mais raras gemas, das mais diversas cores. Uma bela rainha. — Mas a princesa nasceu com ele. Ela podia se apaixonar por qualquer um. Homem, mulher, elfo ou fada. Ela amava a beleza dos céus, o canto dos pássaros, o sentimento do vento em seu rosto e a alegria de acordar.
“A jovem princesa sempre foi muito humilde, trabalhava arduamente todos os dias para manter todo o reino feliz e a salvo. Mas sua mãe não. Maldita seja a rainha d’O Reino da Imaginação, a pior rainha que o reino já viu. Preguiçosa e má, fazia apenas duas coisas: dormir durante o dia e feitiços a noite. Um dia, um grande rei, de um reino muito distante resolveu convidar todos os reis, rainhas, príncipes e princesas para um grande baile real. Seu reino era muito rico, o chão era feito de ouro, as janelas de diamante, as luzes eram brilhantes e flutuavam sozinhas, alimentadas com pó de fada.”
Contou rainha Luciane, e num passe de mágica o quarto se transformou no que contava, o chão de porcelanato se transformou no mais puro ouro, o tapete de tricô, em um gigante tapete vermelho, das plantas decorativas brotava flores de dinheiro. Os meninos ficaram maravilhados, e por mais que quisessem souber o fim da história, se mantiveram calados, não queriam perder nenhum detalhe.
“Neste belo baile entrou a princesa, a mais bela das belas, com o mais lindo vestido, cor de pôr-do-sol no outono enfeitado com diamantes. Uma rainha viúva a viu e se encantou com tamanha beldade.”
— O que é viúva? — Questionou João, quase ao mesmo tempo em que seu irmão. — E o que é beldade?
—Bom, beldade significa beleza e viúva é uma mulher que... Bem, não tem mais esposo.
— Como a nossa mãe? — Perguntou Arthur.
—Exatamente! — Respondeu Luciane, precedendo a história.— A moça rapidamente chamou a princesa para dançar, afinal, nada boba, sabia que se não faria logo alguém o faria. A jovem rainha, encantada com a moça, concedeu a dança. Ambas dançaram a noite toda, até que seus sapatos reais ficassem gastos e seus pés cansados. Juntas, exaustas, foram para fora do castelo, observar a paisagem do lindo jardim. “Uma estrela cadente!” gritou a rainha e a princesa então disse “Pois faça um pedido!”, e ambas fizeram. A rainha que não amava mais, pediu um amor, e a princesa que sempre amou pediu paixão. A estrela cadente se aproximava mais e mais, ate que caiu, próximo ao jardim. “Deveríamos ver?“ perguntou a rainha, mas a princesa curiosa já ia atrás do pedaço de céu.
— Aliens! — Gritou João empolgado, sua hora favorita.
— Aliens. — Respondeu Luciane, feliz pela empolgação de seu filhinho. — Na verdade dois. Arthur e João, assim como vocês.
— E como eles eram tia Lulu? Eram verdes e de olhos grandes?
— Na verdade... Não. Era pequeninos, criaturas curiosas, cabelos azuis, olhos verdes e pele morena. Bem, eles eram de marte, e se estavam mais perto do sol, então eram mais bronzeados né? Em fim, no segundo que os viu, a rainha os amou, “pobre e indefesas criaturas, em um planeta tão distante...” pensou ela. A princesa, já acostumada a amar os acolheu. Todos os dias, as duas se encontravam, ajudaram os dois aliens, davam comida, e então iam embora, mas em um desses encontros, PUFH, a princesa percebeu, abismada, estava apaixonada!
— Tá, mas e a bruxa? — Perguntou Arthur.
— Oh deus, que filho impaciente eu tenho! Já vou chegar lá. A bruxa, mãe da princesa lhe lançou um feitiço “Você e uma rainha? Nunca! Princesas se casam com príncipes!“ disse ela, e com essas palavras uma enorme nuvem negra surge na cabeça da princesa. Uma nuvem de chuvas e trovões, alimentada por mentiras e falta de empatia. Dia e noite chovia e chovia, na cabeça da pobre princesa, e desesperada ela acreditava que seu dom de amar era uma maldição.
— Pobrezinha! E como ela desfez o feitiço? — Perguntou Arthur, novamente a interrompendo.
—Não desfez. — Uma quarta voz foi ouvida no quarto, uma voz feminina e suave. Érika, a atual rainha do reino da imaginação, vestida em um longo vestido de gala, cor de pôr-do-sol no outono, estava parada na porta do quarto com um pote de bolachas de pó de fada e sucos mágicos de cristais místicos, vulgo, bolacha com suco de morango.
— Como assim? — Os meninos indagaram em uníssono.
Ela entrou no quarto, arrastando no chão de ouro seu vestido de seda enfeitado com diamantes. Deixou o pote e os copos na mesinha de canto e virou-se a seus filhos.
— Ela nunca desfez esse feitiço porque ele nunca esteve lá! Era apenas coisa da cabeça da princesa, colocada lá por sua mãe maquiavélica. Palavras, feitiços, vindo de outras pessoas só tem o poder que você dá a elas. A princesa e a rainha conversaram sobre tal nuvem e sobre o amor das duas, e simplesmente disseram “Vai que da certo!” e foram felizes para sempre. — Disse a rainha Érika, beijando a testa de seus filhos, e pouco depois abraçando sua esposa.
— Você se lembra da música que tocou no baile? — Perguntou Luciane retribuindo o abraço com nostalgia em sua voz.
— Nossa música? Mas é claro que lembro. — Pegando seu celular, a rainha pôs Tudo o Que Eu Preciso – Gabriel Elias para tocar.
Abraçaram-se de novo com carinho, começando a dançar lentamente.
Os dois garotos, levantaram de uma vez e, entusiasmados, dançaram junto ao seu próprio ritmo, algo que apelidaram mais tarde de “Dança dos Príncipes Alienígenas“, encontrando-se os quatro, sem perceber, em seu próprio final feliz.
E todos viveram felizes para sempre. E fim.
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