​O motor do carro esporte ainda estalava pelo calor da viagem em alta velocidade quando Leo saltou do veículo, contornou a frente e abriu a porta do passageiro com um solavanco. Maya estava com o rosto banhado de lágrimas, mas seus olhos brilhavam com uma fúria que não se apagava.

​— Sai do carro, Maya. Agora — ordenou Leo, a voz gélida, destituída de qualquer traço da doçura que ele costumava mostrar a ela.

​— Você é um monstro, Leo! Você me humilhou na frente de todos! — ela gritou, recusando-se a se mover.

​Sem dizer uma palavra, Leo a pegou pelo braço e a puxou para fora. Ele a arrastou pelo hall da mansão, ignorando os olhares surpresos dos funcionários noturnos. Ele não parou até chegar ao andar superior, no quarto de hóspedes que ficava na ala leste, longe do quarto da mãe dela.

​Ele a empurrou para dentro e, antes que ela pudesse reagir, fechou a porta pesada de carvalho e girou a chave.

​— Você não pode me trancar aqui! — Maya esmurrou a porta. — Eu não sou sua propriedade!

​— Você provou que não tem maturidade para estar livre, Maya — Leo disse através da madeira, sua respiração pesada. — Enquanto você não entender que cada vez que você sorri para um idiota daqueles, você coloca um alvo nas suas costas e no meu peito, você não sai daqui.

​O Confronto dos Titãs

​Leo se virou e deu de cara com Julian. O pai estava parado no fim do corredor, os braços cruzados, a expressão ilegível, mas a aura de perigo que ele emanava era suficiente para fazer qualquer homem recuar. Menos o seu próprio filho.

​— O que você pensa que está fazendo, Leo? — Julian perguntou, a voz baixa e perigosa.

​— O que você faria, pai. Protegendo o que é meu — Leo rebateu, aproximando-se de Julian até que os dois homens ficassem peito a peito. — Ela estava com um estranho. Ele tocou nela.

​— Ela tem dezessete anos, Leo. Ela tem o direito de cometer erros. Você não tem o direito de tirar a liberdade dela — Julian deu um passo à frente, sua voz subindo de tom. — Você está cruzando uma linha que eu levei anos para consertar nesta família.

​— Você me ensinou a ser um Rossi! — Leo rugiu. — Você me ensinou que nós protegemos o que amamos com tudo o que temos. Eu não vou deixá-la ser destruída por esse mundo só porque você decidiu ficar mole na velhice.

​O silêncio que se seguiu foi cortante. Julian olhou para o filho e viu o próprio reflexo, mas sem a temperança que a dor lhe trouxera. Leo era o Julian de vinte anos atrás, mas com o sangue implacável de Marco Rossi correndo mais forte nas veias.

​A Voz da Razão

​Isadora apareceu no topo da escada, observando a cena. Ela não gritou. Ela caminhou até a porta onde Maya continuava a gritar e bater.

​— Leo, dê-me a chave — disse Isadora, estendendo a mão.

​— Mãe, não se envolva — Leo avisou.

​— Eu disse: dê-me a chave. Agora. — A autoridade de Isadora era absoluta. Ela era a única pessoa capaz de domar os dois homens naquela casa.

​Relutantemente, Leo entregou a chave. Isadora destrancou a porta, mas não deixou Maya sair. Ela entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, deixando pai e filho sozinhos no corredor, envoltos em uma tensão que prometia que nada mais seria igual naquela mansão.