O Grande Dia
1 #Capitulo Único# É Hoje.
Notas iniciais
– Vamos logo Thalia, já estamos atrasadas.
– Já vou. – estava terminando de abotoar meus saltos, uma última checada no espelho, baguncei meu cabelo um pouco mais e sai do quarto, passando por um curto corredor até chegar na sala.
– Como estou? – indaguei para Annie, Rachel e Piper, dando uma voltinha para mostrar meu look para as meninas e tentar amenizar a ansiedade da Annie, mas não funcionou.
– Está perfeita, mas já estamos atrasadas vamos.
Annie pegou em minha mão e me arrastou para fora, enquanto Piper e Rachel já estavam indo em direção ao elevador.
– Deixa pelo menos eu trancar a porta, — do jeito que ela levantou as mãos parece até que desistiu de mim. Saímos do prédio e cumprimentei o porteiro, Sr. Jhon, que me conhece desde que era criança, nos encaminhamos para o outro lado da rua, onde o carro da Piper estava estacionado, no caminho para a boate conversamos sobre a faculdade, até que Annie deu outra crise.
– Sinceramente Piper, já estamos atrasadas, dá para ir mais rápido.
– Annie, o Percy não vai sair da linha o Octavian tá lá, e ele sabe que se fizer alguma coisa errado ele conta para você.
Nisso a Rachel tinha razão Octavian odiava o Percy.
– Só que o Jason tá lá, e ele pode muito bem acobertar o Percy.
Annie não terminou de falar, pois Piper a interrompeu.
– Annabeth, não é por que você não confia no Percy que todas as pessoas que tem namorado têm que desconfiar de seus parceiros, e não vou ir mais rápido já levei uma multa por sua causa mês passado e não vou levar outra.
Piper falou já com raiva, e encarando as duas já que havíamos parado por causa do sinal vermelho.
– Só que eu confio no Percy.
– Pois não parece, — ela parou de prestar atenção na discussão das duas e voltou a dirigir, eu apenas escutava repetindo meu mantra, “não vale a pena ir para a cadeia por causa delas”, deveriam seguir o meu caso e não namorar, focar apenas na faculdade.
O caminho até a Midnight Sun foi tortuoso já que elas não paravam de falar, ou discutir, finalmente chegamos, e enquanto Piper estacionava, eu estava pensativa, assim como fiz durante todo o caminho.- Thals?- Hum? – olhei para Annie que estava com uma cara preocupada, enquanto minha cunhadinha se aproximava de nós.- Está tudo bem?- Por que não estaria? – perguntei já com raiva dela ter me perguntado isso, ele pensava que eu não conseguiria superar o di Ângelo. – Por favor, Annabeth, já falei que sim vou conseguir esquece-lo, até porque tenho mais é que curti depois dos oito anos que perdi me dedicando a ele.- É isso ai cunhadinha, e para de ser estraga prazeres Annabeth, coisa chata.Piper sempre me apoiava quando o assunto envolvia minha vida amorosa, Annie ergueu as mãos em sinal de rendição e murmurou um “Tudo Bem”, e assim entramos, e como sempre a boate estava cheia, como hoje era Sexta-Feira não seria diferente.Atravessamos a pista e fomos direto para as escadas com nossos cartões de acesso para a Área Vip, já que o dono Apolo, era um velho amigo da família, algumas vezes até viajou junto conosco no final de ano, subimos as escadas e lá em cima não estava tão lotado, porém também havia uma quantidade significativa de pessoas, mais perto do bar encontramos Percy, Jason, Octavian e Leo que estava com uma garota sentada ao seu lado, que reconheci dos corredores da faculdade, já que a mesma cursava Biologia.
– Demoraram o que foi?
– Thalia ainda estava dormindo quando chegamos em seu apartamento. – Annie explicou para seu namorado lhe dando um selinho e ficando de costas para ele fazendo com que ele passasse os braços por sua cintura, já que o mesmo estava encostado no balcão que separava as mesas, Piper foi ao encontro de Jason e se sentou em seu colo.
– A culpa foi da cama que começou a me chamar quando entrei no quarto. – respondi em minha defesa, a vida não é fácil para que cursa medicina.
– Onde está Octavian?
– Estou aqui meu amor, — o loiro chegou por trás da ruiva e lhe deu um beijo na bochecha a fazendo virar e lhe dá um selinho demorado.
– Parece que o Octavian está prevendo o futuro, afinal já veio com dois copos na mão.
– Você sabe né Perseu, sinto quando minha ruiva está perto.
– Ou então simplesmente viu quando ela estava subindo as escadas já que não saiu da grade para observa-las quando chegassem. – meu irmãozinho falou fazendo Octavian bufar de raiva e todos ali rirem, enquanto ele e Percy davam uma batida de mãos.
Conversamos mais um pouco e então decidi ir dançar, essa sema na faculdade foi tensa, precisava extravasar e seria dançando.
– Perai cunhadinha vou com você. — Piper disse dando um rápido gole em seu refrigerante e saindo apressada atrás de mim, não sem antes dar um beijo em Jason.
– Não esquece Piper você está dirigindo hoje.
– Vai perturbar sua mãe Rachel.
