O Garoto e o Sonho

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa é uma daquelas fanfics que se escreve em uma madrugada...so...espero que gostem, mesmo que não tenha Lemon sdçkjsdbgkjs

Fazia muito frio. A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era última noite do ano no calendário lunar. Véspera do Seollal na Coreia.

Perdido no meio do frio intenso e da escuridão, um pobre garoto seguia pelas ruas desertas com a cabeça descoberta e com os pés descalços. Perdera os chinelos no meio da neve enquanto fugia de um trem ou atravessava a rua, o menino não se lembrava muito bem, e aquele era o único par que conseguiu trazer consigo ao sair de casa.

Levava com ele apenas um caderno com uma boa quantidade de folhas. Nessas folhas continham letras compostas por ele, dos raps que performava na rua, em sua mínima esperança de conseguir sobreviver com sua música. Porém, ninguém se interessou no garoto. Apenas o olhavam estranho e o censuravam, e, portanto, não conseguira ganhar uma moeda se quer. Mesmo assim, o garoto seguia, com seus pés roxos de frio.

Sentia muita fome. Sua face estava mais pálida que de costume, e suas bochechas estavam encovadas. Sua pele estava um pouco machucada em vários pontos, hematomas que já estiveram bem piores, mas sumiam com o tempo. Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos negros e desarrumados. Mas ele nem pensava em sua aparência. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro de arroz e carnes cozidas chegavam à rua, pois era véspera do Ano Novo coreano, e era nisso que ele pensava.

Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de um portal, onde achou um isqueiro usado. Estremeceu de alívio. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa. Afinal, lá estava seu pai, e se ousasse passar por ele, era capaz do pai o bater outra vez, ou até mesmo algo pior.

E afinal, em casa não encontraria calor. Sua família tinha uma boa condição financeira, provavelmente estavam aproveitando uma ceia deliciosa, no espaço aconchegante de sua grande casa. Estavam melhores sem ele, afinal, era a vergonha da família. Não teria coragem de olhar nos olhos de sua mãe após ter feito ela chorar por sua causa. Não teria coragem de encarar seus irmãos por fazer seus pais ficarem tão mal. Não queria mais nem sonhar com seu pai, pois pensou que o mesmo iria lhe matar.

Sua última visão de sua casa era sua irmã e seu irmão abraçados na mãe, enquanto seu pai o batia. Não conseguia ouvir o que ele dizia, ou mesmo olhar em seu rosto. Sentia muita dor e sua visão estava embaçada pelas lágrimas.

Tudo isso porque, afinal, o Hip-Hop era uma maldição que havia caído sobre sua família. Tudo isso porque queria viver de música, e a música era o que o atrapalhava em seu futuro. Tudo isso porque o descobriram reescrevendo as músicas que, uma vez, sua mãe havia rasgado "pelo seu bem". Tudo isso, pois afinal, seus pais queriam o seu melhor.

Eles disseram que o garoto não merecia carregar o nome da família, e então, destruíram tudo o que ele amava e o jogaram na rua, junto com suas composições.

"Se acha que essa abominação lhe dará algum futuro, pois viva dela, se é o que deseja. Mas nunca mais apareça na minha frente com isso. Fui claro?"

O Garoto acendeu o isqueiro. Seu fogo era fraco e logo acabaria. Como seria bom poder acender uma fogueira para se esquentar um pouco...se usasse uma de suas folhas para queimar.

Em algum tempo, a folha se incendiou. E que luz era aquela? Por um momento, menino se viu aconchegado, encostado em alguém, com uma grande e bonita lareira à sua frente. Era um quentinho tão bom! Ao olhar para o lado, viu sua irmã sorrindo também encostada no outro ombro daquela pessoa. Ao perceber que era sua mãe e esticar os pés para se aquecer, o fogo se apagou e a lareira desapareceu. Ele se viu sentado na neve com algumas cinzas ainda quentes no chão sujando a neve, com o fogo quase se apagando na ponta da folha.

O Garoto jogou mais algumas folhas. A chama se acendeu e brilhou. Onde a luz tocava na parede se tornou transparente, e logo, se viu em pé em um lugar iluminado, com muitas pessoas. Quando olhou para o lado, se viu com roupas estilosas e, provavelmente caras. Seu cabelo tinha uma cor diferente, estava arrumado, e estava maquiado. Parecia tão bonito que nem se reconheceu de primeira. Em seu ouvido estava presa uma escuta, e quando olhava para o lado, as pessoas davam sorrisos encorajadores.

