O Jogo do Desafio Duplo - Leoa & Paola
2 One da Paola - E Se Eu Aprendesse a Amar?
Notas iniciais

—HeyXavier, e se eu aprendesse a amar?
As memórias da sua noite de bebedeira com Sebastian retumbavam na cabeça de Laura enquanto estava em frente ao Hospital. A sua mente e corpo gritavam para que não entrasse, já que não estava a fim de encarar uma garota que tentou se matar por sua causa.
—Você não a ama de verdade, o seu sentimento não passa de uma obsessãopor ela, e outra,a garotajá seguiu em frente Alves, siga você também.
As pessoas olhavam cada vez mais a garota ruiva com luzes no cabelo, ela estava há muito tempo em frente a porta do lugar. Helena não tinha seguido em frente, era provavelmente uma das lorotas de Sebastian para a incomodar, Laura iria adentrar ao local, provar que estava certa e depois o alívio iria preencher o seu corpo ao saber que tinha chances. Ignorando a todos os olhares, ela adentrou no hospital.
~ . ~
“Toc, toc”. Helena ouviu o bater na sua porta, e um sorriso brotou em seu rosto, era Annie Lee. Soltou um “Entre", rapidamente e com a felicidade estampada em seu rosto se levantou e arrumou o seu vestido rosa, que combinava com a cor do seu cabelo. Entretanto ao ver quem estava a sua frente o seu sorriso morreu se transformando em uma faceta de ódio...Mas que cara de pau!
_O que diabos você está fazendo aqui Alves?
Ao ouvir isso Laura estremeceu, podia contar as vezes em que viu Laura reagir desse jeito, na verdade nenhuma memória vinha a sua cabeça de ela reagindo assim. Ela hesitou, a sua consciência estava certa, definitivamente não era uma boa encarar de frente uma pessoa que sofreu pakas, por sua causa. Laura quase deu meia volta, todavia já estava ali, não é mesmo? Então ela iria terminar o que começou.
_ Xavier me falou que seguiu em frente, preciso saber se é verdade.
—Alves, por favor, saia. _Um suspiro saiu dos lábios de Helena, estava cansada e não estava afim de discutir sobre esse assunto.
A vista de Alves começou a marejar, não é verdade, nãopode ser. Logo olhou suplicante para aqueles olhos antes cheios de vida e gentis, agora mortos e vazios.
_Me responda Diassis, só me diz que você não vai embora, que vai continuar aqui, e-eute amo Helena! Por favor me perdoa, eu realmente te amo Helena Diassis!
Helena começou a rir, mas que cara de pau, que cara de pau, agora ela estava realmente brava, viu Laura chorando e ignorou. Ela não ignorou todos os seus choros, e pedidos para parar? Agora iria ignorar também.
—Você sente muitas coisas por mim, mas amor...não é um desses sentimentos _ A cabeça, antes abaixada de Laura levantou ao ouvir as suas palavras, ia falar mais alguma coisa, no entanto foi interrompida_ O que eu sinto por você não passa de puro ódio e desprezo. Foram vários fatores que me levaram ao quase suicídio, contudo pode ter certeza, você foi o principal motivo.
Se essas palavras fossem tiros, Laura estaria morta. Uma coisa era saber todos os seus pecados, outra era alguém como o Xavier, tacar-lhe todos os seus pecados na cara, mas com certeza, o pior de tudo era Helena Diassis, o seu amor, a sua vítima falar e continuar falando eles na sua frente.
—Sabe Alves, antigamente eu tinha uma queda por ti, a única dos populares que não me atormentava, você era carismática e bem, era bonita...Claro que isso foi até você me tomar como sua propriedade, me isolar socialmente, todos os meus amigos se afastaram de mim por sua causa, e os abusos começarem...Eu não sei qual era o meu problema, eu não conseguia esquecer o meu "crush" por você, de acordo com a Cássia eu meio que desenvolvi uma Síndrome de Estocolmo e tals...Acho que por isso que eu meio que taquei o foda- se, e te ataquei aquele dia no vestiário, já que eu ia me matar mesmo, resolvi satisfazer o meu antigo eu que tinha uma atração por aquela garota de porte atlético, com um cabelo exótico e olhos desafiantes...
Ao ouvir aquelas palavras a primeira coisa que pensou foi que havia deixado escapar uma chance bem na sua frente, se talvez tivesse sido menos paranoica com a sua popularidade as coisas poderiam ter seguido por outro rumo…Mas ao terminar de processar a frase achou uma falha: Quem era Cássia? Não lembrava desse nome no limitado círculo social em que Diassis estava presente, e nenhum deles era próximo o suficiente da garota para que ela desabafasse sobre o que tinha acontecido.