A ruiva apenas riu do comentário e voltou a dançar agarrada com Octavian, Annie também tentou vir, mas Percy não deixou. Dançamos muito, e eu já estava na segunda Caipi Exótica, minha preferida, quando Annie, Rachel e Calipso se juntaram a nós, os meninos se sentaram e continuaram conversando até que um grupo de três garotos se juntou perto de nós puxando conversa, não estavam tão bêbados, mas já dava para sentir o cheiro quando eles falavam, e então os meninos decidiram levantar e vir cuidar de suas namoradas e isso me incluía não que eu quisesse ficar com alguém hoje, mas também não precisava disso, me afastei e fui pegar outra bebida e aproveitei para descansar um pouco já que por causa dos saltos meus pés começavam a doer, o bar que era encostado a parede também dava uma vista privilegiada da pista, me sentei em um banquinho e fiquei observando as pessoas lá em baixo enquanto esperava minha bebida e até dava para reconhecer algumas pessoas da faculdade, já que ali era onde os universitários mais frequentavam pego minha bebida e continuo encarando as pessoas, até que vejo Artémis, irmã de Apolo e Dj oficial da Midnight, cumprimentando duas garotas, uma de cabelos lisos pretos e sedosos e a outra era uma morena de cabelo cacheados, castanhos e volumosos, fiquei estática com aquela cena segurando o copo a alguns centímetros da minha boca, ele não poderia estar aqui, logo hoje, mas logo me recuperei e foquei em outras pessoas, afinal eu havia decidido que esse luto acabaria.
– Ora, ora, mas o ditado não é mesmo verdadeiro, quem é vivo sempre aparece. – Apolo sussurrou em meu ouvido, me rodeou e se encostou a bancada pedindo um Whisky e sorrindo debochadamente.
– Só fiquei sem aparecer aqui por dois meses. – disse enquanto lhe dava um abraço.
– E você diz só? – ele me soltou e com a cara de pau que ele sempre tem disse. – Essa boate não é a mesma sem você.
O encarei por alguns segundos e desatei a rir, não acreditando no tamanho da cara de pau de Apolo, era tamanha que ele já havia pedido para ficar comigo varias vezes enquanto eu namorava o di Angelo, porém nunca forçou a barra.
– Mas realmente estou feliz em vê-la aqui novamente.
– Também fico feliz por voltar.
– E, por favor, nunca mais pare. – disse fazendo uma cara de cachorrinho sem dono, apenas ri de sua cara e voltamos a conversar sobre os dias que não nos vimos, até que me lembrei de uma antiga aposta que fizemos e resolvi cobrar, já que ele não havia me pagado.
– Sabe o que me lembrei agora, você está me devendo.
– O que? – terminou de tomar um gole de sua bebida e me encarou surpreso.
– Ah, por favor, Apolo, eu sei muito bem que depois de lhe apresentar Jacinto vocês continuaram saindo.
– Não estamos saindo, estamos namorando, há dois meses. – ele me interrompeu e meus olhos brilharam ante aquela novidade.
– Parabéns, — me joguei em seus braços e mesmo não vendo ele sorriu e murmurou um obrigado, logo depois sai e continuei. – Pois bem, quero mixar hoje então.
– Ah não Thalia, olha só como tá lotado e nem é final de semana. – ele disse apontando lá para baixo.
– Não estou nem aí, você prometeu e eu quero hoje.
– Artémis não vai deixar.
– Aí temos um problema, — desci da cadeira peguei seu copo e bebi o restante do Whisky de uma vez, sentindo minha garganta arder mais ainda deixei na bancada e sai arrastando-o. – Mas, tenho certeza que você dará um jeito de convencê-la.
Há uns sete meses, eu e Apolo, estávamos escorados na grade da área vip observando as pessoas lá em baixo e tentávamos adivinhar a vida delas, mas ainda estávamos um pouco sóbrios, quando Apolo já iria falar de outra mulher que havia tirado os sapatos e estava dançando ao redor de um grupo só de homens, Jacinto entrou na boate e resolveu falar sobre ele, eu o conhecia, pois ele também cursava medicina, só que já estava no último ano e de vez em quando nos falávamos, e eu sabia inclusive que ele era gay, só que não saia espalhando, se as pessoas lhe perguntassem ele afirmaria que sim, mas caso contrario continuariam achando que ele era hétero, por isso varias meninas ainda davam em cima dele. Resolvi então propor uma aposta para Apolo, afirmei para ele que Jacinto era gay e ele logicamente falou que não, já que Calipso, prima dele que hoje está com Leo, estava agarrada ao seu pescoço, descemos as escada para a pista e ele não havia saído do lugar, lhe dei um abraço e lhe apresentei Apolo e então lhe perguntei e ele disse, “Thalia você sabe que eu sou gay, por que está perguntando?”, Apolo logicamente ficou com raiva e eu ganhei uma noite para mixar na boate, só que todas às vezes Apolo dava um jeito de despistar.
Chegamos na base da escada e nos encaminhamos para a cabine da Dj, mas antes paramos no bar já que ele ficava reclamando de seu copo de Whisky que havia tomado, eu pedi uma batida de chocolate dessa vez e enquanto esperávamos fiquei observando as pessoas dançarem como se fosse o último dia da vida delas, até que em um canto mais sossegado vi uma homem alto com uma jaqueta preta e cabelos sedosos pretos, fiquei sem reação.
