O Grande Festival Dos Chapéus De Coração

7 Capítulo 7:Uma disputa com tiros de pistola.


Notas iniciais
Yoooohhh, miina!!! Está de volta a autora mais sem compromisso dessa poha toda! #Apanho
Não tenho nenhuma desculpa pro meu atraso, então nem tentarei me justificar. A culpa é minha, mas deixem pra me esculhambar nos reviews, por favor =3
Pra compensar, um capítulo enorme! Adorei escrever esse, mas acho que saí um pouco da personalidade do Lyon e da Juvia, não sei controlar esses dois... -.-'
Enfim, aproveitem a leitura, nos vemos lá embaixo!

Faltavam pouco menos de vinte minutos para o meio-dia.

Cana estava cansada de dançar com Visitar em cima da mesa, então desceu um pouco pra tomar alguma coisa. Procurou Mirajane, mas ela não estava à vista em lugar nenhum.

-Kinana, pode me trazer um copo d'água?

A surpresa da garçonete estava estampada em seu rosto, reação à qual a cartomante não pôde deixar de responder.

-É dia dos namorados, até mesmo eu devia estar consciente em um momento desses, não acha? Vai que algo interessante acontece...

Kinana não engoliu muito bem essa resposta, mas a sua gentileza não permitiu que ela o expressasse. Trouxe a água que lhe fora pedida, sorrindo. Cana correspondeu, bebendo-na lentamente.

"Hmmmn, este lugar está meio sem graça...o que será que tem de divertido pra fazer por aí?"

Suspirou entediada, caminhando para fora sem nenhum destino específico; seu principal parceiro de apostas, um certo gatinho azul, estava desaparecido há algumas horas já. Já sua segunda opção estava claramente se divertindo às custas de casais não assumidos, e ela magoara por não ter sido convidada.

-Então ele está de casinho com a Lucy e o Loke, mas nem me chamou junto, não é? Ah se eu te pego, Bickslow...

Um braço forte a puxa pela cintura, e a prende de costas contra seu peito. Cana ficou surpresa por um segundo, mas nem chegou a tocar suas cartas; conhecia aquele toque.

-Falando no diabo...

-Se alguém aqui estava falando de alguém, era você, bruxa.

Bickslow sorria, o rosto exposto pela ausência do elmo e o corpo coberto por jeans e uma camiseta preta simples. Ela guardou pra si o fato de achá-lo bastante charmoso daquele jeito.

-Nunca falo de outra pessoa sem ter um bom motivo, anote isso. A culpa é só sua por me deixar entediada.

Ele a soltou, ainda sorrindo. Viu ali a oportunidade perfeita pra continuar com os seus jogos.

-Bom, se está entediada, tenho uma sugestão para a senhorita...

Ele se curvou em uma reverência formal debochada. A morena resolveu entra no jogo; ele nunca a decepcionara antes.

-Estou ouvindo.

XOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXO

Juvia estava triste. Muito triste. Altamente triste. Sua tristeza era tamanha que ela permitiu que uma pequena nuvem de chuva caísse sobre si, como acontecia antigamente. Ela não tinha presença de espírito suficiente pra repeli-la.

-Pinga, pinga, chuva... — A velha melodia melancólica voltara incoscientemente aos seus lábios. De que adiantava ter se esforçado tanto pra mudar, se ela continuava sozinha? Se o seu príncipe amava outra? Qual o sentido...

-Juvia?

A voz masculina atraiu uma ínfima porção de sua atenção, os olhos mortificados procurando a sua origem. Não foi muito difícil.

-Lyon-sama.

Lyon a alcançou em segundos, com uma expressão preocupada. Estava sozinho.

-Juvia, o que houve com você? Olha só, está encharcada...vem comigo.

-Juvia pode se molhar ou se secar à sua vontade, não precisa da ajuda de ninguém. — Ela percebeu seu tom negativo, e mudou-o. — Perdoe a Juvia, Lyon-sama, é que...

-Eu sei que você pode, mas mesmo assim... — Ele retirou um pequeno lenço do bolso. — Um cavalheiro jamais ficaria inerte ao ver uma dama na chuva deste jeito. Ainda mais sendo tão bonita...

Ela ficou levemente surpresa, e o mago de gelo corou levemente. Juvia fez com que a nuvem se dispersasse em alguns segundos, e então permitiu que ele enxugasse seu rosto com o lenço, admitindo com certa dose de culpa que as mãos dele em seu rosto eram gentis e suaves.

