O Início De Algo Eterno
14 O jantar na mansão
Notas iniciais
Quando Bruce olhou estava parado na porta, um Dick Grayson boquiaberto e sem reação, Alfred estava um pouco encabulado por ter presenciado aquele momento, porém estava feliz por Bruce finalmente ter demonstrado seus sentimentos pela princesa, e um pequeno sorriso não passou despercebido pelo seu rosto sempre estoico e elegante.
Diana quando olhou para o lado estava tão corada e sem graça com a situação, que escondeu o rosto no ombro de Bruce que riu com a reação da namorada. Sabia como Diana era, e imaginava como se sentia, afinal eles foram flagrados como duas crianças fazendo travessuras, e no caso deles, muitas travessuras e das bem aquecidas.
Bruce apenas olhou para Alfred e Dick enquanto passava uma mão por suas costas a abraçando e a outra por entre os seus cabelos os acariciando de leve para poder acalmá-la com essa dose de carinho. Porém, o enorme sorriso não saiu do rosto de Bruce enquanto ele a confortava.
– Obrigado Alfred – ele riu para o mordomo e logo se dirigiu para o asa noturna – Richard o que o traz a Gotham?
Dick ainda estava calado e um pouco descrente com toda aquela situação.
– Dick! – Bruce chamou até que ele acordou de seus pensamentos
– Eu... é vim te mostrar algo que descobri sobre aquele caso, mas tudo bem, eu vi que está ocupado e... vou embora – ele disse ainda hesitante e sem graça passando a mão por sua nuca.
– Não, eu vou resolver isso com você – disse Bruce categoricamente e então se puxou o rosto de Diana para cima para que seus olhos pudessem se encontrar.
– Princesa você me espera? Isso é importante– ela assentiu com a cabeça ainda um pouco corada e olhou para Dick.
–Oi Dick – cumprimentou o menino prodígio enquanto se separava de Bruce
– Diana – ele cumprimentou e foi seguido de Bruce pelo corredor até a batcaverna.
Chegando lá Bruce se senta em sua cadeira e pega os arquivos no pen drive de Dick, enquanto baixavam os arquivos, Bruce percebeu a ansiedade que se passava no asa noturna, já sabia do que se tratava e se preparou para a pergunta que estava por vir.
– Então Bruce, você e a mulher maravilha? Ou melhor, você e a Diana? – ele perguntou hesitante.
Bruce não respondeu e continuou a transferir os arquivos o ignorando.
– Qual é, você foi o meu tutor, eu sou da família, a quanto tempo? – Dick não daria o braço a torcer
Bruce após ficar em silêncio por um tempo resolveu responder, conhecia seu aprendiz o suficiente para saber que ele não iria desistir tão cedo
– Sexta-feira – respondeu de maneira estoica sem nem mesmo tirar os olhos da tela do computador
– Uau, então é recente – ele pigarreou – Vocês estavam em um clima bem intenso para ser algo tão hodierno – disse sorrindo com sua piada, sabia que iria enfurecê-lo, e isso o divertia e muito.
– Cale a boca Dick! – ele rosnou tirando uma risada escandalosa de seu pupilo
– Desculpe aê, é só uma brincadeira, mas fico feliz por vocês dois cara, já não era sem tempo, não? – Dick respondeu de forma carinhosa enquanto colocou uma mão no ombro de seu tutor.
Bruce ficou em silêncio enquanto digitava, apenas enrijeceu sua musculatura com o toque de Dick, mas depois de um tempo relaxou.
– Já estava na hora de você ser feliz de verdade, e isso me deixa muito feliz também – o pupilo disse com sinceridade o que comoveu Bruce
– Obrigado Dick – ele deu um meio sorriso e um tapinha na mão em seu ombro – Mas vou lhe pedir que não conte a ninguém por enquanto
– Fique tranquilo seu segredo está a salvo comigo, velho – ele então sorriu – E pode deixar que eu assumo a patrulha esta noite
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Enquanto isso Diana saiu do hall de entrada e foi direto para a sala, se sentou no sofá, ainda um pouco envergonhada por ter sido flagrada em um momento tão íntimo com Bruce. Ela estava presa em seus pensamentos quando Alfred se aproxima a fazendo acordar.