– Thalia?
– Hum? – encarei Apolo com minha cara de perdida.
– Sua bebida está pronta. – me virei de volta para o bar e tomei tudo de uma vez.
– Uau, tá tudo bem?
– Está sim, vamos? – o agarrei de novo e seguimos para a cabine, e sempre tentando esquecer que ele estava aqui, será que eu não estava pronta para deixar essa historia para trás?
– Thalia quanto tempo. – Ártemis me cumprimentou com um abraço apertado deixando os fones de lado um pouco. – Estava com saudades.
– Eu também. – falei me afastando dela.
– E eu não ganho um também.
–Por favor, Apolo, você tem Jacinto, vá lá abraçar ele.
Apolo se aproximou de mim e falou em minha orelha em uma altura que desse para Ártemis escutar.
– Prevejo uma pontada de ciúmes vindo daquele lado, — apontou para onde Ártemis estava, e ela lhe encarou de cara feia. – E um olhar raivoso também. – se endireitou e disse. – Acho que vou seguir seu conselho irmãzinha, vou procurar Jacinto. – acenou e já ia saindo, até que segurei na gola de sua camisa vermelha e o puxei de volta.
– Você ainda não falou com Ártemis.
– Falou o que? – indagou olhando para mim e depois olhou para Apolo e imaginei que se Ártemis tivesse raio laser nos olhos, Apolo estaria morto uma hora dessas. – E eu não sou sua irmãzinha.
– É sim, — ela iria protestar, mas antes ele continuou — Você se lembra da aposta que fiz com Thalia antes de namorar Jacinto? – ela fez que sim com a cabeça e ele continuou. – Então pode ser cumprida hoje.
Ela nos olhou desconfiada, provavelmente checando se estávamos muito bêbados, deu um suspiro derrotado e disse.
– Tudo bem, pelo menos assim eu fico um tempo com Órion.
– Serio tão fácil assim? – não estava acreditando.
– Ei você esta aqui para trabalhar, não ficar se agarrando com aquele cara.
– Há alguns minutos você também estava se agarrando com Jacinto, Apolo e deveria estar trabalhando.
Ele apenas revirou os olhos, além de dono da boate era barrista também, só que sempre deixava seu ajudante no lugar dele e ia cumprimentar todos na boate, resumindo quase não trabalhava. Deu um aceno e saiu enquanto Ártemis me ensinava o que fazer, já havia mixado em outras boates então não foi tão difícil, ficou comigo uns dez minutos e depois foi se divertir. A experiência foi incrível, e ver as pessoas dançando em minha frente fazia tudo se tornar ainda melhor.
Por volta de uma e meia da manha um grupo de quatro pessoas se aproxima pela esquerda e senta em um dos sofás que tem espalhado por toda a boate, os encaro e percebo que são as duas meninas que vi conversando com Ártemis mais cedo, minha duas ex-cunhadas, Bianca e Hazel di Angelo, junto com seus respectivos namorados Connor Stoll e Frank Zang, fiquei observando durante um tempo para ver se ele também aparecia, mas não ele não apareceu, não consegui mais me concentrar e entreguei na mão do Dj que Ártemis havia mandado para me substituir quando me cansasse, mas eu estava gostando então ele simplesmente me ajudava as vezes.
Sai da cabine e fui direto para o bar me lembrando de tudo que havia acontecido durante esses dois meses, tudo que com tanto custo eu consegui guardar na minha mente a duas semanas, fazendo assim com que eu tivesse forças para pelo menos sair do meu estado vegetativo. Me desviei o máximo que pude para que não me vissem e pelo visto funcionou, cheguei no bar e pedi a bebida mais forte deles e só me lembro dela descendo pela minha garganta me queimando por dentro, já que continha uma pitada de pimenta malagueta, sai de lá e me sentei em um sofá ali perto e as lembranças me vieram com força total.
