O Irresistível Duque de Birmingham
4 A Pintura
Notas iniciais
POVS EDWARD...
“Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som liquido de teus pés no dia.
Estou faminto de teu riso resvalado,
De tuas mãos cor de furioso celeiro,
Tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.
Quero comer o raio queimando em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer as sombras fugaz de tuas pestanas
e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
Como um puma na solidão de Quitratúe”.
(Pablo Neruda- livro Cem Sonetos De Amor)
Quando terminei de fazer o que tinha vontade com minha empregada, me senti exausto, no só fisicamente, mais minha alma também estava cansada, pela primeira vez em muitos anos não estava mais me sentindo feliz com essa vida que levava no chamado “sexo só por prazer”, agora eu queria mais, é engraçado pensar assim mais tudo pareceu mudar quando conheci Isabella, e não tem nem um mês que ela está morando aqui, mas sua juventude e frescor fazem com que eu me sinta jovem também, e me faz lembrar que já tive sua idade e muitos sonhos de amor, sonhos que não chegaram a se concretizar, porque achei que o prazer fosse a coisa mais importante do mundo, mas sinceramente não tenho mais tanta certeza disso.
Tudo que eu mais queria era ir pro meu quarto, tomar outro banho e tirar esse cheiro de “sexo” do meu corpo, e fingir que dormir sozinho é algo que ainda me agrada, nunca amanheci ao lado de nenhuma mulher, será que seria assim pra sempre? O pior não foi isso, o pior foi quase chamar Jéssica de Isabella, e foi por muito pouco que isso não aconteceu, mais ela não sai da minha cabeça, tento me manter afastado dela, mais até quando vou conseguir isso? Até quando vou conseguir fingir que ela me atrai? Até quando? Ela é totalmente proibida pra mim! É a frase que costumo repetir quase todos os dias, queria tanto que ela tivesse consciência do meu desejo... Tanto, mas claro que isso não vai acontecer como disse antes ela deve gostar de garotos da sua idade, e não de homens maduros como eu, ainda que ela gostasse jamais poderíamos ter alguma coisa e sei bem porque.
Dei um suspiro e abri a porta devagar pra sair do quarto, achando que talvez hoje tivesse uma noite tranqüila, e não sonhasse com aqueles olhos chocolates e inebriantes de Isabella, mas me enganei com certeza essa noite não teria paz, porque do outro lado da porta estava o objeto do meu desejo, totalmente proibida pra mim, fiquei surpreso, mas sem seguida suavizei minha expressão ao vê-la ali e pensei:
“Mas o que ela está fazendo aqui? será que ouviu alguma coisa?”
E preferi manter o bom senso e me retirar como se não a tivesse visto e nada tivesse acontecido, porque se ficasse com certeza eu a agarraria, ainda mais vendo o jeito que ela estava vestida, com uma camisola rosa que era pura perdição, se ela estava tentando me enlouquecer com certeza conseguiu, passei os olhos sobre seu corpo, querendo memorizar aquela beleza toda como se pudesse esquecer, então ajeitei meu robe e me movi de maneira devagar rezando pra que ela não me dirigisse a palavra, ou com certeza não conseguiria mais sair dali, mas pro meu azar ela me dirigiu a palavra sim, e não de um modo cortês como sempre fez, mas em forma de insulto.
- Não tem vergonha de fazer isso? Homens como você me dão nojo!
A voz dela saiu baixa, mais de modo agressivo, não conseguia entender suas palavras, porque ela falou aquilo? Eu a ofendi em algum momento e não lembrava? Não é possível, sempre a tratei super bem, eu com certeza só posso ter ouvido errado, então parei de caminhar e me virei lentamente a olhando de maneira intensa, ela parecia nervosa, seu corpo sacudiu um pouco, será que mexia com ela de algum modo? Será? Buscando entender o que ouvi me dirigir a Isabella como o cavalheiro de sempre, afinal não pretendia brigar então perguntei:
- O que foi que disse senhorita Swan?
Ela pareceu tomar um pouco de ar e continuou:
- Foi isso mesmo que ouviu! Não tem vergonha? Tem hospedes agora, deveria se dar ao respeito, afinal é um duque, e estava com... Com uma empregada!
Agora entendi tudo, sim ela ouviu, será que ouviu por vontade ou por acidente? Bom... Isso não importa, ela esta agindo como se tivesse algum direito sobre mim, como se estivesse com ciúme, não, não deve ser isso, talvez ela seja moralista demais, nunca pensei que uma garota tão jovem pudesse ter pensamentos nada modernos, de qualquer modo não admito que me faltem com o respeito em minha própria casa, por isso gargalhei de forma debochada e disse num tom mordaz.
