Essa é a historia de um garoto que se apaixonou pela neve... Vivia em um país tropical onde era impossível nevar. Só conhecia a neve por meio de filmes que assistia na televisão e na primeira vez que a viu ficou encantado. Sonhava todas as noites com aquela neve branca que parecia ser linda e macia mas todas as manhas acordava com uma tristeza no coração por saber que nunca poderia te-la com ele. Os dias de sua vida foram sem graça e frustrantes até que depois de anos um inverno diferente chegou. Acordou numa bela manha fria e abriu a janela como fazia de costume e se deparou com flocos de neve caindo do céu. Seu sonho estava se tornando realidade. Nunca foi tão feliz. Durante aqueles três meses, que pareceram três anos, saia todo dia cedo de casa para se deliciar com o frio e a neve. Não precisava de amigos, não precisava de companhia, não precisava de nada. Tinha tudo o que precisava ali com ele, sua linda e branca neve. Estava apaixonado. Mas nada é eterno. Numa manha como qualquer outra abriu a janela para receber os primeiros ventos gélidos em seu rosto e percebeu que o vento já não era tão gelado e que a neve já não caia do céu. Ficou desesperado. Estava tão feliz que não viu o tempo passar e quando se deu conta era o ultimo dia de inverno. Não sabia o que fazer. Correu para a rua para encontra-la e não encontrou. Olhou para o céu chorando pedindo que ela não o deixasse, mas não adiantou, ela já o tinha abandonado. As pessoas na rua olhavam para ele com certa estranheza se perguntando o porquê dele estar chorando e olhando para o nada. Pensou então que tinha enlouquecido. Tinha se apaixonado por um fenômeno da natureza, algo sem sentimentos que não o escutava nem o sentia como ele a sentia. Depois daquele dia nunca foi o mesmo. Tinha raiva da neve. Tinha saudades da neve. Sabia que nunca a encontraria mais uma vez mas passou o resto de sua vida olhando para a janela com esperanças de reencontrar o amor de sua vida. Até o ultimo dia de sua vida não tinha ninguém para lamentar sua morte. Acabou sem amigos e sem família. Mas no dia que foi cremado algo inesperado aconteceu como naquele inverno de anos atrás. Como se algo ou alguém estivesse lamentando sua morte, nevou.

Vinicius Caldas

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