Eu e Nico nos conhecíamos desde crianças, éramos quase que o mesmo grupinho de hoje, eu, Nico, Jason, Percy, Bianca e Leo, vivíamos aprontando, até que Hades (pai de Nico) decidiu se mudar para um lugar mais perto do trabalho, continuamos nos vendo, já que eles não haviam mudado de escola, porem não era a mesma coisa. Quando entramos na adolescência continuamos amigos, até que em uma festa do pijama na casa de Leo, estávamos jogando Verdade ou Desafio, e parou de Percy para Nico, ele pediu desafio e Percy o desafiou a me beijar, ele perdeu a pouca cor que tinha, ficando amarelo, tenho certeza que meu estado não estava muito diferente, depois que voltou a si virou para o lado e me deu um selinho, não teria significado nada de mais, até porque eu já havia beijado outros garotos, mas nem ousei comparar o beijo de Nico com o dos outros, pois quando seus lábios encontraram os meus as borboletas que estavam em meu estomago desde que Percy lançara aquele desafio pareceram querer sair de lá soltando fogos de artificio e como não conseguiram ficaram dando cambalhotas, mas quando ele parou elas ainda demoraram um pouco para se acalmar, e eu soube que gostaria de experimentar essa sensação mais vezes. Depois disso ficamos sem nos falar por uma semana. Era sábado e lá pelas dez da manha ele me liga e me convida para ir ao cinema, logo eu aceito sem nem mesmo ficar com raiva por não termos nos falado durante essa semana. Após o cinema fomos caminhar um pouco na praia, até que Nico vê um McDonald’s do outro lado da rua e decidiu parar para comermos um lanche, pedimos dois Mc Lanches Felizes e ficamos nos divertindo com os presentes que neles vieram, após devidamente satisfeitos voltamos a caminhar e durante o por do sol ele se vira em minha direção fazendo com que o sol ficasse focado apenas em meu rosto e fala que gostava de mim há bastante tempo e que não sabia como falar já que nunca havia sentido isso, ele me beijou e depois decidimos deitar um pouco na areia e apreciarmos a companhia um do outro observando as estrelas, que naquela noite parecia estarem brilhando ainda mais para que os casais apaixonados se aproveitassem ao máximo, às oito e meia decidimos voltar ele me deixou na porta de casa e se despediu de mim com um selinho, começamos há namorar um mês depois. Assim continuamos juntos por oito anos, meu pai não gostava muito dele, mas também não fazia nada para atrapalhar, mas há dois anos, Nico, começou a reclamar sobre o tempo que passávamos juntos, que eram poucos e raros, já que eu cursava Medicina e ele Administração nossos horários nunca batiam e ele vivia reclamando sobre eu não achar tempo para nós, ele começou a se afastar, pelo menos não me ligava toda hora perguntando se teria um tempo para ele, e Rachel sempre me alertava que ele e Drew estavam vivendo um relacionamento escondido, não acreditei, e cada vez ele me procurava menos e como eu também não o procurava, as vezes nos falávamos apenas por telefone. Até que o professor do ultimo horário de Quinta faltou e nos liberou, falou que reporíamos no sábado, e eu decidir ir ao apartamento dele para matarmos as saudades, quando fui destrancar a porta percebi que ela já estava aberta e fui direto para o quarto e paralisei diante a cena que vi, Nico e Drew enrolados por baixo de um lençol preto que eu mesmo havia dado a ele, saí de lá e deixei que as lagrimas saíssem apenas quando estava em casa, fiquei três dias sem receber ninguém, e depois recebia apenas Percy, Leo e Rachel, e mesmo Annie estando super atarefada com a faculdade de Arquitetura apareceu lá umas duas vezes, Piper e Jason estavam viajando, ele com a Aeronáutica, pois estavam fazendo um treinamento especial e ela pelo curso de Moda. Após uma semana Bianca foi lá e a recebi, chorei mais um pouco com ela, e sem perceber ela deixou escapar que havia aconselhado Nico a parar com isso, pois já estava acontecendo há um ano, no mesmo momento meu semblante mudou de triste para raivoso e a expulsei do meu apartamento ficando trancada lá, Annie me trazia o caderno de Will Solace, filho de Apolo que cursa Medicina comigo e em todos os trabalhos ele aparecia lá em casa e eu ajudava podendo assim ter meu nome lá para não perder nota.
– Thalia?
Encarei Bianca que havia sentando ao meu lado, enquanto eu fazia esse flashback.
– Tudo bem? – acenei que sim e ela continuou.
– Eu não tenho te visto na faculdade, fiquei preocupada. – apenas reprimi os lábios e encostei minha cabeça no sofá tentando a todo custo não chorar.
– Olha, eu gostaria de me desculpar pelo que fiz a você, sei que não foi certo e se fosse comigo eu gostaria que me contassem, mas Nico é meu irmão e você podia pelo menos... Thalia, Thalia.
Mas nem ousei olhar para trás, a simples menção de seu nome fez com que as lagrimas que custou tanto prender conseguissem se soltar e simplesmente fugi. É parece que eu não estava mesmo pronta para seguir em frente. Dirigi-me a saída da boate, e por sorte um taxi havia acabado de parar e estava descendo dele um grupo de quatro pessoas, entrei lhe dei o endereço e peguei meu celular para enviar uma mensagem a Jason.
“Tive que ir embora, me desculpe e não me incomodem”.
Provavelmente só iria ver a mensagem quando fosse embora, mas não queria que ninguém me incomodasse, pois sei que a primeira coisa que elas fariam seria ir ao meu apartamento para saber o que havia acontecido. Tirei meus saltos e recostei a cabeça o banco e tenho certeza que cochilei, pois só lembro-me do motorista me avisando que já havíamos chegado, paguei ele e desci, nem cumprimentei o porteiro e subi de escada mesmo, já que eu morava no segundo andar e precisava me concentrar em outra coisa, e ficar trancada em uma caixa de ferro não me ajudaria muito, entrei na segunda porta à esquerda e a fechei, encostei minha testa na porta deixei que as lágrimas corressem livremente pelo meu rosto, não me preocupando se eu havia prometido não mais chorar por esse assunto, lentamente me virei e fui escorregando pela porta até chegar ao chão e então me perguntei por que eu sofria tanto por ele? Talvez por tudo que passamos, pelo tempo que namoramos, por todas as vezes que ele ficava ao meu lado quando sentia falta de minha mãe, que também havia morrido, de certa forma, porque meu pai a traiu, ela saiu descontrolada de casa e estava chovendo, bateu o carro e como a rua era escura o socorro demorou a chegar, ela não resistiu. Mas do que adiantaria eu ficar sofrendo por ele enquanto sei que ele nem ao menos se importava se eu estava viva, e nem queria que ele se preocupasse me levantei decidida a prender aquelas lagrimas dentro de mim a todo custo, limpei meu rosto com as mãos e me encaminhei para o meu quarto, peguei uma toalha e fui tomar um banho quente, para clarear as ideias, não mais sofreria por ele, e dessa vez cumpriria com minha palavra, liguei o chuveiro e fiquei horas ali deixando apenas a água descer levando embora toda tensão, tristeza e stress que eu estava sentindo, por mais que minha pele estivesse sendo torturada ficando cada vez mais vermelha só sai de baixo do chuveiro vinte e cinco minutos depois, vesti uma calça e blusas de moletom da universidade e deitei em minha cama já pensando em como minha semana seria agitada.
