O Gosto de Uma Alma - Interativa
1 Prólogo
Notas iniciais
O pobre homem à sua frente se encolhia, balbuciando, num fio de voz, uma série denãos.
—Uma breve fórmula-
Em um quarto vazio, ponha um “não me mate” e adicione um “eu não mereço isto”. Repita o processo. Dentro de alguns minutos, conseguirá arrancar um sorrisinho da bruxa.
O desespero comia os olhos do homem, o medo possuía seu corpo. A bruxa olhou enojada para aquele que um dia fora poderoso. Céus, como umduquepoderia fazer algo tão sujo quantoimplorar?!
Não se engane, no entanto. A bruxa, aquela que não possuía alma, já estava acostumada com as lágrimas profundas dos que fizeram um acordo que não poderiam pagar — ou, no caso, eram covardes demais para isto. Só esperava que o choro fosse maissilencioso, com aquele toque de orgulho que apenas os mais abastados carregavam em sua voz.
Os soluços ecoavam e dentro de alguns minutos, sabia, alguém irromperia nos aposentos do nobre. Decidiu, então, apenas cumprir sua importante tarefa.
A bruxa agachou-se em frente ao homem, que a olhou com terror. Ele abriu a boca para proferir inúteis palavras. Ela aproveitou a deixa. O duque sentiu um estranho toque em sua boca, que tinha o gosto do vazio.
—O gosto da alma do duque-
Inveja/luxúria/preguiça/avareza/gula/ira/orgulho.
A mulher puxou a alma para si e a embrulhou em seu estômago, para, então, uma dor tórrida atravessá-la. Na marca em suas costas, que possuía a forma de uma árvore, um novo galho cresceu/foi entalhado. A tinta preta manchava sua límpida pele, e cobria toda a extensão de sua coluna.
Um breve momento de confusão seguiu-se. Olhou ao redor e, rapidamente, reconheceu onde estava. À sua frente, havia a silhueta de um homem, sentando em um trono.
A bruxa curvou-se:
—Milorde.
Notas finais
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