- E o que tem haver com isso? O que faço ou não, não é de sua conta, isso aqui tudo é meu.
Disse tentando fazê-la voltar a si, tão linda e tão atrevida.
- Tem haver sim já agora você tem hospedes, não pensa no que meu pai diria se ouvisse o que eu ouvi?
Acho que ela queria mesmo me dar uma lição de moral, mas com certeza Charlie não diria nada, ainda mais na situação que está. Então resolvi provocar aquela tentação, não deveria, mas não resistir, então dei um sorriso cínico e disse num tom rouco:
- Então você... Ouviu? Tudo?
Isabella ficou sem graça como imaginava seu rosto vermelho a deixou ainda mais graciosa, ela era só uma menina, porque eu estava tentando seduzi-la? Estou ficando louco mesmo, mas ela me tira do sério, eu deveria ir embora agora, mas não consigo, dei outro sorriso e ela disse:
- Sim... Eu... Eu ouvi.
Ela falou com a voz tremida, sinal que não que não era imune a mim como imaginava isso é bom... Não! Isso não é bom! Por deus! Eu acabei de fazer sexo, será que não consigo me controlar nem assim? Devo ser um tarado mesmo, mas ela me causa sensações que nenhuma outra causa, ela me atrai como um imã, o que posso fazer? Nada, então continuei:
- E... Gostou?
Se ela respondesse no mesmo tom de antes com certeza não ia poder mais me controlar e a tomaria nos braços, mas não foi assim, ela retomou o tom agressivo de antes e disse:
- Não! Achei nojento! E fique sabendo que vou contar tudo pro meu pai, sua conduta duque é realmente uma lástima.
Podia jurar que ela estava mentindo, e achei o jeito dela tão engraçado, tão segura, como se não me temesse, será que ela não se dava conta do perigo? Sozinha comigo no meio da noite, será que não conhecia minha fama? Eu poderia lhe agarrar e arrastá-la pra minha cama e garanto que não seria a força, não! ela gostava do perigo e eu mais ainda, então cruzei os braços sobre o peito e disse num tom de deboche:
- E o que o seu pai diria se soubesse que anda pelo castelo à noite nesses trajes e ainda ouvindo o que não deve atrás das portas, heinn?
A olhei da cabeça aos pés, e acho que ela tremeu, meu controle estava por um fio.
- Mas não pretendia ouvir nada, só queria achar a cozinha e beber um pouco d’água, mas não a encontrei então resolvi vir aqui e procurar um dos serviçais pra me ajudar a achar, seu... Seu... Pervertido!
Não! Aquilo foi demais, não podia mais suportar suas provocações, e ofensas, avancei sobre ela, meu corpo estava ardendo de desejo, colei seu corpo ao meu, ela era tão quente e delicada e seu perfume... Podia jurar que o mesmo do meu, ela gostava de perfumes masculinos? Oh deus! Ela era tão frágil, eu não devia ter feito isso, mas a encarei e disse num tom baixo e sexy:
- Então tem nojo de mim Bella? E eu não passo de um pervertido? Já que vai ser sincera com seu pai e dizer tudo que se passou aqui, então vou aproveitar e ser sincero com você também, se não fosse uma “menininha intrometida” e não fosse filha do meu melhor amigo era você agora que estaria gemendo de prazer, mas na minha cama.
Se ela tinha duvidas sobre meu desejo, agora não tem mais, eu não devia ter lhe confessado isso, mas me segurei por tempo demais, além de ser um monarca eu era um homem, apenas isso, aproximei meus lábios do dela, coloquei meus dedos entre suas coxas e subi minha mão lentamente, ela parecia tão entregue, tão minha, antes de tocar sua intimidade eu parei, não era hora ainda, queria primeiro senti o gosto de seus lábios, e pretendia tomá-los depois de dizer essa frase aos pés do seu ouvido, que de tão irrefutável chegava a soar como uma ameaça.
- Não brinque com um homem, “menininha”.
Agora sim eu tomaria seus lábios, mas não tive tempo pra isso, pois ela me empurrou e me deu um tapa, depois esbravejou dizendo:
- Não brinque comigo também Edward! E fique longe de mim.
Em seguida saiu correndo como um “carneirinho assustado”, a dor foi instantânea e levei a mão ao rosto, o choque da rejeição passou pelo meu corpo e me feriu feito faca, isso nunca aconteceu antes comigo, nunca fui rejeitado, não era possível, ela parecia corresponder, será que me enganei? Droga! Ela deve estar me odiando agora, porque não me segurei? Eu não passo de um pervertido mesmo.