P.O.V. Nico.
Estava deitado em minha cama há meia-hora fitando o teto, depois que meu relacionamento com Thalia acabou, finalmente podia me divertir e não ter mais que ficar mendigando atenção de apenas uma pessoa, já que varias meninas já haviam dado em cima de mim quando ainda namorava com Thalia, então por que eu não estava feliz? Já eram três e dez da manhã, e minha irmã havia me chamado para ir na Midnight, gostava de ir lá, até porque Apolo era um cara bem legal, mas apenas murmurei que havia muita coisa acumulada com o curso e falei para se divertirem sem mim, não me conhecia mais, desde de quando perdia uma balada para ficar estudando.
– Ainda acordado?
– Você sabe que não consigo dormir cedo Bianca.
– Nico, — ela olhou em seu celular, ainda encostada no batente da porta e falou. – Já são mais de três da manhã
Sentei-me e a encarei, meio incrédulo por ela estar quase me mandado dormir.
– Tenho certeza que você não veio aqui para me informar as horas, ou não?
– Na verdade vim checar se sua dor de cotovelo tinha acabado, pois nem quando vocês brigavam, ela durava tanto assim.
– Engraçadinha. – mostrei meu melhor sorriso de escarnio e me deitei novamente. – O que você quer?
Vi ela se mexendo e levantei um pouco a cabeça para ver o que ela estava fazendo, colocou a bolsa em cima da mesa junto com os saltos que já estavam em sua mão e se deitou ao meu lado começando a fazer cafune na minha cabeça.
– Vi Thalia hoje. – a simples menção de seu nome fez meu coração se aquecer e querer sair soltando fogos, como se em um passe de magica ela apareceria dizendo para voltarmos.
– E daí? – tentei me acalmar e encostei minha cabeça em sua barriga para poder apreciar melhor seus carinhos.
– Achei que gostaria de saber que ela está bem, estava na Midnight com o pessoal de sempre, e até deu uma de Dj.
Lembrei-me de como Thalia havia ficado feliz de ter ganhado a aposta com Apolo.
– Que bom. – foi a única coisa que consegui dizer, sem que minha voz falhasse tanto.
– Nico é sua irmã Bianca, não precisa fingir que está feliz ou que está tudo bem, se sente tanta falta dela assim, por que não vai atrás?
Sim já pensei nisso, só que dai lembro-me de como me sentia quando ela me dispensava porque tinha que fazer alguma pesquisa, ou então estudar.
– Não iria mais dar certo.
– Tudo bem, não vou mais discutir, mas você deveria deixar esse seu orgulho de lado e perdoa-la sabe que ela não fez por mal, apenas está seguindo o sonho de criança.
Não falei nada apenas fitei a escrivaninha que ficava ao lado da porta me lembrando das fotos que antes ficavam ali, e agora estão no fundo do meu guarda-roupa.
– Não, — disse assim que ela ameaçou levantar. — Por favor, dorme comigo essa noite?
Ela apenas assentiu e voltou sua cabeça para o travesseiro.
P.O.V. Thalia.
– Thalia Grace abra já... Não precisava ser tão violenta. – Piper entra em meu apartamento reclamando, só porque abri a porta de uma vez, já que com o escândalo que ela estava dando há cinco minutos acabaria acordando todos os andares do prédio.
– Você ficou batendo em minha porta e quase a derrubou e ainda reclama quando eu abro. – disse me encaminhando para a cozinha, pois havia deixado meu café da manhã me esperando para atender a desesperada.
– O que você queria, se isolou por uma semana, não atendia o celular, não deixava ninguém subir, não apareceu na faculdade, ficamos preocupados.
Me sentei em um banquinho que continha na bancada da cozinha e ela rodeou a mesma ficando de frente para mim.
– Pedi pro Will levar o notebook, então de certa forma eu estava lá.
– Você me entendeu. – se virou e foi pegar um copo. – E por que não atendeu o celular? — depois foi na geladeira e colocou um pouco de agua bebendo-a logo depois, enquanto eu comia mais um pouco de cereal.
– Estava ocupada arrumando alguns documentos para a viagem.
Ela parou de beber agua e me encarou.
– Viagem, você vai viajar?
– Não, meu peixinho dourado chamado Juvêncio que vai, por acaso não viu a mensagem que eu te mandei, tenho certeza que mandei para você? – indaguei colocando mais uma colher de cereal em minha boca, e pegando meu celular do bolso para checar.
