O Guardião do Vulcão
1 ONE SHOT - Nasce o Protetor
Notas iniciais
A história é antiga e não está revisada.
"O tormento de uma alma pode durar uma eternidade".
Todos os dias milhares de aventureiros se divertem aniquilando todos os tipos de criaturas, vendo apenas a maldade nos olhos amaldiçoados — porém nunca além disso.A cada "monstro" que eles matam mais uma alma eles amaldiçoam e aprisionam na Terra. Presos e fadados a perambular sozinhos pela eternidade, causando desgraças e tormentos até que possam ir para seu lugar, ou pior, voltar para um corpo.***Quando guerreiros matam inocentemente aquele orc, troll ou até mesmo um elfo negro, suas almas vagam até que seus corpos estejam fracos e desgastados o suficiente para uma possessão, para uma convocação.Nem sempre é necessário um necromante para trazer uma alma atormentada para o plano dos vivos, as vezes o ardor de raiva e vingança fala tão alto que é capaz de fazer um corpo físico enfraquecido ressurgir corrompido...Ninguém pensa duas vezes ao matar a primeira coisa que vêm numa floresta e foi com este mesmo pensamento que um bárbaro, selvagem, perdido e assustado, que foi degolado por um bando de aventureiros que se diziam em missão, ficou amargurado. Eles não tinham direito de tirar a vida de qualquer um que quisessem. O bárbaro vagou por anos, décadas, milênios como uma alma atormentada que ganhava força cada vez mais que outra criatura era morta — inclusive enquanto ele assistia -. Sua força aumentou até que ele pudesse finalmente retornar ao seu corpo e, determinado, buscasse vingança; mas o bárbaro amadureceu com o passar dos séculos, percebeu que a vingança cega seria burrice e o deixaria cada vez pior, então ele retornou. Não como uma alma vingativa, mas sim como um protetor. Um protetor das criaturas incompreendidas, que são mortas antes que pudessem esclarecer até mesmo um simples roubo de cenouras de uma fazenda para alimentar um enorme povoado desfavorecido.Aquele bárbaro, selvagem e perdido, voltou como um esqueleto vazio e lutou bravamente contra qualquer grupo de aventureiros que ameaçassem a existência de outras criaturas, e foi assim que ele ganhou sua armadura e suas armas, através das mortes dos mais fracos — ou até mesmo de equipamentos antes perdidos ou largados pelo caminho. Ele se fortaleceu e continuou sua missão de proteção, passou anos lutando com cada grupo que tentava tirar a vida de um simples goblin. Ele era o Robin Hood dos desfigurados; matava, protegia e arranjava comida, abrigo e vestuário para as criaturas.O bárbaro só não sabia que com o passar dos anos os magos antes sábios haviam seus pupilos. Crianças inexperientes que brincavam com magia como se fosse apenas um conhecimento fácil de adquirir e, foi assim, com um grupo de um guerreiro, um arqueiro e um mago, que ele travou uma longa batalha. Fortalecido e inabalável não demorou para derrubar o guerreiro e o arqueiro que foram vistos batalhando contra pobres ursos indefesos. E o mago? O mago brincou de atear fogo e na primeira 'bola de fogo' errou o alvo e acertou uma antiga e gigantesca árvore; pobre erro, além de brincar com a vida das criaturas, ousou ferir a natureza. O bárbaro enfurecido não demorou para avançar contra o inexperiente pupilo da magia, que, assustado, começou a atear fogo ao esqueleto ressurgido; ele desabou em chamas e pode escutar o jovem suspirar em alívio enquanto dava as costas para voltar a cidade próxima e espalhar a notícia.***O bárbaro apoiou as mãos na grama rala e a viu se incendiar, o esqueleto estava repleto em chamas, mas eram chamas inexperientes que acabaram por equivaler-se ao corpo do protetor o deixando mais forte — o deixando em chamas.Em passos pesados ele se arrastou até o mago distraído e não tardou em retalhá-lo, vendo o corpo do pupilo cair ao chão ensanguentado.As criaturas selvagens próximas se aproximaram para contemplar a cena, para contemplar o protetor e, antes mesmo que o bárbaro ressurgido recuperasse suas forças e a noção da área — pois demorava para se acostumar com as chamas que ocupavam sua visão mas que ele não podia sentir — viu um grande e raro minotauro que reinava em uma torre se aproximar e abrir caminho entre criaturas menores. O minotauro carregava consigo um item, uma coroa.De joelhos ao chão, vulnerável no momento, o bárbaro esquelético viu o minotauro se aproximar e o coroar em nome de toda a natureza mas antes que fosse glorificado houve um erro... seu corpo em chamas era muito suscetível a atear fogo na mata e em toda a área, a prova era toda a gramínea perdendo a vitalidade aos poucos, se acinzentando. Irritado, o minotauro bradou em um rugido, anunciando que o esqueleto em chamas, o bárbaro, havia de se retirar do reino da natureza por representar ameaça para todo ou qualquer que o rodeasse; exílio.***Parecia o fim para o bárbaro, ver tudo aquilo que protegeu durante todo o tempo ser perdido por culpa de um mago inexperiente, não estava certo. Os cochichos mais próximos vinham de aranhas e de salamandras, praguejando a ameaça do antigo protetor.
Em exílio ele compreendeu em silêncio e partiu para uma das montanhas. A montanha do vulcão adormecido.***Demorou-se sóis e luas incontáveis até que ele atingisse o topo, conheceu a área e pode identificar magníficas criaturas que lá viviam escondidas em pequenas cavernas ou buracos; mas isso não o agradava mais.Chegando no topo do vulcão, o bárbaro não se acanhou em desbravá-lo, entrou pelas bordas e, em chamas, provocou o vulcão adormecido. Talvez um erro para os mortais mas o bárbaro agora era imortal, ou pelo menos pensava que era. Ele observou a lava borbulhar e praguejar por horas antes de explodir em um acontecimento único; um show. O esquelético bárbaro ficou maravilhado ao tocar a lava que brigava com seu corpo em chamas e fortificava as labaredas. Era lá onde o bárbaro pertencia agora, mas sempre se negou a esquecer de onde viera e sua missão.Coroado pelo reino da floresta ele se nomeou e sua nova área do vulcão ele decretou total servidão — para proteger as criaturas mais delicadas que eram atacadas pelos humanos sem compaixão. Agora ele não era mais o bárbaro ressurgido, o protetor da floresta. Ele era oGuardião do Vulcão.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor