Em uma tarde de verão eu estava indo para a lan house, quando eu me deparo com alguém que estava olhando para mim fixamente. Eu não sabia o por que, mas esta mesma pessoa começa a andar na minha frente, até que finalmente chega perto de mim. Nós dois andamos para lados opostos, mas eu sentia como se essa pessoa estivesse me seguindo. Eu olhei para trás e realmente estava. Eu parei, virei e olhei fixamente para ela:

-Oi. Eu iniciei a conversa

-Oi. Ela responde

-Por que está me seguindo?

-Não sei...

Eu não conseguia entender a situação: por que aquela mulher mais velha, maior do que eu, corpo fino e cabelos longos cacheados estavam me seguindo? E o pior: como ela não sabe!?

Ela bota a mão na minha boca e diz:

-Você sabia que fica muito mais bonitinho quando fica quieto?

Uma cantada? Isso realmente foi uma cantada ou acabei de levar um "cala a boca"? Não entendi a situação, só fiquei com medo e queria voltar para casa! Eu retirei a mão dela de minha boca e disse:

-Tudo bem! Vou indo...

Ela segura a minha mão e diz:

-Vai me deixar sozinha aqui? E se eu te pagar um sorvete?

-Me diga o que quer!

-Apenas te conhecer! É tão complicado assim?

-Mas por que? Eu sou um cara pobre de 1.60 com pouco físico e ainda tenho apenas 17 anos! O que eu quero hoje é só jogar um pouco!

-E que tal jogar na minha casa?

-Não! Você quer me sequestrar é?

-Bem, só um pouquinho...

-E ainda tem a coragem de falar! Quem é você garota? Quantos anos você tem?

-Bem, meu nome é Anitta. Não me confunda com aquela cantora! Eu tenho 22 anos e eu estou sem nada para fazer neste sábado. Eu estava esperando alguma pessoa passar por aqui para puxar conversa pois minha médica disse que isso poderia melhorar o meu "problema com pessoas", mas parece que todo mundo que eu abordo para tomar um sorvete vai embora!

Ela era doida, ou uma antissocial (igual a mim). Eu não sabia o que responder depois do que ela me contou, mas fiquei interessado em saber.Depois de muito tempo(e facepalms) perguntei:

-Pode ser uma cascinha de duas bolas?

-Não sei não....Acho melhor ser 5!

-Mas assim o sorvete cai!

-Eu estou te oferecendo mais, fique agradecido.

Chegamos a conclusão que ela é maluca. Mais facepalms e silêncios e volto a argumentar:

-Que tal um milk-shake então? Pode ser o mais baratinho...

-Podemos tomar o mesmo, como naquelas coisas de cinema? Sempre quiz fazer isso.

-Mas isso se faz com namorados!

-E dai?

-Eu não sou seu namorado

-Nem mesmo de mentirinha?

-Acabamos de nos conhecer!!!!

-Tudo bem... Será um milk-shake e um açaí de 1 litro!

-Eu não como isso tudo!

-Tá bom! Só o açaí

-Mas eu pedi o milk-shake!

-Caramba! Como você é complicado em! Vamos lá então

Minha cabeça nunca ficou tão vermelha quanto aquele dia. Eu diria que “a pessoa que criou o facepalm, deve ter convivido com essa criatura durante dois dias E DEPOIS CRIOU O SUICÍDIO!"

Quando finalmente chegamos na sorveteria, eu falei para ela conferir se tinha dinheiro ou não -ela é estranha, vai que me passe a perna!. Ela saca 3 notas de cem e diz:

-Isso é o suficiente?

-Não precisa amostrar que tem dinheiro!

-Não estou ostentando não! Nunca fui com alguém em uma loja de sorvete, então eu não sei o quanto eu devo dar.

Quanto mais ela falava sobre essas coisas, mais eu pensava se eu devia ter pena de mim (por também não saber) ou dela.

-Acho que é a mesma coisa. Vamos perguntar para o pessoal depois que comprarmos.

Finalmente chegamos para o caixa, e ela faz o pedido:

-d-duas... Duas...

-Oi senhora! Gostaria que falasse calmamente para que eu entenda o seu pedido!

Melhor eu tomar as rédeas! Mas isso sairá por um preço mais caro

-dois milk-shakes de 500 ml, por favor. Eu dizia, todo prepotente.

-Estão juntos?

-Sim,estamos. Annita responde

-Não querem dois canudos e um milk-shake de um litro? Seria mais...

-Eu quero! Ela fala novamente.

-Mas eu não! Tento tomar as rédeas. -apenas os dois de 500 mesmo, por favor.

-Tudo bem. Qual sabor?

-Eu quero de chocolate!

-E eu quero de água

Eu e o caixa olhamos para ela ao mesmo tempo e fizemos um facepalm coordenado (nossa!), então eu pedi para trocar por um de chocolate. Ela paga e depois me dá o troco (agora sou garoto de programa!?).

Pegamos os milk-shakes e começamos a andar por ai para encontrar um bom lugar para conversar. Ela já inicia a conversa com algo que me deixou completamente perplexo:

-Eu odeio quando mestruo! E você, odeia quando está "naqueles dias" também?

Eu não sou um asiático! Dava muito bem para ver a diferença se eu sou homem ou mulher! Tentei explicar para ela sobre a minha sexualidade, e descubro que ela "tinha o direito de insinuar isso pois todas as vezes que ela encontra uma garota fofa é um homem e um garoto forte é uma mulher". Ainda quero saber de qual mundo que ela nasceu pois aquilo não foi fácil de engolir. Quando achamos um lugar perfeito para nós ficarmos, já era o crepúsculo e eu não sabia aonde fomos parar. Eu consguia ver minha casa de lá de perto e também um bode ao lado tinha uma placa escrito: "lixo". Ela tacou o pote de milk-shake para a cabra comer, mas eu joguei em um saco de lixo para guarda-lo para por em um lugar específico. A visão era perfeita! Ver toda aquela cidade iniciando suas luzes enquanto o pôr do sol caía sobre as outras montanhas... nunca pensei que uma pessoa tão estranha (estou falando de mim mesmo) poderia ver algo tão fascinante. Ela segura a minha mão, e eu respondo segurando também.

Ela segura a minha mão, e eu respondo segurando também. Foi um dia incrível.

Perguntei se eu poderia vê-la novamente, e ela disse que todo o sábado ela estaria de folga, e que quando acontecesse ela bateria na porta da minha casa. Eu pedi para ela não fazer isso e me ligar. Foi quando percebi que nem eu e nem ela tínhamos telefone celular (chorando por dentro), então eu dei o número do meu telefone fixo.

E a vida de antissocial nunca mais foi a mesma....

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!