– Ah, meu celular quebrou, — levantei as sobrancelhas uma pergunta muda de como você quebrou o celular? – Estava estressada com a Annabeth, ela não parava de me atormentar por que a Reyna não saia do lado de Percy nos jogos na quinta-feira.
– A Reyna aceitou treinar o time dele e já que ele é capitão é normal.
– Eu sei, mas vai tentar convencer ela disso, fiquei com raiva e joguei o celular na parede. – terminou de tomar a agua e eu fiquei a encarado com um sorriso meio encabulado no rosto. – Pelo menos ela parou de me atormentar.
Me levantei e deixei minha tigela na pia, e depois me encaminhei para o banheiro para poder escovar os dentes.
– Tá então te atualizando dos acontecimentos, vou viajar para Londres e hoje a noite terá um jantar de despedida na casa do meu pai.
Coloquei a pasta na escova e comecei a escovar depois de falar para ela, que ficou estática no batente da porta.
– E a faculdade, vai desistir depois de terminar o relacionamento por causa dela?
A encarei pelo espelho e depois de jogar a espuma fora e lavar minha boca olhei para ela e cruzei os braços.
– Foi mesmo por causa da faculdade que meu relacionamento acabou?
– De certa forma.
Revirei os olhos e sai do banheiro com ela me seguindo até meu quarto onde procurei uma roupa para vestir.
– Eu não acredito que você falou isso, e não vou desistir da faculdade, pelo contrario terminarei ela em Londres e quem sabe depois não consiga um emprego lá.
– Você ainda não me convenceu de que está indo para a lá apenas por causa da faculdade.
– E não estou. – a encarei e proferi aquelas palavras que mesmo sem deixar transparecer, doeram. – Também estou fugindo dele.
P.O.V. Nico.
Havia acabado de sair do banho e estava deitado de bruços em minha cama apenas de cueca com a toalha enrolada em meu corpo, pensando em como meu orgulho foi ferido essa semana.
– Vai mesmo deixar Thalia escapar? – Bianca apesar de ter me dado um susto não estava rindo
– E o que você quer que eu faça? – perguntei me levantando da cama e indo pegar uma roupa para vestir, apesar de já ter ficado até pelado na frente da minha irmã não me sentia confortável.
– Corra atrás, afinal você a ama, e ela também ainda te ama.
– Como pode ter certeza disso?
– Você não falou que não iria mais discutir por causa disso?
– Desisti.
Apenas revirei os olhos, agora olhando nas gavetas.
– Você sabia que ela vai embora para Londres amanha? – fiquei estático por um minuto e minhas mãos pararam de remexer na gaveta.
– Ela não quer mais nada comigo. – foi apenas o que consegui dizer, tentando não transparecer o quanto fui atingido por essa noticia e esperando que minha irmã me deixasse em paz, mas não ela continuou lá.
– Encontrei Piper e Silena hoje no shopping, elas estavam falando sobre um jantar que aconteceria, ou que está acontecendo, na casa de Zeus hoje para a despedida dela.
– E dai? Ela não está indo embora por causa de mim? – interrompi minha irmã tendo certeza do que falei.
– Eu não havia terminado de falar e não dei permissão para você me interromper. – apenas balancei a cabeça e continuei procurando a merda da camiseta queria vestir uma que Bianca odiasse, mas não estava encontrado. – Continuando, perguntei a Piper o porquê, e ela me falou que era por causa da faculdade, vai fazer um intercambio.
– Viu se ainda estivéssemos namorando ela iria me deixar aqui e iria para Londres, sem nem perguntar o que eu achava.
– Que droga Nico, não me interrompa. — ela gritou desencostando do batente da porta, após alguns segundos ela seguiu. – E logo depois ela completou meio relutante, que sim ela também estava fugindo de você.
Paralisei pela segunda vez na noite, com as mãos no ar e uma sensação de aquecimento crescer em meu peito, já que ela havia se extinguido na ultima semana, mas ai me lembrei que era de Thalia Grace que estávamos falando, a menina que não voltava atrás em suas decisões, simplesmente por causa do orgulho.
– E o que você quer que eu faça? – repeti a pergunta que havia começado nosso dialogo extremante irritante, e dessa vez já estava com raiva revirando totalmente minha gaveta de camisas.
– Vá atrás dela. – ela falou como se fosse obvio e fácil e então todas as frustações da semana vieram e não consegui me conter.
– E você acha que eu já não tentei. – bati com violência a gaveta no guarda-roupa me virando para ela com uma raiva impregnada em meus olhos. – Nessa ultima semana tudo o que eu fiz foi correr atrás do prejuízo que não corri nos últimos dois meses, fui todos os dias em seu prédio cheguei até a mandar cartas, já que e-mails e mensagens ela nem sequer se dignava a me enviar uma resposta dizendo para parar com tudo isso. – mexia minhas mãos freneticamente, estava nervoso e com raiva, como assim ela ousa tentar fugir de mim, sem nem ao menos deixar me desculpar. – O porteiro ameaçou chamar a policia, pois eu havia invadido propriedade particular quando me veio na cabeça à ideia de subir pelas escadas até seu apartamento e ele infelizmente estava saindo do apartamento vizinho, — me sentei na cama e me segurei ainda mais para não chorar, minhas lágrimas clamavam para sair, já estavam sendo aprisionadas por muito tempo. – Eu não sei mais o que fazer Bianca, eu não quero perde-la.