Porque o seu Gray-sama não a tocava assim? Droga, estava tudo errado...

-Onde está Sherry-san?

Ela notou que ele mordeu o lábio, meio chateado.

-Em um encontro. Com o Ren. — Juvia sentiu inveja; queria estar em um encontro também. — A propósito, soube do Gray?

-Hmn? O que tem o Gray-sama?

-Soube que ele e o Natsu vão ter uma disputa ao meio dia. Por uma garota.

Ele ressaltou propositalmente esse detalhe, na intenção de aumentar a fúria da maga da água. Como se fosse necessário.

-Juvia não está interessada nisso.

"Mentirosa." Ele não externou esse pensamento, mas as pontadas de maturidade dela o agradaram. Quem sabe se...

-Vamos dar uma olhada? É sempre bom ver o Gray sendo surrado.

-Juvia não quer. — Ela foi ríspida.

-Tem certeza?

Ela ia ser ainda mais rude, mas uma explosão a noroeste de onde eles estavam desviou a sua atenção. Uma chuva de gelo fina brilhava nos céus, mesclada a chamas fortes e irritadas, decididas a se sacrificarem em nome da vitória. Não era preciso pensar muito pra saber o que estava acontecendo.

-Já é meio-dia? — Ele olhou na direção do relógio na praça, franzindo a testa quando se de conta que faltava ainda meia-hora para o horário combinado.Quando se voltou a Juvia, esta já caminhava decididamente na direção oposta. — E-espere, Juvia!

-Juvia já disse que não está interessada. — A amargura era evidente em sua voz.

Lyon a alcançou alguns passos depois e a segurou pelo pulso, forçando-na a olhar para ele. Juvia tentava a todo custo controlar as lágrimas.

-Tudo bem, eu entendo se não quiser ir. — Ele estava sendo o mais gentil possível; ela era importante pra ele.

Ela realmente não queria ir, cada partícula do seu corpo gritava isso. Ela ia se machucar, ia sofrer. Mas...mas porque, então, uma pequena parte dela queria ir? Porque ela não consiga ir pra longe?

Ela engoliu a seco, sabendo que era fraca o bastante pra se render à curiosidade. Com um pouco de sorte, Natsu surrraria o seu Gray-sama até que ele voltasse à razão.

Espere. Era isso! Ele estava fora de si, não é? Talvez...talvez fosse só uma magia que a Lisanna-san lançara nele! NÃO! Ela lançara um feitiço nos dois, assim eles poderiam brigar por ela e Lisanna-san ficaria com o vencedor! Como ela era gulosa...

-Isso! Como Juvia pôde ser tão cega? Meu Gray-sama jamais me trocaria desse jeito, ele só pode ter sido seduzido descaradamente! A Juvia devia ter sido mais cuidadosa, mas ela pode resolver tudo agora...

Juvia murmurava seus delírios baixinho, deixando o mago do gelo confuso.

-Juvia?

Sim, ela conseguia até ver a cena: seu Gray-sama caído no chão, ferido após perder a luta contra Natsu (ela pouco se importava se ele ficasse com a albina ou não), recobrando a consciência devagar enquanto ela o aninhava em seus braços.

-Juvia? O-o que eu fiz... — ele tocava seu rosto corado com carinho. — Me perdoe Juvia, eu estava completamente fora de mim...como pude achar que haveria outra pessoa no mundo pra mim além de você?

-Gray-sama...

-Vamos sair daqui, a um lugar onde estaremos a sós e eu poderei compensá-la por toda a dor que a fiz passar...

-Juvia? — Lyon não sabia muito bem como reagir a vê-la sorrindo como uma retardada, enquanto abraçava seu próprio corpo e murmurava coisas estranhas, corada. — Juvia!

Ela agarrou seu pulso com tanta força que ele anotou mentalmente: conferir a integridade física do braço mais tarde. Seus olhos antes chorosos agora faiscavam de determinação.

-Vamos, Lyon-sama, a Juvia não quer perder essa luta!

E correu pelas ruas da cidade até o local determinado, sem perceber que apavorava o coração de um pobre mago apaixonado e perdido.

O caminho passou depressa, mais ainda para ele. Quando chegaram lá, Juvia estancou tão repentinamente que ele esbarrou nela, fazendo com que os dois caíssem ruidosamente no chão.

-Ai, Juvia...está bem?

