Ao acordar no outro dia, levantei-me rapidamente, pois mesmo de ressaca, esse seria o dia em que eu sairia com Renan, e eu estava extremamente empolgada com isso. Coloquei minhas roupas e acordei minha irmã, que após muita relutância também se levantou e se vestiu para irmos embora.

Andamos alguns quarteirões até chegarmos em casa, e claro, Nini estava reclamando o tempo todo sobre ter que acordar cedo só porque eu iria sair. E ao chegarmos em casa, corri tomar um banho e escolher minhas roupas. Abri meu armário e tirei de dentro uma calça jeans azul escuro, uma blusa preta e uma camisa jeans. Tudo muito simples, mas como iríamos à um jogo de futebol americano, estava mais do que apropriado.

Mesmo tendo acordado cedo, eu já estava um pouco atrasada, então apenas coloquei meus tênis brancos, comi uma banana e saí correndo para pegar um ônibus e encontrar o Renan.

O ônibus passou uns cinco pontos até que um moreno alto e meio desengonçado se sentou ao meu lado, era o Renan.

—Oi, tudo bem? — o garoto perguntou e eu lhe respondi com um breve "uhum".

Pode parecer um pouco frio se parar para pensar que eu gostava dele, mas era apenas um jeito de cuidar do meu coração. Bem, Renan era o tipo de cara que não se importava com ninguém, ou pelo menos, era o que ele fazia parecer.

Não se passou 5 minutos da viagem de ônibus que duraria duas horas, e ele pegou o celular. Com uma olhada de canto, vi o chat aberto com um contato registrado como "ursa" e um coração roxo do lado. Doeu um pouco, mas eu não tinha nada com ele, então fiquei em não parecer magoada e apenas aproveitar a viagem de ônibus e o jogo.

Acho que não conversamos em nenhum momento da viagem, apenas fiquei observando o caminho. A estrada asfaltada, o majestoso mar sem nenhum reflexo de luz devido as nuvens que haviam no céu, o túnel interminável que dividia as cidades, o arco enorme que anunciará que chegamos a última cidade e por fim, o grande prédio universitário onde iriamos descer da lata de sardinha lotada de desocupados.

Ao descermos, olhei para Renan, e o mesmo não se encontrava com interesse algum em engajar uma conversa comigo. Me senti um pouco mal por isso, desconcertada. Comecei a desejar que não tivesse ido ver esse jogo. Talvez tivesse sido melhor ficar em casa, afinal, era só um jogo. E foi com esse pensamento que chegamos ao grande estádio onde ocorreria o evento.

No jogo haviam líderes de torcida com um corpo muito bonito, mas o rosto, nem tanto. Renan, concordava comigo nesse ponto, isso nos rendeu algumas piadas até o jogo começar. Finalmente estávamos conversando. Sobre o jogo, mas estávamos.

— Você está entendendo alguma coisa? – Ele me perguntou enquanto uns garotos arrastavam dois pontos pelo campo.

— Nadinha. – Falei tentando entender o que se passava ali.

— Tá vendo os dois caras com os pontos? – Fiz que sim com a cabeça – O time tem que passar aqueles pontos.

— Ah... Não entendi. – Ambos demos risada.

— É burra feito uma porta. – Ele disse guardando o celular.

— Não ofenda as portas! – Lhe disse voltando a prestar a atenção no jogo.

E, no momento em que virei o rosto, um dos garotos do time que estávamos torcendo, pegou a coisa que parecia uma bola e começou a correr pelo campo passando por várias jardas, até que então...

— TOUCHDOWN! – Gritou o gordinho que estava narrando o jogo, seguido de múltiplas vozes e gritos pela arquibancada. – Esse Batman é incrível mesmo! – Continuou ele. Acredito que estivesse falando do garoto que fez o ponto, pois o mesmo usava chuteiras do personagem de quadrinhos.

O jogo foi passando, e o time que torcíamos começou a perder feio, foram muitos e muitos TDs feitos pelo outro time. Infelizmente, o primeiro TD que nosso time tinha feito, foi o último daquele jogo.

E, logo que o jogo acabou, descemos da arquibancada dar um “oi” a um amigo meu que estava jogando e um amigo do Renan que também estava no campo. Ficamos escorados em um muro durante meia hora, enquanto os jogadores levavam um esporro do treinador com sotaque enrolado. E finalmente, eles vieram nos cumprimentar. Primeiro o camisa 5, meu amigo, Messias. Um moreno magricelo de 1,80. Ele me deu um grande abraço e saiu para falar com outras amigas que ele havia convidado para o jogo. Mas logo depois, veio o amigo do Renan. Um garoto loiro, alto, cheio de músculos, até parecia um armário.

— Mooni, esse é o Ivan. – Renan nos apresentou.

— Oi. – O loiro disse estendendo sua mão para apertar a minha. – Muito prazer! – De perto podia-se ver os detalhes de seu rosto, sua barba suja de sangue, seu nariz grande e curvado e seus olhos de um verde extremamente claro.

— Mooni? Não vai apertar a mão do Ivan? – Perguntou Renan, me tirando do meu transe e me fazendo ruborizar em frente ao novo garoto.

— Vou, Claro! – Falei apressadamente e pegando a mão do garoto. – Monica, mas me chama de Mooni. – Disse balançando sua mão agitadamente.

— Prazer Mooni Monica. – Disse abrindo um sorriso debochado e fazendo seu amigo rolar os olhos.

— Voltei! – Messias disse me agarrando por trás. – Tudo bem, meu amor?

Bem, eu e Messias tínhamos um pequeno romance há 3 anos, mas nunca tínhamos sequer nos beijado, só nos falávamos por mensagens e vivíamos brigando. Mas é claro que o cara não iria deixar passar dessa vez.

Enquanto Messias me virava para me beijar, vi Ivan encarar meio desconcertado, falar algo para Renan e depois entrar no vestiário.

Eu e Messias ficamos nos agarrando até que Ivan saiu do vestiário, agora limpo, sem nenhuma mancha de sangue ou terra. E nos chamou para ir embora. Juntei-me ao armário loiro e ao pateta moreno e fomos ao estacionamento, onde vimos vômito na porta de um dos carros.

— Acredita que descobriu qual era meu carro e veio vomitar na minha porta. – Um cara parrudo, porém baixo, disse provocando uma risada no Ivan.

— Esses caras não prestam, não se pode dar uma batidinha neles, que eles vêm vomitar na sua porta. – Ivan disse me dando um tapinha no ombro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.