O Irmão Do Noivo
6 As aparências enganam
Notas iniciais
Após ter tentando raciocinar direito, a minha santa paciência já estava se esgotando. Ali eu vi que nós, exclusivamente eu, não era uma pessoa perfeita.
O ser humano sente ciúmes, amor e carinho. Mas eu extrapolei tanto, na base do ciúme, que nem me dei conta do que eu estava fazendo. Não era uma opção estar ali, nem queria, de fato.
Mas o querer não é poder. Eu tinha que estar ali pela minha irmã, pois, querendo ou não ela esta apaixonada.
Todavia, um sentimento de confusões me dominava a cada olhar que Samuel lançava na minha direção. Porque eu sentiria ciúmes de um cara que eu acabei de conhecer?
Aquela não era eu!
Então porque eu cismava em retribuir o olhar de Sam? Talvez eu devesse mudar um pouco, ninguém é perfeito e eu nunca irei ser, mesmo que para isso eu precise mudar minha vida e minhas atitudes.
Tentei, disfarçadamente, não corar sobre o olhar daquele moreno. Seus olhos tinham um brilho estranho no olhar, mas estava tão sobrecarregada estes dias que o melhor para mim era pensar em um jeito, ao menos elaborado, de afastar Sam de mim.
Nunca acreditei nessa historia de destino, porque se ele existisse não teria tirado meus pais de mim. Sam era uma exceção, comecei a desconfiar que minha própria irmã pudesse estar tentando nos juntar. Dayane é imprevisível e quando quer uma coisa vai até o fim para conseguir.
Concentrei-me na visão esplêndida ao meu redor, não é sempre que se vê algo tão bonito assim, ainda mais ao por do sol. Depois que Sam me levou para andar de cavalo, o que me fez levar um tombo de cara no chão, resolvi voltar para a casa da avó dele. Continuei exatamente como antes, problemas a parte e confusões sentimentalistas a outra. O momento certo um dia vai chegar, nem sei se um romance entre mim e Sam daria certo. Poderíamos magoar um ao outro sem perceber com palavras ofensivas e, definitivamente, vou agir como uma mulher e não como uma adolescente apaixonada.
Sorri para a senhora de cabelos brancos que nós esperávamos na porta de sua casa, após cumprimenta-la, decidi que eu precisava de um banho muito bem caprichado.
– Aonde vai? – Sam perguntou subindo as escadas ao meu encalce.
– Tomar um banho, apenas! – Respondi meio aérea com a situação.
– Quer que eu lhe faça companhia? –A voz de Miguel surgiu atrapalhando minha quase, entrada triunfal. O sorriso de Miguel chegou de orelha a outra, não entendia a implicância desses dois, suas atitudes poderiam ser comparadas com a de uma criança.
– Desculpe decepciona-lo Miguel, mas a única companhia que eu terei será apenas o chuveiro! – Sorri triunfante para os dois, e pelo visto consegui desviar a atenção de Sam. – Com licença.
Sai dali o mais rápido que eu pude, não gosto de ser o motivo de uma briga, mas parecia que eu não era o motivo e sim um ponto fraco que Miguel poderia se aproveitar inteiramente. Miguel já era um assunto a parte, eu poderia não ter aceitado seu convite, mas ao mesmo tempo poderia aceitar, e foi o que eu fiz.
Não fiquei contente com a minha decisão, porém, já que o momento não estava ao meu favor, muito menos meus sentimentos, não irei ficar me martelando repetidas vezes pelas decisões erradas que eu tomo, diariamente.
Abri a torneira e um jato de água veio de encontro com as minhas costas. Lembro até hoje de como eu vivia mais para minhas irmãs do que para mim, agora é a hora de eu viver por mim mesma.
Tentei relaxar, mas meus pensamentos não me forneceram essa dádiva, por outro lado, me deixavam mais angustiada do que eu já estava.
Peguei a toalha e desliguei o chuveiro, mas antes olhei meu estado no espelho, algumas olheiras, que depois eu passaria quilos de corretivos, e um olhar profundamente cansado, precisando de um serio descanso, quando tudo isso terminar irei passar um bom tempo de férias, da empresa e de todo mundo.
Abria porta dando de cara com Sam sentando em cima da cama.
– Desculpe! – Assenti e ele virou de costas.
– Tudo bem!
Peguei uma muda de roupa que estava ao meu alcance e voltei rapidamente para o banheiro, de onde eu não deveria ter saído.
– Eu sinto muito Patrícia, aquilo que você presenciou era uma mera provocação da parte de Miguel. – Ouvi sua voz do outro lado da porta, um pouco abafada e ao mesmo tempo cansada, como eu sabia? Pois, simplesmente, eu também estava cansada, de tudo.
– Tudo bem Samuel, não se preocupe. Vou ali no banheiro trocar de roupa! –Tentei acalma-lo um pouco, passando reconforto, não fisicamente mas pelas minhas palavras e aquele momento era meio... Constrangedor.
– Você deve estar se sentindo frustrada! – Agachei até chegar no chão e descansei minha cabeça ali.
– Quem não se sentiria frustrada na véspera do casamento da própria irmã! – Ri de meu próprio comentário, pois ali tinha, pelo ao menos, um pouco de verdade.
– Sabe o que é engraçado? – Seu tom de voz mostrava diversão.
– Não! – Respondi.
– Eu sendo o irmão mais velho que ainda não se casou! –Ri pelo nariz de seu comentário.
“Somos dois Sam! ”, pensei comigo mesma.
– Tenho um pouco de inveja da Dayane! –Soltei de uma vez.
–Por quê? – Perguntou- me
– Ela encontrou o “ amor verdadeiro” , e isso é meio frustrante, entende? – Perguntei e esperei que ele entendesse.
– Entendo! – Quando ele respondeu, percebi que eu segurava minha respiração quando soltei uma bulhufa de ar.
– Eu pensei que, possivelmente, eu me casaria primeiro, já que eu sou a irmã mais velha! – Tombei minha cabeça de lado e alguns fios caíram sobre meus olhos – É tão esquisito ver que eu não consegui encontrar meu “amor verdadeiro”.
Depois de minha declaração de sentimentos, nada convencional, encurralados na minha garganta. Ficamos em silencio um tempo, consideravelmente, longo, que me deixou ainda mais angustiada, não deveria ter falado aquilo para ele, Sam deve estar pensando que eu sou louca.
Abri a porta do banheiro e encontrei o quarto vazio, será que depois de tudo eu ainda sou assim tão chata, ou ele que é insensível. Suspirei pesadamente, as aparências enganam, e eu poderia ter me enganado a respeito de Sam.
Então apenas seguirei a minha vida, sem remorso algum e sem nenhum tipo de recaída. Mesmo que Sam seja uma droga que vicia, eu posso simplesmente ignora-la, como ele fez comigo.
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