O Horror De Bloody Hill
1 Prólogo — Terror Noturno
Notas iniciais
Boa leitura! ^^
A noite caiu penumbrosa, não havia sequer a luz da Lua para quebrar a escuridão, já que nuvens espessas de chuva cobriam todo o firmamento preludiando a tempestade que chegaria por certo.
A vila nas redondezas havia recolhido-se um pouco mais cedo que o normal. Seus residentes, a aquela altura da madrugada, dividiam leito em torno de fogueiras ou fornos flamejantes, oscilando segundo a estrutura das casas. O vento ululava do lado de fora como um lobo faminto em plena Lua cheia, causando arrepios na mais brava alma destemida. Era uma noite amaldiçoada segundo as superstições, por isso os velhos se benzeram antes de deitar e os mais novos se encolheram sob seus cobertores. Ninguém ousara sair. Ninguém, exceto um.
De um beco escuro e fétido, cambaleante, saiu uma sombra esguia que logo se revelou ser um jovem. Cabelos escuros emaranhados e olhos castanhos, arregalados por pura adrenalina que corria em suas veias, usava roupas dignas de um cavalheiro mas que agora jaziam amarrotadas e denunciando a noite de diversões e bebedeiras.
— Deixe-me! — gritou ao vento.
Olhava para trás a todo instante como uma caça em fuga. Parecia perturbado, por isso procurou sair dali, entretanto a embriaguez não o permitia tomar decisões corretas, apenas seu inconscientemente instinto que o guiava cegamente entre a escuridão, rumo ao pé de Bloody Hill.
— Não deveria ter abandonado — choramingava puro arrependimento. — Vadio! Tolo fui, tolo sou!
Uma faísca gélida percorreu sua espinha, os cabelos da sua nuca arrepiaram-se, se sentiu vigiado como se olhos famintos estivessem sobre si. O vento mudou seu curso, soando como espectros atormentados. O rapaz, por impulso, olhou para o chão.
Aos seus pés uma imponente sombra ergueu-se, engolindo sua trêmula silhueta até não se ver mais a forma do esguio rapaz.
Seu coração ecoava longe engatado na garganta, era incapaz de de se virar, parecia estar plantado no chão, seus pulmões se afogavam no próprio medo, podia sentir seus poros inundados de hematidrose. Ninguém poderia salvá-lo. Ele conhecia as lendas, porém fizera-se de ignorante quanto a elas, agora reconhecia que era tudo verdade. Rezou para a primeira entidade que lhe veio à mente.
Fora um vadio a sua vida inteira, descompromissado com sua família, com a vida e com Deus. Sabia que era hora de pagar por seus pecados.
— Sou réu e culpado.
Numa fagulha de heroísmo girou os calcanhares, olhando o que sua mente classificou como a personificação de todo o mal que fizera e que ainda faria em sua vida. Viu seu fim. Arrependeu-se profundamente, quis fechar os olhos, mas pareceu-lhe travados. Desejou correr, fugir, morrer. O último desejo lhe foi concedido.
Então um grito doloroso ecoou longe, sendo antecedido pelo canto da rasga mortalha. Em seguida, a noite incômoda foi preenchida pelo mais denso silêncio. E então o rapaz calou-se para sempre.
Notas finais
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