O Homem Invisível
7 Infância Eterna
Notas iniciais
- É fato: ninguém sabe do que realmente precisa até encontrar. É uma necessidade básica de todo ser humano, ser encontrado, ser amado. Ser amado e amar, eternamente. Costumamos fazer promessas de amor eterno pra aquela pessoa que você conheceu aquela noite numa mesa de bar, altas horas da madrugada. Planos eternos que transcendem à própria vida, a mesma vida que abrimos mão para ser alguém através daquela que amamos, através dos seus olhos, da sua pele, do seu gosto. Buscamos sempre a vida eterna, a infância eterna, o amor eterno, e nos enganamos, tolos. Não existe fórmula mágica para a eternidade em nada. Estou sendo chato?
As pessoas olharam pra mim, olharam em volta, pegaram suas bebidas e saíram.
Estava no bar do aeroporto, onze e quinze da manhã, vôo atrasado, mala despachada, aguardando a chamada: Suíça.
Atrasado.
O gelo do meu uísque já tinha derretido, chamei o garçom, que não me parecia estranho.
- Duas pedras de gelo, por favor.
Fiz cara que iria falar com ele, que de imediato tornou a atender outras pessoas que chegavam pra pedir suas bebidas.
Suíça.
Levantei-me com meu casaco enrolado em um dos meus braços e meu copo de uísque na mão.
Cheguei ao guichê de informações, tentei perguntar pelo vôo, se havia alguma previsão, mas não fui ouvido.
Sentei-me rodeado de pessoas que estavam na mesma posição que eu, Berlim, e espero.
Se eu não sabia o que procurava, também Angelina não sabia quando me encontrou.
Um homem invisível, solitário. Um homem disposto a amá-la, a tornar-se alguém ao ouvir um sussurro, ao dizer simplesmente “Você não esta mais só e eu não me sentia mais só por simplesmente saber de sua existência. Procurava a eternidade ao seu lado, mas a única coisa que será eterna é essa marca que hoje existe dentro de mim”.
O amor de Angelina criou em mim algo que às vezes dói, às vezes traz uma boa lembrança. E acredito que meu amor também deixou uma marca dentro dela.
Vivemos racionalmente, amamos incondicionalmente. E irracionalmente nos separamos, marcando nossos corações com cicatrizes que ficam pra sempre.
Meu vôo finalmente foi chamado. Em poucos minutos, uma fila se formou em frente ao mesmo guichê onde antes parei pra pedir informações.
Deixei o copo de uísque numa mesa onde ficavam cinzeiros e jornais lidos. Coloquei o casaco e retirei o ticket do bolso. Esse era meu vôo, diferente dos últimos que tinha feito, aqueles que eu fazia quando ela segurava firme em minha mão e íamos pra bem longe, para um lugar só nosso, e que nunca mais seria visitado novamente.
A fila andava devagar, um princípio de confusão com uma pessoa que tentou furar a fila e que se dizia autoridade.
Preferia que a fila andasse mais devagar, não queria entrar naquele vôo porque esperava que, de algum lugar, Angelina viesse correndo, me abraçaria e pediria que eu não partisse, pois ainda me amava, e muito.
“Meu coração é seu, Angelina, mas sei que não virá. Seu amor está aqui, guardado dentro de mim. E permanecerá assim."
Palavras do homem invisível.
FIM
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