O Guerreiro e a Bailarina
1 Capítulo 1
Kenshin, Kaoru, Yahiko e Sanozuke foram até Kyoto visitar a turma do Aoya. Missao os encontrou na estação de trem. No Aoya, um belo jantar fora oferecido por Okina.
Enquanto comiam contavam as novidades. Até mesmo Aoshi juntou-se ao grupo, embora permanecesse calado. Depois do jantar, Kenshin foi conversar em particular com Okina e Aoshi, Kaoru e Yahiko auxiliaram Missao com a preparação dos quartos.
Já o guerreiro, como odiava os trabalhos do lar, resolveu caminhar pelas iluminadas ruas de Kyoto. Lembranças da sangrenta luta contra Shishio tomaram conta de seus pensamentos. Sem que desse conta, acabou por trombar em alguém.
-Desculpe-me. — Falou uma garota enquanto pegava alguns pacotes que caíram no chão.
-Eu é que peço. — Continuou Sano ajudando-a.
O guerreiro atordoou-se com a beleza da garota. A mesma possuía traços europeus, cabelos longos e levemente encaracolados de um negro profundo. Seus olhos caramelados continham uma vivacidade única. Trajava um belo kimono branco com sakuras roxas bordadas; o obi[1] e os outros adereços refletiam a mesma cor das sakuras. Olharam-se por alguns instantes até que a garota quebrou o silêncio.
-Eu preciso ir. Desculpa mais uma vez.
Sanozuke observou-a desaparecer no horizonte. A garota caminhava suavemente como se flutuasse. Sem que percebesse, Sano ainda segurava um dos pacotes da garota. Voltou seus olhos para o mesmo encontrando, bordado em letras púrpuras, o nome da garota.
- Camila... — Repetiu o guerreiro. -Bom, ao menos eu sei o nome dela.
Saiu de seu transe e voltou para o Aoya. Ao chegar encontrou todos dormindo. Encaminhou-se até o jardim onde se sentou para apreciar a lua. Instantaneamente a imagem de Camila veio em sua mente. Estava quase adormecendo quando ouve um pequeno barulho. O pacote de Camila caíra no chão revelando, aos olhos do guerreiro, um estranho sapato. Levantou-se e pegou o estranho ‘sapato\' na mão.
O sapato, ou melhor, dizendo, a sapatilha era rosa bebê. Possuía um elástico localizado no calcanhar e um par de fitas de cetim, também rosa, pendidas uma de cada lado da sapatilha, Era nova, uma vez que o gesso encontrava-se intocado.
-Nossa Sano, o quê é isso? — Perguntou Yahiko.
-Não sei. — Respondeu.
-É uma sapatilha de balé Sano. Você está dançando, é? — Disse Kaoru juntando-se aos dois.
-Mas é claro que não. -Gaguejou o guerreiro.
-O Sano está dançando balé. AHAHAHAHAHA. -Gritava Yahiko.
-Vocês não deveriam estar dormindo? — Exasperou-se o guerreiro.
-Estávamos te esperando. — Comentou Missao juntando-se ao trio.
Sano não respondeu.
-Quem é Camila? — Questionou Kaoru pegando o pacote do chão.
-É... não interessa. — Comentou Sano retirando o pacote da mão da garota.
-O Sano está namorando. — Cantavam Yahiko e Missao
-Ah! Calem a boca! — Bravejou Sano indo dormir em seguida.
Na manhã seguinte Sano saiu antes que mais alguém o importunasse. Refez o percurso do dia anterior com a esperança de encontrá-la. Acabou por desistir um pouco antes do almoço.
-Sano o que está fazendo aqui? — Perguntou Kenshin juntando-se ao guerreiro.
-Eu é que pergunto.
-Oro! Eu fui comprar tofu para o almoço. — Respondeu o espadachim.
Voltaram juntos para o Aoya. Kenshin preparou o almoço e passaram o restante da tarde apreciando o bom tempo de Kyoto. Na hora do jantar, resolveram conhecer a mais nova atração da cidade.
Com a ajuda de Okina conseguiram roupas ocidentais. Kaoru e Missao usavam, agora, vestidos. A primeira trajava um bonito vestido rosa-claro rodado, com um decote em ‘V\', permitindo que seu belo busto ficasse à mostra. A segunda trajava um vestido no mesmo estilo do de Kaoru, com exceção da cor que era azul céu. Os garotos usavam smoking e todos, sem exceção, sentiam-se desconfortáveis.
-Vamos indo? — Sugeriu Kaoru pegando os tíquetes para o musical.
-Vamos logo antes que eu desista. -Comentou Yahiko.
-Agora eu sei como os brinquedos se sentem. -Reclamou Sano.
-Você parece mesmo um brinquedo, Sano. — Brincou Missao.
Seguiram para o teatro. Este havia inaugurado há uma semana e apresentavam o famoso balé russo, baseado em uma história alemã — O lago dos cisnes.
Chegaram juntamente com outras pessoas; algumas importantes e outras simples convidadas. Com a ajuda de um lanterninha[2] encontraram seus assentos. A peça não tardou a começar.
