O Herdeiro do Sol
1 Problemas em Casa
Notas iniciais
BOA LEITURA
Deuses e monstros, era somente naquilo que ele pensava, durante os primeiros 14 anos de sua vida, ser um semideus era uma coisa muito normal. Olhos azuis e cabelos loiros, dislexia e hiperatividade para compensar, no mundo mortal, era tido como um problema, muito inteligente, mas um problema, mas em seu mundo, se destacava como o líder de um chalé em um pequeno acampamento escondido em Long Island.
Ser um semideus naquele tempo não havia ficado mais fácil, desde que os heróis do Olimpo haviam salvado a terra de Gaia, e praticamente se “aposentado” das missões, o acampamento meio sangue, ou os gregos, como preferirem chamar, viviam na sombra de um herói quase inalcançável, Percy Jackson.
Sua filha com Annabeth Chase, Bianca, havia escolhido os romanos para fugir um pouco da “tradição da família”, enquanto o filho mais novo, Luke ainda era um recém nascido. Aos poucos, o mundo se dava conta que os talentos daqueles sete heróis iam muito além do combate, Annabeth se tornou a célebre arquiteta famosa mundialmente, Percy Jackson virava um oceanógrafo reconhecido no país, e Jason Grace era o marido de uma das melhores atrizes daquela geração, Piper McLean.
De certa forma, tudo ia bem tanto no mundo mortal, quanto no estranho mundo mitológico, e Connor Delacour parecia acostumado a uma vida entre os dois mundos, indo e voltando Reading, onde sua escola humana ficava, para passar as férias no acampamento meio-sangue.
Lá, era o líder do Chalé 7, e aos poucos começava a pensar em seu futuro profissional, tentando sempre não ser morto pelos monstros que insistiam em atacar o britânico.
Aquele dia, quando se pensava que nada estranho poderia ocorrer, começou de forma normal, quando o sol bateu nas janelas do chalé 7, cerca de 5 crianças e outros 9 adolescentes acordaram no mesmo instante. Todas com os mesmos olhos do pai, Connor, até então com 14 anos completados antes da ida ao acampamento era o mais velho e por isso o líder do chalé. Aos poucos, com a cabeça já funcionando, as primeiras ordens foram dadas e o chalé se encontrava arrumado em poucos minutos.
Assim, ao lado de seus irmãos, eles partiram para a casa grande, onde o café da manhã seria servido. Connor sempre se sentou na cabeceira da mesa, ao lado de sua irmã de 13 anos, Angelica, vinda do Brasil e de seu outro irmão, Mario, o filho de uma modelo Italiana. Servindo ovos e bacons, o semideus ouviu os filhos de Ares reclamarem de quem viria a esta noite ao acampamento.
— Ártemis e suas caçadoras! – Reclamou o filho de Ares – Novamente vamos ter que hospedar essas garotas! –
A mesa do chalé de Ares não parecia nem um pouco feliz com aquilo, visto que das últimas vezes que as caçadoras de Ártemis estiveram no acampamento, o chalé do deus da guerra havia sido destruído no mínimo seis vezes, o que dava as caçadoras o ódio mortal dos filhos do Deus da Guerra...
— Que legal... Nossas Primas... – Reclamou Mario
Primas no sentido figurado, Ártemis era virgem e “adotava” semideusas e mortais que quisessem dar as costas ao amor e viver altas aventuras com ela, num clima de muita azaração. Mas como ela era irmã gêmea de Apolo, logo suas “adotivas” eram consideradas primas por grande parte do chalé de Connor.
