​A porta do escritório de Julian se abriu com estrondo. Leo entrou, furioso, seguido por um Julian que mantinha a calma, mas cujos olhos mostravam uma preocupação profunda.

​— Eu vi vocês no cais, Leo — Julian disse, sentando-se atrás da escrivaninha. — Afaste-se dela.

​— Você não pode me dizer o que fazer, pai! — Leo gritou. — Você e a mãe... vocês foram muito piores! O vovô quase te matou!

​— Exatamente por isso eu posso falar! — Julian levantou-se, a voz ecoando. — Eu era um homem formado, protegido pela minha própria escuridão. Ela é uma menina, Leo. A filha de uma mulher que confia em nós para dar uma vida digna a ela. Se você tocar nela antes da hora, você não está sendo um Rossi, está sendo um covarde que se aproveita do poder.

​— Eu a amo! — a confissão saiu de Leo como um rugido.

​Julian parou, o olhar suavizando-se por um breve segundo antes de voltar à rigidez.

— Então prove. Espere. Proteja-a de si mesmo. Se o seu amor for real, ele sobreviverá ao tempo. Mas se eu te vir perto do quarto dela à noite novamente, eu mesmo te mando de volta para Londres, e desta vez, sem o nome da família.

​Leo saiu do escritório batendo a porta, sentindo o peso da proibição. Ele era o herdeiro das sombras, e agora entendia que a maior luta de um homem não é contra os inimigos externos, mas contra o desejo que queima a própria honra.