– Alteza, com licença, mas a senhorita gostaria de algo enquanto espera o patrão Bruce? – o mordomo percebeu como a princesa ainda estava envergonhada
– Não Alfred, obrigada – ela respondeu de maneira doce a aquele homem que ela tanto admirava, contudo ela achava deveria pedir desculpa pela cena que ela e Bruce protagonizavam na entrada da casa – ah, e sobre hoje, eu...
– Se me permite vossa alteza, eu nunca estive tão feliz — ele sorriu segurando uma mão dela para si
– Obrigada Alfred – ela se sentiu aliviada, esse homem tinha o poder de iluminar a vida de qualquer um.
– Eu que tenho que lhe agradecer alteza – ele sorriu terno e se sentou o seu lado sem largar a mão da princesa – Agradecer por nunca ter desistido dele e peço que nunca desista – ele sorriu e Diana o acompanhou
– Nunca! Nunca irei desistir dele, eu o amo demais pra isso – ela o respondeu com uma enorme sinceridade e brilho apaixonado no olhar fazendo o mordomo se sentir felicíssimo.
– Ele também te ama, te ama muito. Mesmo que às vezes o patrão possa não ser a melhor pessoa para expressar seus sentimentos, nunca se esqueça como você é importante para ele – Diana sentiu uma lágrima rolar por seu rosto enquanto esperava para o mordomo continuar – Ele sofre muito com tudo que passou com a tragédia de seus pais e por isso ele é um pouco sentimentalmente atrofiado – Alfred deu uma risada com sua escolha de palavras – mas, de uns dias para cá, eu percebi algo em seus olhos que não via há 18 anos...amor e esperança – ele fez uma pausa e pegou a outra mão de Diana e as segurou dando um leve aperto – Sempre sonhei com esse dia, e a senhorita foi a principal responsável por aquele sorriso e o olhos brilhantes.
– Obrigada Alfred, por tudo, tenha certeza que eu farei o possível para mantê-lo assim, afinal eu me sinto da mesma forma – então Diana fungou e riu pelas suas próximas palavras – acho que esses são sentimentos de uma pessoa apaixonada, não é mesmo?
– Com toda certeza alteza – Alfred sorriu e encontrou os mesmos olhos brilhantes e o sorriso bobo que Bruce carregava por esses dias – Ah, e só mais uma coisa – ele pigarreou e continuou – o patrão, por ter esse trauma em sua vida, ele tem o hábito de afastar as pessoas próximas a ele com medo de que elas se machuquem e dele também sair ferido. Mas essa prática só acaba machucando os dois lados, então, por favor, não o deixe te afastar, se aproxime, mostre que a senhorita é tão teimosa quanto ele – ele apertou levemente a mão da princesa
Diana ainda sentia as lágrimas pelo seu rosto, enquanto Alfred falava, ela só se emocionava, não só pelo enorme carinho do mordomo, mas também pela história de vida de Bruce. Ela a conhecia por inteira, não pela boca o homem morcego que sempre tratava de escondê-la, mas pela do Kal. Diana sabia de tudo que ele passou ao presenciar o assassinato dos pais com apenas 8 anos de idade, uma criança, uma criança indefesa e inocente que perdeu sua infância e inocência a partir daquela noite trágica. Isso doía o coração dela, só de pensar como o seu Bruce sofreu e como é difícil para ele se aproximar das pessoas, afinal as pessoas que ele mais amava e admirava em sua vida, foram tiradas dele da forma mais brutal e violenta possível, e ela sabia que ele, no fundo se culpava por isso.
– Eu te prometo Alfred, que não o deixarei ele se distanciar de mim nem de mais ninguém – ela engoliu fundo o seu choro – Como disse, sou muito teimosa e farei com que ele seja muito feliz – ela sorriu para o mordomo que hoje se tornou seu confidente – Não importa o que acontecer eu sempre estarei com ele e para ele. O Bruce é a pessoa mais importante que tenho e... Acho eu você já entendeu – ela riu
– Com toda a certeza alteza, fico muito feliz em saber que o sentimento de vocês é mutuo e que estão se dando uma oportunidade, os dois merecem ser felizes, são boas pessoas, guerreiras e teimosas, opostos, o sol e a lua, porém quando se encontram formam um dos fenômenos mais lindos da natureza – ele continuou – Os opostos se atraem, porém dificilmente conseguem conviver, e é por isso que e digo que esse relacionamento entre vocês será difícil, mais se fosse fácil, seria maçante e chato e não-durável, mas com essa faísca de discórdia que se acende o fogo da paixão.