-E ela! — Exclamou Sano ao descobrir que Camila interpretava a personagem principal, Odette.
-O que disse Sano? — Perguntou kenshin.
-Nada não. — Mentiu o guerreiro.
-É a namorada do Sano, Kenshin. -Comentou Missao.
-Já falei que ela não é minha namorada! — Gritou Sano.
-Silêncio Sano. — Repreendeu Kaoru sob os olhares dos outros expectadores.
Assistiam ao espetáculo com atenção. Sano não tirava os olhos de Camila. A bailarina dançava lindamente. A cada movimento Camila flutuava etereamente como se fosse um anjo. Para Sano não havia mais dúvidas: ele estava apaixonado.
Ao final da apresentação Sano tentou, em vão, aproximar-se do camarim de Camila. No entanto, havia tantas pessoas ao longo do trajeto que acabou por desistir.
-Sano, nós já vamos. Você não vem? — Questionou Yahiko enquanto Kenshin chamava uma carruagem.
-Daqui a pouco. — Respondeu o guerreiro.
O grupo, com exceção de Sano, entrou na carruagem. O guerreiro ficou a observar a faixa de entrada do teatro na esperança de ver Camila.
-Boa noite Senhor — Cumprimentou um mercador ambulante. — O senhor não gostaria de comprar uma rosa para uma bela dama?
-Quero sim. Por favor, um buquê desta aqui. — Disse o guerreiro
Acabou por adquirir um ramalhete de orquídeas. Ficou cerca de uma hora na frente do teatro, inutilmente.
-Como seu sou idiota. — Comentou rabugento. — É melhor eu ir embora. — Terminou, depositando as flores no primeiro degrau da escadaria de mármore.
Começou a caminhar de volta para o Aoya. Ao cruzar a esquina ouve um grito. Algo lhe dizia que a voz lhe era familiar. Rapidamente fez o caminho inverso deparando-se de frente para um beco.
Camila saiu do teatro minutos após Sano ter desistido de esperá-la. Por erro do destino, Camila seguiu o caminho oposto ao do guerreiro. Estava tão pensativa em certo guerreiro mau que roubava seu sono que não notou a presença de três homens, embriagados, um pouco mais a frente. Passou por eles sem se importar.
-Aonde você vai, princesa? — Perguntou um dos homens.
Camila, saindo de seu transe, não respondeu a pergunta do homem.
-Sua vagabunda! Eu te fiz uma pergunta. — Gritou o bêbado puxando-a pelo braço.
-Me solta! Seu louco! — Gritou a garota desvencilhando-se do homem e correndo.
Infelizmente, Camila rumou para um beco escuro onde acabou sendo cercada pelos rapazes.
-Ah... -Gritou cobrindo o rosto com a palma das mãos em reflexo ao soco de um dos bêbados.
-Por que não briga com alguém do seu tamanho, seu covarde! — Disse Sano segurando o soco do homem antes que este atingisse Camila.
Esperta, a garota saiu da região do conflito. Sano, vendo Camila fora de perigo, não tardou a liquidar os três em questão de minutos.
-Você está bem? — Perguntou aproximando-se da garota.
-Estou. Mas você machucou sua mão. — Comentou pegando a mão do guerreiro entre as suas.
-Ah, não foi nada.
-Foi sim. — Terminou Camila retirando seu lenço da gi do kimono e fazendo um curativo improvisado.
-Obrigado Camila. — Agradeceu Sano sem jeito.
-Como sabe meu nome? — Perguntou a bailarina
-Ah, é que estava escrito no pacote que você derrubou no outro dia. Deduzi que era o seu.
-Não acredito você ficou com a minha sapatilha; achei que tivesse perdido.
-Bom, eu posso te entregar quando você quiser.
-Obrigada. Muito obrigada.
-Não é seguro andar sozinha a essa hora da noite. Para onde você vai?
-Estou indo para casa.
-É... gostaria de companhia? — perguntou Sano encabulado.
-Eu adoraria. — Respondeu entre risos.
Conversavam animadamente enquanto caminhavam. Sano elogiou a desempenho de Camila e esta, por sua vez, contou-lhe mais sobre sua carreira. Cerca de meia hora depois chegaram à entrada da casa da garota. Camila morava em um bairro europeu e sua casa seguia os mesmos traços de sua nacionalidade.
-Obrigada por me acompanhar. — Agradeceu Camila.
-Não por isso. — Completou Sano.
Camila elevou-se nas pontas dos pés a fim de beijar a face do guerreiro em forma de agradecimento. Sano, por sua vez, passou um dos seus braços pela cintura da garota, aproximando-a de si.
Com o polegar e o indicador, segurou o queixo de Camila aproximando-o do seu. Tomou-lhe os lábios entre os seus, beijando-os carinhosamente. A lua cheia assistia, majestosa, o casal apaixonado.
[1] Faixa que se usa para prender o kimono.
[2] Homens que ajudam os telespectadores a encontrarem seus acentos em um teatro.
Notas finais
Comentarios são importantes para a evolução de uma ficwriter!
Fale com o autor