O Homem De Duas Vidas
1 PRÓLOGO
PUFF
Tudo começa com um tiro. Ou eu deveria dizer: tudo termina com um tiro?
Há pessoas que viveram algumas dezenas de anos, outras viveram apenas uma e há até mesmo outras pessoas que viveram a metade disso. Mas na verdade, se pararmos para pensar, não importa o quanto tempo vivemos, e sim o que NÓS fizemos enquanto vivos. Você pode viver sua vida de forma medíocre ou de uma forma interessante, você pode viver pouco tempo e fazer história de tal modo que seu nome resistirá por gerações! Ou se não, que tal viver uma vida de cem anos com uma rotina rotulada? Sim! Exatamente aquelas rotinas comuns como pelo menos 70% das pessoas vivem. E então, , mesmo depois dessa falácia, sua perspectiva não pode mudar por um simples fato: você quem está no comando!
Quando você para pra pensar, você está pensando. Pensar lhe permite fazer escolhas e tomar decisões importantes na sua vida. Mesmo que seja por um caso medíocre, mesmo que seja por uma coisa insignificante, é a SUA escolha. Então, eu deveria dizer a você: quando estiver escrevendo a sua história, não deixe que peguem a sua caneta e termine ela para você.
Mas há um caso irreversível que pode nos levar a morte: no meio disso tudo, nós esquecemos do tiro.
PRÓLOGO — Paradoxos repentinos
– Cara, você bebe demais. – no bar.
– Eu tenho uma teoria sobre isso. – falei.
– Um bêbado com uma teoria? Haha! Essa eu quero ver, diz aí.
– Sabe, eu fui criado na igreja, claro que isso é forma de falar. Minha mãe sempre me dizia: “Oliver, você deve ir para a igreja servir Deus, pois em breve nosso senhor Jesus voltará a Terra para salvar todos nós.” Lógico que você já sacou que eu era praticamente obrigado a ir pra igreja.
– Ah, claro. Comigo também foi assim. Com a maioria, eu acho. Hehe. Mas o que isso tem a ver com o fato de você ser um bêbado?
– Cara, cara... isso é bem simples. Um dia eu estava indo pra igreja com a minha mãe e vi um bêbado rodeando pela rua mexendo com todo mundo, cê sabe, coisa de bêbado.
– Sim, eu sei, coisa que VOCÊ faz! – ele riu da minha cara. Qual o problema de beber um pouquinho às vezes?
– Cala-se meu fio, você não sabe de nada. MAS, a questão é que no dia seguinte após esse ocorrido do bêbado eu perguntei pra minha mãe: Mãe, a bebida é nossa inimiga? E ela respondeu que sim. E é isso. Rolou que alguns dias depois eu vi na bíblia que Jesus havia dito para amar nossos inimigos. – dei a ultima golada na caipirinha que restava em meu copo. — Garçom, mais uma rodada porque hoje eu to que to pra amar meu inimigo! – bati o copo no balcão.
– Calma, calma. Isso é sério? – Jason pareceu se engasgar com a bebida devido as risadas escrotas que ele deixava escapar. Era engraçado. –Meu Deus! Mas se parar pra pensar isso faz sentido mesmo. Ta aí! Um ótimo argumento pra minha mulher que tanto me critica quando eu bebo. Imagine se ela tivesse um marido como você que bebe desse jeito.
– Pare de história, eu nem bebo tanto ass-
– POR FAVOR NÃO FAZ ISSO – repentino demais. Eu ouvi um estrondo das janelas se quebrando no mesmo tempo que um barulho de tiro. E quando eu parei para olhar – juntamente a todos do bar que olharam assustados, tudo havia sido gerado por um homem de aproximadamente 1,70 com uma arma na mão e uma máscara típica de um assaltante.
Se você estivesse no meu lugar eu presumo que você teria algumas reações típicas. Como por exemplo, ficar desesperado com um baita medo de morrer ali, em um simples dia que você sai com os amigos para beber um pouco. Você também na minha situação poderia pensar somente em sair dali, oferecer o que o assaltante quisesse e se ver livre disso tudo. Realmente, havia muitas coisas em que qualquer pessoa poderia resistir a tal fato.
Mas naquele instante, eu só conseguia pensar em uma coisa: Que diabos de tipo de pessoa assalta um bar?!
