O Jogo

1 Quer Jogar?


Notas iniciais
Bem-vindos ao primeiro capítulo dessa fic! Espero que gostem. Este é só o prólogo, por isso é tão curto. Mais algumas coisas vão ser explicadas conforme o Jogo foi passando, ok? Realmente espero que essa fic possa agradar a todos que a leem :)

A televisão anuncia mais um sumiço de adolescente. Eu, em uma tentativa de fugir da realidade, coloco os fones. Eram 39 só naquela semana. Nunca houve algo assim na história Ottawa, como dizem as televisões em todo lugar que entro. As pessoas só falam disso. Mães estão preocupadas, cerca de 80. As pessoas estão apavoradas, mas não o bastante para fazer qualquer coisa. São nove horas da noite e vejo uma garota que tem, aparentemente, dezessete anos sentada um pouco à frente no mesmo vagão em que eu me encontro. Ela está vestida de uniforme e não parece preocupada em andar a essa hora por aí. Muito menos eu. Diante do que está acontecendo, não tenho muito que fazer se não continuar a vida e esperar que o tal sequestrador seja pego pela polícia.

A música que escuto é clássica e me acalma. O metrô para na estação e as pessoas começam a descer. Observo a menina de uniforme levantar-se e sair enquanto caminho a passos lentos para fora do vagão. A garota se encontra com suas amigas e elas começam a conversar. Mais gente sem medo, penso. Continuo a andar, morrendo de vontade de chegar em casa. Minha irmã deve estar preocupada. Não é culpa minha se meu patrão é um velho canalha.

As escadas do metrô estão praticamente vazias e um vento frio me atinge quando já estou no topo. Todas as pessoas parecem ter evaporado. Não é um dia comum. Talvez as pessoas estejam com medo do que está acontecendo, talvez todas as mães estejam mandando seus filhos para cama às oito. Pena que minha mãe não está mais aqui.

Encolho-me no meu casaco. É realmente frio e estou sentindo todos os ossos do meu corpo congelar. A sensação é horrível. Aperto os passos. Devia ter trago um casaco mais pesado. A música fica mais agitada e começo a andar ao seu ritmo. É tudo tão calmo que mal percebo que acabei de pisar em alguma coisa. Não fosse pelo tombo que quase levei, eu nunca teria notado o aparelho em que tropecei.

Abaixo-me e cato o objeto. Parece um tipo de game portátil, como um celular ou um PSP, até um MP6 poderia ser confundido. Ele é rubro-negro e só há os botões cima, baixo, esquerda e direita. Penso o quanto aquele jogo deveria ser fácil. Você não precisa fazer nada, só se mexer. Sorrio e observo a fumaça que sai da minha boca em contraste com a noite escura. Ligo o aparelho. Tenho certeza que alguém virá buscar e decido ficar ali até que o desastrado volte. Ele não ligaria se eu jogasse um pouco. Aliás, eu estou sem nada pra fazer e era um favor para ele que eu não o roubasse.

O aparelho portátil se acende e um holograma é criado. Tomo um susto e pulo para trás, quase soltando meu achado. É impossível, a comunidade gamer já teria pirado por algo assim e eu saberia da existência de um jogo desses. Uma menina de saia curta e decote extravagante aparece. Ela dá giros e pulos antes de me olhar nos olhos. Por mais que eu mexesse o aparelho, seus olhos continuavam indo a minha direção. Nada novo, Leonardo Da Vinci fez o mesmo com a Monalisa.

– Olá! – diz a menina. Sua boca se mexe em total desordem, não se importando em acompanhar o som que sai da máquina. É só um jogo besta, afinal, algum nerd virgem deveria ter o feito. – Que bom que voltou, mestre!

Chego a pensar que aquele é um daqueles jogos pervertidos pela fala da garota, mas descarto o pensamento pelo que vem a seguir:

– Eu vou dizer as regras do jogo e você me diz se vai jogar, certo? – Ela não espera resposta antes de continuar: – Tudo bem! O Jogo em que você vai entrar só tem três regras. A primeira é que você tem que matar nove pessoas antes de se ver livre.

Ela pisca. Ótimo, um jogo de tiro. Penso no quão difícil seria atirar quando você só tem os quatro botões primordiais. Reviro o console a procura de outro. Nada. Enquanto isso a garota continua a falar.

– A segunda é ainda mais simples. Quando você completar nove mortes, uma pergunta será feita. Você poderá escolher entre ficar no Jogo e sair. Caso escolha ficar, três mortes serão necessárias para que você possa sair novamente. Quando completar mais três mortes, a mesma pergunta será feita outra vez, e assim sucessivamente.

– Que rígido – sussurro.

– A terceira regra... E espero que esteja escutando bem! – Ela aponta o dedo indicador na minha direção e ri. – É que você tem que Jogar, ou será apagado. Os "apagões" de jogadores acontecem uma semana depois do recrutamento. E isso significa morte. O Jogo preza pelas regras e a ideia crucial é "Mate ou morra".

Apostaria trilhões que o distraído que deixou isso cair tinha perdido o Jogo e ficou com raiva. Imagino quantas vezes ele teria sido morto e sorrio. Aquilo seria fácil. Ela só teria que explicar sofre a falta do botão atirar.

– E então, mestre... Quer jogar?

Duas opções surgem no holograma, cada uma em um retângulo azul: Sim e Não. Olho envolta. Será que o cara não volta mesmo? Suspiro. Eu não teria nada pra fazer aquela noite mesmo, posso ficar um tempo aqui esperando. E aquele jogo parece ser interessante. Ergo o dedo e uso o botão cima para apertar em Sim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.