Notas iniciais
Depois de muito tempo voltei a escrever!!! ENEM passou, e minha vida recomeçou. Pretendo compensar o atraso, não se preocupem. Boa leitura!!!

Eu já havia ouvido falar em sonhos muito estranhos dos outros semideuses, mas ter um sonho assim você mesmo é uma coisa assustadora.

Eu estava flutuando sobre as nuvens. Sim, nuvens. Na verdade, eu estava sentado em uma delas.

- Você acha que está pronto para enfrentar a inimiga do seu pai?

Virei-me na direção da voz e vi uma linda mulher, de cabelos prateados vestia com uma roupa de caça feita de couro negro e coberta por uma espécie ornamental de armadura, ferro contorcido na forma de estrelas ocas, uma ligada a outra. Ela estava amolando uma espada, mais ou menos um metro de comprimento, que emitia um brilho prateado. Ao seu lado havia um arco comprido, também prateado, e uma aljava repleta de flechas. Pendurada a sua cintura havia um lira, prateada, com entalhes de animais.

- Quem é você? – perguntei assustado, pois minutos antes eu estava no submundo e agora estava flutuando sobre a terra.

Ela continuou a amolar a espada, sem nem ao menos olhar-me com seus olhos, ora azuis, ora cinzas.

- Você ainda não respondeu minha pergunta.

Levantei-me procurando meu broche e meu anel. Não achei. Procurei minha espada ou minha adaga, também não encontrei. Eu estava completamente desarmado frente a uma mulher ameaçadoramente estranha e que emanava um poder assustador.

- E nem você a minha. – desafiei-a inconscientemente, como que por reflexo.

- Eu posso ser o pior pesadelo de sua vida caso você me importune mais. – ela havia parado de amolar a espada e pousou um olhar severo sobre mim.

Eu tentei falar, mas minha garganta parecia haver travado, o ar parecia não vir até mim. A mulher ergueu-se graciosamente, seus braços demonstravam músculos leves e bem retesados, sua postura indicava o costume do arco, como os filhos de Apolo.

- Perdão, senhora. – eu disse, por medo, ou por respeito – Quem é a senhora?

Ela encostou a ponta da espada no meu pescoço e empurrou a lâmina contra minha pele. Senti que aquele gume estava realmente afilado, com o menor esforço possível ela poderia cortar meu pescoço.

- Responda. Você acha que está pronto para enfrentar a inimiga de seu pai?

- Eu... Eu não sei. Não sei se estou pronto e também não sei o que estou prestes a enfrentar. – falei, com mais medo na voz do que eu planejava.

Ela tirou a lâmina do encontro com a minha pele e deu uma risada.

- Talvez eu tenha errado em lhe indicar para cumprir essa missão.

- Como? — eu não estava mais entendendo nada.

Ela estalou os dedos e a paisagem mudou instantaneamente. Estávamos em uma floresta densa, ainda noite. O local era uma clareira bem pequena, perfeitamente circular, com algumas pedras grandes dispostas ao redor.

- Sente-se. – ela ordenou, ou pelo menos era ordem que o seu tom de voz indicava.

Sentei-me numa pedra de frente para a que ela estava.

- Está vendo essa lira aqui? – ela segurava aquele lindo instrumento prateado. – A que você procura é praticamente igual a essa, mas dourada.

Prata. Lua. Caça. Tudo começou a fazer sentido na minha mente.

- Você é Ártemis?

- Enfim. Talvez você não seja completamente idiota como o seu pai.

Aquilo soou ofensivo, mas não falei nada, pois Ártemis era uma deusa com a fama de não gostar dos homens.

- Seu pai foi enganado por uma inimiga antiga dele, nossa, para falar a verdade. Ela tentou nos matar enquanto ainda estávamos na barriga de nossa mãe.

Tentei lembrar-me do mito do nascimento dos deuses gêmeos, Apolo e Ártemis, mas nada de concreto me veio à mente.

- Orfeu costumava tocar tão bem quanto Apolo. – ela pareceu devanear enquanto falava de Orfeu – Ele foi um dos poucos semideuses homens que me chamaram atenção, mas ele era meu sobrinho e já estava comprometido com Eurídice. Apolo ficou muito chateado quando ele morreu. – sua face assumiu uma serena expressão de dor e pena – De qualquer forma, essa antiga inimiga conseguiu iludir seu pai usando outro semideus e fazendo-o se passar por Orfeu. Apolo, completamente iludido por ver seu filho de volta, esqueceu-se da razão e deu ao suposto Orfeu sua lira, como havia sido dele antigamente.

- Então esse suposto Orfeu trouxe a lira para o submundo?

Ela assentiu.

- E por quê?

- A música de Orfeu foi suficiente para manipular Hades, mesmo que apenas um pouco, a ressuscitar Eurídice. Hades não o fez, pois Orfeu descumpriu o acordo com o deus, então a serpente está usando esse semideus para tentar enganar Hades, mas ela precisa de um filho de Apolo para que a melodia seja tão boa quanto a de Orfeu.

- Seria eu?

- Não sei de nenhum outro filho de Apolo vivo no submundo no momento. A questão é que qualquer filho de Apolo poderia tocar tão bem quanto Orfeu, mas para isso teria que tocar a lira dele, um ato profano para um mortal. A única pessoa que já tocou nesse instrumento, além de Apolo, foi Orfeu. E esse semideus estranho agora.

- Então para quê eu fui mandado aqui se não devo tocar a lira?

- Eu disse para Apolo mandar um filho dele resgatar seu objeto perdido. Ele disse que não sabia qual, então eu indiquei você, um dos mais habilidosos do acampamento. Seu destino está em minhas mãos, eu havia dito isso para sua mãe quando ela fez o que fez.

- Minha mãe? O que ela fez?

Ele balançou a mão, como se aquilo não importasse.

- Eu preciso ir agora. Já interferi demais em sua missão. Procure o fantasma de Orfeu, ele talvez possa lhe ajudar. – ela olhou para mim, agora com um olhar de pena, tal qual o que Rachel havia me dado no acampamento; aproximou-se de mim e tocou minha face – Você é um semideus promissor, — ela puxou minha orelha como os pais fazem com crianças que se comportam mal – não se deixe levar pelas emoções na hora mais difícil, isso pode lhe custar muito caro.

- Mas... – tentei discutir ainda.

Ela estalou os dedos e a paisagem sumiu rapidamente, como um vulto.

Acordei antes de Diana e Pietro. Chamei-os e disse que deveríamos seguir em frente, mas antes de sairmos, falei para eles o meu sonho com Ártemis.

- Inimiga? Serpente? Não sei nada sobre isso. – Diana falou, parecia aborrecida por não saber aquilo.

- E você Pietro? Sabe de alguma coisa?

Ele encarava o chão, sentado como se fosse meditar a mão direita sob o queixo.

- Pietro? – chamei de novo, ele parecia muito disperso.

- Acho que sei que cobra é essa. Ela foi mandada por Hera para matar a mãe dos gêmeos, Leto.

- Matar Leto? – um nome surgiu na minha mente, brotando de uma antiga aula de mitologia com Quíron no acampamento.

- Píton. – Diana conseguiu pronunciar.

Ao som daquele nome o submundo pareceu pressionado. Do caminho que ainda iríamos seguir pudemos escutar um sibilo assustador.

Notas finais
Píton... Aiai, esse nome é tão legal!!! Gostei desse capítulo, talvez um pouco chato por não ter ação, mas ele meio que explica algumas coisas u-u. Até o próximo!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.