Murmurei encarando minha irmã que havia assistido meu surto, se aproximou de mim e deitou minha cabeça em seu colo, e finalmente deixei as lágrimas saírem, e finalmente me sentir acolhido, mas não feliz.
P.O.V. Thalia.
– Thals, por favor, fica.
Havíamos chegado no aeroporto fazia cinquenta minutos e eu já havia feito o check-in, agora faltava apenas vinte e cinco minutos para o embarque e minhas mãos começavam a suar, odiava altura, por isso planejei dormir o voo inteiro, Percy, Jason, Leo, Piper, Rachel e Annie vieram comigo, meu pai estava trabalhando como sempre e alegou que se viesse não me deixaria ir, e já que estávamos apenas esperando a chamada para ir para a sala de embarque Annie já queria começar a chorar.
– Annie o papel de menina chorosa e da Piper.
Sorri com o comentário de Rachel, ela, Piper e Leo eram os únicos que me apoiavam na viagem.
– Ei, eu não sou tão dramática assim.
– Por favor, Piper, parece até que andou pegando algumas aulas com tio Zeus.
– Affs cabeça de algas, teremos muito tempo para discutir se Piper é ou não dramática, mas para impedir Thalia de cometer uma burrada só mais alguns minutos.
– Concordo com a Annabeth, Thalia, ir para Londres apenas para fugir do di Angelo é idiotice.
Meu querido irmão Jason deu o ar da graça, não ter a aprovação dele estava me deixando triste, mas não iria desistir apenas por isso.
– Pois eu não, por mais que lá não seja tão belo como o Havaí, vai ter muitas gatinhas para o Leo quando eu for te visitar.
Olhei para o Leo espantada por tamanha cara de pau.
– Jason você sabe que desde pequena eu queria estudar fora, e Leo desde quando eu falei que vou querer você me visitando?
– Já imagino você me ligando de madrugada apenas para falar que estava com saudades de ouvir minha voz.
Balancei a cabeça, e naquela hora pensei em como sentiria falta deles, realmente sempre tive esse sonho de sair de Nova York, mas agora que estava mais perto de realizar meu sonho me perguntei se era isso que eu queria, e dai me lembrei da ultima semana, de todas as vezes que Nico foi lá em casa, das cartas que guardei no fundo do guarda-roupa no meu quarto na casa do meu pai e de tudo que havia lido nas mensagens que ele me enviou, e percebi que sim, estava fazendo a coisa certa.
– Thalia pensa mais um pouco.
– Desculpe Annabeth, mas nada do que vocês falarem vai me fazer mudar de ideia.
Decretei e percebi que todos olhavam por cima do meu ombro meio que incrédulos, me virei e ali estava ele, o pesadelo da minha semana, a última pessoa da face da terra ao qual eu queria ali naquele momento.
– Não estava pensando em fazer você mudar de ideia quero apenas que você me escute.
Nico estava ali com Bianca e Connor, uma regata branca por baixo de sua jaqueta de couro preta, calças rasgadas no joelho e desgastadas e coturnos pretos, suas olheiras notavam-se de longe e lhe davam mais pose de bad boy mal encarado do que ele já tinha, estava parado com sua guitarra e uma pequena caixa de som ao lado.
P.O.V. Nico.
Se eu estava nervoso? Logico, afinal essa era minha única e ultima chance sabia que se falhasse nessa, perderia ela para sempre, todos estavam me olhando e ainda não havia se formado uma multidão em torno de nos, mas seus amigos me olhando já me acanhavam por uma multidão de cinquenta pessoas.
– E por que eu faria isso? – ela disse cruzando os braços e levantando uma de suas sobrancelhas.
– Por que apesar de tudo você não quer que eu seja o errado da historia, quer que eu corra atrás de você, não para me humilhar, até porque se fosse por isso seus amigos saberiam que durante toda essa semana eu fui a seu apartamento para tentar me desculpar. – notei ela engolir em seco e continuei minha esperança ainda continuava alta. – Você quer que eu corra atrás de você para mostrar que me importo com você, que me importo com nos, que não consigo ficar longe de você, que quero e preciso cada dia mais de você, do seu beijo, do seu toque, para mostrar que sinto sua falta, e que cada dia que acordo me sinto horrível por não ter mais você ao meu lado.
Começo a tocar a canção do Blink 182 – I Miss You, de uma maneira mais lenta, fazendo quase que ficasse quase melancólica, mas que não perdesse a graça e que ela entendesse o recado, já que creio eu, essa música se encaixava perfeitamente em minha situação com a dela.
