O Hellhound e a Banshee - Lydia e Parrish
1 One Shot
Ela gritou.
Foi como se algo tivesse sido ligado em mim, dessa vez era diferente, eu estava acordado enquanto o Hellhound me possuía, não conseguia me controlar obviamente, mas certamente se conseguisse não poderia fazer nada para salvá-la.
Desci os túneis atrás de Lydia, a Banshee a qual eu estava conectado, talvez fosse o lance das mortes ou talvez fosse apenas por sermos nós dois, mas com certeza tinha algo entre nós, comecei a sentir o seu medo cada vez mais perto e corri, Stiles se encontrava na frente da sala e isso ia acabar o matando, então empurrei-o para trás e corri atrás dela. Lydia estava prestes a gritar e isso a levaria a matar todo mundo ali, a abracei bem a tempo e quando ela gritou não senti nada. Nossos poderes combinados criaram uma barreira que protegeu os demais naquele prédio.
Os gritos que ela estava escutando a sobrecarregaram e ela desmaiou, peguei-a nos meus braços e olhei para o ferimento em sua cabeça, nunca tinha visto nada tão profundo desde Afeganistão quando participava do esquadrão de bombas, precisava tirá-la rápido desse local.
Saí do meio da fumaça que tinha sido um efeito colateral e virei-me pra Scott.
— Pra onde? – Perguntei respirando fundo.
Tinha voltado ao normal, nada de hellhound dessa vez.
— Por aqui, venham.
Liam liderou o caminho entre os túneis para onde Mason deveria acabar com o estado de quarentena para que pudéssemos sair.
— Há um portão logo a frente – Liam disse.
— E Mason? – Perguntou Scott.
— Ele está conseguindo, acredite em mim.
Enquanto estávamos no caminho Lydia acordou agitada.
— O que está acontecendo? – Perguntou.
— Plano B.
Liam e Scott estavam discutindo mais a frente, será que eles não podiam parar de discutir e chegar a um consenso logo? É a vida da Lydia que está em jogo, nesse estado ela não vai aguentar muito tempo.
— Liam, vá devagar – gritou Scott tentando o alcançar.
— Liam espere – gritou Stiles ao mesmo tempo.
Pude ver logo a frente um Liam abrindo o portão com sua força de lobisomem.
— Eu te disse – ele falou se gabando.
Stiles e Scott se entreolharam, provavelmente admirados com a audácia do jovem beta, eu tinha que admitir que ele tinha estilo. Apressei-me em passar pelo portão só para descobrir que ainda estávamos nos túneis da Eichon House.
— Sério isso? – Stiles falou – Eu pensei que esse portão nos levaria para fora dos túneis e não para outros – ele deu um soco na parede – precisamos tirar Lydia daqui RÁPIDO.
— Eu geralmente não perco a paciência muito fácil mas nesse caso em concordo com Stiles, Lydia precisa sair daqui e chegar em um médico o mais rápido possível antes que ela entre em colapso e grite novamente.
— Se ela gritar basta você criar aquele escuto, barreira sei lá o que é que você fez mais cedo – Liam falou apontando pra mim.
— Eu não controlo isso. Não poderia fazer novamente. Desculpe-me.
—Só... Se apressem, por favor. – Lydia sussurrou.
Partia-me ver ela assim, tão frágil, machucada e indefesa. Era errado sentir o que sentia mas não podia negar que eu estava perdidamente apaixonado por aquela garota.
— Aqui – Liam gritou.
— O quê?
— Lá em cima – apontou para o ferro – a saída.
— O que estamos esperando?! – falei
Liam foi por primeiro e Scott por segundo.
— Vá na frente, Stiles.
Ele olhou minuciosamente para Lydia que estava nos meus braços.
— Ela vai ter que subir só – segurou na mão dela – você consegue?
— Sim.
Quando chegamos lá em cima Lydia caiu novamente nos meus braços.
— Hey, olhe pra mim okay? Mantenha-se focada.
— Parrish, você pode me prometer uma coisa, por favor?
— Não fale assim tudo bem?
— Por favor.
— Tudo bem – respirei fundo – o que você quer que eu prometa?
— Se por acaso eu der sinal que não vou aguentar mais, você promete que vai me deixar em qualquer lugar que estivermos e levar Scott, Stiles e Liam para o lugar mais longe possível?