– Eu gosto de um desafio Alfred, e sei que ele também, somos opostos e ao mesmo tempo dispostos – ela ri — sei que é estranho, mas que relacionamento não é? No entanto o que mais importa não é só o amor, mas também a paixão e o companheirismo e pretendo mantê-los sempre conosco.
– Eu espero que sim alteza, sou o maior fã desse casal e o torço pela felicidade de vocês, com todo o coração desse velho romântico incurável – ele sorri e continua – Cuide dele, não parece, mas ele é muito frágil com relação aos seus sentimentos.
– Cuidarei. Sempre – então Alfred pegou as mãos dela e levou à boca dando um beijo suave e cavalheiro antes de se levantar
– Vou me retirar e deixá-los a sós em seu jantar, porém o que precisar não se importe de me chamar em meus aposentos – ela assentiu – Desejo um ótimo encontro e jantar para os dois e sinta-se à vontade para conhecer a mansão enquanto a patrão não chega. Com licença.
– Obrigada Alfred – ela sorriu carinhosamente enquanto o mordomo se dirigia para o seu quarto
Diana então resolve andar pela casa enquanto seca as lágrimas e dava um jeito em sua maquiagem borrada, até que encontra algo no corredor que chama a sua atenção, a enorme foto de um homem que se parecia muito com o Bruce e ao lado uma linda mulher que tinha os mesmos olhos cinzentos de seu homem. Ela pensou e percebeu que esses só podiam ser seus falecidos pais. Ela entra no escritório para visualizá-los mais de perto.
Diana apenas reparou aquele olhar dos dois, um olhar de felicidade, um olhar apaixonado, um olhar de bondade. Era algo contagiante, ela só imaginava como esse casal se amava e amava aquele menino que tinham juntos, tanto quanto ela o amava. Não resistiu e as lágrimas voltaram a rolar pelo seu rosto, até que sentiu dois braços fortes a abraçarem por trás o que a assustou por um momento e depois a acalentou, a deixou segura. Ela de dissolveu nos braços de Bruce e deitou sua cabeça no ombro do namorado e ficaram por alguns minutos no silêncio apenas olhando para aquela imagem enquanto Diana escutava os batimentos cardíacos de Bruce e ela a sua respiração. Bruce então se inclinou e beijou o pescoço da namorada, e depois depositando beijo em sua face para secar suas lágrimas e sussurrou e seu ouvido:
– Não chore meu amor – aquela voz que sempre fazia seu corpo a trair
Bruce beijou leve a têmpora da princesa e Diana apenas deu um leve sorriso e continuou olhando os pais de Bruce por um tempo, até que ele fala novamente
– Acho que já conheceu Thomas e Martha Wayne, meus pais – ele sorri, também se sente emocionado e ao mesmo tempo acalentado com a emoção de Diana
– Sim, e estava olhando a foto e percebi como você se parece com eles – ela sorri – também estava agradecendo pelo filho maravilhoso que fizeram
Bruce beija os negros cabelos da princesa com essa declaração, sorri e olha para a foto dos pais que tanto ama e que se foram tão cedo e de forma tão trágica.
– Eu queria que você os tivesse conhecido, eles iam gostar muito de você – ele sussurra em seu ouvido
– Eu também gostaria de tê-los conhecido – Diana diz quando levanta sua cabeça para olhá-lo nos olhos e enxergando o amor e ao mesmo tempo a tristeza por trás deles. Ela esticou o seu rosto e o beijou ternamente, o beijou com todo o amor que estava em seu coração, de forma delicada e apaixonada. E quando se separam quis mudar de assunto para tentar dar fim àquele momento triste.