Marchei até meu quarto de maneira furiosa, arrancando meu robe, depois entrei embaixo do chuveiro me xingando de todos os palavrões possíveis, antes de pensar com mais clareza:
“Ela deve ter mesmo nojo de mim, pra me agredir daquele jeito, ela só queria me falar as verdades que ninguém fala, nem mesmo Esme que é como uma mãe pra mim jamais falou aquilo, e eu como um “tarado imbecil” entendi tudo errado, seria castigo demais a mulher que mais desejei na vida não querer nada comigo, mas é melhor assim, ela é filha do meu amigo, e muito mais nova que eu, é melhor assim”.
Fechei os olhos com força, lutando pra enfiar aquilo de uma vez na minha cabeça, sem saber que atitude tomar a partir de agora.
POVS BELLA...
Dizem que é no desespero que a gente se vira, e acho que foi isso que aconteceu comigo, em pouco mais de cinco minutos achei o caminho de volta pro meu quarto trancando-me em seguida, meu coração estava disparado e tenho certeza que não era só pela corrida, meu corpo também tremia, e a sede que estava tremenda havia passado completamente, me joguei na cama, ainda sentia o calor dele em volta de mim, e o seu perfume... Me levantei e fui até minha penteadeira e peguei meu vidro de perfume Eternity, e tive a certeza que era o mesmo que ele usava, um sorriso instantâneo brotou do meus lábios quando constatei a coincidência, mas em seguida meu peito se apertou comecei a chorar e pensei:
“Ele me deseja, não sou invisível os seus olhos como imaginava, mas é o mesmo desejo que o duque sente pro todas as outras, ele só que me usar e nada mais, ainda sim tive tanto ciúme e tanta inveja de sua empregada, os gritos de prazer que ela dava nos braços dele ainda ecoavam na minha cabeça, por mais que eu não quisesse admitir isso, eu daria tudo pra esta no lugar dela, pude sentir naqueles poucos minutos que passei com ele que era um homem experiente e com certeza sabia dar prazer a uma mulher, ele não era como os garotinhos idiotas com que eu tinha dormido, ele era o homem que sempre desejei mesmo antes de conhecer, mas não deixaria que ele soubesse disso, nunca, porque era tentação demais, e alem do mais sou sua hóspede e meu pai é seu grande amigo.
Por falar nele nunca contaria o que houve, e mesmo se contasse como explicaria o fato deu eu estar lá? Meu pai era um homem vivido e logo perceberia meu interesse no duque, e se isso acontecesse eu estaria perdida, eu tinha que esquecer o que houve e seguir em frente, mesmo sem saber o que vai acontecer quando o ver de novo, mas durante três dias isso não aconteceu, sempre que eu e meu pai sentávamos na mesa pra fazer as refeições Esme dava um desculpa dizendo que o duque tinha algum compromisso por isso não comeria conosco, mais tinha quase certeza que ele só estava fazendo aquilo pra me evitar.
Será que ele ficou tão zangado comigo assim? Não só pelo que falei mais pelo tapa que lhe dei e agora ele vai nos mandar embora? Claro que podia fazer isso era o dono da casa, ele também pode reverter a situação ao seu favor e contar pro meu pai dizendo que a culpa foi minha, Droga! o que deu em mim? o homem é rico, poderoso, lindo, e eu o desafiei, ainda sim não me arrependo do que fiz, Edward poderia ter tudo, ter uma família, filhos, porque agia de uma forma tão errada? Não deveria chamá-lo pelo primeiro nome mais agora não consigo mais, adoro pronunciá-lo, seu que não sou ninguém pra lhe dar lição de moral, mas também sei que no fundo era só ciúme, de um homem que nunca vai poder ser meu, eu realmente temia o que ele podia fazer agora, mais ainda sim não retiraria uma palavra do que disse, sei que era teimosa mais sempre considerei isso uma grande qualidade.”
No dia seguinte acordei cedo, e mais uma vez Edward não tomou café conosco, soube que no castelo havia uma sala com quadros de pintores famosos, não sabia que ele gostava de artes, eu também gostava, então resolvi ir até lá e dar uma olhada nas obras, havia quadros de todos os gostos, Picasso, Van Gogh, Dali, até que me deparei com um dos meus pintores favoritos o Monet, estava admirando uma de sua obras, quando senti passos atrás de mim, depois um calor e um perfume familiar de um corpo ao meu lado, prendi a respiração, pois tive certeza de quem se tratava.