— Que ideia é essa Lydia? Nada vai acontecer com eles.
— Não é só eles que eu me preocupo Parrish. Eu me preocupo com você também, por isso me prometa que você vai se salvar se eu começar a gritar.
— Eu posso abafar a capacidade lembra? Nada de mal vai me acontecer.
— Só quando você é o Hellhound, como Parrish você não pode me garantir nada.
— Eu posso ten... – Lydia começou a arfar – Lydia? Lydia foque na minha voz, tudo bem? Você vai ficar bem, nós todos vamos ficar bem.
Ela assentiu fracamente.
— Consegue ficar de pé?
— Sim.
Antes mesmo de eu tê-la colocado no chão direito sinto garras arranharem minhas costas e de repente não consigo sentir partes do meu corpo, olho pra trás e o terror me invade, Tracy está com as garras ameaçando enfiar na barriga de Lydia.
— Desculpe, mas ela vem comigo.
— Okay, Tracy espere – Scott se aproximou devagar – você não sabe o que está acontecendo.
— Eu vou levar ela. Isso é o que vai acontecer, e nenhum de vocês vai fazer nada.
Um cheiro de carne queimada invade meu nariz e consigo ver o corpo dela no chão, olho para cima e finalmente entendo. A mãe de Lydia usou um bastão para derrubar Tracy.
— Alguém pode por favor tirar minha filha desse cafofo?
— Okay, vamos fazer o seguinte – Stiles falou – Scott, Lydia e eu vamos no meu jipe até a clínica veterinária que Deaton certamente deve ter algo que irá ajudar.
— Clínica veterinária? Temos que leva-la a um hospital de verdade.
— Confie em mim senhora – falei pra ela – lá não é só uma clínica.
+++
Quando chegamos à clínica a mãe da Lydia estava desesperada pra ver a filha e eu a deixei entrar sozinha, por mais que me matasse a espera ela merecia um tempo a sós com a filha.
Depois de um tempo Stiles e Scott saíram da clínica com os semblantes menos tensos, podia dizer que estavam até felizes, me apressei pra tirar alguma informação que me fosse útil.
— Como ela está? Está bem? – Perguntei aflito.
— Você pode se acalmar agora Parrish, Lydia está bem, na verdade, ela e a mãe estão te chamando agora – Stiles disse.
Apressei-me em entrar logo, por mais que eles tivessem dito que estava tudo bem eu precisava ver com os meus próprios olhos.
— Lydia. Graças a Deus você está bem –disse sorrindo.
— Eu estou melhor agora.
— Então... Stiles me disse que vocês estavam me chamando.
— Sim, Lydia insistiu que queria que você nos levasse pra casa, depois de tudo o que você fez por ela eu não tenho como agradecer.
— Você não precisa senhora.
— Por favor me chame apenas de Natalie – falou sorrindo.
— Tudo bem, Natalie. E eu vou ficar mais tranquilo indo deixar vocês em casa porque vou saber que chegaram em segurança.
+++
— Você poderia leva-la até o quarto por favor, Parrish?
— Claro Natalie. Onde fica? – Peguntei pegando Lydia que tinha adormecido no caminho nos braços.
— No primeiro andar segunda porta a direita.
— Tudo bem, irei deixá-la e depois eu vou embora.
— Eu vou deixar a chave do seu carro na sala, quando descer você pega.
— Okay.
Subi as escadas com cuidado para não acordar Lydia, abri a porta do seu quarto e a deitei na sua cama, a cobri com o edredom e apaguei o abajur. Quando estava no meu caminho em direção a porta a ouvi sussurrando.
— Parrish? – perguntou sonolenta.
— Sou eu Lydia. Você pode ficar tranquila agora.
— Você que me trouxe pro quarto?
— Sim, mas não se preocupe já estou indo embora – falei abrindo a porta pra sair.
— Fique. Por favor.
— Tudo bem, vou falar com sua mãe e ver se eu posso dormir no sofá.
— Não foi isso que eu quis dizer. Fique aqui comigo.
Pude ver seus olhos verdes me encarando pela frecha de luz que vinha da janela do seu quarto. Fechei a porta e me encaminhei até ela e beijei a sua testa.
— Sempre Lydia. Sempre.
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