– E então? O que o Dick falou? – perguntou corando
– Ele só deixou a investigação do coringa que ele começou, mas eu ainda não as estudei... – então ele é cortado pela risada dela
–Não meu amor, eu estou falando sobre a gente – ela sorriu
– Ah tá, ele disse que estava muito feliz por nós – Bruce sorriu de volta e deu um leve beijo em Diana
– Que bom – ela sorri e então o beijou novamente, porém dessa vez ela se vira de frente a ele e passou seus braços pelo seu pescoço enquanto aprofundava o beijo, estava se tornando intenso, apaixonado e quente, e Bruce sabia que se continuassem assim eles não iam terminar em uma mesa de jantar, mas sim no quarto principal da mansão, assim ele se separou e disse:
– Acho melhor irmos jantar antes que ele esfrie e depois...podemos partir para a sobremesa – ele riu e beijou o ombro desnudo dela
– Hum...estou ansiosa pra sobremesa — ela riu maliciosamente e o puxou para a sala de jantar
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O casal estava na enorme mesa jantando de frente para o outro, a cozinha de Alfred dispensa comentários de tão deliciosa. Diana nunca havia experimentado um jantar tão gostoso e tão bem acompanhada. A cada garfada que Diana saboreava ela soltava um gemido de prazer, aquele sabor era indescritível. Depois de algumas garfadas, Bruce não aguentou e sorriu pelo comportamento da princesa.
– Princesa, se você continuar gemendo desse jeito, eu não vou conseguir terminar o jantar e te arrastarei direto para o meu quarto – ele lhe deu um sorriso malicioso.
– Não antes de eu terminar essa refeição maravilhosa de Alfred – ela piscou para ele enquanto levantou sua perna por debaixo da mesa e arrastou pela perna dele que quase engasgou com o vinho que estava tomando.
Diana recolheu a sua perna e viu que aquele era o momento para ela e Bruce conversarem seriamente.
– Então Bruce, eu vi algo hoje, mas não sabia como falar para você – então Diana soltou sua taça na mesa se virou e pegou o mesmo jornal que Shayera tinha lhe dado, e entregou para Bruce – acho que somos a reportagem de capa.
Bruce abriu o jornal e leu atentamente e depois olhou para a foto e sorriu.
– Realmente formamos um belo casal – ele sorriu, mas Diana continuou com uma expressão séria
– O que devemos fazer? – ela perguntou preocupada ignorando a piada dele
– Nada – ele respondeu tranquilamente e bebericando seu vinho
– Nada? Mas como assim? – Diana estava extremamente confusa
– Diana, nós não podemos desmentir, porque é verdade, e um dia nós iremos contar a eles – ele segurou a mão dela por cima da mesa – o que devemos fazer é ficarmos quietos e deixar abafar o caso, e eles também logo esquecerão quando outra fofoca mais interessante for primeira página, vamos fingir que nada aconteceu até estarmos prontos para assumir em público, tudo bem? – ele piscou para ela
– Tudo – ela apertou a mão dele – Ah e tem outra coisa – ela pigarreou e continuou – por favor, não leve a sério as provocações do Tresser, não ligue para ele, porque ele só quer me provocar...
– Não Diana, ele não quer te provocar, ele quer te possuir. Foda-se, se ele tentar alguma coisa novamente... – os olhos de Bruce brilharam de pura raiva
–Amor, eu sei me cuidar, só peço que tente controlar o seu ciúme, se não... – ela riu
– Eu sei, todos irão descobrir nosso segredo – ele suspirou e ela concordou – mas eu também vou manter o olho sobre ele, não o considero uma pessoa confiável e não descarto a possibilidade dele ser ou ter alguma ligação com o infiltrado na torre.
Diana respirou fundo a assentiu, não queria discutir, confiava em Bruce e sabia o que ele estava fazendo, mesmo se ele estivesse sendo movido pelo ciúme, também não queria discutir. Então ela tomou o resto do vinho em sua taça e se levantou. Quando chegou a frente dele, o puxou pela mão fazendo-o se levantar.
– Aonde vamos princesa? – Bruce perguntou confuso
– Para o quarto – disse espontaneamente o arrastando
– E você não vai querer comer a sobremesa feita por Alfred? – Bruce perguntou afinal ela sentia tanto prazer com a refeição do mordomo
– A sobremesa que eu quero é outra – ela piscou para ele enquanto o puxava escadaria acima.
CONTINUA...
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