Ele a ergueu cuidadosamente, ao notar que ela não se movia. Dirigiu o seu olhar na mesma direção que o dela, e engasgou com o que viu.

A pouco mais de quinze metros à frente, sentadas confortavelmente em um tronco caído, estavam Erza e Lisanna. Enquanto a albina escondia o rosto, constrangida pela roupa de gatinha que usava e pela vergolha alheia que era forçada a aguentar, a ruiva estava estranhamente empolgada, sorrindo como uma criança pequena. De pé se encontrava uma sorridente Mirajane, atenta para cada detalhe ao seu redor.

Bem à sua frente, se encarando como dois cães vira-latas, estavam Natsu e Gray. Lyon e Juvia jamais haviam visto o moreno tão sério e elegante, o peito estufado e um sorriso arrogante no rosto, a camisa exponto parte do peito que outrora devia ter sido coberto com um casaco. Já Natsu tinha a mesma expressão irritada de quando os dois duelavam, com um diferença básica: seu cabelo havia sido disciplinado com uma boa carga de produtos cosméticos e gel, e amarrado com firmeza para trás, numa tentativa até que funcional de torná-lo uma pessoa visualmente apresentável. Estava vestindo uma roupa no mínimo esquisita, composta por um smoking preto sem gravata e uma camisa interna bege, aberta até a metade, dando-lhe um ar de deisleixo sensual. A calça era preta também, e os sapatos, marrons. As mãos, enluvadas, estavam comprimidas em um sinal claro de raiva, porém ele notou que o mago portava uma espécie de pistola antiquada na mão direita. Caminhando mais para perto, pôde notar que Gray também segurava uma, erguida presunçosamente por sobre seu ombro. Parecia bem mais descansado do que o rosado, que ofegava visivelmente.

Outro detalhe: um círculo estava desenhado na terra, ao seu redor. Devia ter uns quatro metros de diâmetro, ele supôs.

-Er...contexto? — Ele indagou às magas que assistiam. Juvia já entrara em transe mais uma vez vendo o desejo de seus sonhos tão...tão.

-Ah, bom dia, Lyon-san. Eles estão duelando. — Mirajane respondeu como se fosse tudo o que ele precisasse saber.

-Isso eu já percebi, mas eu esperava alguma coisa mais, você sabe...vocês. — Apontou pras três, inocentemente. — Sabe, Fairy Tail, Natsu e Gray, socos e destruição.

Mira sorriu.

-Gray mudou de ideia, achou que desse jeito as coisas seriam mais interessantes e, digamos...à altura do prêmio. — Essa última parte foi sussurrada; Juvia não precisava de mais contexto equivocado do que já tivera.

-Eles...estão usando pistolas? O que é isso, uma peleja do século passado? Teve tapa na cara com as luvas também? Por favor, me digam que eu não perdi isso... — Ele parecia se controlar para não explodir de rir.

-São pistolas mágicas, cortesia minha. São Maguns 12.000 — Erza resolveu entrar na conversa. — Não usam balas como munição, então não precisam ser recarregadas. Tudo o que o usuário precisa é se concentrar em algum golpe que ele usaria normalmente, então ela canalisa a magia concentrada e a dispara em um único tiro. É muito prático.

-Realmente...então, vence o usuário que tiver mais poder latente, não é assim?

-Sim e não. — Ela prosseguiu, ainda sorrindo. Lyon estava começando a se assustar. — De fato, uma grande quantidade de magia no corpo confere uma certa vantagem, mas de nada adianta se você não souber quanto liberar de cada vez sem exagerar pra mais ou pra menos.

-E é exatamente por isso que o Gray está levando vantagem. O Natsu nunca foi bom em se controlar.

A vozinha fina de Lisanna pode ser ouvida pela primeira vez. E ela não estava muito feliz. Ele se perguntava o porquê. Aliás, ele se perguntava um bocado de coisas ali. E uma delas era:

-Não estão um pouco adiantados, não?

Erza respondeu a esta:

-Natsu estava impaciente e atacou Gray assim que nós terminamos de arrumá-lo. Além do mais, não sabemos como as coisas estarão ao meio dia, talvez essa tenha sido a melhor decisão afinal de contas.

Ele ainda não entendera nem metade do que era necessário, mas estava começando a se acostumar com isso já.

-Só mais uma pergunt-

Ele foi interrompido pelo som de uma muralha maciça de magia batendo em cheio no peito de alguém. Quando viu, Natsu estava caído no chão, tossindo.

