O Herdeiro das Sombras- Livro 2- Os Vanne Rossi
10 Capítulo 11: O Retorno do Herdeiro
O portão da prisão de segurança mínima se abriu em uma manhã nublada. Leo saiu com apenas uma bolsa nos ombros. Seus cabelos estavam mais curtos, e sua expressão carregava uma maturidade gélida. Ele fora recebido por Julian na porta. O abraço entre pai e filho não precisou de palavras; o perdão estava ali, no aperto de mão firme.
Ao chegar na mansão, o comitê de boas-vindas estava no jardim. Isadora o abraçou com lágrimas nos olhos. Elena, agora uma adolescente de quinze anos, correu para os braços do irmão, chorando de alegria.
Antes que ele pudesse entrar na casa, Dona Rosa o parou perto da varanda.
— Leo — ela disse, com a mesma voz firme de anos atrás. — Você pagou o seu preço. O menino que saiu daqui não existe mais, e a menina que você deixou também não.
Leo olhou para ela, confuso.
— Onde ela está, Rosa?
— Ela está no haras. O cavalo predileto do seu avô está dando trabalho. Mas escute bem, Leo: não chegue nela como o dono. Chegue como um homem que aprendeu a esperar. Ela agora caminha com os próprios pés.
Leo caminhou em direção ao haras, o coração martelando contra as costelas como se estivesse em uma cela novamente. Ao entrar na cocheira principal, o cheiro de feno e couro o atingiu.
Ao fundo, uma mulher estava de costas, examinando a pata de um garanhão negro. Ela usava calças de montaria e uma camisa branca com as mangas dobradas. Quando o cavalo relinchou, sentindo a presença de um estranho, ela se virou.
Leo parou. Maya estava deslumbrante. O rosto infantil dera lugar a traços decididos, e o olhar que antes tinha timidez, agora tinha uma força que o desafiava.
— Você demorou, Leo — ela disse, com a voz agora madura, profunda e sem medo.
Ele não avançou. Ele ficou parado na luz que entrava pelas frestas do teto, um homem livre, mas ainda cativo daquele olhar.
— Eu precisei aprender a ser digno de você, Maya — ele respondeu, a voz rouca. — Eu ainda estou na minha cela?
Maya caminhou lentamente em direção a ele, parando a apenas um passo de distância. Ela não era mais a menina de dezessete anos; ela era a veterinária, a mulher que cuidava da vida. Ela estendeu a mão e, desta vez, não foi ele quem a segurou; foi ela quem tocou o rosto dele, sentindo as marcas do tempo.
— A porta está aberta, Leo. Mas desta vez, você entra apenas se eu convidar.
O reencontro foi carregado de maturidade, mas a química entre eles é mais perigosa do que nunca.
Fale com o autor