_Quem é Cássia, Diassis? Alguém mais sabe do nosso segredo? _Alves já tinha parado de chorar há algum tempo, agora ela estava em sua pose normal e intimidante de sempre, nem ferrando que alguém sabia o que ela tinha feito. _ Helena, me responda.
_Não se preocupe, eu não te denunciei e nem vou te denunciar, sei da sua influência e da sua família, seria inútil e não quero mais problemas _Helena respondeu rapidamente com a língua embolando as suas palavras. _Eu tinha escrito uma carta antes de...você sabe. Olhando agora é meio clichê, todavia acharam minha carta e ela te mencionava. Minha família ficou desesperada, e eu me recusava a falar. A garota de quem pergunta foi a única que eu consegui desabafar um pouco, e eu não mencionei o seu nome nem para ela. As vezes chego a pensar que ela deve dedurar tudo para a minha psicóloga, entretanto eu não me importo muito. Acho que eu deveria ter pedido ajuda, senão as coisas não seriam daquele jeito.
O semblante triste ainda estava presente no seu corpo, porém a menina de cabelos rosas parecia aliviada de ter posto tudo para fora. O quão difícil deve ter sido? Laura se aproximou um pouco da menina a sua frente:
_Laura, e-eu_ todavia sua tentativa de aproximar-se foi interrompida com um sibilo furioso de Diassis. Se você ousar me tocar eu taco para cima tudo o que eu falei antes sobre ficar de boca fechada e dou um grito agora mesmo.
O recuo foi quase que imediato, ao ver que estava em uma distância relativamente segura, Helena voltou para o seu estado anterior ao de fúria e continuou a falar como se nada tivesse acontecido.
_Eu ganhei uma bolsa para uma escola na região, não é um São Sebastião, mas é um bom colégio, vou me mudar daqui há algumas semanas. Provavelmente vou começar a morar com a minha irmã, apesar de tudo ela sempre me apoiou do jeito dela, e minha namorada estuda lá também...
_Espera um pouco, namorada? Como assim namorada, Diassis? Foi isso que Xavier quis dizer com o seguir em frente?
Helena revirou os olhos, não acreditava que Laura Alves se permitia sentir algo por ela como ciúmes. Olhou para a face que foi o motivo de sua ação, estava vermelha com o rosto se misturando com seus cabelos, o cenho franzido mostrando uma quase raiva, que não chegava a raiva, e se alternando com a dúvida. Antes ela se estremeceria e abaixaria a cabeça, entretanto agora ela não estava mais com medo:
_Sim Laura, uma namorada. Ela me apoiou quando eu mais precisei, me trata bem, tem um ótimo gosto musical, e adivinha só Alves, ela não me estuprou, na verdade ela é bem respeitosa comigo, cada uma dessas qualidades me faz amar ela ainda mais. E não Alves, o meu seguir em frente não foi eu começar a namorar outro alguém, o meu seguir em frente foi eu me aceitar como sou, não deixar que nem você e nem outras pessoas me afetassem, foi eu conseguir me levantar depois de quase morrer, foi eu evoluir, o meu namoro é só um detalhe nisso tudo.
Laura ficou estática por um momento, estava a formular as palavras na sua boca quando foi interrompida com um bater na porta seguido de um grito:
_Helenita, eu e a sua irmã viemos aqui te buscar!
_Já vou indo! _Helena foi correndo saltitante abrir a porta, mal acabou de abri-la e seus lábios foram tomados rapidamente por um beijo caloroso _Calminha aí Cássia Viana, eu vou embora, mas é contigo gata.
_Ouch! O que custa tu me chamar de Annie Lee? _Como resposta, Annie recebeu um entrelaçar de braços em seu pescoço.
_Não sei, deve ser porque eu gosto de como ele soa aos meus ouvidos_ Helena se aproximou dos ouvidos da garota e soprou as palavras_ Cássia Viana, viu como eles soam bem?
Se o universo ou o karma quisessem punir Laura pelos seus atos, ela achava que aquilo estava mais do que o suficiente. Já não bastava levar um puta fora com razão, tinha que ver a pessoa nos braços de outra, o karma e o universo deviam estar rindo de sua cara agora mesmo. Os seus devaneios foram interrompidos pela garota mais velha que estava atrás do casal, parecia uma versão mais velha de Diassis antes de pintar os cabelos de rosa. Alves concluiu que aquela seria a irmã que a namorada de Helena tinha mencionado.