Hello there, the angel from my nightmare
(Olá, anjo do meu pesadelo)
The shadow in the background of the morgue
(A sombra no fundo do necrotério)
The unsuspecting victim of darkness in the valley
(A vítima menos suspeita na escuridão no vale)
We can live like Jack and Sally if we want
(Podemos viver como Jack e Sally se quisermos)
Where you can always find me
(Onde você sempre pode me encontrar)
We'll have Halloween on Christmas
(Nós teremos o Dia das Bruxas no Natal)
And in the night we'll wish this never ends
(E na noite desejaremos que isto nunca acabe)
We'll wish this never ends
(Desejaremos que isto nunca acabe)
Estar com Thalia Grace para mim era desse jeito, quando namorávamos na adolescência nunca sabíamos o que fazíamos, mas poderia dizer que fomos bastante invejados por vários outros casais da escola, por conta do nosso namoro ser tão intenso e ao mesmo tempo tão verdadeiro que parecia que carregávamos uma placa dizendo que éramos um do outro, bom eu ainda carregava a minha, grudada em minha testa.
(I miss you, miss you)
(Sinto sua falta, sinto sua falta)
(I miss you, miss you)
(Sinto sua falta, sinto sua falta)
Where are you and I'm so sorry
(Onde você está e eu sinto muito)
I cannot sleep I cannot dream tonight
(Não consigo dormir não consigo sonhar esta noite)
I need somebody and Always
(Eu preciso de alguém e sempre)
This sick strange darkness
(Esta estranha doente escuridão)
Comes creeping on so haunting every time
(Vem rastejando e assombrando o tempo inteiro)
And as I stared I counted
(E enquanto eu olhava fixamente eu contava)
Webs from all the spiders
(Teias de todas as aranhas)
Catching things and eating their insides
(Pegando coisas e comendo seus interiores)
Like indecision to call you
(Como a indecisão de te ligar)
and hear your voice of treason
(E ouvir sua voz de traição)
Will you come home and stop this pain tonight
(Você vai vir para casa e parar esta dor esta noite)
Stop this pain tonight
(Parar esta dor esta noite.)
Sim havia perdido varias noites de sono pensando em Thalia, pensando em como pude ceder aos encantos de Drew, e por isso me enfiava em alguma balada e dormia com alguém, mesmo que no outro dia me sentisse mais sujo do que se ainda estivesse traindo ela com Drew, há três semanas que não saia com mais ninguém, apenas sonhando em voltarmos, ou tendo pesadelos dela nos braços de Will.
Don't waste your time on me you're already
(Não perca seu tempo comigo você já é)
The voice inside my head (miss you miss you)
(A voz dentro da minha cabeça (sinto sua falta, sinto sua falta)
Don't waste your time on me you're already
(Não perca seu tempo comigo você já é)
The voice inside my head (miss you miss you)
(A voz dentro da minha cabeça (eu sinto sua falta, sinto sua falta).
E olhando em seu olhos disse.
– Eu Sinto sua falta Thalia Grace e por isso quebrei aqui minha regra de nunca tocar nem cantar em publico, esses dois meses que passei sem você foram horríveis, hoje compreendo, que não é por que você ama medicina que vá me abandonar, e eu estou aqui para lhe pedir perdão, não estou pedindo para correr me dar um beijo e dizer que está tudo bem, se bem que não seria nada mal, apenas acene que sim e deixe-me tentar te reconquistar mais uma vez, e dessa vez para sempre?
Ela esperou alguns torturantes minutos e meu nervosismo só foi aumentando até que finalmente ela acenou que sim e foi o melhor momento dos últimos dois meses da minha vida, logo depois vi ela correndo para mim e me dando um longo abraço ao qual senti muita falta e apreciei de olhos fechados, finalmente o calor que havia desaparecido do meu coração estava voltando, alguém pigarreou atrás de nós e me lembrei que não éramos os únicos ali, ela se afastou de mim, mas passou a mão pela minha cintura e eu pelo seus ombros.
– Muito lindo o que você fez di Angelo, mas agora temos menos tempo ainda para tentar convencer Thalia a não ir para Londres.
– Já disse que não vai funcionar Annabeth.
– Mas como você vai tentar reconquistar a amizade de Thalia com ela lá em Londres?
Piper perguntou e quando eu ia responder a mulher no alto-falante fala.
P.O.V. Thalia.
Passageiros do voo 849, com destino a Londres, dirijam-se ao portão dez para embarque.
– Nós daremos um jeito.
Olhei para Nico que piscou para mim e lhe sorri, me soltei de seus braços e comecei a me despedi do pessoal, Annie, Rachel e Piper começaram a chorar e me abraçaram todas juntas, Leo falou que era para aproveitar ao máximo me dando um abraço, abracei Jason e Percy juntos, pois foi com eles que passei mais tempo e não conseguiria escolher um para abraçar primeiro, depois eles foram ficar ao lado das namoradas, Bianca e Connor me desejaram boa sorte e me deram um abraço e quando fui me despedir de Nico, Bianca entrou em minha frente jogando os braços ao redor do pescoço do Nico.
– É para você me ligar todo dia, senão eu te busco pelas orelhas.
Não entendi o que aquilo significava então arrisquei.
– Hã, você também vai viajar? – perguntei apontando meio incerta para ele.
Ele me deu seu melhor sorriso e disse com Bianca ainda junto a si.
– Vou terminar minha faculdade em Londres, enquanto ajudo a administrar uma das filiais da empresa do meu pai por lá.
Apenas sorri e entrelacei nossas mãos, sentindo pela primeira vez suas mãos, antes gélidas, que hoje estavam quentes aquecendo as minhas que hoje estavam geladas, é talvez ter dado uma segunda chance a Nico di Angelo não tenha sido tão ruim.
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