-É esse todo o seu poder? — Gray debochava, ileso. Juvia aparentemente havia se esquecido de toda a sua mágoa e torcia animadamente pela vitória de seu amado.

Nenhuma das outras três parecia abalada. Erza fez um gesto pra que ele prosseguisse.

-P-pode me explicar o círculo?

-Longa história, mas resumindo, nenhum dos dois pode ultrapassar a linha. É pra conservar a mim e a Lisanna.

Lyon assentiu como se tudo fizesse sentido, e achou melhor continuar assistindo à luta, calado. Natsu se reerguera irritado, acumulando uma grande quantidade de magia para dispará-la logo em seguida. Gray se desviou graciosamente, ativando a Magun e disparando consecultivamente. Cada tiro tinha uma quantidade de magia bem inferior ao efetuado por seu oponente, porém a sua habilidade e precisão não permitiam que ele errasse mais de 10% dos disparos. Resultado: Natsu estava perdendo feio.

-Sabe qual o seu problema, Natsu? A sua falta de elegância associada à sua cabeça quente, é isso o que eu acho. Ah, perdoe o trocadilho infame...

Ele ria de um jeito esnobe que fazia o estômago de Lyon dar voltas em si mesmo. Juvia aprecia apreciar bastante aquele comportamento; quase era possível ver coraçõezinhos apaixonados em seus olhos.

"Porque diabos fui gostar dela mesmo? Essa maluquinha..."

-Agora já chega!

Natsu atingiu seu limite, arrancando o terno e jogando-o por aí. Rosnava mais do que o normal.

-Já chega mesmo? Então... — murmurou, para que apenas o rosado o ouvisse. — ...posso ficar com o prêmio, suponho...

-ELA NÃO É UM PRÊMIO, CUECA GELADA!

Ele jogou a pistola pra cima, acumulando toda a magia que lhe restava. Gray se preparou, soltando também a sua arma.

-Karyuu no...

-Ice Make...

Os dois ativaram a magia ao mesmo tempo, porém Gray foi mais rápido. Usou a versão Geiser de seu Ice Make, que arremessou Natsu a uma grande altura antes que ele concluísse o seu Yokugeki.

-Hmpf. Amador...

-Er, Gray...

Ele estranhou a voz temerosa de sua parceira. Lisanna apontava pra cima, mais pálida do que normal. Mira descansou a bochecha na mão, a expressão clara como água: isso vai dar problema.

-O que foi?

Meio segundo depois, a resposta. Vinda da pior forma possível: Natsu caía ruidosamente ao seu lado, e, caindo em cima dos dois, Erza. Gray nunca se sentira tão perto da morte antes.

"Merda! Esqueci dessa porcaria de ligação!"

-Vocês dois... — Ela se levantou bem devagar, sacudindo a poeira e afagando os machucados. Natsu e Gray tentaram recuar de leve, mas ela puxou ambos pelo cós da calça. — ...vão pagar...

Mentes mais frágeis precisaram fechar os olhos nesse momento, com a ruiva descontando nos dois toda a fúria de ter sido jogada ao alto como uma pedra em um estilingue. Nem mesmo Lyon pôde evitar de sentir um pouco de pena de seu irmão.

Minutos depois, os restos do que um dia haviam sido dois nakamas. A surra foi tão intensa que a própria Erza sentiu as mãos doerem.

-Preciso me moderar um pouco na próxima... — comentou, exibindo os dedos inchados.

-Melhor usar uma de suas armas ao invés das mãos, Erza.

-M-mira-nee, não sabia que odiava os dois tanto assim! — Lisanna estava horrorizada. Juvia queria correr e colocar o seu Gray-sama nos braços, mas nem mesmo ela tinha coragem de encarar a ruiva. Esperou pacientemente uma oportunidade.

-Não acredito que me excedi tanto por causa de uma luta falsa...

Erza sussurrou o mais baixo que pôde, mas os sentidos apurados do Dragon Slayer ainda estavam ativos.

-Como assim, "falsa"?

-O-oh, eu disse falsa? Deve ter entrado sangue nos seus ouvidos, Natsu, eu nunca disse nada disso. Olha a hora, preciso ir!

Ela apressou o passo, mas Gray involuntariamente fez com que recuasse. Erza prometeu adicionar o nome do mestre na sua lista de "Pessoas Que Precisam De Uma Boa Punição".

-Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? — Natsu e Lyon questionaram simultaneamente.

-Fácil. Era tudo uma armação do Gray. — A pequena Strauss não aguentava mais aquela palhaçada sem sentido. — Agora que já impressionou a Juvia, podemos ir? Não aguento mais os outros me olhando desse jeito!

O rosto corado dela era, no mínimo, gracioso. E Natsu não deixou isso passar.

-Qual o problema? Gatos são a sua cara, Lisanna. Além do mais, você ficou linda assim!

Ela ficou ainda mais constrangida, e baixou o olhar. Natsu se aproximou dela e senta ao seu lado.

-Não se preocupe, esse tapado do Gray não vai ficar com você, ouviu? — Ele escancarou seu mais lindo sorriso, e passou os braços ao redor dela. Droga, como ele fazia essas coisas tão inocentemente? — Tá ouvindo, idiota? Ela vai ficar comigo!

Lisanna hiperventilou por um momento, e Natsu a observou atento. Os outros bateram com as mãos na testa, mas sorriram logo depois.

"Isso! Duas rivais no amor de uma vez, deve ser o dia de sorte de Juvia!" A maga pensou consigo mesma

-Bem, já é um começo, né? — Mira comentou.

-Sim, um já foi. Só falta o outro... — Erza espetou sem dó.

O "outro" em questão estava sentado no chão, o rosto tracejado de rosa e o olhar desviado. As garotas começaram a bater o pé, impacientemente.

-Vamos, Gray, não temos o dia inteiro...

-Ela tem razão, é melhor acabar logo com isso.

O moreno trincou a mandíbula. Estava nervoso, o coração sambando contra o peito. Não sabia o que exatamente devia fazer agora. Se arriscou a olhar para Juvia, mas foi pior. O rostinho sorridente e corado dela só o deixaram ainda mais desesperado.

-Hey, hey... — Lyon não estava feliz com o rumo daquela história.

-Deixe quieto, Lyon. — Erza ameaçou.

-Mas eu não posso deixar iss...

-Não. Ouse. Interromper. — As duas demônias da Fairy Tail o encararam sérias. Ele não ficou nem um pouco satisfeito, mas queria muito continuar vivo. Mordeu a língua até que sangrasse, na vã tentativa de amenizar a frustração.

"O que eu vim mesmo fazer aqui?" Lamentou.

Gray por outro lado permanecia calado, constrangido. As duas esperavam pacientemente. Ele não iria a lugar nenhum mesmo. Lisanna ficou calada; já tinha o suficiente com a qual se preocupar tendo Natsu grudado em seu pescoço como uma criança enciumada.

-E-er...Juvia...

A azulada desfez o sorriso, ficando séria. Ótimo, ele já tinha a atenção dela (e a de todos os outros presentes, mas procurou ignorar solenemente esse detalhe), mas e agora?

-Gray-sama?

-E-er, s-sabe...quando um cara...passarinhos e abelhinhas...

"Que PORR* você tá falando, seu babaca? Burro, burro, burro!!!"

Erza aregalou os olhos e seu rosto se aqueceu. E não foi a única. Natsu não parecia entender muito bem aquilo, e Lyon só queria se enterrar em um buraco com um estoque infinito da bebida mais forte já criada pelo ser humano.

Juvia esperava quieta. Estava com uma sensação estranha.

-J-JUVIA! E-EU...

Nesse momento, os sinos da catedral tocaram. Em todos aqueles anos em Magnólia, Gray jamais se tocara do quão alto era aquele som até ter as suas palavras abafadas por ele. Mordeu o lábio inferior. Bem, talvez fosse melhor assim...

Uma badalada. Duas. Oito, nove, até que enfim soaram as doze. Era meio dia em ponto.

Alguma coisa deveria acontecer naquele momento, e todos aguardaram ansiosos. As respirações aceleraram em alguns e foram suspensas em outros. Lyon e Mirajane estavam apenas curiosos. Juvia estava tão ou mais apreensiva que os quatro enolvidos.

Mas nada. Os segundos se passaram, assim como os minutos. Três deles depois, Erza quebrou o silêncio com um suspiro de alívio.

-Bem, parece que nada vai acontecer, não é mesmo?

-Sim, pelo visto...

Gray estava contente por deixar de ser o centro das atenções por um minuto. Ficou de pé e alongou os músculos doloridos. Foi quando sentiu um comichão gelado subindo por suas costas. Ora, não devia ser nada de mais...devia?