— Relaxa, Ártemis está bem mais generosa com Apolo... Da última vez até elogiou um de nós... – Comentou Angelica
— Elogiou Connor pois ele foi capaz de ganhar de suas garotas no arco e flecha, somente por isso... E de certa forma não foi nem um elogio foi um “Muito bom, para um menino”. – Comentou Mario – Essa foi nossa única vi tória contra elas ano passado, e sinceramente, eu gostaria de ganhar delas esse ano em tudo! –
— Com essa geração de mongoloides? Sabemos que as Caçadoras tem muito mais treino que nós, além disso, sabemos que as vezes Ártemis da uma “forcinha” para elas! – Riu Angelica
Connor olhou para os dois e depois encarou Quíron, o centauro parecia preocupado, como se alguma coisa o estivesse aborrecendo.
E de certa forma estava, fazia algum tempo que uma caravana de semideuses e legados romanos havia sido enviada para o acampamento, e era para eles terem chegado no último sábado. Faziam três dias que ninguém tinha notícia da Pretora (líder do acampamento grego) Bianca Chase Jackson e ou de seus soldados, aquilo começava a preocupar Quíron.
Ignorando aquilo, o garoto foi para suas aulas, instruindo os mais novos em arco e flecha, treinando espada com os filhos de Atena e sendo o curandeiro da enfermaria do acampamento, no fim um dia normal no acampamento meio sangue.
Com o desaparecimento do Sol e o surgimento da Lua, o clima se tornou um pouco mais ameno, enquanto aguardavam ao redor da fogueira, os filhos de Apolo cantavam canções de acampamento, entre elas a popular “Leo Valdez tinha um dragão”, embora Connor tivesse uma excelente voz, ele não gostava muito de cantar, e preferia deixar aquilo com seus irmãos, visto que Angelica era uma cantora Pop no Brasil.
Quando uma pequena matilha de lobos brancos apareceu no topo da colina meio-sangue, a música parou, todos sabiam que as convidadas haviam chegado, e com elas, uma divindade, Ártemis descia a colina calmamente, acompanhada de mais ou menos 40 garotas. Quíron se levantou para receber a deusa, enquanto os semideuses se entreolharam, sem saber como receber as garotas.
— Está ali! – Apontou Ártemis para Connor quando chegou sem fazer nenhuma saudação a ninguém
Connor olhou diretamente para a deusa, enquanto as caçadoras se armavam com arcos e flechas prateados. Quíron, temendo o que estava acontecendo, se colocou entre o garoto e a deusa.
— Minha deusa? – Perguntou o centauro
— Espião! – Acusou Ártemis – Antes de vir para cá, fomos investigar o que havia acontecido com o comboio do acampamento júpiter, refizemos a rota e achamos algo interessante... Os carros desapareceram, mas pareceu ter havido uma batalha próxima ao local. Achamos isso na cena, estava quebrada! –
Ártemis alcançou para Quíron dois pedaços do que parecia um graveto de maneira esculpida, os olhos de Quíron revelaram o terror, ele olhou para Connor com receio, enquanto o garoto se esforçava para saber o que havia acontecido.
— Ártemis! Eu não fiz nada! – Falou Connor assustado
A deusa suspirou e olhou para ele, ela continuava tendo a aparência de uma garota de 12 anos, com olhos prateados que pareciam refletir a luz da lua.
— Não posso ter certeza meu sobrinho! Estou aqui para lhe levar sob custódia para o Olimpo, este tempo todo sabíamos que eles existiam! Convivemos em paz neste país, espero que este não seja o início de algo ruim! Delacour, peço que venha comigo ao Olimpo sem resistir, se não irá ser pior para você! –
Connor deu alguns passos para trás e procurou ajuda com seus irmãos e seus amigos, mas nenhum deles pareceu se mexer, suspirou e encarou a deusa.
— Eu vou com você! –
Ártemis fez sinal de afirmativo com a cabeça, e as Caçadoras baixaram as armas, Connor se aproximou da deusa e os dois começaram a subir a colina em direção a saída do acampamento. Olhando para trás uma última vez, o semideus engoliu em seco, não sabia se voltaria a ver seu lar na América do Norte.
Notas finais
Até a próxima!!!
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