_Então, sem querer interromper a pegação, mas já interrompendo, não vai apresentar a garota aí na sua frente?
_Oh é mesmo, ela é uma colega do meu antigo colégio, veio fazer uma visita para minha pessoa. Alves, essas são Julia e Annie Lee— antes de continuar recebeu um selinho de aprovação pelo uso do apelido e com um sorrisinho no rosto continuou_ Minha irmã e namorada respectivamente.
—Mas veio assim de última hora? _ A fala de Júlia embaralhou a mente de Alves, ela não tinha chegado de última hora, o hospital dos Xavier’s tinha mais algum tempo para o horário de visitas. Todavia ao olhar para Helena e ver um vestido rosa rodado de mangas longas junto com uma sapatilha, maquiagem leve que combinavam com o vestuário ela percebeu algo, aquilo não era as roupa que os internados usavam, Diassis tinha recebido alta do hospital_ Oras, não seja por isso, que tal nos acompanhar até a saída, sim?
Laura andava atrás cabisbaixa para a entrada do hospital enquanto via o trio de garotas na sua frente conversando sobre algumas coisas banais com a Irmã de Helena liderando a conversa.
_Hey Helena, vê se toma cuidado agora viu? Ou você quer que os vizinhos contem para a Dona Flora sobre o time que você está jogando?
_Não acredito que você ainda não contou para os seus pais Helena, não é tão ruim quanto pensa.
—Eu vou contar para ela na faculdade, até porque ela não vai poder me expulsar de casa se eu já não estiver morando lá e vou ser maior de idade. E Annie, “mães diferentes, reações diferentes” a sua mãe é bem mais liberal que a minha, ou seja para Dona Flora e meu bairro inteiro, você continua sendo a minha querida amiga.
Depois da fala da Helena, Alves parou de prestar atenção na conversa das meninas e mandou uma mensagem para o seu motorista a buscar. Chegaram na entrada do Hospital e o dia estava brilhante e ensolarado, nem para ser um daqueles dias chuvosos carregados de nuvem, com aquela áurea triste de filmes, refletindo o seu humor, o universo não estava afim de colaborar. Recebeu um tchauzinho animado da namorada e da irmã de Diassis, acompanhado de um olhar frio da própria que nenhuma das duas perceberam, já estava a se acostumar com aquilo, foi para a pracinha ao lado do edifício, colocou uma música relativamente antiga no celular, e lá esperou o seu carro chegar.
"Eu não sei porque, eu não sei porque
Estou com tanto medo (tanto medo)
Eu não sei como, eu não sei como
Consertar essa dor (consertar essa dor)
Estamos vivendo uma mentira, vivendo uma mentira"
. ~ .
Anthony estava meio tenso, tinha chegado atrasado para buscar Alves e a reação dela foi somente entrar no carro e ficar encostada na janela vendo o tempo passar ,como aqueles clipes de músicas que ela provavelmente estava escutando nos fones de ouvido. Seria muito mais fácil se ela começasse a xingar Deus e o mundo ao invés de ficar parada aí sem fazer nada.
_Hey Laurinha, você parece meio para baixo, quer me dizer o que houve contigo?
—Uma pessoa que eu me importo bastante aprendeu a amar_ Aquilo confundiu Anthony, isso não parecia o motivo para uma adolescente ficar daquele jeito.
_Que bom que ela tenha aprendido Senhorita Laura, mas diga-me, porque isso te deixa tão deprimente?
_A pessoa que ela aprendeu a amar não fui eu. _Alves respondeu sem tirar os olhos do janela ao seu lado.O lugar e as pessoas estavam felizes demais, e a música não estava ajudando.
"Nós não podemos parar o mundo
Mas existe muito mais que nós podemos fazer
Você não pode impedir essa garota
De se apaixonar ainda mais por você
Você disse:
— Ninguém tem que saber"
Então era isso, basicamente a menina ao seu lado estava a sofrer uma dor de cotovelo, Anthony não tinha mais com o que se preocupar.
_Senhorita Laura, eu vou dizer algo que vocês adolescentes costumam sempre ignorar, você se apaixona mais de uma vez.
_ Anthony, eu só acho que citar uma frase de TeenWolf não vai ser de uma grande ajuda.
_Bem Senhorita Laura, você me obrigou a assistir a série com você, o mínimo que eu poderia fazer era tirar algum ensinamento.
_Obrigada Anthony_ um sorriso brotou de seu rosto, o motorista ficou surpreso, ela nunca agradecia, todavia resolveu ficar calado e não contrariar.
_De nada Senhorita Laura.
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