Veja bem, em um bom bar há algumas dezenas de pessoas e uma montoeira de garrafas de vidro por todo lado. Bastava você, que estaria assaltando um bar sozinho, virar as costas para alguém apunhalar sua cabeça com uma das garrafas. O cara simplesmente iria acordar na prisão. Mas a pior parte era que nós podíamos ver claramente que ele era um amador. Sua mão tremia, e a arma visava qualquer um que movesse um membro sequer do corpo. Minto, ainda não era a pior parte. Mas diante de um amador nervoso naquela situação, fazer algo precipitado lhe arrecadaria um bom tiro.
– Ei, vocês aí, coloquem todos os pertences nesse saco agora! – disse ele apontando a arma para um grupo de jovens. Delicadamente eles cumpriam com a típica ordem.
Eu estava tranquilo, eu precisava estar tranquilo. Mas Jason parecia não estar, esse era o grande problema. Seu desespero passou ser evidente quando o assaltante veio na direção do caixa, e nós estávamos exatamente sentados no balcão em frente à mesma. Antes que ele olhasse na minha direção, eu peguei meus pertences e coloquei-os sobre a mesa para evitar qualquer tipo de coisa vinda daquele pobre.
– Eu não posso morrer aqui cara. Eu não posso! Minha mulher não sabe que eu vim para o bar, se ela receber a notícia que eu morri, eu morrerei decepcionando ela por ter mentido. – Realmente Jason sempre fez esse tipo, medroso e com medo da própria mulher.
– Fica calmo velho, só não se precipite.
– Vo-vocês!!! Passa celular, carteira, passa tudo se não eu vou atirar! PASSA TUDO!
Jason levantou as mãos repentinamente.
– Por favor, pegue o que quiser, mas não faça nada comigo! – idiota! O assaltante apontou a arma pra ele.
– NÃO SE MEXE PORRA! PASSA A DESGRAÇA DA GRANA!
– Calma! Meus pertences estão aqui em cima do balcão cara. Fica tranquilo, não faça nada que possa acarretar em um fato que mude sua vida para sempre. – eu precisava desviar o foco dele, fazer isso e mexer com seu psicológico seria dois coelhos mortos em uma tacada só.
Eu olhei para os meus pertences, Jason desesperado estava sentado no banco ao meu lado. E quando eu falei com o assaltante, aquele amador que ainda tremia, olhou para os meus pertences e levou sua mão canhota até eles. Tudo estava se encaminhando muito bem. Até que Jason...
PÁ! – um estouro representante da morte. O som pareceu me deixar surdo por alguns segundos e quando eu olhei para o lado, Jason estava ali, caído no chão com os olhos arregalados, sua camisa estava encharcada de sangue e sua mão segurava uma carteira.
– IDIOTA! EU HAVIA DITO PRA NÃO SE MEXER, DROGA. – berrou aquele infeliz.
Eu estava em choque. O assaltante pareceu correr desesperado e as pessoas gritando para pegar ele. Mas tudo que eu enxergava era meu melhor amigo, ali, com um tiro no peito, esparramado pelo chão enquanto soluçava sangue.
– Droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, Jason não se mexe! Fica comigo cara, fica comigo! – eu só pensei em correr e me jogar de joelhos na frente dele na tentativa de socorrê-lo.
Seus olhos tristes fitavam os meus. Pensar que seu medo estava se tornando real me fazia entrar em desespero. Medroso, MEDROSO!
– Jason!
– Droga, Ol-iver cof* cof*... Minha... mulher.. vai me matar. – ele sorriu. Mesmo com seus olhos afundados em tristeza. Sorriso esbanjado em ironia. Expressão que nadou em medo, mas que agora pairava sobre a paz. Meu melhor amigo. Vulgo Jason.
– Jas... – seu suspiro de vida havia ido embora. – -son...
Vinte e oito anos, empresário sucedido, havia medo de sua própria mulher, e uma filha que o esperava em casa.
Aproximadamente 10220 dias vividos. Montanhas de histórias para contar, milhares de histórias para fazer. E tudo havia acabado ali, com um som, com um ato, com um dia, com alguns minutos. COM UM TIRO.
Morto apenas por ter retirado repentinamente a carteira de seu bolso diante de um assaltante.
Ele era apenas um homem que saiu com seu amigo para se divertir numa mesa de bar.
Incrível, não? Mesmo com 10220 dias vividos, tudo foi para os ares com apenas alguns minutos.
Essa é a primeira vida. Essa é a injustiça.
Notas finais
Talvez eu continue e tal, vamos ver se ganho inspiração. o/
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