- Bom dia Bella! Gosta do que vê?
Ele perguntou com sua voz máscula, a mesma voz que fazia cada célula do meu corpo se agitar.
- Quem lhe deu permissão pra me chamar pelo meu primeiro nome?
Perguntei num tom tentando parecer incomodada, mas claro que tinha adorado, mas não queria demonstrar, ainda não o tinha encarado e ele respondeu:
- A partir do momento que fez a mesma coisa no nosso último encontro, não se lembra? Eu poderia mandar prendê-la pelo seu atrevimento, sabia?
Sim ele tinha razão eu o chamei pelo primeiro nome, mas ele poderia me prender só por isso? Ou ele se referia ao insultos e ao tapa que lhe dei em nosso ultimo encontro? Não conseguia acreditar, então o encarei de maneira incrédula, ele continuava lindo como sempre, e mordeu os lábios quando viu minha expressão de duvida como se quisesse segurar um sorriso, deduzi que ele não estava falando sério então voltei a olhar o quadro em minha frente e disse com ironia:
- Faça o que quiser, eu vim de um país livre, não sabia que os monarcas da Inglaterra ainda agiam como na idade média, não acha melhor me queimar na fogueira de uma vez?
Ele sorriu, e seu sorriso como sempre era delicioso, depois disse:
- Quem sabe... Então contou o que queria ao seu pai?
Meu corpo se retesou, mais não queria demonstrar que fiquei nervosa só de imaginar com essa possibilidade e disse:
- E pra que? Eu por acaso lhe contaria alguma novidade?
- Não, não contaria.
O tom dele estava ameno comigo, como se quisesse apagar a tensão do nosso último encontro, mais aquilo não aliviou o medo dele fazer algo contra mim ou contra meu pai então perguntei:
- Vai mandar eu e meu pai embora, não é?
- E porque eu faria isso?
Ele perguntou num tom surpreso.
- Você sabe.
Disse e abaixei a cabeça envergonhada.
- E ficar sem a sua sinceridade mordaz, nunca.
O encarei novamente e pude jurar que ele estava sendo irônico.
- Então não pretende fazer nada?
- Sim... Pretendo lhe pedir desculpas, se você fizer o mesmo é claro.
Ele disse num tom sério, ainda sim eu achava que só ele me devia desculpas e não ao contrario, olhei novamente pra frente, pois seus olhos verdes eram sempre um perigo pra mim e disse irritada:
- Eu não lhe devo desculpas, não me arrependo do que disse.
- Sendo assim também não me desculpo, e não me arrependo.
Ele também pareceu irritado, e ficamos em silencio por alguns minutos, sua presença ao meu lado era cada vez mais forte pra mim, ele estava tão perto se eu esticasse as mãos poderia tocá-lo, mas que loucura foi essa que pensei? Eu deveria sair dali, mas porque não saia? E porque ele não fazia o mesmo? Sem saber por quanto tempo agüentaria aquela situação sem me jogar em seus braços, ele em fim resolveu falar novamente:
- Esse Quadro é de Monet ele era um pintor francês e...
Não entendi sua mudança repentina de assunto, mas ele achava mesmo que eu era incapaz de saber que quadro era aquele? Então resolvi completar sua descrição sem nenhuma modéstia.
- Ele é tido como o maior expoente do impressionismo, e esse quadro chama-se “levar Del Sole”.
O encarei e tive vontade de rir a ver sua cara de espanto.
- Eu... Não imaginava que conhecia artes.
- Acha que todas as “menininhas Americanas” não tem nada na cabeça?
- Eu não quis ofendê-la.
Seu tom parecia sincero, mas sua frase debochada as seguir me tirou do sério.
- Monet pintava paisagens, eu pinto modelos ao vivo, só que nuas, não quer posar pra mim?
Não pude me segurar aquele homem me tirava do serio, estava disposta a lhe dar outro tapa, mas ele foi mais rápido e me segurou, meu coração disparou e nos encaramos, sua respiração estava tão próxima a minha, eu olhei pra aqueles lábios irresistíveis dele e ele fez o mesmo com os meus, automaticamente fechei os olhos, já esperando o que ia acontecer, mais ouvimos passos próximos atrás de nós, e aquilo nos despertou completamente, voltamos a postura de antes um do lado do outro, então ouvi a voz de meu pai me chamando.
— Bella!
Virei-me pra encará-lo e Edward fez o mesmo.
CONTINUA...
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