-Gray...você tá brilhando!

A afirmativa de Natsu se tornava óbvia, com o corpo do mago refletindo um estranha luz verde. Natsu se preparou para rir, mas então notou que a mesma luz envolvia a albina em seus braços.

-Hey, mas o que...Erza!

-Gray-sama!

A luz que erradiava da ruiva era bem semelhante ao de seus colegas, porém estava em tons alaranjados. Natsu fazia um par perfeito com ela, brilhando na mesma intensidade.

-O que está acontecendo com eles? — Lyon perguntou.

-Não sei! — Pela primeira vez naquela tarde, Mirajane parecia genuinamente preocupada.

Então, as luzes se misturaram e brilharam com uma força que os cegou por anguns segundos. Uma explosão, e eles sentiram suas consciências se esvaindo de vez. Desmaiaram.

XOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXOXO

Cana não estava muito certa de que queria fazer aquilo, parecia demais até para os seus padrões. Mas não pelo que devia ser feito, e sim pela pessoa envolvida.

"É só uma coisa que eu quero testar, vamos lá. Ninguém vai se machucar."

As palavras de Bickslow a fizeram pensar que estava mesmo tudo bem, mas agora a morena se arrependera. Temia estar indo longe demais, mas não ia recuar agora. Ela nunca recuava diante de um desafio dele.

-É só por alguns segundos. Vamos, desde quando você ficou tão frouxa?

O localizou com o olhar, meio irritada; ela tivera de caminhar um bocado até encontrá-lo. O mago das runas encarava o nada tristemente, sentado na colina coberta de grama com uma pequena flor silvestre girando em seus dedos. Cana engoliu a seco: sério como estava, o cabelo preso bem mas alto do que de costume, o rosto iluminado pelo sol, ele parecia quase...sexy? Atraente? O seu tipo?

Sacudiu a cabeça, espantando aqueles pensamentos. Sentou ao seu lado com um sorriso, fazendo com que Freed se surpreendesse.

-O que faz aqui? — Ele notou que fora mais rude do que pretendia, e se desculpou com o olhar.

-Cansei da guilda, e quis tomar um ar fresco. Esse me pareceu um bom lugar, só isso. — Ela tentou ser o mais casual possível, mas ele não parecia estar engolindo.

-OK, a verdade agora? — Droga, ele não caíra mesmo!

-Tudo bem. — Ela suspirou. — Vim até aqui porque queria te ver. Ou melhor, queria testar uma coisa.

Freed se sentiu imediatamente acuado; o que diabos ela pretendia? Fingiu que não sentira o rosto aquecido, mas sabia muito bem que ela percebera.

-E-e o que seria?

A morena sorriu de leve, antes de saltar e abraçá-lo. Segurou com força, deitando o rosto em seu ombro, a sua respiração aquecendo uma parte do pescoço dele. Sentiu os batimentos dele dispararem, e ignorou a sua leve arritmia. Afinal, não era ela quem estava sendo testada ali, não era? Então, porque se sentia tão mal?

Freed, por sua vez, congelara: os braços delgados rodeando seu pescoço, o corpo dela encostado no seu, ela ajoelhada entre suas pernas, os lábios em seu pescoço, o cheiro dela...o cheiro natural, adocicado e ácido...era demais pra ele! Como devia reagir, o que devia fazer? Ficar parado? Abraçar de volta? Empurrá-la para que não agisse mais como uma meretriz? Ahhhhh!

Vendo que ele não responderia, Cana deu prosseguimento à parte dois de seu plano, se afastando de leve e olhando-o nos olhos, violetas nos turquesa. Freed estava muito vermelho, mas sustentou o olhar, curioso para saber até onde ela iria. A maga tomou coragem, e aproximou o rosto do dele. Este apenas fechou os olhos, e esperou.

Esperou o momento em que, enfim, provaria o tão cobiçado sabor da cartomante.

Notas finais
O que acharam? Pode haver um ou outro erro aí, não tive muito tempo pra betar...
Ah, mais uma coisa: provavelmente o capítulo que vem será o último. Planejei cada cap dessa fic individualmente e, como até agora o plano saiu conforme o inicial, tudo indica que estamos quase no fim.

~Ou não, eu posso estar enganada, que nem aconteceu antes!~

Enfim, até a próxima, e beijo no coração de cada um por ter sido tão paciente! =3
Ja ne!