Quando acordei, minha cabeça doía, doía muito, latejava. Abri um pouco os olhos e vi algumas luzes embaçadas e umas vozes abafadas.

—Oh, meu Deus! Anderson! Ela está acordando! — Escutei minha mãe dizer.

—Rosie! – Meu pai veio correndo na minha direção — Você está bem?

—O que... O que aconteceu? – Murmurei com a voz meio embargada, talvez pela náusea que eu estava sentindo naquele momento

— Foi no jogo — minha mãe começou a falar — Você se distraiu e a bola de vôlei bateu na sua cabeça com muita força porque foi direto do saque, e como estava distraída, com o impacto você se desiquilibrou e bateu com a cabeça no chão.

Instantaneamente levei a mão a cabeça. Isso foi um erro, pois ao toca-la senti um curativo enorme que ia da testa a cabeça, um pouco acima da orelha e doeu mais ainda.

—Aiiiii – quase gritei.

—Fique calma filha- minha mãe me tranquilizou- daqui a pouco iremos voltar para casa, mas você vai precisar ficar mais algumas horas em observação.

Abri mais um pouco os olhos e vi minha mãe. Ela estava abraçada ao meu pai e os dois me olhavam com uma ternura como se eu fosse um recém-nascido que acabara de nascer. Isso era estranho. Mas não tinha nem forças para protestar, então apenas fechei os olhos novamente.

Quando acordei, Samantha estava sentada na cadeira ao meu lado e nem havia tirado o uniforme ainda.

—Amiga! Como eu fiquei preocupada! – Ela fez menção de me abraçar mas lembrou do meu estado.

— Sam... – Tentei dizer alguma coisa, mas minha voz não saiu como eu queria.

— Psiu! – Me interrompeu colocando o dedo indicador de leve nos meus lábios- Não precisa dizer nada, eu vi o que aconteceu. Você ficou tão vidrada em Edward torcendo por nós que até esqueceu do jogo! Olha só o que a paixão faz com as pessoas! – Completou fazendo menção a mim deitada naquela maca de hospital com um curativo enorme e dolorido. Comecei a rir, mas a dor me interrompeu e quase que a risada se transformou em choro.

— Ah, Rosie – Ela recomeçou a falar depois de meu riso dolorido- O Chico vai vir mais tarde, ele não pode vir agora comigo porque tinha compromisso, mas me prometeu que vai passar lá em casa mais tarde para podermos vir te buscar.

— Obrigada.... Vocês são.... Muito legais... – Não consegui ter muita coerência na minha frase, mas ela começou a rir e entendeu o que eu quis dizer.

— Até mais tarde Rosie, vê se melhora viu? – Disse já se levantando e dando uma ajeitada no rabo de cavalo ruivo que pendia de sua cabeça.

Alguns minutos após a saída de Samantha do “ meu quarto” escutei uma leve batida na porta.

— Posso entrar?

Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar do universo. Era mesma voz que me alertara pouco antes do meu “acidente”. Era Edward.