De repente, ouviu um barulho muito alto de uma multidão gritando. O fogo se enfraqueceu,e o pobre garoto se viu diante de uma parede escura e fria.

Mais algumas folhas queimadas e imediatamente se viu sentado em uma mesa junto de mais seis pessoas. Elas pareciam muito bonitas, porém muito tensas. Repentinamente, se sentiu nervoso e ansioso.

"Bangtan Sonyeondan! Parabéns!" Uma mulher disse, distante. Ouviu mais uma multidão gritar e os seis homens ao seu lado se levantarem. O garoto arregalou os olhos o máximo que pôde, e subitamente sentiu uma felicidade inexplicável. Foi com eles até grandes escadas, e ao chegar lá em cima, viu milhares de pontinhos brancos, balançando alegremente enquanto a plateia gritava e aplaudia.

"Best album of the year..." ouviu ao longe

O fogo se apagou, e os pontinhos foram subindo e subindo...e ele percebeu então que os pontinhos eram apenas estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras caiu em direção à terra deixando atrás de si um rastro de luz

"Foi alguém que morreu..." pensou consigo. Pois sua irmã, que ele amava muito, sempre o dizia que estrelas cadentes eram almas que chegavam ao céu.

Tentou imediatamente acender o isqueiro mais uma vez para queimar mais folhas, uma vez que o fogo que utilizara antes se apagou completamente.

Assim que a luz se acendeu, viu os seis garotos de antes, o olhavam com ternura, o olhavam com confiança.

O Garoto não os conhecia, mas sentiu neles uma conexão única, um conforto.

—Eu não sei quem são — disse o Garoto — Mas deixem-me aqui com vocês! Eu sei que quando o fogo se apagar, não estarão mais aqui! Sumirão daqui como todas aquelas visões e todos aqueles sentimentos, tão lindos!

Imediatamente o garoto jogou todas as suas folhas, todas as suas músicas e composições no fogo, que ardeu tanto como se fosse dia. Nunca em sua vida tinha visto um lugar tão grande, com tantas pessoas. Estava em cima de um palco, um microfone na mão, e seus novos amigos riam de uma forma que aquecia seu coração.

"Kim Seokjin! Min Yoongi! Jung Hoseok! Park Jimin! Kim Taehyung! Jeon Jungkook! B-T-S!"

Ouviu a plateia gritar. A música que tocava era alta. O Garoto então sentiu algo dentro de si, tão quente quanto o fogo que ardia lá fora. E então, pôs-se a fazer o que amava.
Ele parecia incrível pelo telão. Estava sendo apoiado por seus colegas, e a plateia gritava no ritmo, gritava o seu nome. Tantas milhões de pessoas admiravam o seu trabalho...

Até que o menino enxergou na plateia: Sua mãe, seu pai e seus irmãos, orgulhosos, pulando e gritando junto com os fãs, de pura alegria.

A voz do Garoto falhou, e imediatamente começou a chorar, ao mesmo tempo que não conseguia parar de sorrir. Naquele momento, já não sentia mais frio, fome ou desgostos.

Agachou-se no chão e se entregou. Se sentia cansado. Tremia, sem forças, mas ele nem mesmo sabia o que sentia.

Seus seis anjos misteriosos chegaram em volta dele, rindo.

Um deles disse, baixinho:

—Bem-vindo, Min Yoongi. Esse é o seu lugar, aqui é onde você merece estar.

"Suga! Suga! Suga! Suga!"

Mas ali, naquele canto, junto ao portal, ao nascer do sol na manhã gelada, estava caído um menino, com as faces roxas e um sorriso nos lábios. Morto de frio, na última noite do ano. O dia de Seollal nasceu, indiferente ao pequeno cadáver que ainda tinha o isqueiro esgotado em suas mãos e montes de cinzas ao seu redor.

—Coitadinho, ele só tentou se aquecer!

Exclamaram meninos magros que passaram por ali num grupo de seis, assim como várias outras pessoas. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas o menino viu à luz do fogo, e nem o brilho com que entrou, junto com seus fãs, no Ano Novo

Notas finais
Apenas queria dizer que esta é apenas uma fanfic. O Yoongi nunca chegou a morar na rua ou ser expulso de casa realmente.
E pra vocês que leram comentarem. Isso me faz feliz XD
Vou ficar neurótica nos próximos dias entrando no site pra ver se alguém falou alguma coisa LOL

Outra coisa: Me desculpe se a fanfic ficou meio forçada ou mal descrita. É um defeito meu desde quando eu escrevia lá em 2014. Eu tô tentando corrigir, sério.
Well, thank you! Tchaaau!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!