William acordou, colocou os chinelos azuis e foi comer dois ovos fritos p reparados por sua mulher. Escovou os dentes, beijou a testa de seus filhos que ainda dormiam, trocou-se, pegou sua pasta e foi para seu escritório.

Ele dirigia na Quinta Avenida, as pessoas agasalhadas, por causa do frio de Nova York. Seu escritório ficava em um prédio de 10 andares, no oitavo. O prédio tinha uma boa aparência e era espelhado. Entrou no elevador com sua secretária, uma moça cinco anos mais nova que ele. Trocavam olhares.

A sala estava arrumada, como sempre, e o computador desligado. William sentou em sua poltrona e olhou ao redor, reparou em uma lagartixa na parede, aquilo não atrapalharia ninguém. Tocou a companhia para chamar a secretária.

— Victória!

— Sim?

— Preciso, para a reunião das cinco horas, as pastas dos clientes: Marcos Winterberth, Julia Tern, Troy Rocon e Edward Morim.

Ela anotava tudo em sua planilha.

— Ok. Vou procurar.

Havia chegado o horário de almoço. William sempre almoçava no Éden's Garden, restaurante cuja dona era sua mulher, Eva. Foi esse nome que inspirou o título do restaurante. William sempre almoçava o prato executivo, formado por: salada, filé de frango, arroz, feijão e fritas.

Voltou ao escritório, ainda faltava duas horas para a reunião, mas as pastas que ele pediu já estavam em sua mesa. Ele tocou a campanhia.

— Sim senhor?

—Não quero nada de você agora, mas talvez mais tarde. Que tal nos encontrarmos às oito horas? Naquele mesmo local?

— Espero anciosa.

— Dispensada!

Chegou a hora da reunião. Pelo que parecia os clientes estavam interessados na proposta feita por William. Ele era dono da Wesley Company, uma empresa de auxílio publicitário. A firma faturava em torno de $75.000.000 por ano. William era milionário, seus filhos, Nick e Gabriela tinham tudo que queriam, menos um pai presente. Sua família nunca passou qualquer tipo de necessidade, moravam na área mais luxuosa de Nova York, numa mansão de três andares. Os Wesley tinham casas no Havaí, no Caribe e em Paris. William tinha apenas um irmão, Vlad, eles davam-se bem. William pensa que irá receber a maior parte da herança de sua família apesar de nunca ter se dado bem com sua mãe Beatriz Wesley e seu pai Jeremias Wesley que sempre foram humildes.

O tempo passou rápido, já estava quase na hora nde sair do trabalho e ir encontrar Victória, enquanto Eva imagina que vai jantar com o marido e com os filhos. William foi ao banheiro, mal sabia ele que aqueles passos de volta à sua sala, acabariam em desespero. Entrou, sentou na poltrona e estava esperando o tempo passar. O som de alerta de e-mail recebido tocou. Ele foi até a caixa de entrada. Remetente: Desconhecido. William leu:

'Melhor chegar mais cedo em casa, talvez evite a perda de um membro da família'

William pegou o casaco e saiu correndo. Ligou o carro com as mãos tremendo. Acelerou como se tivesse em uma corrida. Chegou em casa, batia no volante pois o portão eletrônico não abria logo. Entrou com o carro, saiu sem desligá-lo e parou quando olhou por baixo da porta. Escorria sangue pelo vão. Abriu a porta e viu uma caixa de suco de groselha escorrendo pelo chão. Seu coração voltou a bater devagar.

—Tudo bem, querido?

—Agora sim!

—O que aconteceu?

—Estão fazendo brincadeiras de mau gosto comigo. Deixa pra lá.

—Pelo menos você chegou para o jantar!

Nick e Gabriela desceram a escada principal correndo e vieram abraçar o pai. William foi para o quarto lavar o rosto. Mal se passaram trinta minutos e a companhia tocou. Ele foi atender.

—Gostaríamos de falar com o Sr. William Wesley. Ele está?

—Quem são vocês?

—Agente Dickson e agente Grayson, do FBI. Queremos fazer umas perguntas. Podemos entrar?

—Claro, fiquem à vontade.

William estava tenso, uma gota de suor escorreu de seu rosto. Começou a lembrar de seu passado. Existiam pouquíssimas pessoas que sabiam sobre ele.

—Viemos saber sobre o que aconteceu no dia 23 de agosto de 1999.

William ficou ainda mais tenso, o que era que ele escondia sobre seu passado, aconteceu nesse dia.

—O que vocês... querem saber?

—Gostaríamos que o senhor nos dissesse sobre o seu casamento, que aconteceu neste dia.

—Não houve casamento a noiva fugiu! Ela não apareceu!

—Você sabe muito bem que ela foi encontrada morta no mesmo dia!

—Eu não tenho nada haver com isso, nem eu, nem minha família!

William deu um soco na mesa.

—Não esperávamos essa reação. Pensávamos que o senhor nos falaria sobre o falecido Evandro Tombim.

—Falecido!?

—Ele foi encontrado morto no emprego. Em cima do corpo havia um bilhete que dizia "o acontecido é culpa de William Wesley, pergunte-o sobre seu casamento em 23 de agosto de 1999". Então pesquisamos e soubemos que o caso da noiva morta nunca foi concluído.

William estava em choque. Evandro era um amigo de faculdade, sabia tudo sobre ele, inclusive todos os detalhes do casamento.

—Eu juro que não sei de nada, os senhores estão sendo inconvenientes, por favor retirem-se.

—Tenha uma boa noite.

Ele fez uma referência com a cabeça. William foi jantar. A empregada Sra. Wintof havia preparado lasanha. A comida estava ótima. William subiu ao quarto. O computador estava aceso. Ele foi até ele e viu um novo e-mail recebido. Remetente : Desconhecido.

" Você não tinha um encontro? "

No dia seguinte, a mesma rotina progamada, ele imaginava que o email tivesse sido enviado pela secretária Victória. No caminho até sua sala, todos olhavam para ele, olhares confusos. Passou pela mesa de Victória, ela não estava.

—Onde está a Victória, ela nunca atrasa.

—O senhor ainda não sabe?

—Se soubesse não estaria perguntando.

—Ela foi encontrada esfaqueada num quarto de motel!